sexta-feira, 30 de janeiro de 2009

Participe da Semana Nacional de Museus 2009 - Museus e Turismo

O Departamento de Museus e Centros Culturais do Iphan (Demu/Iphan) convida todas as instituições museológicas brasileiras a participar da Semana Nacional de Museus 2009, que acontecerá entre os dias 17 e 23 de maio. O tema desta edição será Museus e Turismo, dando aos museus brasileiros mais oportunidades de tornarem reconhecido seu potencial turístico, sua atratividade, pluralidade cultural e diversidade.
O prazo para a inscrição dos eventos vai até o dia 17 de fevereiro. Os museus podem participar divulgando seus projetos educativos e culturais, visitas monitoradas gratuitas, palestras, seminários, projeções de filmes, oficinas, espetáculos teatrais e shows, gincanas e outras inúmeras ações que intensificam as relações dos museus com a sociedade.
Para isso, basta acessar o Sistema de Registro de Eventos (clique aqui) e informar suas atividades. Para a inclusão da programação, é necessário que a instituição já esteja cadastrado no Sistema (confira aqui).
Ao final do período de registros, será realizada ampla divulgação de todos os eventos, e o Departamento de Museus enviará às instituições participantes cartazes e banners da Semana.
Para mais informações : (61) 3414-6167 ou entre em contato pelo e-mail demu@iphan.gov.br.

quarta-feira, 28 de janeiro de 2009

Recordando leituras

Não pode alcançar os astros quem vive a vida de rastros, quem é poeira do chão".
" Eu quase que nada não sei. Mas desconfio de muita coisa."
".. A gente só sabe bem aquilo que não entende.."
".. Tudo é e não é.."
" Mire e veja: O mais importante e bonito, do mundo é isto: que as pessoas não estão sempre iguais, ainda não foram terminadas - Mas que elas vão sempre mudando, Afinam ou desafinam."
João Guimarães Rosa - Em O Grande Sertão: Veredas

terça-feira, 27 de janeiro de 2009

FSM 2009, oficialmente começa hoje

Amazônia é território e protagonista no Fórum Social Mundial 2009
De 27 de janeiro a 1° de fevereiro a cidade de Belém deixa de ser a capital do Pará para se tornar o centro de toda a Pan-Amazônia.
A Pan-Amazônia será o território da 9ª edição do Fórum Social Mundial. Durante seis dias, Belém, a capital do Pará, no Brasil, assume o posto de centro de toda a região para abrigar o maior evento altermundista da atualidade que reúne ativistas de mais 150 países em um processo permanente de mobilização, articulação e busca de alternativas por um outro mundo possível, livre da política neoliberal e todas as formas de imperialismo.
Composta por Bolívia, Brasil, Colômbia, Equador, Guiana, Peru, Suriname e Venezuela, além da Guiana Francesa, a Pan-Amazônia é conhecida pela riqueza da maior biodiversidade do planeta e pela força e tradição dos povos e das entidades que constroem um movimento de resistência na perspectiva de um outro modelo de desenvolvimento.
Em reunião do Conselho Internacional (CI) do FSM, realizada entre 30 de março de 3 de abril, em Abuja, Nigéria (África), ficou decidido que o FSM 2009 Amazônia será realizado no período de 27 de janeiro a 1º de fevereiro de 2009, na cidade de Belém, Pará, Brasil, um dos países que compõem a Pan-Amazônia. Além da data e a arquitetura do Fórum, a reunião sinalizou a decisão de que o território do FSM 2009 será constituído pela Universidade Federal do Pará (UFPA) e a Universidade Federal Rural da Amazônia (UFRA).Muito mais de um território para abrigar o FSM a Amazônia, representada por seus povos, movimentos sociais e organizações, será protagonista no processo e terá a oportunidade de fazer ecoar mundialmente suas lutas, além de tecer alianças continentais e planetárias.
A escolha da Pan-AmazôniaO Conselho Internacional do FSM, composto por cerca de 130 entidades, escolheu a Pan-Amazônia para sediar o FSM 2009 em reconhecimento ao papel estratégico que a região possui para toda a Humanidade. A região é uma das últimas áreas do planeta ainda relativamente preservada, em um espaço geográfico de valor imensurável por sua biodiversidade e que agrega um conjunto amplo e diverso de movimentos sociais, centrais sindicais, associações, cooperativas e organizações da sociedade civil que lutam por uma Amazônia sustentável, solidária e democrática, articuladas em redes e fóruns, construindo esse amplo movimento de resistência na perspectiva de um outro modelo de desenvolvimento.O FSM 2009 Amazônia será guiado por três diretrizes estratégicas:
ser efetivamente um espaço onde se constroem alianças que fortalecem propostas de ação e formulação de alternativas;
ser hegemonizado pelas atividades auto-gestionadas;
e possuir um claro acento pan-amazônico.Esse esforço e demanda da Pan-Amazônia foram reconhecidos e abraçados pelo CI e o resultado será uma das grandes novidades do FSM em sua 8ª edição, um dia inteiro dedicado à temática panamazônica – O Dia da Pan-Amazônia. Nesse dia, os testemunhos, painéis, conferências, discussões, marchas e alianças entre os povos da Pan-Amazônia e o mundo também compreenderão a 5a edição do Fórum Social Pan-Amazônico (FSPA).

segunda-feira, 26 de janeiro de 2009

Samba perde Tia Doca da Velha Guarda da Portela

A sambista Jilçária Cruz Costa, conhecida como Tia Doca, de 76 anos, morreu na tarde deste domingo (25), vítima de um infarto. Integrante da Velha Guarda da Portela, escola de samba do Rio de Janeiro, Tia Doca havia sofrido um derrame no último dia 17 e foi internada no hospital Carlos Chagas, em Marechal Hermes, sendo transferida no dia seguinte para o Hospital dos Servidores do Estado (Iaserj), no centro do Rio. De acordo com nota emitida pela assessoria da escola, a sambista havia recebido alta da CTI na última quarta-feira (21) e seu quadro de saúde era estável.
Tia Doca foi uma das sambistas da Velha Guarda da Portela retratadas no documentário "O Mistério do Samba", estrelado pela cantora Marisa Monte.
O corpo de Tia Doca será velado na quadra da Portela (r. Clara Nunes, 81, em Madureira). O sepultamento será às 16h no cemitério de Irajá.

Enquanto isso...

Acabou...

Após 2 anos e sete meses de imenso aprendizado e crescimento trabalhando com cada um de vocês, deixo o Instituto Agronelli de Desenvolvimento Social, com a certeza de ter cumprido um importante papel nesta organização.
Aproveito para agradecer pelo encontro com cada um de vocês e pelo trabalho que desenvolvemos juntos na busca de uma cidade melhor, mais cultural, com efetiva participação social e cidadã.
Minha Homenagem a vocês.... qualquer mameira de amor vale a pena
..Eles partiram por outros assuntos, muitos
Mas no meu canto estarão sempre juntos...
Qualquer maneira que eu cante este canto
Qualquer maneira me vale cantar

domingo, 25 de janeiro de 2009

Chega de saudade

Hoje o pai da bossa nova completaria 82 anos
“Dentro dos meus braços os abraços hão de ser milhões de abraços apertados assim... que é para parar com este negócio de você viver sem mim.”
Se Tom Jobim estivesse vivo, que versos comporia? Às vezes, por mais que sentimos falta de pessoas importantes, é melhor que elas não estejam mais por perto. Não consigo imaginar Tom aos 82 anos, sequelado da bebida e do cigarro, andando pelo Rio e ouvindo “chupa, chupa que é de uva”. É inconcebível!
Chega de saudade! Vamos celebrar seu aniversário neste domingo chuvoso, como deve ser, ouvindo a herança entregue ao planeta "porque seus versos nunca mais", regado por uma boa bebida e de pessoas que realmente valem a pena. Celebraremos a poesia que ainda existe em nosso corações. “È que no peito dos desafinados também bate um coração”.

quinta-feira, 22 de janeiro de 2009

Presidente Lula sanciona criação do Instituto Brasileiro de Museus

Instituições museológicas ganham autarquia exclusiva

Os museus e o setor museológico brasileiros ganham uma nova dimensão. O presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, sancionou nesta terça-feira, 20 de janeiro, a Lei nº 11.906,que cria o Instituto Brasileiro de Museus (Ibram), autarquia federal vinculada ao Ministério da Cultura, que deverá coordenar a Política Nacional de Museus (PNM).

Além de gerenciar uma política pública para a área museológica, o Ibram trabalhará na melhoria dos serviços do setor - aumento de visitação e arrecadação dos museus, fomento de políticas de aquisição e preservação de acervos, e na criação de ações integradas entre os museus brasileiros

“A aprovação da criação do Ibram e da instituição do Estatuto de Museus (Lei nº 11.904/2009) estruturam o setor museológico brasileiro e colocam o Brasil no mesmo patamar dos países de grande expressão na área museológica. Essa é a maior reestruturação na área dos museus já ocorrida no Brasil”, declara José do Nascimento Júnior, diretor do Departamento de Museus e Centros Culturais do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Demu/Iphan), que assumirá a presidência do novo órgão.

De acordo com Nascimento Júnior, as primeiras metas da autarquia serão abrir o diálogo entre a área de museus e as artes visuais, ampliar a política de financiamento e fomento, criar instituições museológicas em municípios de pequeno porte - numa realidade em que apenas 20% dos municípios brasileiros têm museus e a maioria deles está concentrada nas grandes cidades. Nascimento também inclui como prioritário atender o “desejo de memória” da população, com a criação de museus em favelas, áreas quilombolas e indígenas.

Criado em 2003, dentro do programa de governo do presidente Lula, o projeto do Instituto Brasileiro de Museus surgiu com o intuito de pensar numa estrutura capaz de gerir políticas públicas fundamentais para o desenvolvimento das instituições museológicas brasileiras. O Ibram contará com cerca de mil cargos e expectativa de R$ 110 milhões em verbas do orçamento da União. Com uma estrutura capaz de ampliar as ações desenvolvidas pela Política Nacional de Museus, o órgão sucederá o Iphan nos direitos, deveres e obrigações relacionados aos 28 museus federais.

Outras informações: (61) 3414-6234 e demu@iphan.gov.br, no Departamento de Museus e Centros Culturais do do Instituto Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Demu/Iphan). Leia, também, a seguinte matéria relacionada: Estatuto de Museus - Lei nº11.904 , sancionada pelo presidente Lula da Silva.

quarta-feira, 21 de janeiro de 2009

A esperança venceu o medo

O novo momento, uma nova história começou a ser escrita ontem.
Barack Obama tomou posse em meio uma comoção planetária. A nova era, disse Obama, exige reconciliação - com o mundo e com os valores que fundaram a América: trabalho, coragem, justiça, tolerância, patriotismo, responsabilidade. A nova era é para aqueles que assumem riscos, para realizadores.
Acredito que apesar de ser apenas um homem, aquele que derrotou o simbolismo do capitalismo, devemos inaugurar um novo tempo, onde cada homem ou mulher deste planeta assuma uma nova postura conectada com a solidariedade, o bem coletivo e a igualdade entre os povos.
O mundo está mudando e você?

terça-feira, 20 de janeiro de 2009

Coincidência ou não?

Quem me conhece, sabe que não me ligo em signos. Mas por coincidência ou não, hoje consegui ler os jornais de manhã bem cedinho, como leio, somente no fim da semana nunca vejo a parte astrológica da coisa. Bom, li meu signo hoje e fiquei de cara, é muita coincidência mesmo, rarararararararra
Olha só...

"Depende muito de você dar um passo mais ousado na rotina e se ficar pensando no medo disso e no medo daquilo, não sairá do lugar - e essa é a mensagem das estrelas para você hoje. É preciso fazer uma revolução na vida cotidiana, chacoalhar hábitos e inovar no trabalho. Calor no amor”

sexta-feira, 16 de janeiro de 2009

Identidade Nacional

Este tema é um debate bem “batido” que muitos já fizeram, fazem e tantos outros tentaram fazer. Mas até hoje tem gente que diz que nossa identidade nacional é o futebol e a rede globo. Ontem mesmo uma pessoa que adoro, me disse isso, olha sinceramente não dá pra acreditar que existem pessoas tão desconectadas do país.
Por isso trago uma discussão acerca da identidade nacional. Para começar a história, apesar de estamos “carecas” de saber, que a identidade nacional não é uma só, algumas pessoas querem simplifica - lá, como se pudesse jogar fora em toda elaboração cientifica com aspirações superficiais, a estes recomendo Renato Ortis em sua obra “A Cultura Brasileira e Identidade Nacional”. Onde autor procura mostrar que a identidade nacional está profundamente ligada a uma reinterpretação do popular pelos grupos sociais e à própria construção do Estado brasileiro. Não existe, assim, uma identidade autêntica, mas uma pluralidade de identidades, construídas por diferentes grupos sociais em diferentes momentos históricos.
Durante o período da segunda guerra mundial para estampar “identidade” do brasileiro, foi levantado o debate sobre a “verdadeira identidade nacional do Brasil”, como se isso fosse possível. Mas foi, pelo menos para alguns teóricos, artistas populares ou não (outro termo de grande dificuldade de análise), intelectuais, folcloristas, enfim, uma gama de especialistas se colocaram a debater sobre o tema.
Mesmo com o aumento crescente em torno da questão, foi em finais da década de 50 e início de 70 que o debate ganhou força. Principalmente com o aumento das discussões em torno das reformas de base, proposta em 1962, o que implicava desde a reforma agrária, passando pela educação e chegando até ao setor cultural. Esse trabalho pode ser observado em projetos como o Movimento de Cultura Popular (MCP) no Recife, durante o governo de Miguel Arraes, tendo a frente o educador Paulo Freire.
Na cultura essa discussão pode ser observada no trabalho que era realizado pelo grupo de teatro Arena, que mais tarde serviu como base para o trabalho do Centro Popular de Cultura da União Nacional dos Estudantes – o CPC da UNE. O trabalho realizado pela entidade buscava uma politização massificada da população com projetos sobre a identidade nacional do brasileiro, a qual deveria entendida a partir do homem do campo, das raízes brasileiras - ? Essa tentativa de forjar uma identidade nacional também encheu os festivais de musica promovidos pela Rede Record de Televisão com canções de Chico Buarque, Gilberto Gil, Caetano e tantos outros que conhecemos. Essa relação da identidade nacional com a música fez criar certa desarmonia naquele instante. A nova estética apresentada pelo movimento Tropicalista, assim como suas críticas em torno do nacionalismo exacerbado das produções culturais nacionais, fizeram com que o movimento surgido em meados da década de 1960 fosse hostilizado e até mesmo seu trabalho associado “com o grupo que tomou o poder em 1964”.
De acordo com Maria Rita Kehl, em seu livro “Um país fora do ar – histórias da TV brasileira em três canais”, a crescente urbanização no Brasil nas décadas de 1960 e 1970, fez surgir a necessidade da criação e formação de novos hábitos, configurada por uma espécie de “reeducação” de grande parte da população brasileira, visando sua adaptação aos padrões de comportamento e consumo que surgiam e se formavam naquele instante nas grandes cidades. Nesse sentido, a adaptação do “novo homem” ao modelo de desenvolvimento político e cultural é caracterizada através de uma perspectiva de identificação, oferecida, principalmente, “via televisão e via consumo”, pois, “é preciso educar esse novo mercado de trabalho e consumo” e assim criar novos hábitos para um “homem novo”.
Para isso, a partir de 1968, além de mecanismos de repressão, o governo militar também criou diversos instrumentos para facilitar o acesso desse novo homem ao momento que surgia, ou seja, de acordo com Maria Rita Kehl, foram tomadas diversas medidas para facilitar a liberação de crédito ao consumidor, que eram apresentadas, como “medidas adotadas visando à implantação de um mercado de bens duráveis e semiduráveis, acompanhado de um desenvolvimento espantoso das técnicas de publicidade”. Nesse processo, a televisão passou a ser a “menina dos olhos” para os marqueteiros de plantão, que começaram a identificar a televisão como um mecanismo de criação de uma “aculturação de massas”, capaz de cumprir sua função de identificação brasileira geográfica e socialmente. Nesse momento, o papel assumido claramente pela televisão buscava ajustar o homem brasileiro ao modelo e ao discurso desenvolvimentista do governo militar.
E para que a imagem desse discurso se fizesse mais forte, nada melhor do que levar a “realidade nacional”, mesmo que “fantasiosa e ilusionista”, às telas brasileiras, e conseqüentemente ao cotidiano televisivo, como forma de caracterizar uma identidade nacional, entretanto sem que essa “identidade” viesse a se colocar contra os planos e a política de desenvolvimento do governo militar. Como afirma a autora, esse trabalho foi assumido, principalmente, pelas telenovelas, que na década de 1970 foi uma das grandes responsáveis pela tentativa de caracterizar a imagem e a identidade do povo brasileiro. Nesse momento, as novelas começaram a oferecer ao brasileiro “desenraizado que perdeu sua identidade cultural, um espelho glamurizado, mais próximo da realidade de seu desejo do que da realidade de sua vida e por isso mesmo funcionou como elemento conformador de uma ‘nova identidade’”.
Hoje a vários projetos de governo referencias para o fortalecimento da identidade nacional, os quais pretendem “compreender a cultura brasileira dentro de suas peculiaridades, notadamente as que decorrem do sincretismo alcançado no Brasil a partir das fontes principais de nossa civilização” (PNC, 1975). A “identidade nacional” também está presente no programa “Cultura Viva” do governo Lula, o qual prevê, através da interação entre os “Pontos de Cultura” previsto pelo programa, trocas de experiências, assim como a definição de identidades. Assim, podemos dar início às discussões sobre a tal identidade nacional e até mesmo sua veracidade ou viabilidade.
Sergio Buarque de Holanda “Raízes do Brasil
Mas gosto mesmo para este debate, e da referência de Sergio Buarque de Holanda em sua obra “Raízes do Brasil”, escrito em 1936, com uma perspectiva sociológica e psicológica e objetivo político, onde o autor tenta, através de nosso passado, ver o nosso futuro. É um livro inovador no que diz respeito à busca da identidade nacional. Num momento onde a psicologia vinha se desenvolvendo muito e a sociologia começa a perder seu caráter altamente “científico”, Sérgio Buarque vai atrás do que poderíamos chamar de essência do homem brasileiro. Num jogo de idas e vindas na nossa história, deixando claro os momentos que ele mais considera, Sérgio Buarque vai construindo um panorama histórico no qual ele inserirá o “homem cordial”, que nada mais é do que fruto de nossa história, que vem da colonização portuguesa, de uma estrutura política, econômica e social completamente instável de famílias patriarcais e escravagistas.
Herança Cultural: A estrutura da sociedade colonial é rural. Isso pode ser visto quando analisamos quem detinha o poder na época colonial: os senhores rurais. Dentro desse contexto, a abolição da escravatura aparece como um grande marco na nossa história.
O Homem Cordial: Para Sérgio Buarque, o Estado não é uma continuidade da família. Dá o exemplo de tal confusão com a história de Sófocles sobre Antígona e seu irmão Creonte, onde havia um confronto entre Estado e família. Houve muita dificuldade na transição para o trabalho industrial no Brasil, onde muitos valores rurais e coloniais persistiram. Para o autor as relações familiares ( da família patriarcal, rural e colonial), são ruins para a formação de homens responsáveis.
Até hoje vemos uma dificuldade entre os homens detentores de posições públicas conseguirem distinguir entre o público e o privado."Falta ordenamento impessoal que caracteriza a vida no Estado burocrático”.
A contribuição brasileira para a civilização será então, o “homem cordial”. Cordialidade esta que não é sinônimo de civilidade de polidez, mas que vem de cordes, coração.
A impossibilidade que o brasileiro tem em se desvincular dos laços familiares a partir do momento que esse se torna um cidadão, gera o “homem cordial”. Esse homem cordial é aquele generoso, de bom trato, que para confiar em alguém precisa conhece-lo primeiro. A intimidade que tal homem tem com os demais chega a ser desrespeitosa, o que possibilita chamar qualquer um pelo primeiro nome, usar o sufixo “inho” para as mais diversas situações e até mesmo, colocar santos de castigo. O rigor é totalmente afrouxado, onde não há distinção entre o público e o privado: todos são amigos em todos os lugares. O Brasil é uma sociedade onde o Estado é apropriado pela família, os homens públicos são formados no círculo doméstico, onde laços sentimentais e familiares são transportados para o ambiente do Estado, é o homem que tem o coração como intermédio de suas relações, ao mesmo tempo em que tem muito medo de ficar sozinho.
Novos Tempos: Há na sociedade brasileira atual, um apego muito forte ao recinto doméstico, uma relutância em aceitar a superindividualidade. Poucos profissionais se limitam a ser apenas homens de sua profissão. Há um grande desejo em alcançar prestígio e dinheiro sem esforço. O bacharelado era muito almejado por representar prestígio na sociedade colonial urbana. Não havia uma real preocupação com a intelectualidade com o sabre, havia um amor pela idéias fixas e genéricas o que justificará a entrada do positivismo e sua grande permanência no Brasil. Autor faz críticas aos positivistas. Para o autor a democracia foi no Brasil “sempre um mal-entendido”.Os grandes movimentos sociais e políticos vinham de cima para baixo, o povo ficou indiferente a tudo. O romantismo acabou se tornando um mundo fora do mundo, incapaz de ver a realidade, o que ajudou na construção de uma realidade falsa, livresca. Muitos traços da nossa intelectualidade ainda revelam uma mentalidade senhorial e conservadora. Fala da importância da alfabetização para o Brasil.
Nossa Revolução: As revoluções da América, não se parecem com revoluções. A revolução brasileira é um processo demorado que vem durando três séculos e a Abolição é um importante marco. As cidades ganharam autonomia em relação ao mundo rural. O café traz mudanças na tradição, como a legitimação da cidade. “A terra de lavoura deixa então de ser o seu pequeno mundo para se tornar unicamente seu meio de vida, sua fonte de renda e riqueza”.O café substitui a cana, mas não deixa espaço para a economia de subsistência. As cidades ganham novo sentido com o café, que acabam solapando a zona rural.
O Brasil é um país pacífico, brando. Julgamos ser bons a obediência dos regulamentos, dos preceitos abstratos. É necessário que façamos uma espécie de revolução para darmos fim aos resquícios de nossa história colonial e começarmos a traçar uma história nossa, diferente e particular.
Para o autor a ausência de partidos políticos atualmente é um sintoma de nossa inadaptação ao regime legitimamente democrático. Sérgio Buarque critica o Brasil que acredita em fórmulas. Fala quais são os principais elementos constituintes de uma democracia. Com a cordialidade, o brasileiro dificilmente chegará nessa “revolução”, que seria a salvação para a sociedade brasileira atual.

quinta-feira, 15 de janeiro de 2009

Estatuto de Museus : Presidente Lula sanciona Lei nº. 11.904/2009

O presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, sancionou o Estatuto de Museus, que traz legislações específicas para orientar e auxiliar as instituições em suas tarefas de rotina, com normas de preservação, conservação, restauração e segurança dos bens artísticos, tais como a obrigatoriedade de um plano museológico e de um programa de segurança.
“Este um marco histórico e reafirma o compromisso do Governo Lula, através”. do Ministério da Cultura, com a preservação do patrimônio e com a política pública na área de museus”, ressalta o diretor do Departamento de Museus e Centros Culturais do Instituto Patrimônio Histórico e Artístico Nacional, José do Nascimento Júnior.
A Lei nº 11.904,que foi publicada nesta quinta-feira, 15 de janeiro, no Diário Oficial da União (Seção 1, páginas 1, 2 e 3), será regulamentada por meio de Decreto presidencial. As instituições museológicas brasileiras terão até cinco anos para se adaptar às novas normas.
Além de criar normas gerais reguladoras, o Estatuto busca contribuir para uma definição mais ampla do conceito de museus, estabelece os procedimentos de criação de instituições museológicas, identifica suas funções e atribuições e regula atividades específicas. O instrumento também valida e fortalece o Sistema Brasileiro de Museus (SBM), instituído pelo Decreto nº 5.264/2004. Outras informações: (61) 3414-6234 e demu@iphan.gov.br, no Departamento de Museus e Centros Culturais do do Instituto Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Demu/Iphan).

Uberaba terá cinco novos bairros que escreverão sua história

O Instituto Agronelli de Desenvolvimento Social lançou no último dia 12 edital do projeto Cultivando Cidadania: Cultura e História do meu bairro
A segunda edição do Edital de Participação para implementação do Projeto Cultivando Cidadania: Cultura e História do meu bairro está disponível aos interessados. A iniciativa, que integra o programa Cultivando Cidadania do Instituto Agronelli de Desenvolvimento Social chega as Escolas Públicas por meio da Secretaria de Educação e Cultura de Uberaba e pela Superintendência de Ensino do Estado.
“Com este edital vamos contar a história de cinco novos bairros em Uberaba, apoiando escolas públicas a conhecer sua história. Com certeza, trata-se de um instrumento ímpar para a descentralização e o fortalecimento da memória, da cultura e da história em nossa cidade”, destaca a coordenadora do Instituto Agronelli de Desenvolvimento Social, Mariangela Camargos. Para Sumayra Oliveira, então coordenadora do Projeto, a parceria com a Secretária de Educação e a superintendência possibilita um envolvimento de toda rede de ensino sobre história do seu entorno, atendendo de forma melhor distribuída a uma Cidade da dimensão de Uberaba com 58 bairros.Atualmente, cinco bairros já contaram sua história, através dos alunos das escolas participante, onde tudo pode ser lido no livro “Meu bairro tem história, eu tenho futuro”.
A instituição que desejar participar desta edição do projeto deverá preencher uma ficha, que consta no escaninho de cada escola, tanto na Secretária de Educação como na Superintendência. A proposta deverá ser enviada no período de 12 de janeiro a 06 de fevereiro de 2009, para o Instituto Agronelli de Desenvolvimento Social, por e-mail instituto@agronelli.com.br ou para o endereço Avenida Deputado José Marcus Chérem, 864 Vila São Cristóvão.
As escolas que queiram participar deverão atender os seguintes critérios: Tenha sede e funcionamento na cidade de Uberaba, incluindo área rural; Disponibilize um representante como responsável pelo desenvolvimento das atividades do Projeto por no mínimo 2 (duas) horas semanais. Esse responsável será chamado de Coordenador Local; Não tenha impedimento de ordem técnica, administrativa, acadêmica ou jurídica; Não tenha participado das edições anteriores do projeto Cultivando Cidadania: cultura e história do meu bairro; Compareça nas reuniões agendadas pela Coordenação Geral do Projeto; Preencham corretamente a Ficha de Inscrição.
A implementação do Projeto Cultivando Cidadania: cultura e história do meu bairro será feita pelo Instituto Agronelli de Desenvolvimento Social e Arquivo Público de Uberaba, que ficará responsável, entre outras ações, por coordenar, supervisionar e fiscalizar a execução do projeto, de acordo com o Plano de Trabalho aprovado.
O Cultivando Cidadania: Cultura e história do meu bairro
O projeto tem um ciclo que dura 8 meses onde são trabalhados cinco bairros, através das escolas em três etapas distintas. O Projeto não tem um modelo único, nem de instalações físicas, nem de programação ou atividade. Um aspecto é a transversalidade da cultura e a gestão compartilhada entre Instituto Agronelli de Desenvolvimento Social e a comunidade. As escolas participantes ficam responsáveis por articular e impulsionar as ações na comunidade. Para se tornar uma escola participante é imprescindível inscrever-se na seleção por meio de edital

terça-feira, 13 de janeiro de 2009

3M premia estudantes de comunicação e jornalistas

Jornalistas e estudantes universitários de todo o Brasil têm até o dia 31 de março para inscrever seus trabalhos na terceira edição dos Prêmios 3M. A continuidade dessa iniciativa é movida pelo principal objetivo da empresa: o de incentivar e reconhecer trabalhos acadêmicos e editoriais que retratem a importância da responsabilidade social no Brasil.
Criar propostas inovadoras voltadas à promoção do desenvolvimento social. Esse é o desafio sugerido aos estudantes universitários que desejem concorrer ao prêmio. A fim de dar visibilidade às descobertas, gerando conteúdo e incentivando a discussão sobre a questão, o tema proposto aos jornalistas é representado pelas tecnologias sociais. Os trabalhos de ambas as categorias devem contemplar uma das seguintes áreas temáticas: Educação, Energia, Habitação, Saúde, Meio Ambiente, Saneamento e Combate à fome.
“Propostas que objetivem o desenvolvimento social e a melhoria da qualidade de vida das comunidades merecem ser reconhecidas e premiadas. Essa é a principal premissa dos Prêmios 3M para jornalistas e estudantes universitários”, afirma a presidente do Instituto 3M de Inovação Social, Carmella Carvalho.
Os trabalhos vencedores serão publicados no site do Instituto 3M de Inovação Social e em outros veículos de comunicação e renderão troféus para os autores. O primeiro colocado em cada Prêmio – e no caso dos jornalistas, em cada categoria - será agraciado com um cheque no valor de R$ 2.000,00.
Jornalistas
Podem concorrer jornalistas de todo o País que tenham produzido reportagens veiculadas e/ou publicadas entre setembro/2008 e março/2009. As categorias participantes são: mídia impressa (jornal e revista), mídia eletrônica (televisão e rádio) e veículos de comunicação online (internet).
Inscrições
As inscrições para os Prêmios 3M devem ser feitas pelo site do Instituto 3M, por meio do preenchimento da ficha eletrônica até 31 de março de 2009. Depois da inscrição é necessário enviar três cópias do trabalho para a Comissão Organizadora, via correio, em endereço indicado no regulamento. O resultado do Prêmio será anunciado em junho de 2009 durante cerimônia de Reconhecimento – III Prêmio 3M para Estudantes Universitários e Jornalistas 2009 e divulgado no site do Instituto 3M de Inovação Social. Para obter mais informações e se inscrever, é só entrar no site www.instituto3M.org.br.

domingo, 11 de janeiro de 2009

Calendário Cultural de Minas Gerais - Janeiro 2009

Tradições religiosas e mostras culturais
O mês de janeiro é marcado por festas religiosas, como a festa de "Folia de Reis", "São Sebastião" e "Nossa Senhora Mãe de Deus". Em Minas, as comemorações religiosas são de grande importância, pois os mineiros valorizam e preservam a memória e as tradições. Além disso, o Estado apresenta um conjunto de igrejas muito importantes para o patrimônio histórico e cultural de Minas e do país.
A Folia de Reis, que começa no dia 24 de dezembro, tem seu ápice no dia 06 de janeiro, quando é comemorado o dia dos Reis Magos, reis que levaram presentes ao menino Jesus. O árabe Baltazar trazia incenso, significando a divindade do Menino Jesus, o etíope Gaspar trazia mirra, significando a sua humanidade e o indiano Belchior trazia ouro, significando a sua realeza. Na cidade de Aiuruoca, as comemorações ocorrem entre 25/12 e 06/01, em Andradas, entre 06 e 30/01, já em Caetanópolis acontecem nos dias 16 e 17/01, na Chapada Gaúcha, entre 25/12 e 06/01, em Sabará, entre 25/12 e 07/01, e em Grão Mogol, entre 24/12 e 21/01.
A festa de São Sebastião é comemorada no dia 20 em cidades onde o santo é padroeiro. São Sebastião nasceu na França, no século III, alistou-se no exército romano e foi torturado e morto por ser cristão. Assim, os católicos têm grande admiração por sua figura, pois ele não teve medo de assumir sua crença e morreu bravamente defendendo-a. Para os mineiros devotos de São Sebastião, ele é considerado símbolo de resistência. As cidades de Alpinópolis e de São Tiago prestarão homenagem ao santo no dia 20.
Também no primeiro dia do ano é celebrada uma festa em honra a Nossa Senhora Mãe de Deus, nas cidades de Madre de Deus de Minas, Conceição do Mato Dentro e Grão Mogol.
Em cartaz cinema, teatro e dança
Janeiro também é mês de teatro e cinema. A "Campanha de Popularização do Teatro e da Dança", evento garantido em Belo Horizonte, já está em sua 35ª edição; a programação é variada, com peças para todo gosto e para todos os públicos. Serão três meses de intensas atividades e a preços bastante acessíveis, com espetáculos infantis, adulto, comédias, dramas, dentre outros. Acontece entre 05/01 e 08/03.
Também é evento garantido a "Mostra Passou Batido", que ocorre no Palácio das Artes, Belo Horizonte. A mostra reapresentará filmes que estiveram pouco tempo em cartaz no ano de 2008. Será dividida em duas etapas, a primeira ocorre entre 05 e 18/01 e a segunda, entre 19/01 e 01/02. Ótima chance para os que perderam a data!
E acontece na cidade de Tiradentes a "Mostra de Cinema de Tiradentes"; são nove dias de exibições, oficinas profissionalizantes, debates e mesas redondas; ocorrerá entre 23 e 31/01. A mostra se faz importante porque reúne cinéfilos de todo o Brasil e, ainda, ajuda a difundir a produção cinematográfica no interior de Minas, onde a produção nacional tem pouca divulgação.

Quero agradecer ao meu oftalmologista

Somente indo a médicos que estão sempre atrasados, para ler vários jornais por inteiros, incluindo a seções horóscopo e vitrines. Nesta última sexta-feira, tive consulta marcada um pouquinho antes do fim da tarde, como já conheço o processo, passei em casa e levei os jornais (leitura de folha da tarde). Não que não goste de ler pela manhã é porque não tenho tempo mesmo, na verdade leio os jornais da semana no domingo, que é disparado semanal, que adoro, às vezes, leio durante a semana antes de dormir, mas acabo me sentido mal, dando uma sensação anacrônica. O que por sua vez, é uma loucura, anacronismo é ler o jornal da semana no fim dela né!? Talvez tenha que marcar com outro tipo de especialista. Mas o fato é que, sai de lá no inicio da noite, com sensação hodierna, afinal que graça teria se tivesse lido o artigo do Oscar Niemeyer (publicado aqui, com o título de “Adoro esse cara”) somente hoje. Por isso, quero agradecer ao meu oftalmologista. Continue sempre assim!

sábado, 10 de janeiro de 2009

Chega! Mandei um e-mail por que não aguento mais!.

Como diz Paulo Henrique Amorim dá azia ler o PIG. Quero dividir hoje um e-mail que acabei de mandar ao Senhor Gustavo Iosche, articulista da Veja, sobre um artigo publicado na F. de São Paulo, em 9 de janeiro de 2009, com o titulo; “Gaza: hora de golpear o terrorismo”. Segue abaixo;
Senhor Gustavo Iosche,
Em artigo publicado em 9 de janeiro de 2009 intitulado; “Gaza: hora de golpear o terrorismo”, o senhor chama à atenção dos leitores, para omissão da cobertura jornalística aos ataques a Faixa de Gaza. Neste ponto concordo inteiramente com o senhor. Não pelos fatos desinformando e distorcidos, que consta em seu artigo, demonstrando insuficiência histórica, se referindo ao Hamas como genocidas e ao Estado de Israel como vitimas agredidas por uma impressa brasileira atrasada.
Ora, que mundo o senhor está? Talvez ficaste muito tempo em Yale se esquecendo de olhar para além dos muros da Universidade. Mas nunca é tarde para ser uma pessoa melhor com visões além do alcance senhor Gustavo, comece conhecendo a história dos dois lados. E para não somente discordar, venho corroborar com a informação. Pedi alguns bons amigos, para que ajudasse um articulista carente de teor histórico.
Para começar, vamos entender o “Estado Bandido”. A história do Estado de Israel não é propriamente uma história. Poderíamos chamá-la de “folha corrida”, tamanha são as agressões e atrocidades cometidas por organizações terroristas e assassinas tanto antes da sua criação, como posteriormente depois de 14 de maio de 1948 quando de sua proclamação. Esse dia, para os palestinos e árabes em geral é conhecido como Al Nabka (A Catástrofe).
Israel meteu-se em pelo menos cinco guerras contra seus vizinhos árabes. De um território originalmente concedido pelas Nações Unidas (em seu maior erro histórico cometido no dia 29 de novembro de 1947), da ordem de 52% (os palestinos ficariam com 48%), hoje Israel detém 92% de toda a Palestina histórica. Sim, caro Gustavo, é isso mesmo que você leu. Um povo, que milenarmente ocupa aquela terra, que são os palestinos, tem as suas propriedades expropriadas em mais da metade e com o passar dos anos. Com uma política sistemática de limpeza étnica, de expulsões, matanças, assassinatos, demolições de residências, os palestinos foram perdendo cada vez mais suas terras e hoje possuem meros 8%, na Faixa de Gaza – a região mais densamente povoada da terra – e na Cisjordânia, onde ainda moram 400 mil israelenses em 250 assentamentos.
Israel não respeita e nem nunca respeitou qualquer resolução da ONU que lhe seja contrária. As mais importantes foram as tomadas por ocasião da Guerra dos Seis Dias de junho de 1967. A ONU, por unanimidade – uma das poucas vezes que os EUA não vetaram uma resolução contra Israel – decide que Israel deveria devolver aos palestinos as suas terras tomadas nessa guerra. Mas, que nada. Isso nunca aconteceu. E quem tem a coragem e a força política – e militar – para impor algum tipo de sanção a Israel, tendo por trás os Estados Unidos?
O termo “Estado bandido” é de uso comum entre estudiosos da política internacional. Surge cunhado por gente do Departamento de Estado americano, para tentar caracterizar aqueles estados párias, que ficam à margem das leis internacionais, estados delinqüentes e em alguns casos, como eles mesmos diziam, estados que patrocinam e apóiam o terrorismo internacional. Ora, como caracterizar o que Israel vem fazendo hoje contra o povo palestino na Faixa de Gaza? Porque esse Estado não respeita e não acata as resoluções da ONU e as leis internacionais? Não seria então exatamente esse um “Estado bandido”, pela definição estadunidense? Não tenho dúvidas que sim.
Por que Israel se sente no direito de matar indiscriminadamente os palestinos? Isso tem alguma origem divina? Que o deus de suas escrituras sagradas lhes tenha dito que eles seriam um “povo eleito” e predestinado, ainda assim isso não lhes daria o direito “divino” de matar ninguém. Que o seu deus lhes tenha prometido uma terra, ainda que eu não creia em nenhum deus, até entendo que os deuses devam cuidar dos povos que neles acreditam. Mas prometer uma terra para um povo com outro povo morando nessa terra assim também é demais. Como tenho insistido, a questão não é e nunca foi religiosa, como querem – erroneamente – insistir alguns analistas. O problema é e seguirá sendo político. Trata-se de um projeto colonial, de luta pela terra, em uma das regiões mais estratégicas – se não a mais estratégica – de todo o planeta. E tem por detrás disso a maior potência do planeta, que são os EUA, que fornecem praticamente todas as armas ao quarto maior e mais poderoso exército da terra, que é o de Israel.
Análise dos últimos acontecimentos
1. Quem mesmo rompeu a trégua? Muito se diz que quem quebrou a trégua acertada em junho de 2008, mediada pelo Egito, foram os palestinos do Hamas, no dia 19 de dezembro passado. Essa é uma mentira escandalosa, que é encoberta pelos meios de comunicação de massa. Quem violou a trégua foram os israelenses. E a violaram de duas formas. Por um lado, nunca cumpriram o acertado em junho passado de abrir as fronteiras para o livre trânsito de mercadorias, especialmente remédios e alimentos e impuseram um odioso bloqueio econômico à região de Gaza. Mas, em 4 de novembro, exatamente o dia das eleições presidenciais americanas, na calada da noite, Israel mata um palestino na fronteira com o Egito. O Hamas dispara um foguete contra uma cidade israelense próxima e, no revide, a aviação israelense assassina cinco dirigentes do Hamas. E isso tudo ocorrendo a cinco dias da realização de uma nova rodada de negociações e discussões sobre a paz possível, onde o Hamas sinalizava que poderia vir a reconhecer o Estado de Israel. É bom que nunca esqueçamos que na Cisjordânia, os palestinos da resistência não jogam mísseis em cidades israelenses próximas nem nos assentamentos judaicos que ficam incrustados nessa região e, ainda assim, em 2008, Israel matou 50 palestinos nessa região.
2. Quem é vítima, Israel ou os Palestinos? Tenho lido muita coisa sobre o “direito” de Israel se defender. Usam comparações absurdas, falam em até “20 mil foguetes” que o Hamas possuiria. Bobagem completa tanto em número como no potencial de letalidade dos tais mísseis. Esses mísseis fabricados pelo Hamas são como rojões caseiros, fogos “Caramuru”, muito conhecidos no Brasil. Nenhuma eficácia e o máximo que conseguem é disparar sirenes de alarme nas cidades vizinhas à Gaza, nada mais. A resposta é completamente assimétrica e desproporcional. Estranha-nos que os tais analistas e mesmo os correspondentes dos jornalões, que pedem que os palestinos deixem de resistir. Que querem eles com isso? Que um povo perca a sua identidade? Que deixe de lutar? Que desapareça completamente? Isso nunca ocorrerá. Fazem com isso o jogo dos agressores, mostrando Israel como vítima e os palestinos que morrem às centenas como seus algozes. Uma completa inversão dos fatos e da realidade. As vítimas é que são as culpadas. E nisso, os EUA não estão sozinhos, mas contam com o beneplácito de quase todos os governos europeus. Honrosa exceção esta o Brasil, cuja chancelaria emitiu em 12 dias de bombardeios, quatro notas pedindo um imediato cessar-fogo e criticando, diplomaticamente claro, as agressões israelenses. Como diz o jornalista Pimenta (HP), há duas formas de criminosos agirem. O de Israel e seu modus operandi é assim: a) fazem sempre se passar por vítimas, lembrando sempre que lhes for conveniente, o holocausto judeu e que foram vitimas do nazismo e b) fazendo uma provocação para que algum grupo palestino da resistência os ataque. Isso não cola mais. Não enganam mais as consciências de milhões em todo o mundo, que hoje, mais do que nunca, estão com os palestinos.
3. Quais são os alvos em Gaza? Israel iniciou os ataques dizendo que destruiria o Hamas completamente, um grupo político e religioso que venceu democraticamente as eleições de janeiro de 2006, talvez as mais democráticas e limpas já realizadas num país árabe que se tem notícia. E quem diz isso é a entidade presidida por Jimmy Carter, ex-presidente americano (1975-1979). Depois disso, passou a dizer que agora quer apenas enfraquecer o grupo e desarmá-lo. Vai sair derrotado dessa aventura, como foi no Líbano em julho de 2006, quando tentou “destruir” o Hezbolláh. Vai acabar fortalecendo o Hamas. Mas, o maior problema em tudo isso são os métodos adotados por Israel para cumprir “seus objetivos estratégicos”. Atacam indiscriminadamente todos os locais que os seus órgãos de “inteligência” (?) afirmam ser depósitos de mísseis. Bombardeiam 1,5 milhão de palestinos que vivem enjaulados. Casas de famílias, mesquitas, escolas e até hospitais! Dizem que os dirigentes do Hamas usam as pessoas como “escudos humanos”. Isso não é verdade. Mas, ainda que fosse verdade, seria ética e moralmente aceitável matar crianças, como as da escola da ONU, mesmo que lá estivessem escondidos os fogos “Caramuru” do Hamas?
4. Qual é a questão central hoje? Os que defendem os ataques aos palestinos argumentam que “Israel tem o direito de existir”. E é verdade. Mas isso não esta sendo questionado por ninguém. Até o Hamas sabe que precisará aceitar isso. A questão central é que o Estado da Palestina precisa existir, tem o direito legitimo de existir e precisa ser instalado e deve conviver harmonicamente ao lado de Israel. Essa é a questão central. E essa é uma decisão tomada há 61 anos e não se cumpre!
5. O que é a chamada “assimetria” nos ataques? Muito tem se falado sobre a desproporção e a assimetria nos combates. De um lado o quarto maior e mais poderoso exército entre os 200 países membros da ONU. De outro, guerrilheiros palestinos, mal armados e treinados, usando táticas de guerra urbana e de guerrilha, com seus mísseis caseiros. Israel usa o armamento mais moderno e poderoso, fornecido, claro, pelos Estados Unidos. Todas as bombas que são despejadas nas cabeças dos palestinos vêm escritas “made in USA”. E ainda querem que o ódio aos americanos não se dissimule entre os palestinos. Mas, usam bombas de outros tipos. A imprensa registra uso de balas de tungstênio, de urânio empobrecido, termobáricas, de fragmentação (proibidas pela ONU e suas convenções internacionais) e até bombas de fósforo branco. Matam com requinte especial. Como diz meu amigo, o combativo jornalista George Bordokan em seu blog: “que venham agora as câmaras de gás e os fornos crematórios”. É o que falta para a “solução final” de extermínio do povo palestino. Nunca nos esqueçamos inclusive que Israel, que proclama que o Irã vai produzir a sua bomba atômica e quer que o mundo ataque esse país, é o único pais do Oriente Médio a possuir a bomba atômica. Alguns estudiosos afirmam que o país possui em torno de 40 ogivas nucleares prontas para serem disparadas.
6. Por que Obama age como uma “esfinge”? Obama tem enviado sinais para a imprensa de que “os Estados Unidos só podem ter um presidente de cada vez” e até 20 de janeiro, o presidente é George Bush. Estamos em completo desacordo com isso. O período que ele vive é chamado de transição. O governo agonizante de Bush, o mais impopular da história, segue cometendo as maiores atrocidades e erros na sua diplomacia. Mas Obama se quisesse, poderia interferir nisso, dar uma linha, fazer um pronunciamento, ou mesmo um pedido para o presidente que finda seu mandato. Mas optou em não fazê-lo. Comete um grave erro. Vai queimando a sua popularidade ao omitir-se nesse momento crucial, onde a omissão soa como completa conivência com o massacre em curso. E é uma mentira que Obama não se pronuncia sobre a política externa americana. Quando dos atentados na Índia na cidade de Mumbai no final de 2008, que mataram dezenas de pessoas, ele fez um pronunciamento condenando os ataques. Agora mesmo, em duas reuniões de emergência do Conselho de Segurança da ONU, os EUA vetaram uma resolução pedindo um imediato cessar fogo. Obama poderia ter interferido nisso e pedido que a resolução fosse aprovada. Preferiu não fazê-lo.
Abraços
Sumayra Oliveira e amigos.
Para não esquecermos
Algumas regras da mídia
*Doze regras de redação da mídia internacional quando o assunto é o Oriente Médio*
1. No Oriente Médio são sempre os árabes que atacam primeiro e sempre Israel é que se defende. Esta defesa chama-se represália.
2. Os árabes, palestinos ou libaneses não têm o direito de matar civis. Isso se chama "terrorismo".
3. Israel tem o direito de matar civis. Isso se chama "legítima defesa".
4. Quando Israel mata civis em massa, as potências ocidentais pedem que seja mais comedida. Isso se chama "Reação da Comunidade Internacional".
5. Os palestinos e os libaneses não têm o direito de capturar soldados de Israel dentro de instalações militares com sentinelas e postos de combate. Isto se chama "Seqüestro de pessoas indefesas."
6. Israel tem o direito de seqüestrar a qualquer hora e em qualquer lugar quantos palestinos e libaneses desejar. Atualmente são mais de 10 mil, 300 dos quais são crianças e mil são mulheres. Não é necessária qualquer prova de culpabilidade. Israel tem o direito de manter seqüestrados presos indefinidamente, mesmo que sejam autoridades eleitas democraticamente pelos palestinos. Isto se chama "Prisão de terroristas".
7. Quando se menciona a palavra "Hezbollah", é obrigatória a mesma frase conter a expressão "apoiado e financiado pela Síria e pelo Irã".
8. Quando se menciona "Israel", é proibida qualquer menção à expressão "apoiada e financiada pelos EUA". Isto pode dar a impressão de que o conflito é desigual e que Israel não está em perigo de existência..
9. Quando se referir a Israel, são proibidas as expressões "Territórios ocupados", "Resoluções da ONU", "Violações dos Direitos Humanos" ou "Convenção de Genebra".
10. Tanto os palestinos quanto os libaneses são sempre "covardes", que se escondem entre a população civil, que "não os quer". Se eles dormem em suas casas, com suas famílias, a isso se dá o nome de "Covardia". Israel tem o direito de aniquilar com bombas e mísseis os bairros onde eles estão dormindo. Isso se chama "Ação Cirúrgica de Alta Precisão".
11. Os israelenses falam melhor o inglês, o francês, o espanhol e o português que os árabes. Por isso eles e os que os apóiam devem ser mais entrevistados e ter mais oportunidades do que os árabes para explicar as presentes "Regras de Redação" (de 1 a 10) ao grande público. Isso se chama "Neutralidade jornalística".
12. Todas as pessoas que não estão de acordo com as Regras de Redação acima expostas são "Terroristas anti-semitas de Alta Periculosidade".
* Texto da jornalista inglesa Mona Baker, do The Translator

sexta-feira, 9 de janeiro de 2009

Adoro esse cara

Com toda remissão de escrever "esse cara", mas ele é o melhor. Trago na integra um excelente artigo que li de OSCAR NIEMEYER, escrito em 31/12/2008, publicado hoje em um jornal de circulação nacional.
O artigo trata singularidades marcantes própria do nosso tesouro arquitetonicamente brasileiro, e em especial, de um livro que alcança enorme sucesso na Europa, onde reabilita Stálin, figura tão deturpada e injustamente combatida pelo mundo capitalista

Quando a verdade se impõe

"ESTOU NO Rio, em meu apartamento em Ipanema, alheio à agitação que hoje, 31 de dezembro, afeta toda a cidade. Recebo, pelo telefone, o abraço de fim de ano de meu amigo Renato Guimarães, lembrando-me, com entusiasmo, do livro sobre Stálin que, meses atrás, lhe emprestei. Uma obra fantástica do historiador inglês Simon Sebag Montefiore, sobre a juventude de Stálin, que tem alcançado enorme sucesso na Europa, reabilitando a figura do grande líder soviético, tão deturpada e injustamente combatida pelo mundo capitalista.

E fico a pensar como essa publicação me chegou às mãos por um amigo, o arquiteto argelino Emile Schecroun, que hoje reside na capital francesa. E vale a pena comentar um pouco da vida desse querido companheiro, que, ao ter início a luta entre a França e a Argélia, deixou o PCF em Paris, onde vivia, para filiar-se ao partido comunista argelino e combater no seu país de origem, ao lado de seus irmãos, por sua libertação. E contar como sua mulher foi torturada e ele, um dia, preso e enviado sob algemas para a França.

Duas ou três vezes por ano Emile vem ao Rio me ver. Quer falar de política, lembrar dos velhos camaradas de Paris. Às vezes eufórico, contente com o que vai acontecendo pela Europa; outras, como na última ocasião em que me visitou, preocupado com a crise que envolve o PCF, na iminência de ter que alugar um andar da sede que projetei. Tentei intervir, propondo uma entrada independente que servisse de acesso aos que vão utilizar aquele pavimento... Mas logo meu amigo reage, certo de que a situação política tende a melhorar, de que os jovens da França continuam atentos ao que passa pelo mundo, prontos a protestar contra tudo o que ofende a dignidade humana.

E volto a lembrar daquele livro, a figura de Stálin ainda muito jovem, sua paixão pela leitura, o seu interesse nos problemas da cultura, das artes e da filosofia, sempre a cantar e dançar alegremente com seus amigos.É claro que a juventude russa já sofria a influência de escritores como Dostoiévski, Tolstói e Tchecov, a protestar contra a miséria existente, revoltados com a violência do regime czarista. Muitos, a exemplo de Dostoiévski, enviados para a prisão na Sibéria, onde durante anos ficaram detidos. Depois, como tantas vezes ocorre, a vida a levar o jovem Stálin à luta política, que, apaixonado, o ocupou até a morte.

E o livro relata as prisões sucessivas que ocorreram em plena juventude, as torturas que presenciou, enfim, tudo que marcou a sua atuação heroica na luta contra o capitalismo.

Ponho-me a folhear a obra, surpreso em constatar que o seu autor, depois de enorme pesquisa que se estendeu a arquivos da Geórgia, somente há muito pouco tempo franqueados a pesquisadores, levantou informações inéditas importantes sobre a vida de Stálin.

É bom lembrar que não se trata de autor de esquerda, mas de alguém que, pondo de lado suas posições político-ideológicas, soube interpretar uma juventude diferente, marcada pela inquietação cultural, que levou Stálin à posição de revolucionário e líder supremo da resistência contra o nazismo. Muito animado, Renato me diz que, seguindo a linha política de sua editora, esse vai ser um dos livros que com o maior interesse irá publicar.A tarde se estende lentamente. Em breve o povo estará nas ruas a cantar -alguns esquecidos de que a miséria em que tantos vivem não se justifica, outros, como nós, confiantes em que um dia o mundo será melhor."

OSCAR NIEMEYER, 101, arquiteto, é um dos criadores de Brasília (DF). Tem obras edificadas na Alemanha, na Argélia, nos EUA, na França, em Israel, na Itália e em Portugal, entre outros países.

Fonte: http://www1.folha.uol.com.br/fsp/opiniao/fz0901200908.htm

quinta-feira, 8 de janeiro de 2009

Repúdio público ao massacre na Faixa de Gaza

Os Movimentos Sociais, Entidades de Classe e Partidos abaixo assinados, vêm a público manifestar seu repúdio ao massacre criminoso e genocida que está ocorrendo na Faixa de Gaza, promovido pelo Estado sionista (racista) de Israel, que, sob o pretexto de combater o terrorismo do grupo palestino Hamas, assassina pessoas indefesas, em sua grande maioria, crianças e mulheres.
O Governo Israelense promove, mais uma vez, a tática de “ataques preventivos” adotadas pelo Governo Bush, como tem sido no Iraque e no Afeganistão, aumentando a violência contra o povo palestino, que há décadas, tem sua nação dividida e usurpada pela partilha imperialista de seu legítimo território e, que no caso da Faixa de Gaza, vem a agravar o estado de privações, de todo o tipo, devido ao criminoso embargo promovido pelo governo israelense, levando a um confinamento total da população.
Os ataques ocorridos nessas últimas semanas já mataram e feriram milhares de pessoas. Toda a infra-estrutura foi destruída, afetando o funcionamento de hospitais, escolas, comunicações e as demais necessidades básicas.
Pela dimensão do ataque e a generalização inescrupulosa do bombardeio, este já é um dos maiores genocídios praticados por armamento de guerra nesse século, utilizando-se de armas condenadas por convenções internacionais, como bombas de fósforo e urânio empobrecido.
O terrorismo de Estado promovido pelo governo israelense, financiado pelo EUA, longe de por fim à crise estabelecida na região, apenas a aprofundará. Deve-se ressaltar que parte da população israelense não concorda com essa política do seu Governo.
As entidades abaixo assinadas condenam veementemente a carnificina promovida pelo Estado de Israel contra a população palestina exigindo:
1- Cessar fogo imediato e abertura da fronteira para a entrada de remédios, alimentos e de ajuda médica na Faixa de Gaza.
2- Pela autodeterminação do povo palestino e o reconhecimento de seus legítimos representantes eleitos.
3- Pela criação do Estado da Palestina e o fim das ocupações de Israel em seu território.
4- Pelo rompimento diplomático e comercial do Governo brasileiro com o Estado terrorista de Israel.
Dia 15/01/2008 – 15 h – Participe!Concentração na Praça Afonso Arinos
CONTATOProf. Kaled Amer Assrany (FEARAB) (31) 3337 2389 prof.kaled@superig.com.brFábio Bezerra (Intersindical) (31) 9183 3762 fambez@ig.com.brHeitor Reis (Abraço) (31) 3243 6286 heitorreis@gmail.com
COMITÊ MINEIRO DE SOLIDARIEDADE AO POVO PALESTINO
Abraço (Assoc. Brás. Radiodifusão Comunitária)
Associação dos Universitários do Prouni
Comitê Mineiro de Solidariedade a Palestina.
Consulta PopularCTB (Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil)
Conlutas ( Coordenação Nacional de Lutas)
CUT-MG (Central Única dos Trabalhadores)
DCE- UFMG
FSM (Fórum Social Mineiro)
Força Sindical/ MG
FEARAB (Federação Entidades Árabe-Brasileiras)
Fetaemg
Fórum Mineiro de Saúde Mental
INTERSINDICAL / MG
LIGA OPERÁRIA
MST (Movimento dos Trabalhadores Sem Terra)
PCB (Partido Comunista Brasileiro)
PCO (Partido da Causa Operária)
PSTU (P. Socialista dos Trabalhadores Unificado)
PSOL (Partido do Socialismo e Liberdade)S
indicato dos Jornalistas de MG
Sindicato dos Securitários de MG
Sindicato Único Trabalhadores em Educação
SindREDE
Sintect
Sindieletro-MG
Senalba-MG
Sind-Saúde-MG
Sindpol-MG
Sinfarmig-MG – Sindicato dos Farmacêuticos
Sindicato dos Correios e Telégrafos
Sinpro-MG – Sindicato dos Professores
UBES – União Brasileira Estudantes Secundaristas
UJC - União da Juventude Comunista
UJS - União da Juventude Socialista

O reencontro

Como é bom reencontrar pessoas que não encontramos há tempos! Para bater um papo, tomar uma cerveja ou simplesmente passar algumas horas em pé no meio da calçada. Agora o melhor reencontro, é aquele com “aquela pessoa”, sabe? Que a gente pensa sempre e deseja muito rever. Ontem foi um dia desses...
Mas, o bacana é antes do reencontro, que a gente passa um bom tempo, decorando diálogos, imaginamos mil e uma situações. Criamos uma lista de amenidades para conversar, pois, do contrário, poderíamos cair em tentação e entrar no assunto proibido: o passado. Proibido? Hum... Dentro da minha incapacidade de resguardar meus sentimentos, isto foi e é impossível. Como não falar da última vez que vi a pessoa e do que gostei ou não gostei ou ainda odiei?
E os diálogos desses reencontros? São sempre parecidos.
- Oi
- Oi
- E ai?
- tudo bem e você?
- Bem, e as novidades?
Nas primeiras horas é possível manter uma distância e fingir certo abnegativo. Mas todas as fantasias que você criou simplesmente somem; você não consegue mais encontrar as palavras amenas e falsamente desinteressadas quando está diante de alguém que, queria muito reencontrar. Ainda bem! Porque meu reencontro foi perfeito! Na verdade, parafraseando o encontro, ontem, “foi a melhor quarta-feira do ano”.

quarta-feira, 7 de janeiro de 2009

Chega!

Não é possível o mundo assistir passivamente o martírio de Gaza.
Antonio Peredo Leigue senador do MAS na Bolívia, mostra que o povo palestino sempre foi vítima, desde antes da criação do Estado de Israel, da guerra desatada pelos sionistas. Esses reclamavam como sua aquela terra, fazendo pouco pouco da hospitalidade com que foram recebidos quando fugiam dos nazistas. Os chefes que queimavam povoados palestinos e assassinavam seus habitantes logo governaram o Estado reconhecido pelas potências que venceram a Segunda Guerra.
Não foi suficiente se apropriar de um território, pois expulsaram os proprietários da terra e construíram sua pátria. Construíram-na sobre território que não lhes pertencia, pois essa extensão nada tem a ver com o reino hebreu ao qual se refere a Bíblia. Lá estão Jerusalém, Nazaré e Belém, reconstruídas pelos árabes e convertidas em cidades habitáveis pelos avós dos palestinos.
Terminada a Segunda Guerra, a política expansionista do sionismo enfrentou os países árabes vizinhos, os quais manteve submetidos às ações de terror de seus generais e de seus governantes. Outra coisa é o povo judeu que se expressou, em manifestações públicas, contra os criminosos ataques que o governo desatou contra a Faixa de Gaza.
Com a cumplicidade dos estados que permitiram a criação de Israel – inclusive com a tolerância e permissão do Conselho de Segurança das Nações Unidas –, os sionistas investiram a maior parte de seus recursos em potencializar seus exércitos para dominar toda a extensão que pode alcançar o largo braço de sua avidez.
Um Estado com essas características foi inserido ali para manter os países vizinhos em um tipo de ameaça constante. Líbano, Síria, Jordânia e inclusive o Egito foram vítimas desse exército moldado à imagem e semelhança dos exércitos de Hitler. Que macabra contradição!
Do mesmo modo que Washington se atribui o direito de qualificar qual governo latino-americano é bom e qual é ruim, os governantes israelenses determinam quem e como deve compor a Autoridade Palestina. Nenhum dos dois tem esse atributo. E mais: ninguém tem o valor de dizer que, do mesmo modo que o povo judeu tem direito a um país, os palestinos têm tantos méritos como eles, por reivindicar seu território arrebatado pelo grupo sionista.
O que faz a ONU? Como pode se preocupar com o Congo, o Haiti e outros lugares enquanto nem sequer tenta proteger os palestinos? Acima dos governos cúmplices do sionismo, os organismo das Nações Unidas têm a obrigação de agir nesse caso. Mas, é claro, para que o faça deve se democratizar. Não é possível que os membros permanentes do Conselho de Segurança, os cinco com direito a voto (se é que se pode chamar de direito essa arbitrariedade), decidam que Israel pode perpetrar a matança sem que não se tome nenhuma ação contra o genocídio, um crime de lesa-humanidade, qualificado expressamente nos documentos da ONU, mas sem nenhum efeito prático.
Enquanto subsista o estado sionista, não haverá paz no Oriente Médio. Só um país que reconheça os mesmos direitos a seus habitantes, um país em que possam conviver palestinos e judeus, uma nação que condene o racismo sionista, que o julgue penalmente, será capaz de se pacificar. Então – e somente então – poderá se dizer que a ONU está cumprindo seu papel pacificar. Então – e somente então – os países industrializados terão autoridade moral no nível de quaisquer outras nações. Enquanto isso, enquanto disfarcem a matança de Gaza como se fosse uma contenda em igualdade de condições, serão cúmplices do delito de genocídio.

segunda-feira, 5 de janeiro de 2009

OS CAÇADORES DO LOST PERDIDO

A quinta (e penúltima) temporada de Lost estréia 21 de janeiro nos Estados Unidos.
Como escrever um seriado bem-sucedido
[1] Ofereça um exército de personagens que cubra toda uma gama de arquétipos (ou, para ser menos generoso, estereótipos). Dê-nos os amigos que gostaríamos de ter: o bad boy com coração de ouro, o asiático reprimido em busca de um americano descolado para mostrar a ele como relaxar, a heroína de coração partido que só precisa aprender a amar novamente.
[2] Deixe insinuada uma série de interrelações entre esses personagens, algumas delas resultado evidente de conspiração ou destino. Faça com que suas vidas se cruzem, colidam e se interceptem.
[3] Dê a cada personagem um segredo devastador para proteger. Faça com que algum outro personagem o descubra.
4] Assalte impiedosamente seus personagens com circunstâncias que nem você entende. Brainstorms e LSD ajudam muito neste processo. Ursos polares na selva? Legal. Uma cidade subterrânea secreta composta de atrações esquisitas de circo? Perfeito! Dinossauros no shopping? Anomalias magnéticas? Lésbicas aborígenes de pés redondos? Agora sim você pegou a idéia.
[5] Explique seus mistérios da forma mais lenta possível. Faça com que suas revelações caiam como moedas da mão de um avarento. O mesmo poder de reforço intermitente que leva as pessoas a puxar a alavanca da máquina caça-níqueis fará com continuem comprando seus livros ou assistindo seu seriado porque TALVEZ, APENAS TALVEZ, alguém lhes dará uma resposta esta noite.
[6] Insira pelo menos um romance impossível. Faça com que os personagens dancem ao redor um do outro antes de ficarem juntos brevemente. Em seguida faça com que se separem, porque “não ia dar certo, de qualquer forma”. Dê a entender que eles acabarão ficando juntos, mas ofereça enquanto isso, a título de consolação, um amante dolorosamente sincero.
[7] Faça com que seus personagens sofram de forma interminável, incansável.
[8] Prolongue o seu seriado o máximo que puder. Se necessário acrescente mais personagens, mais relacionamentos, mais mistérios. Chegue talvez a resolver alguns deles. Mas, se estiver em dúvida, despeje mais!
[9] Mate um personagem de vez em quando. Elimine do rebanho os mais fracos. Mas certifique-se de fornecer ao personagem o seu momento mais significativo precisamente antes de morrer. De vez em quando ressuscite um personagem também.
[10] Dê a entender que sua série tem um plano secreto e definido, um arco completo e um final certeiro. Pensando bem, essa estratégia funciona também para Deus.
[11] Quando seu seriado perder popularidade, ou quando você se cansar de ficar inventando material bizzaro, anuncie que seu plano está completo.
[12] Para escrever seu último volume ou episódio, retire-se com sua equipe de redatores para uma cabana na floresta. Leve muitos quadros brancos, pincéis atômicos, fichas em branco, bebida alcoólica e a pilha de guardanapos de papel que você foi juntando como “a Bíblia da série”. Você pode também comprar os seus próprios DVDs e volumes anteriores. Gaste o fim de semana assistindo e lendo o que já fez, procurando encontrar uma saída. Não se preocupe, porque é exatamente como a faculdade: se você ficar sentado o tempo suficiente embebido em álcool e entre pedaços de papel, algo vai acabar lhe ocorrendo. Quando mais doido, melhor.
13. Pelo resto da vida, assinta misteriosamente diante de todas as perguntas que fizerem sobre a sua obra e diga coisas como: “bom, esta pode ser uma interpretação do Plano”.
Você pode usar estes passos para o bem ou para o mal. Pode criar uma outra Buffy, e pode criar uma outra Enterprise. Quem poderá dizer? Se você tiver bom gosto e talento, poderá quem sabe enriquecer a conversação cultural contemporânea e ainda nadar em pilhas de dinheiro. Se não tiver bom gosto nem talento, só irá nadar em pilhas de dinheiro. Você e seus futuros fãs só tem a ganhar.
Por PAULO BRABO Estocado em GOIABAS ROUBADAS

sexta-feira, 2 de janeiro de 2009

2009 ou tanto faz, uma visão geral e particular.

É fato que todo início de ano vale algumas reflexões baseada na verdade, no bem e no mal. Conceituando as ações do ano que termina para uma reflexão futura. E sinceramente, às vezes, isto é literalmente um porre! Pois bem, de porre ou não, resolvi compartilhar minhas reflexões de 2009 ou, tanto faz.

Como metódica que sou, faço questão de esclarecer o “tanto faz” aos apreçados julgadores da conduta humana. Não é um menosprezo ao 2009, nem a réveillon e festas barulhentas. E apenas uma forma objetiva de enxergar um dos legados culturais da Mesopotâmia - o calendário e a divisão do círculo em 360º. Quando pudemos entender que a terra, depois de 364 dias, completa uma volta em torno do sol. Isso realmente vale uma boa festa!

Agora, será que as pessoas só param para refletir uma vez em 364 dias? E preciso estar “atendo e forte” durante 363 dias. E um dia (último do ano), ficamos de porre e esquecemos, um pouco, as tais reflexões. Afinal, o planeta, merece uma boa festa, num mesmo?

Então voltado as “minhas reflexões”, penso que a verdade não é compartilhada. Aquele que conhece o que é sabe o que deve ser. É impossível identificar o conhecimento objetivo e a verdade. Não porque somos uma sociedade desordenada, mas, porque somos vários, com diversos valores e juízos. E não cabe dizer qual é a melhor, se é a da África, o da Ásia, ou do Brasil central.

Só um parêntese, ontem na posse do Prefeito de Uberaba e dos Vereadores, pode perceber duas verdades em confronto; de um grupo que dizia que o melhor, baseado em sua verdade, era a escolha de um determinado presidente para Câmara Municipal, pelo fato de ter o apoio do Prefeito. E outro grupo, baseado na verdade da autonomia do poder legislativo indicando outro presidente. Neste caso específico existe norma de conduta pública, que prevê a autonomia e independência dos poderes, portando a verdade, neste caso era da chapa dois, encabeçado pelo Presidente Lourival dos Santos (PCdoB) que por sinal, ganhou a disputa.

Digo isso para lembrar que apesar da diversidade cultural, não podemos crer que todas as opiniões individuais se valem. O valor de uma opinião mede-se por sua universalização, por seu poder de reunir os sufrágios. O que é bem relativo. Mas digo principalmente, porque todo início de ano, surgem às grandes verdades.

E a do momento, é de ser mais passivo e buscar um corpo perfeito. Num grande slogan de “faça meditação e malhe”, assim você estará na crista universal. Mas, o universal num é dado, ele está por ser conquistado pelo homem. Neste caso o poder substitui a verdade. Então, não vale dizer que em 2009, você será mais legal, passivo, magro e bonito. Lembra-se “Aquele que conhece o que é sabe o que deve ser.” E o universal deve se conquistado pelo homem. E é isto que queremos conquistar? Um mundo fashion a lá Woodstock.

Essa é a minha verdade para qualquer dia do ano. Faz bem cada um ter a sua, (com validade para o ano inteiro), respeitando certos valores da sua comunidade, sem julgar a incrível diversidade cultural do planeta. Agora sobre as ações; o que fiz ou não fiz ou devo fazer, também tenho uma teoria para isso.

A natureza humana não é humana o bastante. As minhas ações visam à liberdade, sem dogmas nem fé, em favor de outros fins que o poder, a riqueza ou o puro prazer. O homem que age pensando somente nestes objetivos não escolhe não faz sua história, estaria apenas seguindo sua natureza, deixando de ser humano.Isso é passividade de reflexão que por sinal diminui a ação. Porque afeta a interrogação que o homem traz em si próprio e sobre si próprio, seguindo o que é determinado e não agindo com liberdade.
Essa reflexão que me acompanha os 364 dias do ano. Que é colocar em prática ações que tem como fim a minha liberdade e a liberdade dos "outros". E pra quem chegou até aqui, digo que não existe um manual ou uma lista de boas intenções, apenas responda a você mesmo; O que quer? O que pode? E que deve fazer?