quinta-feira, 30 de dezembro de 2010

Crônicas


....Quando se deseja realmente conquistar um coração, é preciso que antes já tenhamos conseguido conquistar o nosso, é preciso que ele já tenha sido explorado nos mínimos detalhes, que já se tenha conseguido conhecer cada cantinho, entender cada espaço preenchido e aceitar cada espaço vago.

...e então, quando finalmente esse coração for conquistado, quando tivermos nos apoderado dele, vai existir uma parte de alguém que seguirá conosco.

Uma metade de alguém que será guiada por nós e o nosso coração passará a bater por conta desse outro coração.

Eles sofrerão altos e baixos sim, mas com certeza haverá instantes, milhares de instantes de alegria. Baterá descompassado muitas vezes e sabe por que? Faltará a metade dele que ainda não está junto de nós.

Até que um dia, cansado de estar dividido ao meio, esse coração chamará a sua outra parte e alguém por vontade própria, sem que precisemos roubá-la ou furtá-la nos entregará a metade que faltava.

... e é assim que se rouba um coração, fácil não?

Pois é, nós só precisaremos roubar uma metade, a outra virá na nossa mão e ficará detectado um roubo então!

E é só por isso que encontramos tantas pessoas pela vida a fora que dizem que nunca mais conseguiram amar alguém... é simples...

é porque elas não possuem mais coração, eles foram roubados, arrancados do seu peito, e somente com um grande amor ela terá um novo coração, afinal de contas, corações são para serem divididos, e com certeza esse grande amor repartirá o dele com você.

Por Luiz Fernando Veríssimo

Simplicidade



Cada semana, uma novidade.
A última, foi que pizza previne câncer do esôfago.
Acho a maior graça.
Tomate previne isso, cebola previne aquilo, chocolate faz bem, chocolate faz mal, um cálice diário de vinho não tem problema, qualquer gole de álcool é nocivo, tome água em abundância, mas, peraí, não exagere…

Diante desta profusão de descobertas, acho mais seguro não mudar de hábitos.
Sei direitinho o que faz bem e o que faz mal prá minha saúde.
Prazer faz muito bem.
Dormir me deixa 0 km.
Ler um bom livro, faz-me sentir novo em folha.

Viajar me deixa tenso antes de embarcar, mas, depois, rejuvenesço uns cinco anos! Viagens aéreas não me incham as pernas;
incham-me o cérebro, volto cheio de idéias!

Brigar, me provoca arritmia cardíaca.
Ver pessoas tendo acessos de estupidez, me embrulha o estômago!
Testemunhar gente jogando lata de cerveja pela janela do carro, me faz perder toda a fé no ser humano…

E telejornais…
Os médicos deveriam proibir… como doem!

Caminhar faz bem, namorar faz bem, dançar faz bem, ficar em silêncio quando uma discussão está pegando fogo faz muito bem: você exercita o autocontrole e ainda acorda no outro dia sem se sentir arrependido de nada.

Acordar de manhã, arrependido do que disse ou do que fez ontem à noite, isso sim, é prejudicial à saúde.
E passar o resto do dia sem coragem para pedir desculpas, pior ainda.

Não pedir perdão pelas nossas mancadas, dá câncer, guardar mágoas, ser pessimista, preconceituoso ou falso moralista, não há tomate ou muzzarela que previna!

Ir ao cinema, conseguir um lugar central nas fileiras do fundo, não ter ninguém atrapalhando sua visão, nenhum celular tocando e o filme ser espetacular, uau!

Cinema é melhor prá saúde do que pipoca.
Conversa é melhor do que piada.
Exercício é melhor do que cirurgia.
Humor é melhor do que rancor.

Amigos são melhores do que gente influente.
Economia é melhor do que dívida.
Pergunta é melhor do que dúvida.
Sonhar é o melhor de tudo e muito melhor do que nada!

Por, Luís Fernando Veríssimo.

quarta-feira, 29 de dezembro de 2010

As grandes vitórias merecem Boas Festas! Por, Adalberto Monteiro

A terceira grande vitória do povo
Faz nascer um Ano Novo
De um ovo do tamanho da lua!
E nas ruas as bandeiras vermelhas
Entrelaçadas com tantas outras
Bem ao alto comemoram a boa nova:
É a vez primeira que a nação brasileira
Será governada por uma mulher.
Do povo ela recebeu um mandato:
Tornar o Brasil cada vez mais
Soberano, forte, solidário e democrático.

Rompe 2011
Da placenta da esperança
Do tear da luta
Da teimosia de uma gente
Persistente que não abre
Mão de ser feliz!

domingo, 26 de dezembro de 2010

Motivos para no enamorarse

As sem-razões do amor de Drummond


Eu te amo porque te amo,
Não precisas ser amante,
e nem sempre sabes sê-lo.
Eu te amo porque te amo.
Amor é estado de graça
e com amor não se paga.

Amor é dado de graça,
é semeado no vento,
na cachoeira, no eclipse.
Amor foge a dicionários
e a regulamentos vários.

Eu te amo porque não amo
bastante ou demais a mim.
Porque amor não se troca,
não se conjuga nem se ama.
Porque amor é amor a nada,
feliz e forte em si mesmo.

Amor é primo da morte,
e da morte vencedor,
por mais que o matem (e matam)
a cada instante de amor.

Esse Natal

Num começou bem não! Meu filho perdeu o ano escolar ficamos sem conversar e declarei: - Este ano não quero ceia de natal aqui! Rompi com amor presente, ou melhor, ausente, perdi a paciência com alguns amigos meio egocêntricos, não no sentido ruim, do “egocêntrico”, mas no sentido que às vezes a gente perde a paciência mesmo.

Seguindo o trajeto que coisas ruins nunca vêm desacompanhadas, o banco me cobrou uma dívida no dia 20 dezembro, que pra mim seria em 20 de janeiro, e assim comecei a semana do Natal com cartão de crédito bloqueado, dinheiro aprisionado e coisa e tal.

Bom, então a gente pensa: Vou me enterrar na cama e não quero saber de Natal. Diz ai se não to certa? Seu filho perde o ano, você descobre que seu namorado não é tão legal como achava, briga com os amigos e na semana do natal sua conta é bloqueada! Putz, se mata né!?

Pois é, mas este foi o melhor natal desde criança! Comemoramos em família e só a nossa família, nada de extensões. Fizemos uma ceia meio em cima da hora por decisão minha e assumi a responsabilidade do Menu que foi com assados, queijos e vinhos, ouvimos Adoniran Barbosa, Milton Nascimento, Simone, enfim um festival de música belíssima. Dormi no meio da minha mãe e do meu filho como não fazia há tempos, não trocamos presentes e nem montamos árvore. No dia 25, enquanto preparávamos o peru e a minha farofa especialíssima, bebi cerveja com meu pai no balcão da cozinha e ficamos horas conversando. Foi muito bom! Para que mais?

A certeza de estar cercada por pessoas que te amam é o melhor natal que se pode ter. Não tem festa, viagem ou presente que substitua a paz de estar em família. Sabia disso quando era criança, mas havia me esquecido como era sentir isso lá dentro. Não quero outro natal que não seja esse!

Se as dificuldades do inicio da semana foram lições, foi a melhor das lições que recebi em minha vida. Nunca foi consumista, sou marxista! Não no sentido puramente racional, mas no sentido da valorização das pessoas. Sempre quando falo ou penso em Natal nunca me agradou aquela obrigação de ser feliz, dar vários presentes, ficar mostrando os dentes e dizer feliz Natal a cada segundo, mas sempre penso no sentido de gostar por gostar sem pedi nada que não seja gostar tanto quanto, e estar sempre presente principalmente no Natal, este foi assim, especial e cheio de amor!


Sumayra está muito feliz por ter uma família linda que não é comercial da Doriana!

quinta-feira, 23 de dezembro de 2010

Começando o exercício de fim de ano. Bem vinda reflexões

Todo fim ano faço uma análise (como boa parte das pessoas) do que termina e reflexões futurísticas, nada de futurologia apenas pensamentos. Este ano começo mais cedo com  recortes de tudo que respira em mim e na minha volta.
Vamos lá... Que venha 2011!

O correr da vida embrulha tudo.
A vida é assim, esquenta e esfria, aperta e depois afrouxa e depois desinquieta.
O que ela quer da gente é coragem.
O que Deus quer é ver a gente aprendendo a ser capaz de ficar alegre e amar, no meio da alegria.
E ainda mais alegre no meio da tristeza.
Todo caminho da gente é resvaloso, mas cair não prejudica demais, a gente levanta, a gente sobe, a gente volta.

João Guimarães Rosa

terça-feira, 21 de dezembro de 2010

Tudo de uma vez no fim

Ausência tranquila na saudade, presença com aflição, reunião de novidades iguais, seminário na chuva, cerveja com amigos, papos desestabilizam anseios, ligações que dizem inteiro, metade que não saceia, cachoeira com adeus, sol com ardência, ponte que desliga, espera que não liga, mensagem não resolve, não entende, não sensibiliza, só materializa a ironia, o sentimento vira angustia, vida aprisionada nas cifras. Se passar por este exame no final, passo por montanhas e vales do mar de Mariana. Sempre!

Porque Deus nunca chegaria a professor titular ou pesquisado da CAPES ou CNPq

http://www.posgraduando.com/humor/porque-deus-nunca-chegaria-a-professor-titular-ou-pesquisador-da-capes-ou-cnpq

sexta-feira, 17 de dezembro de 2010

Estado é condenado no caso da Guerrilha do Araguaia

Corte Interamericana de Direitos Humanos (Corte IDH), da Organização dos Estados Americanos (OEA), responsabilizou o Brasil pelo desaparecimento forçado de 62 pessoas da Guerrilha do Araguaia.

A sentença "Caso Gomes Lund e Outros (‘Guerrilha do Araguaia’) VS. Brasil", divulgada nessa terça-feira (14), refere-se às ações de detenção arbitrária, tortura e desaparecimento forçado praticadas pelo Exército brasileiro contra integrantes do Partido Comunista do Brasil (PC do B) e camponeses. As operações militares, realizadas entre 1972 e 1975 - durante a ditadura militar - tinham o objetivo de acabar com a Guerrilha do Araguaia.

Na sentença, a Corte destaca que a Lei de Anistia do Brasil não pode continuar a atrapalhar as investigações do caso nem representar obstáculo para a identificação e punição dos responsáveis pelas violações de direitos humanos. Além disso, condena o Estado como responsável, entre outras, pelas "violações dos direitos ao reconhecimento da personalidade jurídica, à vida, à integridade pessoal e à liberdade pessoal" de 62 pessoas durante o período da ditadura.

Por conta disso, a Corte estabelece que o Estado: investigue o caso, determine as responsabilidades penais e aplique as devidas sanções; esforce-se para descobrir o paradeiro das vítimas, identificá-las e entregar os restos mortais a seus familiares; ofereça tratamento médico e psicológico às vítimas; realize ato público de reconhecimento de responsabilidade no caso;  promova curso ou programa sobre direitos humanos para integrantes das Forças Armadas; e adote medidas para tipificar o delito de desaparecimento forçado de pessoas de acordo com os parâmetros interamericanos.

De acordo com o documento, um ano após a notificação da condenação, o Estado brasileiro terá de apresentar ao Tribunal um relatório sobre as ações realizadas para o cumprimento da sentença.

Leia a sentença na íntegra em: http://www.corteidh.or.cr/docs/casos/articulos/seriec_219_por.pdf

quinta-feira, 16 de dezembro de 2010

Boa noite com Vinicius

A maior solidão é a do ser que não ama. A maior solidão é a dor do ser que se ausenta, que se defende, que se fecha, que se recusa a participar da vida humana.
A maior solidão é a do homem encerrado em si mesmo, no absoluto de si mesmo,o que não dá a quem pede o que ele pode dar de amor, de amizade, de socorro.

O maior solitário é o que tem medo de amar, o que tem medo de ferir e ferir-se, o ser casto da mulher, do amigo, do povo, do mundo. Esse queima como uma lâmpada triste, cujo reflexo entristece também tudo em torno. Ele é a angústia do mundo que o reflete.

Ele é o que se recusa às verdadeiras fontes de emoção, as que são o patrimônio de todos, e, encerrado em seu duro privilégio, semeia pedras do alto de sua fria e desolada torre.

Boa tarde 16 de dezembro como vai? Eu vou Cecília

Inscrição na Areia
O meu amor não tem
importância nenhuma.
Não tem o peso nem
de uma rosa de espuma!

Desfolha-se por quem?
Para quem se perfuma?

O meu amor não tem
importância nenhuma.

Cecília Meireles.

domingo, 12 de dezembro de 2010

Dessassossego


As meias sem par, a negação à rotina, à obediência e à normatização. A inconstância, a descerimônia, a ausência presente e a ausência definitiva. A vadiagem, o desapego, a preguiça, o sono. A solidão, a dúvida, o questionamento. A alienação, o esquecimento, a busca e minha ingenuidade de sempre. O dinheiro não poupado, o tempo gasto até o último vintém. O quarto do avesso, as diferenças acertadas, as áreas comuns, o rompimento. As disciplinas pessoais, os limites, as forças. Os desentendimentos, os diálogos, a impermanência, a partida. A insegurança, a carência. O teto, o cobertor, a geladeira, o café. Os incontáveis passados, o único presente, o futuro impensado. As possibilidades, o anonimato. Os projetos, crenças, aspirações e frustrações tão sortidas quanto pessoais. O tempo livre, a fadiga, a tosse. As contas, a roupa de cama e banho, a louça. A arte, o medo e a coragem, as paredes sem acabamento. A experiência, o cansaço, o abatimento. A fuga, a fugacidade, o desassossego. A vida que me pertence no presente momento.

Num mundo paralelo, tão meu quanto de ninguém, tão sem dono como todos, ando assim ultimamente, só na multidão.