quinta-feira, 30 de outubro de 2008

Por uma rede nacional de memória

O que é fazer memória? Fazer memória é transformar a história a cada dia, um processo constante que não se esgota em si mesmo. É um processo vivo, permanente. Registrar a história de um mestre ou griô? Promover o diálogo entre gerações em uma comunidade? Um círculo de histórias para contar a história de um bairro? Tudo isso é fazer memória.
Fazer memória é participar da construção de uma história que é feita no presente, mas que pode ser mudada a todo instante pelas pessoas que fazem parte dela. E por que uma iniciativa para ligar estas memórias? Tão importante quanto registrar uma história, promover uma vivência para troca de experiências de vida ou catalogar documentos e fotos é fazer com que estas memórias sejam ouvidas, registradas e usadas por outras pessoas. A construção de uma rede nacional de memória surge com este objetivo: articular iniciativas de memória para promover e democratizar a prática da memória como instrumento de visibilidade e fortalecimento da diversidade cultural e histórica do país.
Desde 2003, o Museu da Pessoa vem, em parceria com a UNESCO, o Ministério da Cultura, a Petrobras, o SESC-SP e outras instituições, empreendendo esforços para o desenvolvimento desta rede, que já conta com a participação de mais de 500 organizações dos diversos setores da sociedade. Hoje, a história de nosso país carrega e reproduz valores que contribuem para a exclusão social. Sem que percebamos, tais valores excludentes, que privilegiam a visão e a voz de apenas alguns segmentos de nossa sociedade, são reproduzidos pela mídia, na educação e nas “culturas” mais visíveis.
Esta iniciativa busca dar maior visibilidade às múltiplas vozes presentes em nossa cultura e promover o diálogo entre produtores, articuladores e usuários das inúmeras memórias e histórias que formam hoje as culturas do país. Fortalecer essas trocas é com certeza favorecer a democratização do país e a valorização de culturas e vozes invisíveis, mas fundamentais para ampliação da visão que nossa sociedade tem hoje de si própria. Com a formação do Pontão de Cultura Brasil Memória em Rede, buscamos potencializar os esforços já em andamento, articular novas iniciativas de memória de todo o país e fortalecer ainda mais as iniciativas de memória das organizações já envolvidas na rede.
Texto: Produzido pelo Brasil Memória em Rede
Foto: Sumayra

terça-feira, 28 de outubro de 2008

Memória? Onde começou...

Para começar a contar essa história de “memória e cidadania”, e o porquê da oficina abaixo (Museu, Memória e Cidadania) tanto quanto meu interesse, e o envolvimento da ONG em que trabalho, é preciso voltar no tempo! Numa juventude sem identidade cultural e a falta de conhecimento histórico de Uberaba por Uberaba desoladoramente sem perspectivas, lembro que nos perguntavamos; como Uberaba surgiu no contexto nacional? Quem foram os heróis da nossa história? As repostas sempre foram difíceis, pela falta de órgãos de pesquisa e a pouca abertura de participação para jovens nos “clãs” uberabense de debates históricos.
Assim a vida me trouxe até aqui, com essa lacuna cultural, mas há 3 anos vi essa realidade mudar, através da ONG em que trabalho, O Instituto Agronelli de Desenvolvimento Social onde estabelecemos ações em parceria com órgãos governamentais de preservação do patrimônio cultural, e tive a felicidade de conhecer o Museu da Pessoa e entrar para o Brasil Memória em Rede, onde realizamos no 16 de maio - o dia Internacional de histórias de vida e compartilhamos de forma inesquecível, histórias de vida uns com os outros.
Hoje Faço parte de um movimento internacional de pessoas e organizações que acreditam que ouvir, coletar e compartilhar histórias de vida, são parte de um processo crítico para democratização da cultura e promoção da transformação social. E que preservar a memória provoca mudanças em bairros, comunidades e na sociedade como um todo, e é isso que tenho feito, em parceria com um monte de gente bacana, que quero aqui prestar uma homenagem; Marise Diniz, Iara Fernandez do Arquivo Público de Uberaba, Edna Chimango, Adislau, Ana Maria e Edma das escolas de Uberaba. Ana Nassar do Museu da Pessoa juntamente com toda equipe. Mariângela Camargos Coodenadora do Instituto Agronelli de Desenvolivmento Social e o Zuzu da Fundação Cultural que sempre acreditaram! Sei que posso ter esquecido alguém, mais o bom desse troço aqui, é que posso editar depois!

sábado, 25 de outubro de 2008

Museu, Memória e Cidadania

Com o objetivo de desenvolver junto aos participantes conhecimentos básicos e estratégicos sobre o processo evolutivo do museu no tempo-espaço, propondo uma discussão sobre o papel da memória e, as práticas museológicas que visam a construção da cidadania ocorreu em Uberaba (MG) nos dias, 22 a 24 de outubro, a oficina de Museu, Memória e Cidadania, um iniciativa do Departamento de Museus do Ministério da Cultura, articulada pelo Programa Cultivando Cidadania, atráves do Projeto Cultura e História do Meu Bairro। Durante a oficina foi construída, pelos participante uma carta, que será entregue a sociedade, segue aqui na íntegra:
Carta Pela Cidadania “Museus, missão mais que possível! Já não é sem tempo” Uberaba, 24 de outubro de 2008.
Lá do distrito de índios que viveram por cá há muito antes de Major Eustáquio, Borges Sampaio, Hildebrando Pontes, em que nos reunimos, nessa primavera quente. Onde já esteve a primeira Igreja de Uberaba, o cemitério São Miguel, a Escola Normal, o Liceu de Artes e Ofício e agora a Federação de Indústrias de Minas Gerais, para refletir, apreender, sonhar e lutar pela cultura, cidadania, memória, através da valorização dos museus da região do Triângulo Mineiro.
Das bandeiras paulistas que atravessaram a região do Triângulo, em massacre aos índios na busca pelo ouro nas nascentes do rio Tocantins, pela primeira vez, em 1590 a região é visitada pelo homem branco, na interiorização de uma dita civilização brasileira. Fernando de Azevedo, no clássico A cultura brasileira, de 1943, escreve: "cultura, [...], e em todas as suas manifestações, filosóficas e científicas, artísticas e literárias, sendo um esforço de criação, de crítica e de aperfeiçoamento, como de difusão e de realização de ideais e de valores espirituais, constitui a função mais nobre e mais fecunda da sociedade, como a expressão mais alta e mais pura da civilização".
Dos tempos atuais de civilização invertida pela mídia de massa e numa sociedade complexa como a nossa, rica em manifestações culturais diversificadas, o papel dos museus, no âmbito de políticas públicas, é de fundamental importância para a valorização do patrimônio cultural como dispositivo estratégico de aprimoramento dos processos democráticos.
Para cumprir esse papel, os museus devem ser processos e estar a serviço da sociedade e do seu desenvolvimento. Eles devem ser também unidades de investigação e interpretação, de mapeamento, documentação e preservação cultural, de comunicação e exposição dos testemunhos do homem e da natureza, com o objetivo de propiciar a ampliação do campo das possibilidades de construção da identidade e a percepção crítica acerca da realidade cultural das cidades.
Assim, no momento em que se dá continuidade as perspectivas das políticas públicas culturais tornam-se premente a implantação de uma Política de Museus e Memória para a região do Triângulo Mineiro, que seja um estimulo à criatividade, à produção de saberes e fazeres e ao avanço técnico–científico do campo museológico.
Portanto, destacamos a necessidade urgente de investimentos amplos na formação acadêmica e orçamentos direcionados para o patrimônio cultural, compatíveis com sua importância para o desenvolvimento da sociedade. Com isso, atingiremos nosso objetivo que é inserir o maior número de cidadãos no processo de inclusão cultural.
Foto: Sumayra