quinta-feira, 27 de dezembro de 2012

Retrospectiva dos últimos cinco dezembros do Blog

Ao final de 2008 estava mudando de emprego e refletindo muito, inclusive sobre filhos ,afirmei que queria mais!!! Em 2012, tenho certeza que não quero mais filhos! Mas o legal nessa postagem é o olhar do fim de um ciclo, e o começo de outro: Lançamento do livro “Meu bairro tem história, eu tenho futuro”

O dezembro de 2009 estava apaixonada! Mas quero dividir parte de uma passagem reflexiva, sobre a conduta humana que fiz em meio aos sentimentos ainda não decifrados, que gosto muito (logo abaixo). E  os links da difícil e sofrida arte de amar - de dar algumas boas risada hoje em dia: Visões e Mafalda nos 30, não entende mais nada!

“A natureza humana não é humana o bastante. As minhas ações visam à liberdade, sem dogmas nem fé, em favor de outros fins que o poder, a riqueza ou o puro prazer. O homem que age pensando somente nestes objetivos, não escolhe e não faz sua história, estaria apenas seguindo sua natureza, deixando de ser humano, e isso, é passividade de reflexão, que por sinal, diminui a ação, porque afeta a interrogação que o homem traz em si próprio e sobre si próprio, seguindo o que é determinado e não agindo com liberdade" -  Texto é borboletas em 2010


2010 foi o dezembro do rompimento que nunca se rompeu. O Mês começa com Regra 3 de Vinicius de Morais e segue para um poema de criar um  Dessassossego e outro de Tudo de uma vez no fim que além do amor, falo da minha prova de mestrado, mas tudo uma tristeza de dar !


2011 é bem parecido com 2012, mais marcantes foram meus cartões de natais de 2011 e 2012 - que faço com carinho para meu amigos. Foram anos sensatos, leia-se sem grandes aventuras amorosas, que até existiram sim! Mas, como aquela música do Chico: "... dou risada do grande amor...Mentira..." A verdade é que  vida profissional vai tomando espaços, e mesmo que tenham encontrado outro grande amor, "ando mudando de calçada." O importante nesses dois últimos anos, foram minha vida profissional e política - o que têm me feito muito feliz! Mas, nada como o outro dezembro para saber melhor! Que venha 2013.






quarta-feira, 5 de dezembro de 2012

Série: Livros que foram bíblias em minha vida


                     Marcos Alvito Pereira de Souza em “As cores de Acari”, 2001, vivenciou a rotina da comunidade de Acari e registrou, em detalhes, a chamada zona vermelha, expressão usada por policiais na década de 1990, em referência a Acari, considerada pelas autoridades uma favela de alta periculosidade à época. A estrutura do trabalho tem inicio a partir de uma frase ouvida pelo autor em Acari: “a favela é bicho-de-sete-cabeças”, como simplificou um morador, serviu como pano de fundo para o estudo de Marcos Alvito. As sete cabeças seriam; a mídia, a polícia, políticos e autoridades, as organizações não-governamentais, as igrejas, a comunidade e o tráfico, bem como a atuação de cada um deles, com o objetivo de elaborar uma interpretação dos símbolos acarianos.

Alvito mostra a problemática da “ilusão” dos territórios, pois de fato Acari não existe, o que é veracidade neste interior do universo da favela são três diferentes localidades, cada qual com seu nome, demarcação espacial e associação de moradores, que no processo cotidiano são bem distintas e jamais confundidas entre seus residentes, que fazem questão de se distinguir e não circulam de uma favela para outra, tratam como o lado de lá, expondo uma enorme distância, sendo o que distancia é apenas uma rua. O autor retratar um profundo processo de transformação da visão de mundo que estilhaçou as redes de sociabilidade, construindo uma realidade marcada por oposições: o branco e o negro, policiais e bandidos, o Bem e o Mal, e Deus e o Diabo. As cores de Acari, na verdade, nos serve como espelho de tantas outras comunidades brasileiras que sobrevivem à sua complexidade.

Esta obra trata-se de tentar identificar, na favela de Acari, um conjunto de planos organizacionais, que possa ser encontrado, com outras ênfases e com outros arranjos, em diferentes favelas, nesse sentido Alvito pretende avançar na sua teoria sobre a favela carioca em dois níveis: o nível macrosociologico das relações entre favela e instituições supralocais e o nível microsociologico focalizando as microáreas de vizinhanças existentes em cada favela.  As localidades como aborda o autor, é onde se constituem os pontos nodais de interação e há uma rede altamente complexa de diversos tipos de analogia, abolindo a palavra comunidade, por ser uma transposição mecânica dos métodos utilizados no estudo de tribos, e muitas vezes utilizados para determinar um microcosmo isolado e autônomo. Destacando que o objetivo deste trabalho, portanto selecionado a esta pesquisa, é considerar as diversas relações existentes em uma localidade. 

REFERÊNCIA

SILVA, Sumayra de Oliveira. As Vilas e o São Cristóvão.  Monografia apresentada ao Instituto Federal Triângulo Mineiro Campus Uberaba, como requisito para obtenção do título de Graduação de Tecnologia em Desenvolvimento Social. Uberaba, 2009.


terça-feira, 4 de dezembro de 2012

Começo essa semana a série: Livros que foram bíblias em minha vida!



E como não poderia deixa de ser o primeiro - 
“Os Estabelecidos e os Outsiders”


A obra de Nobert Elias em “Os Estabelecidos e os Outsiders: sociologia das relações de poder a partir de uma pequena comunidade”, 2000 - Como o título assinala, trata-se de um estudo de poder em uma comunidade na Inglaterra. As palavras establishment e established são utilizadas em inglês, para designar grupos e indivíduos que ocupam posições de prestigio e poder, tendo uma identidade social construída a partir de uma combinação singular de tradição, autoridade e influência: os established fundam seu poder no fato de ser um modelo moral para os outros. Na língua inglesa, o termo que completa a relação é outsiders, os não membros da “boa-sociedade”, os que estão fora dela, sendo um conjunto heterogêneo e difuso de pessoas unidas por laços sociais menos intensos, não constituindo propriamente um grupo social.

  Este estudo realizado no final dos anos 50 e início de 60, pelo professor John L. Scotson, interessado em tratar apenas do problema da delinqüência juvenil naquela localidade, passou a ter outras perspectivas com Nobert Elias, que considera que o campo de estudo da sociologia é o das configurações de seres humanos interdependentes. As configurações, para Elias, se formam necessariamente pela interdependência dos indivíduos em sociedade e podem ser marcadas por uma figuração de aliados ou de adversários, tendo duas características fundamentais: são modelos didáticos que devem ser interpretados como representações de seres humanos ligados uns aos outros no tempo e no espaço; e servem para romper com as polarizações clássicas dentro da sociologia, que tendem a pensar o indivíduo e a sociedade como formas antagônicas e diferentes.

Assim, na pequena Wiston Parva, criou-se uma determinada figuração marcada pela existência de um grupo mais elevado que o dos moradores do “loteamento” recém chegados, e por isso estigmatizado pelos primeiros – os estabelecidos contra os outsiders. Da figuração falada, Elias identifica um constate universal:

O grupo estabelecido atribua aos seus membros características humanas superiores; excluía todos os membros do outro grupo de contato social não profissional com seus próprios; e o tabu em torno desses contatos era mantido através de meios de controle social como a fofoca elogiosa no caso dos que o observavam, e ameaça de fofocas depreciativas contra dos suspeitos de transgressão (: 20, 2000).

  Agora mais do que a identificação de um determinado modelo figuracional, este estudo apresenta duas revelações proeminente para as ciências sociais. A primeira é que sempre pensamos “um determinado grupo”, a partir do foco de diferenças - sexo, descendência ou classe, – como alterações estruturais das relações de poder. Dificilmente problematizaríamos questões em que estão colocados os termos da igualdade, ou que o diferencial de poder possa estar associado, como é o caso deste estudo, ao tempo de residência e ao maior ou menor grau de coesão e organização de cada grupo inter-relacionado. E o segundo aspecto é a questão da anomia.

O estudo de Winston Parva colocou para Elias a possibilidade de reflexão sobre a anomia, quando observou que na relação de interdependência entre estabelecidos e outsiders, havia um elemento de constância pela existência de uma “minoria dos melhores” entre os estabelecidos (minoria nômica) e uma “minoria dos piores” entre outsiders (minoria anômica), que marcava o status de superioridade e de inferioridade de amplos os grupos. Contrapondo Durkheim, 1897 em seu conceito de anomia, onde, segundo Elias, não se pode esperar encontrar explicações para a aquilo que se julga ruim, quando não se é capaz de explicar, ao mesmo tempo, aquilo que se avalia como bom.

Elias com seu modelo figuracional e em sua forma de pensar as relações de poder contribui para uma nova visão nos estudos de desenvolvimento de comunidades. O autor, na obra, coloca a necessidade de observar os aspectos figuracionais do poder, que se deve a diferença no grau de organização dos seres humanos. Nisto, o conceito de poder, se transforma numa relação entre duas ou mais pessoas; assim, o poder é um atributo destas relações, que se mantêm num equilíbrio instável de forças ocorrendo no interior das figurações em que “os grupos estabelecidos vêem seu poder superior como um sinal de valor humano mais elevado; os grupos outsiders, quando o diferencial de poder é grande e a submissão inelutável, vivenciam afetivamente sua inferioridade de poder como um sinal de inferioridade humana” (: 28).

REFERÊNCIA

SILVA, Sumayra de Oliveira. As Vilas e o São Cristóvão.  Monografia apresentada ao Instituto Federal Triângulo Mineiro Campus Uberaba, como requisito para obtenção do título de Graduação de Tecnologia em Desenvolvimento Social. Uberaba, 2009.