sexta-feira, 21 de agosto de 2009

Após 16 anos, Record compra direitos de filme-bomba sobre a Globo

A TV Record acaba de fazer uma aquisição poderosa, ao comprar o explosivo documentário Muito Além do Cidadão Kane (Beyond Citizen Kane). Transmitido pela primeira vez em 1993, no Reino Unido, o filme é um contundente libelo contra a TV Globo e a família Marinho.
Embora só tenha fechado o negócio nesta semana, a Record já havia tentado adquirir os direitos de exibição para TV brasileira nos anos 90. Segundo a Folha Online, o material saiu por menos de US$ 20 mil para a emissora do bispo Edir Macedo.
Desde a semana passada — quando Globo e Record começaram a se atracar em rede nacional —, o nome da produção voltou à baila. A Record já vinha veiculando trechos do documentário em seus telejornais noturnos antes da aquisição. O filme chegou a ser citado, por exemplo, no Repórter Record de domingo (16).
No entanto, quase tudo o que se diz sobre Muito Além do Cidadão Kane — de sua suposta proibição à autoria do trabalho — é equivocado. O documentário mostra o empresário Roberto Marinho (1904-2003) como ícone da concentração da mídia no Brasil — daí a referência a Charles Foster Kane, magnata das comunicações vivido pelo cineasta Orson Welles em Cidadão Kane (1941).
Simon Hartog, diretor da obra, morreu em 1992, antes de o trabalho ser exibido. Seu produtor e braço-direito era John Ellis, que se tornou a partir daí o responsável pelo projeto. Ellis deteve, até o começo desta semana, o direito de exibição do filme em TV aberta no Brasil, agora na mão da Record.
Mesmo legendado de forma capenga, o documentário circulava em VHS e se transformou num "hit" no país — antes de a internet ser o que é hoje. Custou cerca de US$ 260 mil (cerca de R$ 445 mil) à extinta empresa Large Door, na qual Hartog e Ellis eram sócios.
A produtora independente fez o longa para o canal britânico Channel 4, responsável por sua transmissão. Diferentemente do que a própria Record insiste em divulgar, a BBC nunca teve ligação nenhuma com a produção. Curiosidade: uma das maiores audiências do Channel 4 é o Big Brother, também carro-chefe da Globo.
Bastidores
Em entrevista à Folha de S.Paulo, publicada em fevereiro do ano passado, Ellis revelou que tanto Globo quanto Record tentaram comprar os direitos do filme nos anos 90 — a primeira para engavetá-lo, a segunda pare exibi-lo. Ainda segundo Ellis, o título nunca foi proibido ou embargado pela Justiça brasileira.
"A igreja (Universal do Reino de Deus) já tinha uma filial em Londres naquela época (começo dos anos 90). Mas percebeu que haveria uma disputa judicial com a TV Globo a respeito das muitas imagens retiradas da programação deles. Então decidiu não comprá-lo", relatou o produtor. Agora, a Record pode se concentrar em exibir os trechos "autorais" do filme — ou seja, limar as imagens da TV Globo e focar nos relatos e entrevistas.
Políticos como Leonel Brizola (1922-2004), Antonio Carlos Magalhães (1927-2007) e Luiz Inácio Lula da Silva — apresentado então como líder sindical — falam sobre a emissora carioca no filme. “Nada se faz (no Brasil) sem consultar o dr. Roberto Marinho. É assustador", acusa o cantor e compositor Chico Buarque, no início da fita.
Da Redação do Vermelho, com informações da Folha Online

quinta-feira, 20 de agosto de 2009

"Regina Duarte já tinha medo em 1985"

Direto do blog de PHA:
"Regina Duarte já tinha medo em 1985, quando apoiava o FHC pra prefeitura de São Paulo. Impagável!!! E ela ainda compara quem não votar em FHC é ajudar os nazistas tomarem o poder!!"

Festival de Teatro integra países de língua portuguesa

Festival de Teatro Lusófono terá a sua segunda edição em Teresina (PI), de 23 a 29 de agosto. O evento acontecerá em vários espaços culturais da cidade, e tem o objetivo de promover a integração e o intercâmbio entre países de língua portuguesa.
Diversidade e qualidade na programação do FestLuso
Durante o evento, realizado pelo Grupo Harém de Teatro, serão apresentados espetáculos de companhias e grupos de teatro de Portugal, Angola, Moçambique, Cabo Verde, Guiné Bissal, Brasil, São Tomé e Príncipe, todos de idioma Português. Além das peças, o Festluso também terá exposição fotográfica, palestras, debates e oficinas com criadores e estudiosos do teatro de língua portuguesa.
Para os organizadores do Festluso, esta projeto é um grande avanço no sentido de construir um intercâmbio continuado e sistemático através da aproximação produtiva entre criadores, produtores, práticos e investigadores que utilizam o teatro de língua portuguesa. Para eles também, o estado brasileiro reafirma o seu empenho direto no aprofundamento do diálogo intercultural em bases regulares, estáveis e coerentes, ao apoiar a iniciativa.
A programação do evento está repleta de espetáculos de alto nível, como "Parem de falar mal da rotina!, com a atriz Elisa Lucinda; "No inferno", do Grupo de Teatro do Centro Português de Mindêlo – Cabo Verde; e "Velho Palhaço Precisa-se", do Teatro Extremo de Lisboa. Além das peças, as palestras também terão reconhecidos nomes da área e a participação especial da atriz Regina Duarte.
Os ingressos para as apresentações estarão disponíveis nos locais dos espetáculos e as inscrições para palestras e oficinas já podem ser feitas na sede do Grupo Harém de Teatro (Av. Miguel Rosa, 3003, Estação Ferroviária – Galpão 3) . Todas as atividades serão gratuitas - um atrativo a mais ao evento, que se configura como uma excelente oportunidade de conhecer um pouco mais da cultura do Brasil e de outros países.
Confira a programação completa no site: http://www.festluso.com.br/

PiG em crise: circulação de jornais cai quase 5% no 1º semestre

A circulação média dos jornais filiados ao Instituto Verificador de Circulação (IVC) teve declínio de 4,8% no primeiro semestre deste ano em comparação ao mesmo período de 2008. A circulação média de todos os títulos filiados à entidade nos primeiros seis meses de 2009 foi de 4.231.165 exemplares por dia.
No ano anterior, esse número alcançava 4.394.047. A variação de -4,8% é resultado da comparação entre a média de circulação apenas dos títulos presentes nos dois períodos.
De acordo com o levantamento, a circulação somada dos 20 maiores jornais diários brasileiros caiu 6% no primeiros semestre. As maiores quedas foram de O Dia (-24%), Extra, Jornal da Tarde e O Estado de S. Paulo (todos com -17%). Também registraram perdas Diário de S. Paulo (-11%), Diário Gaúcho (-9%), Meia Hora (-9%), O Globo (-8%), Folha de S.Paulo (-7%) e Super Notícia (-4%).
Na ponta oposta, comemoram crescimento Daqui (37%), Expresso da Informação (14%), Lance (8%), Agora (4%), Zero Hora (3%) e A Tribuna (2%). Mantiveram-se estáveis — o que no cenário atual é uma vitória — Correio Braziliense, Estado de Minas, Correio do Povo e Valor.
Não houve alterações significativas no ranking geral, liderado por Folha de S. Paulo (média diária de 296 mil exemplares), Super Notícia (288 mil), Extra (262 mil) e O Globo (260 mil). Em seguida, aparecem O Estado de S.Paulo (215 mil), Meia Hora (203 mil), Zero Hora (184 mil), Correio do Povo (154 mil), Diário Gaúcho (152 mil), Lance (133 mil), Agora São Paulo (88 mil), O Dia (82 mil), Estado de Minas (76 mil), Expresso da Informação (67 mil), Daqui (63 mil), A Tribuna (62 mil) e Diário de S.Paulo (61 mil).
A única novidade é a estreia do Dez Minutos, de Manaus, na 18ª posição, com média diária de 54 mil exemplares — não considerados na conta de queda de 6%, pois foi lançado no final do ano passado. Fecham a lista: Valor Econômico (54 mil), Correio Braziliense (53 mil) e Jornal da Tarde (49 mil).
Publicidade em baixa
Os meios impressos, em geral, também obtiveram queda de investimento publicitário nos cinco primeiros meses de 2009 em comparação com 2008. De acordo com estudo do Projeto Inter-Meios, juntos, jornais e revistas caíram 16%: 9,48% e 7,37%, respectivamente.
O faturamento do meio jornal caiu para R$ 1,2 bilhão, sendo que a participação no bolo passou para 15,76%. Com queda, as revistas chegaram ao montante de R$ 555 milhões e participação de 7,09%.
Da Redação do vermelho, com informações do Meio & Mensagem

terça-feira, 18 de agosto de 2009

Bom Conselho

Televisão

Audiência conjunta reúne prefeitos e vereadores de municípios mineiros

O secretário executivo do Ministério do Esporte, Wadson Ribeiro, realizou uma audiência conjunta para receber prefeitos e vereadores dos municípios mineiros de Patrocínio, Dores de Indaiá, São Gotardo, Uberaba e Conceição das Alagoas. Os gestores discutiram as possibilidades de investimentos e as perspectivas de incentivo, através de programas do Ministério do Esporte, em seus respectivos municípios. A audiência conjunta foi justificada pelos interesses e necessidades comuns, uma vez que todas as cidades estão na mesma macrorregião e enfrentam os mesmos desafios.
O secretário falou sobre as ações possíveis de serem realizadas nessas localidades e informou que algumas iniciativas podem ser tomadas em curto prazo, como por exemplo, o envio de materiais para prática desportiva nas escolas públicas. Também explicou como funciona o programa Segundo Tempo e ressaltou que este programa atende satisfatoriamente às necessidades dos municípios, independentemente do seu tamanho.
Ribeiro esclareceu quais as medidas que devem ser tomadas para estabelecer convênios. Ele salientou a importância de dar atenção à parte burocrática dos processos no segundo semestre deste ano para que as atividades com as crianças possam começar já no início de 2010. “Todos os pleitos relacionados aos programas e obras devem ser cadastrados no SICONV“, explicou. “Mas a equipe do Ministério do Esporte está sempre a disposição para esclarecimentos e, se for o caso, ajudar as prefeituras durante o cadastro”. O SICONV é o Sistema Nacional de Convênios e pode ser acessado no site do Ministério do Esporte.
Foram discutidas, ainda, as alternativas possíveis para construir e reformar equipamentos qualificados para a prática desportiva e as possibilidades criadas através da Lei de Incentivo. O secretário explicou que a Praça da Juventude é um projeto interessante e que qualifica o espaço urbano. Em algumas cidades, no entanto, o valor investido pode ser redirecionado para outras obras que multipliquem e democratizem o acesso ao esporte em um número maior de bairros e distritos.
Avaliação - “É muito bom ver a iniciativa de pequenos municípios para viabilizar o acesso aos programas do Governo Federal”, avaliou o secretário. “Ficamos felizes porque isso estreita as relações e possibilita ampliar o raio das nossas ações”. Já os prefeitos foram unânimes em ressaltar a importância que um encontro como este tem para o desenvolvimento das cidades. Eles concordaram que, após os esclarecimentos, ficaram mais a vontade para persistir na busca de melhorias para a população de seus municípios.
Em Patrocínio já existe um programa de incentivo à prática desportiva nos moldes do Segundo Tempo. O Programa de Incentivo e Desenvolvimento do Esporte (PROINDE) atende 1.800 crianças em quatro modalidades desportivas. Para o prefeito Lucas Campos Siqueira, que esteve na reunião acompanhado pelo seu secretário de Esportes Marcos Remis e pelo vereador, Cássio Remis Santos, a parceria com o Ministério do Esporte pode aumentar a abrangência do programa, garantir o reforço alimentar e incluir profissionais ligados às áreas de psicologia e assistência social para iniciar um trabalho com as famílias.
O prefeito de Conceição das Alagoas, José Renato Sousa, disse que a reunião atendeu suas expectativas com relação à implementação de políticas do governo federal na área do esporte. Explicou ainda que os projetos do Ministério, com os valores advindos do esporte, beneficiarão a cidade em diversas áreas, principalmente no desenvolvimento dos jovens como cidadãos. “Ao utilizarmos o esporte como ferramenta será possível amenizar problemas sociais e garantir lazer, entretenimento e interação entre as famílias”, ressaltou.
Já o prefeito Edson Cezário de Oliveira, do município de São Gotardo, avaliou positivamente o encontro. De acordo com Oliveira, a aprovação dos projetos de infra-estrutura que garantirão a construção de três quadras cobertas no município, duas delas em distritos, vão melhorar a qualidade de vida da população local. “As pessoas devem ser motivadas em seus locais de moradia, de modo a fazer com que todos percebam a importância de seu trabalho e da organização social fora dos grandes centros”, afirmou.
Mauricio Caetano Dias, vice-prefeito de Dores de Indaiá, disse que a reunião foi muito importante para ter noção exata do que está disponível. “Agora podemos fazer solicitações coerentes ao ministério e desse modo aproveitar ao máximo as perspectivas e os caminhos de desenvolvimento que prefeituras menores podem seguir”, afirmou.

Única verdade que estou vendo no momento

terça-feira, 11 de agosto de 2009

Conferência de Comunicação: caem as máscaras e as ilusões.

Alguns atores políticos do campo da comunicação acreditam firmemente que a presença das empresas vai conferir uma legitimidade maior, especial, à 1ª Conferência Nacional de Comunicação.
Por Rogério Tomaz Jr.*, no Observatório do Direito à Comunicação
Outros chegam a embarcar no discurso pseudonacionalista de instituições que, sem exceção, sempre defenderam — e contribuíram ativamente com — a política entreguista de todas as riquezas do Brasil ao capital estrangeiro, vigente sem restrições até 2002.
E ainda há quem creia ser politicamente viável e concretamente possível se chegar a consensos — leia-se: conciliação — com os (tu)barões da mídia que permitam ganhos reais para a sociedade na luta para a democratização da comunicação.
Estas três idéias estão permeadas por graves equívocos conceituais e políticos.
Na dimensão conceitual, há uma grande dose de incompreensão acerca do instrumento no qual consiste uma conferência: sua forma, seus fundamentos, seus limites e suas potencialidades. Muitos atores sequer conseguem discernir entre os papéis e atribuições do Estado e da sociedade (nos seus diversos segmentos) na construção do processo.
Os erros nas formulações — sobretudo no terreno da estratégia e tática — e ações políticas são apenas a conseqüência prática dos lapsos conceituais.
Voltando às idéias que motivaram o presente texto, em primeiro lugar, o que garante a legitimidade de uma conferência setorial — um instrumento de democracia direta e participativa muito peculiar do Brasil — é a conjugação da forma de construção (transparente, aberta, horizontal e capilarizada) do processo com a presença ativa da sociedade, esta sim, razão maior e demandadora e destinatária primordial dos meios e fins deste processo.
Vale dizer que mesmo conferências setoriais convocadas apenas pelo Legislativo — caso de muitas conferências de direitos humanos e de educação e cultura — não foram ilegítimas pela ausência formal do Executivo. A presença deste, no entanto, se justifica pela (possibilidade de) maior efetividade nos desdobramentos das conferências.
No caso da Conferência de Comunicação, a participação de um setor que é fundado na lógica do lucro — frontalmente oposta à lógica da democracia e do interesse público — pode, respeitadas certas condições, qualificar o processo e fortalecer a eficácia do momento pós-conferência, o que não significa, de modo algum, ampliar a sua legitimidade. O vigor social e a validade política desse tipo de instrumento são conferidos justamente — em medida mais do que suficiente — por aqueles setores que reivindicam maior participação e poder de decisão.
A participação do empresariado é bem-vinda, sem dúvida. No entanto, jamais será condicionante da legitimidade de um instrumento que foi reclamado e conquistado exatamente para dar voz e vez a quem as tem negada pela hegemonia do capital, tanto nos vários entes do Estado quanto, sobretudo, nos meios de comunicação que se dizem defensores da liberdade de expressão para o conjunto da sociedade.
Os artífices do grande capital têm acesso direto, privilegiado e irrestrito ao Estado. No caso da comunicação, as empresas que historicamente controlam o setor possuem um representante dileto ocupando o principal posto da área no governo federal. Além disso, podem se reunir, a qualquer momento e sem qualquer óbice, com outros membros do primeiro escalão e mesmo com o Presidente da República. Só a ingenuidade — ou a predisposição para a conciliação indolor, mas inócua — justificaria a (suposta) crença de que os empresários participariam da Conferência Nacional de Comunicação movidos por sentimentos e objetivos democráticos.
Diante dessa constatação, o atual momento — dominado pela postura chantagista de parte do empresariado e, com isso, aberto a um possível golpe contra a Conferência, visando deslegitimá-la politicamente e evitar que seus resultados sejam acolhidos de bom grado pelo poder público — revela o tamanho do equívoco em que consistiram os insistentes esforços despedidos pelo campo popular-democrático da sociedade civil para incluir os empresários na construção do processo.
Uma coisa seria o governo convidar e buscar envolver os empresários da comunicação. Outra coisa foi uma certa ilusão — que acabou prevalecendo — entre as entidades e movimentos da sociedade civil de que eles não iriam sabotar um processo que se coloca explicitamente na contramão de seus interesses. O ônus dessa miragem é coletivo, sem dúvida, mas espera-se que sirva de lição para outras batalhas.
Em segundo lugar, o discurso de “defesa dos interesses nacionais”, especialmente por parte das emissoras de rádio e TV, é tão sólido quanto um castelo de cartas em meio a uma tempestade.
Os grupos que se autodefinem como guardiões da democracia brasileira são os mesmos que pediram, apoiaram, legitimaram e sustentaram o Golpe de 1964. E, antes disso, já haviam atuado de forma unificada na rejeição à criação da Petrobrás, mesma empresa que hoje querem desacreditar (perante a sociedade brasileira) e enfraquecer (no cenário internacional) no preciso momento em que ela encara o seu maior desafio — que coincide com a maior possibilidade de salto econômico que o Brasil poderá dar em toda sua história.
Estas empresas, que disseminam o preconceito e a violência simbólica contra os movimentos sindicais e sociais e chamam de “ditabranda” o regime de terror de Estado vigente por mais de duas décadas em nosso país, são as mesmas que atuaram sistematicamente a favor de projetos conservadores-entreguistas em absolutamente todas as eleições presidenciais desde 1989 e não têm qualquer pudor de acusar de terroristas aqueles lutadores que ousaram empunhar armas para resistir aos governos ilegítimos e tiranos que assaltaram a Nação a partir de 1964. Sem falar no grupo hegemônico do setor, que boicotou as Diretas Já! em 1984 e se envolveu diretamente em inúmeras tentativas de fraudes em eleições ao longo das últimas décadas.
Sobretudo, estas empresas são as mesmas que desrespeitam sistematicamente a Constituição e inúmeras normas jurídicas do país, no tocante ao monopólio e oligopólio na comunicação, no controle de concessões de rádio e TV por parlamentares, na asfixia da veiculação e da produção audiovisual regional e independente, entre muitas outras irregularidades.
Por fim, a ideia — percebida claramente nas entrelinhas do discurso de alguns atores — de que a conferência seria, na essência, uma grande mesa de diálogo com o empresariado e o governo, de modo a apontar diretrizes “possíveis” e “viáveis” para fazer avançar a comunicação no Brasil, se mostrou equivocada desde as primeiras reuniões da Comissão Organizadora Nacional. As máscaras caíram cedo.
Nem mesmo o princípio básico de participação majoritária da sociedade — excetuando-se os entes do Estado e os representantes do mercado — é aceito pelos empresários. Estes, com flertes positivos do governo, têm dado sinalizações de que irão exigir, para confirmarem sua participação, uma composição equivalente aos setores não empresariais — na proporção 40/40, restando 20% ao poder público — no universo de delegados para a conferência. Caso isso se confirme, a 1ª Conferência Nacional de Comunicação conseguirá a proeza de superar até mesmo o Congresso Nacional — que já é uma anomalia e uma ilegalidade — na super-representatividade de empresários da comunicação em relação ao conjunto da população brasileira.
Se ainda restava dúvida em alguns atores quanto à impossibilidade de conciliação com as empresas, a postura dos representantes destas na Comissão Organizadora deve ter apagado qualquer vã ilusão.
Na realidade, as conferências são arenas públicas de acirrada disputa de projetos e de concepções acerca dos temas em questão. O rebaixamento ou “recuo tático”, a priori, do programa das entidades é uma premissa que não precisa ser aplicada, visto que os resultados das conferências precisarão passar, obrigatoriamente, pelos filtros do Legislativo e do Executivo antes de se tornarem objetos palpáveis na realidade cotidiana. Aí, sim, neste campo da representatividade, com os seus ônus e bônus inerentes, o pragmatismo e a lógica da conciliação prevalecem e se traduzem na forma de leis, regulamentos, programas e outras categorias de políticas públicas.
Portanto, nenhum recuo e nenhuma concessão aos (tu)barões da mídia na 1ª Conferência Nacional de Comunicação! A participação política — além de ser a concretização do princípio da soberania popular que dá vigor a qualquer democracia — é um direito sagrado da sociedade e uma obrigação do Estado. Se as empresas de comunicação se dispuserem a participar da Conferência, sem impor condições ou desvirtuar a sua natureza, excelente. Caso contrário, sigamos em frente. O que não falta é trabalho a ser feito.
*Rogério Tomaz Jr. é jornalista, integrante do Intervozes — Coletivo Brasil de Comunicação Social e da Comissão de Liberdade de Expressão do Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Distrito Federal

Secretários defendem cultura como centro de políticas públicas

As secretarias de culturas das capitais e das cidades das regiões metropolitanas vão agir de forma integrada para garantir que a cultura se torne tema central nas políticas de Estado, e não um apêndice de outras áreas. “A política cultural é central nos direitos humanos, na economia, na capacitação intelectual e no enriquecimento da alma”, afirma a presidente do Fórum Nacional de Dirigentes da Cultura das Capitais, Jandira Feghali, secretária Municipal de Cultura do Rio de Janeiro.
Essa foi a principal deliberação do encontro do Fórum que aconteceu no Rio de Janeiro, na semana passada, reunindo 21 secretários de cultura de capitais de Estados e sete representantes de cidades de regiões metropolitanas.
Também ficou decidido o encaminhamento da pauta de deliberações do Fórum à reunião da Frente Nacional de Prefeitos (FNP) que acontece no Rio de Janeiro no próximo dia 19 de agosto. Jandira Feghali, que assumiu a presidência do Fórum Nacional em abril deste ano, buscará sensibilizar a Frente para ação conjunta.
Os gestores culturais debateram questões nacionais comuns a todos como a mobilização para aprovação das matérias relativos à cultura que tramitam no Congresso e estabeleceram uma pauta de ação para os próximos meses.
Próximas datas
O encontro aprovou um cronograma de ações para interferir na apresentação e aprovação de propostas referentes à cultura que já estão no Congresso Nacional: as propostas de Emenda à Constituição (PECs) que propõe elevar o orçamento da cultura para 2% das receitas de impostos do País, a que insere a cultura como direito social no capítulo II da Constituição e a que cria o Sistema Nacional de Cultura, além do Projetos de Lei sobre a mudança na Lei Rouanet e sobre a criação do Vale Cultura.
Ficou decidida também a celebração de convênios com o Ministério da Cultura para auxiliar na gestão de diversas cidades e que se buscarão parcerias para implementação de censos, sistemas de informação e cartografia sócio-cultural urbana de cada cidade.
Como ação imediata, foi agendada para o período de 21 a 25 de setembro, a Semana de Mobilização pela pauta nacional, pelas PECs e PLs e um ato público em Brasília em 4 de novembro, véspera do Dia Nacional de Cultura. O próximo Fórum foi marcado para 12 e 13 de novembro, em Porto Alegre (RS).
Plano Nacional
No encontro, o diretor de Estudos e Políticas Culturais do Ministério da Cultura, Afonso Luz, falou sobre a construção do Plano Nacional de Cultura, reconheceu e estimulou a parceria entre as cidades e destas com o MinC e polemizou na discussão orçamentária, questionando a qualidade e a forma dos gastos, a capacidade de os equipamentos culturais atraírem a população e destacou a importância da criação de um sistema de informações culturais.
Ainda no segundo dia, o secretário de Articulação Nacional do MinC, João Roberto Costa do Nascimento (Peixe) salientou a importância de as capitais construírem, com o Ministério e as Secretarias de Estado de Cultura, seminários para preparar o Sistema Nacional de Cultura. Ele falou também sobre o projeto de mapeamento das instituições culturais coordenado pelo MinC e sobre os cursos de formação de gestores, cujo piloto acontecerá na Bahia, ainda em 2009.
Os debates apontaram para a necessidade de um plano nacional de cultura e planos municipais específicos, com metas para uma década e desdobramento por ano de gestão e por área constitutiva da diversidade e da especificidade de cada cidade. Ficou estabelecido que o Fórum fortalecerá as articulações regionais (Norte, Nordeste, Sudeste, Centro-Oeste e Sul) e que as regiões metropolitanas, formarão com as capitais, as redes metropolitanas que serão incorporadas aos debates e ações lideradas pelo Forum.
Site do Vermelho de Brasília Com informações do Fórum

domingo, 9 de agosto de 2009

PHA: Fúria da Globo é em relação à Conferência de Comunicação

Em debate promovido pelo portal Vermelho, na sexta-feira (07), Paulo Henrique Amorim, do blog Conversa Afiada, disse que veículos como a Globo e a Folha de S. Paulo estão "exageradamente golpistas", em consequência da convocação da Conferência Nacional de Comunicação (Confecom) e pela descoberta de petróleo na camada de pré-sal durante o governo Lula.
O debate "Como enfrentar o PIG - Partido da Imprensa Golpista" organizado pelo Portal Vermelho contou com a presença Paulo Henrique Amorim, da TV Record e do blog Conversa Afiada; Laurindo Lalo Leal Filho, ouvidor da Empresa Brasil de Comunicação (EBC); e Altamiro Borges, diretor do Vermelho.
Após o debate, a noite de sexta-feira foi marcada também pelo coquetel de lançamento de dois livros publicados recentemente pela Associação Vermelho: ''Comunicação pública no Brasil: uma exigência democrática'', organizado por Renata Mielli; e ''A ditadura da mídia'', de Altamiro Borges.
Bem-humorado, o jornalista Paulo Henrique Amorim citou mais uma expressão que passará a utilizar no blog Conversa Afiada: o "PUM do PIG", Programa Unificado da Mídia do Partido da Imprensa Golpista, expressão que utiliza para denunciar a atuação unificada dos grandes veículos de comunicação em torno de alguns objetivos.
Segundo ele, há dois exemplos em curso de PUM, o primeiro é a opinião do PIG de que, devido à ineficácia do gov Lula, o Brasil morrerá de gripe suína, e o segundo é derrubar Sarney. E então o jornalista ironiza: "O PIG descobriu que o Sarney é o Sarney".
Lula cometeu erro estratégico
PHA se apresentou cético em relação aos resultados da Confecom. Para o jornalista, o governo Lula cometeu um erro estratégico ao não criar bases institucionais para derrotar o "PIG". O jornalista também defendeu a implementação de políticas públicas de estímulo aos veículos alternativos e considera que o avanço mais significativo na comunicação seja o trabalho de democratização do acesso à internet, embora lamente o engavetamento do projeto da Ancinav.
Além da Confecom, Paulo Henrique Amorim citou a descoberta de petróleo na camada de pré-sal como um dos motivos recentes de fúria da grande mídia e comparou a descoberta ao momento da campanha "O Petróleo é Nosso" e a situação política que levou ao suicídio de Getúlio. Já o professor Laurindo Lalo Leal foi além: "o golpe que matou Getúlio e o que derrubou João Goulart foram organizados pela imprensa".
A América Latina avança
Lalo defendeu que os caminhos para enfrentar o PIG passam pela presença regulatória mais forte do Estado em relação às concessões de espectro e o estímulo a veículos contra-hegemônicos. O ouvidor da EBC discorreu sobre os avanços em termos da democratização da comunicação em diversos países da América Latina, destacando-se o investimento em rádio e em veículos públicos.
Quanto ao Brasil, considera que o principal avanço foi a criação da EBC. Entretanto, ressaltou que qualquer tentativa de regulamentação é rapidamente taxada pelos veículos da mídia hegemônica como censura e citou o próprio caso da classificação indicativa e também a Ancinav.
"O debate sobre o PIG está crescendo, e deixa de ser coisa para especialistas". Com voz de satisfação, foi com esta frase que Altamiro Borges, o Miro, iniciou sua intervenção no debate. O jornalista valorizou a forte presença de movimentos sociais na conferência estadual de comunicação de São Paulo e soltou: "comunicação contaminada faz mais mal à saúde que água suja".
Processo da Confecom é pedagógico
Miro avaliou que o processo da Confecom é pedagógico, ajuda na tarefa de estimular o senso crítico e acredita que mais pessoas estão se dando conta de que a comunicação é um direito e uma questão primordial à democracia.
E levantou algumas bandeiras a serem defendidas na Conferência: fortalecimento da rede pública; rediscussão das concessões públicas; inclusão digital; fortalecimento da radiodifusão comunitária; estabelecimento de critérios para a distribuição da publicidade oficial, visto que hoje 48% desta verba é destinada só para a TV Globo; controle social e a constituição de um novo marco regulatório para a comunicação no país. E finaliza: "além do grande esforço da TV Pública". Miro defendeu ainda a criação da "Sociedade de Amigos da TV Brasil"
Para Miro, para combater o PIG é necessário organizar o "PIB", Partido Independente dos Blogueiros, termo alcunhado pelo jornalista Luiz Carlos Azenha, do blog "Vi o mundo", que estava presente ao debate.
Miro defende que, respeitando a diversidade, a riqueza dos blogs e outros veículos alternativos, é urgente criar uma sinergia entre esses veículos. Neste tema, Paulo Henrique Amorim defendeu a constituição de um fundo público, sem vínculos partidários ou religiosos, para financiar veículos alternativos.
O PL do Senador Eduardo Azeredo (PSDB-MG) também foi citado como instrumento que tem o objetivo de cercear o uso da internet, considerado até então um espaço mais democrático.
Da Redação Vermelho, Por Luana Bonone

sábado, 8 de agosto de 2009

Boicote da mídia à Conferência de Comunicação

Sem descobrir

Envergadura moral ou amoral? Inclinação ou declinação? Não importa / Nem tente, quem nota? Alguém entende?!
Prefiro sem "L" / Prefiro amora / Prefiro sem nota / Eu me importo / Importo com o que importa / Não, não entendo quem nota!
Notei e não sou notado / é vazio, cheio de pecado / batendo no couro até o dedo esfolar / sentindo na pele, revele / a célebre arte de amar
Não sei das artes / Não sei amar / Estou acendimento e sem pecado / Quero um pra desvendar
Reparei que você não acentua atenta, atenua outros horizontes / versos aos montes / jogados no monitor / sem qualquer reponsa / essa habilidade de se fingir sonsa ou discreta seria para disfarçar a dor?
Nosso Primeiro Poema - Poeta Ilustrador e Poetisa do Tempo

sexta-feira, 7 de agosto de 2009

Falta de tempo

Não que seja uma desculpa, mas uma necessidade de interiorização do tempo com suas ramificações.
Afinal o tempo é divido em componentes, elementos, ambientes, grupos e tantos outros, em 24 horas subsequentes, velha máxima, um dia de cada vez.
E há escolhas do tempo, parte não priorizada sente o tempo e quem prioriza sente falta, então sempre repetimos; É falta de tempo!
Talvez percamos o tempo ou ganhamos, mas só saberemos no final do tempo.
Então priorizo a falta do tempo com o que neste tempo, me deixa feliz. É um jogo de tempo, que só saberei se tiver tempo.
Sumayra Oliveira