quinta-feira, 16 de fevereiro de 2012

História do Carnaval em Uberaba




   [1]Uberaba já teve magníficos e esplêndidos carnavais de rua. Como todas as cidades brasileiras, conheceu essa festa, nos fins do século retrasado e nos primeiros anos do passado.  Foi época dos “limões de cheiro”, de muitas cores e formatos, que eram atirados pelas janelas ou aos que passavam pelas ruas. Época das “bisnagas” feitas de latas ou borracha, dos esguichos feitos com gomos de bambus
.
Muitas vezes, os que passavam sob uma janela recebiam verdadeiros banhos de baldes de água, farinha de trigo, borra de café, polvilho, fubá...  Os foliões isolados entravam pelas casas, praticando tropelias e assustando os moradores.

Só mais tarde, no fim do século, apareceram os confetes e serpentinas.  Surgiu, em primeiro lugar, o “Clube dos filhos de Jó”, com Rafael Vannucci, Candinho Pintor, Terêncio Pereira, Antoninho do Porto, Horácio Luís França, Janjão Pinheiro e outros. As “críticas” (muitas vezes ferinas, satíricas), que apresentava, muito bem escritas e representadas, despertavam bom humor e alegria no povo.

Em 1885, O Major João Gonçalves Teodoro de Oliveira fundou o “Clube dos Valetes de Ouro”, que por muito tempo, foi o mais importante da cidade. Havia lindos desfiles, passeatas, flores atiradas às damas nas janelas.
E depois vieram os carros carnavalescos, puxados por bois ou em carroças. Os Uberabenses os aplaudiam, com o mais vibrante entusiasmo. Muitos desses carros eram, realmente, lindos, apresentando ricas alegorias.
Seus pintores e cenógrafos foram Joaquim Gasparino, Candinho Pintor, Ernesto Pella, Messias Montezuma, Horácio Luis França, Terêncio Pereira,  Vitor Ornelas, Antônio e Lino Gasparino, Mauro Savastano, Manuel Dedé, os irmãos Paim, José Gulacci, Rodolfo Mosella, Francisco Andrande, Luís Basaga Júnior.

As músicas tinham versos de Artur Lobo, Gaspar da Silva (depois, Visconde de São Boaventura, em Portugual), Desidério Ferreira de Melo, Dr. Egídio de Sousa Andrade, Moisés Santana, Antônio Cesário da Silva e Oliveira, Dr. João Caetano de Sousa e Silva, Professor César Ribeiro, Manuel Filipe de Sousa, José Avelino, Atanásio Saltão, Artur Costa, Lafaite de Toledo, Cândido de Cássia e outros.

 Com o ocorrer dos tempos muitos clubes foram surgindo e desaparecendo: Filhos de Plutão, Filhos das trevas, Sargento do Diabo, Pedro sem, Clubes dos Alegres, Clube dos Fenianos, Fantoches Carnavalescos, Clube Democráticos, Cuspo Grosso, Tenentes do Diabo, Marajas da Folia, Grupo Regional São Benedito, Bambas do Fabrício, etc.

Dos blocos que permaneceram após da década de 30, segundo do Professor Antônio Carlos Marques[2],  são: Os felinos que saiam do Bairro São Benedito; O Pedro Cem, reunindo-se na praça da Gameleira; a Banda Maria Giriza, mais próxima do espírito carnavalesco em sua origem, com o ritmo único dos instrumentos em desusos – violões sem cordas, cornetas desafinadas, sanfonas velhas, além da percussão com bumbos e frigideiras e pinicos.

E ainda segundo Marques, a saída do “Cordão dos Roceiros”, lá na esquina do “Enjeitei”, acompanhada pela passeata de automóveis enfeitados, conduzindo os foliões, saudando com alegria e brincadeiras os transeuntes.

E desta forma, dos blocos carnavalescos surgem as escolas de samba nos bairros, cada qual com a sua história, construindo o carnaval uberabense. Uma das escolas mais antigas de Uberaba, segundo o professor Carlos Marques é a Associação Carnavalesca Bambas do Fabrício (1935), que teve como criado o Senhor Nelson Garcia, mas conhecido como Tio Nelson.

Do outro lado da cidade, nascia a Escola de Samba Grêmio Clube Recreativo e Cultural Uberabense, seu Fundador e diretor foi Senhor Osvaldo Francisco Leal e após o carnaval na Avenida Leopoldino de Oliveira, o clube abrigava os foliões em sua sede e era o único clube que permitia a entrada de negros.

Marques escreve que o Grêmio, localizado no bairro São Benedito, foi elevado a condição de Escola de Samba em 1969, e dificilmente perdia o título de campeã, por essa ocasião, contava com especial colaboração do decorador  e arquiteto  Demilton Dib.

Nas décadas de 70 e 80 outras escolas foram surgindo: Império da Abadia, Brasil Moreno, Unidos da Vila, Unidos da Boa Vista, Acadêmicos da Santa Maria, Rosa de Ouro, Preciosa do Leblon, bem como os blocos dos Palhaços, dos Universitários e Maria Ximbica. E em 1983, O Barracão do Samba localizado à Rua Manoel Borges, onde hoje é a loja têxtil, deu origem à Associação das Escolas de Samba, permanecendo ali até 1985.

Entre tantos orgulhos que o Uberabense há de ter do carnaval local, está o Senhor Joubert de Carvalho, médico é compositor, que entre tantas composições escreveu  a famosa marchinha Ta-hi, cantada por Carmem Miranda e amplamente ouvida por foliões de todo o Brasil:

Despeço-me com Ta-hi:

“Tahi
Eu fiz tudo
Pra você gostar de mim
Oh! Meu bem
Faz assim comigo não
Você tem você tem
Que me dar seu coração.”




[1] Transcrevo o que José Mendonça escreveu em 1974, no seu livro “Historia de Uberaba, sobre o carnaval da cidade.
[2] Transcrição do artigo produzido pelo Antônio Carlos Marques e publicado em fevereiro de 1990.

2 comentários:

  1. Vejo que foi esquecido de citar o Bloco tambem famoso chamado Bando da Lua que nos anos 6o tambem fazia parte de nosso carnaval. Seus fundadores e dirigente Manoel Lazaro(Tucha) e
    Geraldo(Brecha)

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  2. Houve um Carnaval em meados da década de 40 em que fez muito sucesso nos salões da Associação Esportiva e Cultural, na Rua Artur Machado, um bloco formado por moças e rapazes denominado MECÂNICOS DO AMOR. Seu componentes trajavam macacões brancos, com a inscrição do nome do bloco às costas. Alguém teria foto deste bloco?

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