[1]Uberaba
já teve magníficos e esplêndidos carnavais de rua. Como todas as cidades
brasileiras, conheceu essa festa, nos fins do século retrasado e nos primeiros
anos do passado. Foi época dos “limões de
cheiro”, de muitas cores e formatos, que eram atirados pelas janelas ou aos que
passavam pelas ruas. Época das “bisnagas” feitas de latas ou borracha, dos
esguichos feitos com gomos de bambus
.
Muitas vezes,
os que passavam sob uma janela recebiam verdadeiros banhos de baldes de água,
farinha de trigo, borra de café, polvilho, fubá... Os foliões isolados entravam pelas casas,
praticando tropelias e assustando os moradores.
Só mais
tarde, no fim do século, apareceram os confetes e serpentinas. Surgiu, em primeiro lugar, o “Clube dos filhos
de Jó”, com Rafael Vannucci, Candinho Pintor, Terêncio Pereira, Antoninho do
Porto, Horácio Luís França, Janjão Pinheiro e outros. As “críticas” (muitas
vezes ferinas, satíricas), que apresentava, muito bem escritas e representadas,
despertavam bom humor e alegria no povo.
Em 1885, O
Major João Gonçalves Teodoro de Oliveira fundou o “Clube dos Valetes de Ouro”,
que por muito tempo, foi o mais importante da cidade. Havia lindos desfiles,
passeatas, flores atiradas às damas nas janelas.
E depois
vieram os carros carnavalescos, puxados por bois ou em carroças. Os Uberabenses
os aplaudiam, com o mais vibrante entusiasmo. Muitos desses carros eram,
realmente, lindos, apresentando ricas alegorias.
Seus pintores
e cenógrafos foram Joaquim Gasparino, Candinho Pintor, Ernesto Pella, Messias
Montezuma, Horácio Luis França, Terêncio Pereira, Vitor Ornelas, Antônio e Lino Gasparino,
Mauro Savastano, Manuel Dedé, os irmãos Paim, José Gulacci, Rodolfo Mosella,
Francisco Andrande, Luís Basaga Júnior.
As músicas tinham
versos de Artur Lobo, Gaspar da Silva (depois, Visconde de São Boaventura, em
Portugual), Desidério Ferreira de Melo, Dr. Egídio de Sousa Andrade, Moisés
Santana, Antônio Cesário da Silva e Oliveira, Dr. João Caetano de Sousa e
Silva, Professor César Ribeiro, Manuel Filipe de Sousa, José Avelino, Atanásio
Saltão, Artur Costa, Lafaite de Toledo, Cândido de Cássia e outros.
Com o ocorrer dos tempos muitos clubes foram
surgindo e desaparecendo: Filhos de Plutão, Filhos das trevas, Sargento do Diabo,
Pedro sem, Clubes dos Alegres, Clube dos Fenianos, Fantoches Carnavalescos,
Clube Democráticos, Cuspo Grosso, Tenentes do Diabo, Marajas da Folia, Grupo
Regional São Benedito, Bambas do Fabrício, etc.
Dos blocos
que permaneceram após da década de 30, segundo do Professor Antônio Carlos
Marques[2],
são: Os felinos que saiam do Bairro São
Benedito; O Pedro Cem, reunindo-se na praça da Gameleira; a Banda Maria Giriza,
mais próxima do espírito carnavalesco em sua origem, com o ritmo único dos
instrumentos em desusos – violões sem cordas, cornetas desafinadas, sanfonas
velhas, além da percussão com bumbos e frigideiras e pinicos.
E ainda
segundo Marques, a saída do “Cordão dos Roceiros”, lá na esquina do “Enjeitei”,
acompanhada pela passeata de automóveis enfeitados, conduzindo os foliões,
saudando com alegria e brincadeiras os transeuntes.
E desta
forma, dos blocos carnavalescos surgem as escolas de samba nos bairros, cada
qual com a sua história, construindo o carnaval uberabense. Uma das escolas
mais antigas de Uberaba, segundo o professor Carlos Marques é a Associação
Carnavalesca Bambas do Fabrício (1935), que teve como criado o Senhor Nelson
Garcia, mas conhecido como Tio Nelson.
Do outro lado
da cidade, nascia a Escola de Samba Grêmio Clube Recreativo e Cultural
Uberabense, seu Fundador e diretor foi Senhor Osvaldo Francisco Leal e após o
carnaval na Avenida Leopoldino de Oliveira, o clube abrigava os foliões em sua
sede e era o único clube que permitia a entrada de negros.
Marques
escreve que o Grêmio, localizado no bairro São Benedito, foi elevado a condição
de Escola de Samba em 1969, e dificilmente perdia o título de campeã, por essa
ocasião, contava com especial colaboração do decorador e arquiteto
Demilton Dib.
Nas décadas
de 70 e 80 outras escolas foram surgindo: Império da Abadia, Brasil Moreno,
Unidos da Vila, Unidos da Boa Vista, Acadêmicos da Santa Maria, Rosa de Ouro,
Preciosa do Leblon, bem como os blocos dos Palhaços, dos Universitários e Maria
Ximbica. E em 1983, O Barracão do Samba localizado à Rua Manoel Borges, onde
hoje é a loja têxtil, deu origem à Associação das Escolas de Samba,
permanecendo ali até 1985.
Entre tantos
orgulhos que o Uberabense há de ter do carnaval local, está o Senhor Joubert de
Carvalho, médico é compositor, que entre tantas composições escreveu a famosa marchinha Ta-hi, cantada por Carmem
Miranda e amplamente ouvida por foliões de todo o Brasil:
Despeço-me com Ta-hi:
“Tahi
Eu fiz tudo
Eu fiz tudo
Pra você
gostar de mim
Oh! Meu bem
Faz assim
comigo não
Você tem você
tem
Que me dar
seu coração.”
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