quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012

Uberaba tem carnaval?


Ouvi essa pergunta de um membro da alta sociedade uberabense. Que ainda completou – “Sempre me perguntam lá fora, se Uberaba tem carnaval, digo que não!”

Cairia bem o título do texto da Manuela Colla, de Porto Alegre - “Quem tem medo de Carnaval?” para o objetivo desta reflexão, sobre a festa na terra do Joubert de Carvalho.

Uberaba tem sim carnaval! E desde 1880. Enquanto esse membro da alta sociedade não sabe ou fingi não saber, quem ficou por aqui, se divertiu ao som das Marchinhas tocadas pelo Chorocultura no Mercado Municipal.

E apesar das mordidas e assopros para a realização da festa popular, teve, ainda que esvaziado, os tradicionais desfiles das Escolas de Samba e show de sertanejo. (sinceramente não sei de que foi à ideia, do sertanejo).

Depois da mordida pelos “erros” administrativos e os assopros pela mudança de planos na ultima hora, enfim o carnaval foi divulgado, infelizmente na semana do próprio carnaval. Problemas de divulgação, óbvio! E admitidas pela própria Prefeitura.

Mas quem mordeu mesmo, foi o Juiz titular da Vara da Infância e Juventude de Uberaba, Nilson de Pádua Ribeiro Júnior, que proibiu a entrada de menores de 12 anos acompanhados de responsáveis. Resultado, carnaval às moscas.

E ainda, as blits da Polícia Militar incidindo em documentos de contribuição de imposto. Dos poucos que foram até folia no Centro Park, ficaram sem seus veículos e sambarão literalmente. Mas, é bom saber que a Policia Militar está atenta, e espero que continue assim, em eventos como o Axé Uberaba, por exemplo.

Mas, no final o Juiz Nilson de Pádua, assoprou e liberou a entrada de menores acompanhados. Pena que foi só no fim da folia! E com sopro do Pádua, as escolas do primeiro grupo desfilaram lindas, e com suas crianças!

Ai o leitor pergunta. Afinal, o que tem de bom no carnaval da Princesa do Sertão? As marchinhas! Mas, em primeiríssimo lugar às Escolas de Samba, com os baluartes da nossa cultura popular, e desde 1880!

Grande Tia Luzia! Gente que faz compreender quem é o uberabense de fato, que coloca sentido à nossa identidade!

Realmente não sei quem mordeu mais a festa do povo! Tenho cá minhas desconfianças!  Muitas coincidências estranhas! Então fica a dica a lá da Manoella Cola, de Porto Alegre, que envio aos donos das mordidas e dos assopros: “Duas coisas são sagradas ao povo - fé e carnaval. Não tentem, então, esconder fatos. Não brinquem com as pessoas. Tomem coragem e tomem partido. Tenham lado. Todo uberabense (grifo meu) tem postura, tem coragem e tem, acima de tudo, a história recente em sua memória.” Eleição Ta Hi*!

E outra dica aos parceiros da política: eventos de corte popular jamais podem e poderão ser tratados como brigas políticas partidárias ou individuais. O preço é caro para quem faz isso. E a nossa memória “recente” (blogs, facebook e twitter) Ta Hi*!

*Homenagem ao Joubert de Carvalho.

3 comentários:

  1. Parabéns, Sumayra,
    pela lucidez e pela defesa dos verdadeiros proprietários da cultura: O NOSSO POVO, sempre ignorado pelas nossas elites econômicas.

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  2. Fiz o carnaval da segunda feira, 20 de fevereiro, subindo com trezentas e vinte pessoas do BLOCO DA CAPOEIRA para o Centroparck e para falar a verdade não vi nenhuma alma viva se não os funcionários da Fundação Cultural, da Liga das Escolas de Samba e os policiais. Tenho um aluno muito danado que brincou com o carnaval falando assim: “Mestre pode não ter pessoas vivas, mas com certeza todos do cemitério Candongas estão aqui para festejar. Só não podemos demorar porque logo vai dar a hora deles dormir e ai o senhor já sabe né.... vão colocar nós todos para correr uuuuuuuuuuuuuu...”
    A respeito da polícia não sou frequentador, mas quando estou pedalando passo por lá todos os fins de semana e ali observo: som alto de carro, pessoas usando drogas, empinado motos, os famosos rachas e nunca achei nenhum policial para acabar com isso. Outro exemplo é o Axé Uberaba, um monte de pessoas bêbadas colocando em risco a vida de muita gente e também não vejo policiais. Não sei, mas acho que tem algo errado, começando pela forma em que foi realizado o carnaval de Uberaba, uma festa popular brasileira, em que a cultura e tradição não se valeu nada. Só pra recordar:
    Não deixe o samba morrer
    Não deixe o samba acabar
    O morro foi feito de samba
    De Samba, prá gente sambar...
    Quando eu não puder
    Pisar mais na avenida
    Quando as minhas pernas
    Não puderem aguentar
    Levar meu corpo
    Junto com meu samba
    O meu anel de bamba
    Entrego a quem mereça usar...
    Eu vou ficar
    No meio do povo, espiando
    A Escola
    Perdendo ou ganhando
    Mais um carnaval
    Antes de me despedir
    Deixo ao sambista mais novo
    O meu pedido final...
    Antes de me despedir
    Deixo ao sambista mais novo
    O meu pedido final...
    Não deixe o samba morrer
    Não deixe o samba acabar
    O morro foi feito de samba
    De Samba, prá gente sambar...

    Mestre café Presidente do Centro Cultural Águia Branca e da UNEGRO.

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  3. É, os tempos passam e os acontecimentos se repetem. Desde que o mundo é mundo a classe privilegiada luta para permanecer no poder e garantir que seu status dominante não seja abalado. Para tanto se utiliza de diversos artifícios. Ainda na Roma Antiga, para amenizar os problemas sociais, o imperador criou a política do Pão e Circo que
    consistia em oferecer aos romanos, alimentação e diversão. Quase todos os dias ocorriam lutas de gladiadores nos estádios (o mais famoso foi o Coliseu de Roma), onde eram distribuídos alimentos. Desta forma, a população carente acabava esquecendo os problemas da vida, diminuindo as chances de revolta.
    Não lhes soa familiar?
    A diferença é que com a evolução novas idéias surgiram e resolveram nos privar até disso, já não há “pão” suficiente, pois os critérios para consegui-lo são descaradamente injustos e agora o “circo” ficou restrito aos maiores de 18 com condições para manter seu veículo em dia e sem prole, pois aqueles que têm filhos não podem se responsabilizar por eles. E sarcasticamente não há culpados para tal acontecimento: a prefeitura fez a sua parte, cedeu a verba e a estrutura, a Fundação organizou o evento a culpa então só pode ter sido da decisão infeliz do juiz... epa espere, o juiz chega na quinta feira e declara que foi tudo um mal entendido que havia proibido apenas a entrada dos menores nos shows...conclusão: não há culpados. Dessa vez é de se tirar o chapéu, tem que ser mestre para arquitetar algo tão bem e fazer mais uma vez valer o dito popular: A corda sempre arrebenta do lado mais fraco.
    É porque agora que o carnaval já passou, que tudo aparentemente ficou para traz, maquiado pela “Cidade maravilhosa cheia de encantos mil”...., cantada no carnaval das marchinhas do Mercado Municipal, o sentimento de revolta de quem sentiu na pele a exclusão, os maus tratos e ameaças policiais não serão lembrados e nem tão pouco retratados.
    É essa é nossa Uberaba, a terra do “Faz de conta”, tem até rei... rainha... e.... Princesa, ops, brincadeirinha, só para descontrair, rsrsrsrsr!!!!!
    Abraço Sumayra.
    Núbia Nogueira – Professora Puma - Membro do C.C.C.A.B.

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