quarta-feira, 30 de dezembro de 2009

Homens também sofrem

Meu amigo Lui Luf, tá numa pior nesse fim de ano. Olha a saga dele; tava “namorando” uma menina da internet, mas ela trabalha muito, e não tem tempo de sair. A outra fica cantando-o diz que ele é lindo, só não sai disso. Ai o cara liga para a ex, no penúltimo dia do ano, e leva um fora daqueles. Tudo bem, Lui Luf, tem um monte de amigas interessante e amigo legais, todos querem estar com ele. O problema é que ele nunca fica com ninguém – Homens também sofrem.


Trágico! Mas, disse a ele, que nessa época do ano, há uma cobrança de mercado pela felicidade, estampada em merchandising coloridos, com lindos casais felizes e comprando, comprando,comprando... Eh! Já dizia Guimarães Rosa, viver é algo perigoso.  O que sei  é que os tritenge querem estabilidade emocional, e hoje relacionamento de verdade parece cada vez mais difícil - homens também sofrem - com a nossa independência feminina.


Mas, o que é trágico para Lui Luf, sempre pode ficar engraçado. Ele atira para todos os lados, o que nos rendi ótimas histórias de rolar de ri; liga pra menina no cabeleleiro e diz que ela deve estar linda, e se quer namorar com ele. Sendo que essa “bola da vez’, já deu um fora nele, mas ai a menina responde; E quem sabe, vou pensar. Ai ele diz, pra gente (amigos) - no primeiro fora, foi apenas uma nominata  consultiva, agora  que pensou melhor ( diga-se de passagem e com muita lobbe) pode ser uma escolha definitiva, num é?  Homens também sofrem! Mas, o bacana, que como Lui Luf, são brasileitos e não desistem nunca.


Sumayra há de concordar com a Mafalda, é preciso ter muito fé no futuro e na humanidade.

Em clima de tensão, alguns poderes legislativos municipais ,fecham 2009.

Neste final de ano, vivemos um quadro das Câmaras Municipais de relativa tensão, situação essa que repercute em todo o país. Entretanto, esta tensão é destinada à decisão de instância federal, onde nos leva a re-pensar o pacto federativo e seu funcionamento desigual.

 No fim de setembro, o Plenário da Câmara Federal,  aprovou as PECs 336/09 e 379/09, uma Proposta de Emenda Constitucional que aumenta em cerca de 7 mil o número de vagas nas câmaras de vereadores em todo o país. A matéria teve 380 votos favoráveis e 29 contra, com 2 abstenções. O texto aprovado distribui os vereadores em 24 faixas, de acordo com a população dos municípios. As cidades com até 15 mil pessoas terão nove vereadores. O número máximo de 55 vereadores será permitido para municípios com mais de 8 milhões de habitantes (apenas São Paulo se enquadra neste limite).


A Emenda Constitucional ainda reduz os percentuais máximos da receita municipal que podem ser gastos com as câmaras municipais. Será uma economia de cerca de 1,5 bilhões em todo o país por ano.


Os percentuais seguem o parâmetro previsto atualmente na Constituição, que usa a população como referência. Em vez dos 5%, 6%, 7% e 8% da receita, os municípios são divididos em seis novos percentuais.

Em quatro casos (veja  abaixo), a redução é de um ponto percentual em relação ao que existe atualmente; mas, para municípios entre 500 mil e 3 milhões de habitantes, a perda é de meio ponto percentual. Municípios com mais de oito milhões de pessoas (atualmente apenas São Paulo) tiveram redução de 1,5% da receita para gastos com o legislativo municipal.


Impacto da PEC dos Vereadores


Municípios com até 100 mil habitantes: atualmente podem gastar 8% com o Legislativo municipal. A PEC preve disponibilização de 7% dos recursos. Cidades atingidas pela mudança 5.312.

Municípios com 100.001 a 300 mil habitantes: Percentual de receita destinada ao Legislativo passa de 7% para 6%. Cidades atingidas pela mudança: 174.

Municípios com 300.001 a 500 mil habitantes: Podiam gastar 6% da receita com os vereadores. Agora, o percentual baixará para 5%. Cidades atingidas pela mudança: 42.

Municípios com 500 mil e um a 3 milhões de habitantes: receita destinada ao Legislativo passa de 5% a 4,5%. Cidades atingidas pela mudança: 34.

Municípios de 3 milhões a 8 milhões de habitantes: redução de 5% para 4% na receita destinada aos vereadores. Cidades atingidas pela mudança: 1.

Municípios com mais de 8 milhões de habitantes: redução de 5% para 3,5%. Cidades atingidas pela mudança: 1.


terça-feira, 29 de dezembro de 2009

O Presidente Lula foi escolhido pelo jornal britânico Financial Times como uma das 50 personalidades que moldaram a última década

O Presidente Lula foi escolhido pelo jornal britânico Financial Times como uma das 50 personalidades que moldaram a última década. Segundo o diário, Lula entrou na lista porque "é o líder mais popular da história do Brasil".

"Charme e habilidade política sem dúvida contribuem (para sua popularidade), assim como a baixa inflação e programas de transferência de renda baratos, mas eficientes", diz o jornal.

"Muitos, inclusive o FMI, esperam que o Brasil se torne a quinta maior economia do mundo até 2020, trazendo uma mudança duradoura na ordem mundial."

Vilões

Ainda no campo da política, o FT também destaca como as personalidades mais influentes da década o presidente do Irã, Mahmoud Ahamadinejad; o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama; a chanceler alemã Angela Merkel; o ex-presidente e atual primeiro-ministro da Rússia, Vladimir Putin; e o presidente da China, Hu Jintao.

O jornal selecionou também o que chamou de "alguns vilões" que acabaram por determinar o curso da história destes últimos dez anos, como o líder da rede Al-Qaeda, Osama Bin Laden, e o ex-presidente americano George W. Bush.

A lista do FT também inclui personalidades das áreas de negócios, economia e cultura. Muitas delas refletem o crescimento e o fortalecimento da internet e das novas tecnologias, como os empresários Jeff Bezos, da loja virtual Amazon; Meg Whitman, do eBay; Larry Page e Sergey Brin, do Google; Jack Dorsey, Biz Stone e Evan Williams, do Twitter; Mark Zuckerberg, do Facebook; e Steve Jobs, da Apple.

Outras figuras foram eleitas pelo jornal britânico pelo mérito pessoal de terem se tornado ícones mundiais em suas áreas, como a escritora JK Rowling, autora dos livros do personagem Harry Potter; o jogador de golfe Tiger Woods; a apresentadora americana Oprah Winfrey; o diretor japonês de desenhos animados Hayao Miyazaki; o produtor de TV John De Mol, criador da fórmula do Big Brother; e os astros da música Beyoncé e Jay-Z.

"Listas como estas são subjetivas e, de certa maneira, arbitrárias, mas tentamos capturar indivíduos que tiveram um grande impacto no mundo ou em sua região - para o bem ou para o mal", explicou o jornal.

Fonte: http://osamigosdopresidentelula.blogspot.com/2009/12/presidente-lula-e-escolhido-pelo-jornal.html

Visões

Fim de ano sempre dá certa nostalgia, ainda, mas, quando tudo anda balançando. Hoje a Mafalda tava a fim de beber com seus verdadeiros amigos, e assim o fez. Foi no seu bar preferido com seus preferidos amigos. Pena! Faltou Ludovico.

Estava lá a filosofar sobre, política, astronauta de mármore, rivotril, copa do mundo, olimpíadas e outras amenidades, debaixo de uma típica chuva de fim de ano, numa típica calçada mineira e ao som de um ensurdecedor Jazz.

Com a trégua da chuva ela e seu amigo Tico, fizeram logo o movimento de subir os plásticos antidemocráticos que fecham calçadas públicas e nos protegem de ventos molhados (mimos capitalistas). Estava bem a acalmar seu coração com as palavras doces de seu amigo, quando ela teve aquela visão - sua dita “relação” passou no seu carro, mascando um chiclete com a boca aberta e com cara de to na farra, pra não dizer outra coisa.

Tadinha da Malfada, não precisava dormir com essa visão. E por essas e outras que ela anda dizendo que Deus é capitalista e que nem sempre os plásticos antidemocráticos precisam ser retirados por clientes afobados.

segunda-feira, 28 de dezembro de 2009

Mafalda nos 30, não entende mais nada!

Dizem que as mulheres são difíceis de compreender, coisa mais ridícula! Difícil de entender são os homens, quando você num dá carinho é fria, quando dá, recebe certo desprezo contido, porque eles acham que você tá no “papo”.

Na verdade, Mafalda anda nos últimos meses sem entender nada, dizem que os 30 são assim, surta com prioridades profissionais, sentimentais, família e amenidades da vida. Sinceramente, num é possível viver até os 29 anos sabendo o que fazer e ficar burra de uma hora para outra. Se bem, que os 30 de Mafalda, veio com uma “relação”, dessas que começa sem você dar muita importância e de repente está lá apaixonada...

Mafalda está louquinha, não consegue falar com sua suposta paixão e sente uma profusão de coisas pelo pretendido; raiva é o que ela tá sentido agora. Mas sente saudade, desejos, vontade de estar junto, às vezes longe, quando longe pensa nele, quando perto, fica com ódio mortal da falta demonstração de compreensão para com ela. Assim sonha, planeja e desplaneja, sente vontade de passar sua vida inteira do lado dele, mas também sente de vontade de chutar o pau da barraca e falar tudo que acha. Quem conhece a Mafalda sabe que ela faz isso muito bem, mas com o tal pretendido ela não consegue falar uma só palavra, coitada dá Mafalda ta por enlouquecer.

Como boa amiga que sou digo a ela todos os dias, que amor de verdade não faz mal e não deixa a estima pra baixo, ela concorda, mas vai e volta mais magoada do que foi!

Não sei mais o que dizer, afinal de contas, o que eu entendo de amor ou relacionamento!

domingo, 27 de dezembro de 2009

Conversa de amigos por mensagem de celular

Ludovico: Não poderei ir!

Maria Avessa: Então também não irei! Me ligue mais tarde.

Ludovico: Ok! Penso que será possível, sinto falta de conversar com você. Beijos.

Maria Avessa: Também sinto falta de conversar com você. Me dê um toque quando puder...

Ludovico: Sim, o farei, até mais tarde.

Maria Avessa: Atenta e no aguardo, mas num deixe ficar muito tarde, que tal no fim de tarde?

Horas depois de muita chuva:

Maria Avessa: Nem sempre depois da tempestade vem a Brahma e o papo dos amigos.

Borboleta em 2010

No dia 2 de janeiro, escrevi uma crônica chamada: “2009 ou tanto faz, uma visão geral e particular”, essas que a gente fala das pretensões para o ano novo. Acabei de reler e sinceramente, ficou confusa, poderia ter feito dois textos; um abordando a eleição da mesa diretora do poder legislativo municipal, e outro das minhas impressões reflexivas pessoais.


Pois bem, este aqui será o meu olhar particular para 2010 retrocedendo em 2009. Pretendo fazer sim outro texto do “geral”, não porque  o externo é fato social interiorizado, até porque pra mim o fato externo é reflexo da história humana, mas agora quero somente interiorizar. Vou fazer aqui um Ctrl C e um Ctrl V de um pedaço da minha crônica citada, para servir como ponto de partida, para a chegada á 2010:


“A natureza humana não é humana o bastante. As minhas ações visam à liberdade, sem dogmas nem fé, em favor de outros fins que o poder, a riqueza ou o puro prazer. O homem que age pensando somente nestes objetivos, não escolhe e não faz sua história, estaria apenas seguindo sua natureza, deixando de ser humano, e isso, é passividade de reflexão, que por sinal, diminui a ação, porque afeta a interrogação que o homem traz em si próprio e sobre si próprio, seguindo o que é determinado e não agindo com liberdade.” (http://sumayra.blogspot.com/search/label/Poemas)


Marx na veia! Tento todos os dias ser e agir assim. Isso num significa ser santa, heroína ou Mafalda. Tento ser uma “grande borboleta que leve numa asa a lua e o sol na outra, e entre as duas, a seta - A grande borboleta que seja completa e seja mente solta”. Ser livre, na essência do pensamento , sem ficar com medo de percorrer as diversidades da vida. Tenho pensando fixamente em viver uma possibilidade internacional, sendo eu, brasileira, mineira e mãe do Luan.


Em 2010 continuo tentando ser uma grande borboleta, mas buscando a mineridade goiana de Cora Coralina:

Meu companheiro de vida será um homem corajoso de trabalho, servidor do próximo, honesto e simples, de pensamentos limpos... Seremos alegres e estaremos sempre a cantar... Teremos uma fazenda e um Horto Florestal.
Plantaremos o mogno, o jacarandá, o pau-ferro, o pau-brasil, a aroeira, o cedro. Plantarei árvores para as gerações futuras... Deixarei no mundo uma vasta descendência de homens e mulheres, ligados profundamente ao trabalho e à terra que os ensinarei a amar. E eu morrerei tranqüilamente dentro de um campo de trigo ou milharal, ouvindo ao longe o cântico alegre dos ceifeiros...”


Quero ser tão livre para poder ser um só em dois, ser amada e amar, quero ser tão livre para transmitir pensamentos sem ferir a liberdade do outro, quer ser tão livre para deixar meu trabalho como exemplo da simplicidade e verdade, onde realmente está a minha liberdade.

Feliz e livre 2010!


domingo, 20 de dezembro de 2009

HERÓI MODERNO, HERÓI ORGÂNICO*


O trabalho aqui apresentado trata-se de uma discussão sobre a figura do herói e a solidariedade orgânica, expressa na obra: “Divisão Social do trabalho (1978)”. O tema proposto faz parte de um exercício, do imaginar as infindáveis possibilidades sociológicas de investigação e interpretação da sociedade e seus intermináveis desenhos. Pois bem, neste momento faz necessário dois esclarecimentos; a conceituação da figura do herói e um apanhando sobre a solidariedade orgânica na citada obra de Ëmile Durkheim.

Comecemos pelo último, pontuada pela diferença entre os indivíduos, sendo somente possível se cada indivíduo tiver uma esfera de ação que lhe é própria, onde persiste autonomia e onde a unidade do organismo é tanto maior quanto mais marcada é a individualização das partes, assim, individualidade do todo cresce ao mesmo tempo em que a das partes; a sociedade torna-se mais capaz de mover-se como conjunto, ao mesmo tempo em que cada um de seus elementos tem movimentos próprios.

Ora, é aquela solidariedade típica das sociedades capitalistas, onde pela acelerada divisão do trabalho social, os indivíduos se tornam interdependentes. Essa interdependência anula costumes, tradições e relações sociais estreitas, mas afirma códigos e regras de conduta que estabelecem direitos e deveres e se expressam em normas jurídicas: isto é, o dogmatismo positivado no cotidiano, ou seja, fato social consumado. Nas sociedades capitalistas, a consciência coletiva perde coesão social. Assim, ao mesmo tempo em que os indivíduos são mutuamente dependentes, cada qual se especializa numa atividade.

De modo qualificado, a solidariedade orgânica é a que predomina nas sociedades "modernas" ou "complexas" do ponto de vista da maior diferenciação individual e social. Durkheim concebe as sociedades complexas como grandes organismos vivos, onde os órgãos são diferentes entre si (que neste caso corresponde à divisão do trabalho), mas todos dependem um do outro para o bom funcionamento do ser vivo. Afinal a crescente divisão social do trabalho é o que faz aumentar também o grau de interdependência entre os indivíduos.



HERÓI MODERNO, HERÓI ORGÂNICO



Voltemos há outra necessidade e primeiro esclarecimento imperativo. Segundo artigo publicado por Nelson Filho (2006) a definição de herói não é tarefa fácil e para fazê-lo, é preciso considerar a época, a sociedade, a região geográfica e levar em conta aspectos políticos, econômicos, sociais e culturais. Partindo desta delimitação, é salutar definir um aspecto temporal - o herói que cogitarei compõe o cenário atual - este indivíduo que simboliza a solidariedade orgânica de Durkheim, tão porque é o nosso objetivo, mas também venho refletindo nestes indivíduos “heróis”, conectado com uma dificuldade moderna de ser coletivo demonstrado pela diminuição de espaços ocupados pelos movimentos sociais clássicos.

Como remete à estreita identidade estabelecida por Touraine entre a cultura do século XIX e os valores da sociedade industrial, pois, acompanhando Marx e a leitura marxista, define a sociedade civil como "o espaço social da produção da vida social através do trabalho e da criação por este dos valores culturais" (Touraine, 1992a, p. 134). Com a mudança para uma sociedade pós-industrial da informação, ao contrário, “o poder consiste em inventar produtos e padrões com os quais a experiência individual e coletiva pode ser modelada" (Touraine, 1983a, p. 229). Nessa sociedade em estado de permanente mudança não sobra nada de consensual, coletivo ou institucional. O individualismo e a subjetividade reinam soberanos.



A sociedade não tem mais uma natureza, não se baseia mais em qualquer valor ou invariante; é apenas o que faz por si mesma, para melhor ou para pior. É irrelevante ou supérfluo apelar para princípios morais, lei natural, direitos humanos ou valores religiosos a fim de organizar a vida social. A sociedade não é nada senão o produto mutável, instável, frouxamente coerente de relações sociais, inovações culturais e processos políticos. (Touraine, 1983a, p. 220)



Nesse vazio criado por sua concepção do colapso da sociedade civil é que se legitima a teoria anti-societária, de Touraine, e nasce a sua teoria dos novos movimentos sociais.

Na fase industrial do capitalismo, a orientação cultural dominante era mais coletiva na forma, enfatizando o materialismo, o crescimento, o progresso e a organização. A passagem para uma sociedade da informação deu origem a uma lógica cultural de relações subjetivas, limites, autenticidade e individualidade. Isto é, o indivíduo procura manter ou recuperar o controle sobre sua própria orientação cultural e seu modo de agir lutando contra as grandes organizações que possuem a capacidade de produzir, difundir e impor linguagens e informações. [Essas organizações] produzem representações da natureza, da realidade social e histórica, do indivíduo, de certas personalidades culturais ou do próprio corpo. (Touraine, 1985, p. 280; cf. Touraine, 1983b, p. 36). No meu entendimento através da observação de grupos políticos e sociais, criando a figura do herói, onde o coletivo não é mais necessário, pois o individuo sobressai a organização.

Touraine enxerga nessa lógica cultural contemporânea uma contradição disseminada e fundamental entre as orientações daqueles que controlam as indústrias da informação e daqueles que são dominados por elas. "Os dirigentes das grandes indústrias culturais", escreve Touraine (1992a, p. 141), "falam em nome do individualismo". Mas, ao mesmo tempo em que "falam de criatividade, liberação e liberdade de escolha". Por oposição, aqueles que são dominados por essa nova classe dirigente estão comprometidos, em virtude de sua posição estrutural, com o individualismo de um modo mais radical. "No campo oposto, também se fala em individualismo, liberdade e movimento, mas de modo mais defensivo e mais “utópico”, pois, neste caso, não se fala apenas em nome do indivíduo, mas de sua capacidade e de seu desejo de defender a própria individualidade e subjetividade." (Touraine, 1992a, p. 141).

Tourraine e seus colaboradores, nos estudos etnográficos sobre os movimentos sociais, visam demonstrar que a ideologia de cada protesto específico expressa, à sua maneira, a subjetividade revolucionária de uma nova classe revolucionária, as afirmações sobre individualidade, subjetividade e libertação do controle dão muito mais a impressão de ser um verniz abstrato de intenção cultural.

Nos movimentos sociais atuais, segundo Touraine seus objetivos são expostos como autônomos e independentes em relação à dominação em si, não como vinculados aos discursos morais da obrigação coletiva. Quando Touraine (1984, p. 38) conclui que "os novos movimentos sociais nos países industrializados opõem a autonomia ao poder, não mais a razão à tradição", deixa claro que sua análise dos movimentos contemporâneos rompeu com uma sólida referência à especificidade das sociedades ocidentais. Os movimentos são apresentados como meros protestos institucionalmente específicos contra a sociedade capitalista tardia, inspirados numa cultura tão subjetiva e individualista que suas várias expressões se tornam apenas meios transparentes através dos quais atores individuais e grupos de interesse se manifestam.

E assim, a sociedade civil é que resulta dos movimentos sociais, não o contrário: Nessas sociedades altamente industrializadas, os conflitos e debates atingem uma determinada unidade de modo autônomo, sem a interferência de um princípio unificador externo [...] A ação de uma tecnocracia dirigente [...] é criar uma tentativa de impor aos cidadãos um determinado tipo de vida social. Uma sociedade mais civil, por outro lado, uma sociedade que seja uma extensão da democracia, é inevitavelmente produto de lutas sociais e processos políticos. (Touraine, 1984, p. 40).

Se os movimentos sociais são bem-sucedidos, Touraine (1983a, p. 229) alega então que o resultado é a formação de uma nova sociedade civil pós-clássica: "Essas lutas podem ampliar a área da atividade política ou criar [...] uma nova sociedade civil que emerge do próprio vácuo do espaço público da sociedade pós-industrial.” Quando Touraine alega que os sociólogos contemporâneos devem "procurar compreender as condições de existência, autonomia e desenvolvimento da sociedade civil", identifica essas condições com a busca do entendimento das "relações sociais, conflitos e processos políticos que tecem a trama da sociedade civil" (idem, pp. 233-234).


CONCLUSÃO


Na base do programa revolucionário de Touraine (1983b, pp. 140-144) encontra-se o argumento de que, com a emergência da sociedade industrial, a combinação histórica entre democracia, movimentos sociais e revoluções chegou ao fim. Particularmente no século XX, movimentos sociais e democracia "não são apenas diferentes como freqüentemente opostos" (idem, p. 144). Mais do que a criação de uma sociedade política justa ou a abolição de todas as formas de dominação e exploração, o principal objetivo da democracia deve ser permitir que indivíduos, grupos e coletividades se tornem sujeitos livres, produtores de sua história, capazes de reunir em sua ação o universalismo da razão e as particularidades da identidade pessoal e coletiva. (Touraine, 1994, p. 263)

Para Touraine, só existe movimento social quando a ação coletiva é dotada de objetivos sociais, quer dizer, reconhece a existência de valores e interesses sociais gerais e, em conseqüência, não reduz a vida política a um confronto entre campos ou classes, ainda que organize e acirre conflitos. Somente nas sociedades democráticas é que os movimentos sociais se formam sozinhos, pois a livre escolha política obriga cada ator social a lutar simultaneamente pelo bem comum e pela defesa de interesses particulares. Por essa razão, os movimentos sociais mais expressivos recorreram a temas universalistas: liberdade, igualdade, direitos do homem, justiça, solidariedade, temas que estabelecem um nexo direto entre o ator social e o programa político. (Touraine, 1994, p. 88)

Finalmente, estes temas universais produzem, hoje, nos movimentos sociais uma super-estimação em indivíduos como interdependentes do coletivo, mas sem pontos de rede que se cruzam - uma interdependência que valoriza o indivíduo e esse por vez crê que faz sua “parte”, na luta por justiça social isolado do coletivo, onde com o avanço da internet, os movimentos sociais são muitas das vezes redes virtuais e o coletivo, se polariza, nos cabos cibernéticos, forjando-se heróis que desprezam o coletivo e a luta de classe, surgindo-o na sociedade com uma capa de poder onde está escrito “vou salvar o mundo”, mas logo este se frustra, e muda o slogan para: a luta social não empreende conquistas.


* Sumayra de Oliveira


REFERENCIAS BIBLIOGRÁFICAS


BUONICORE, Augusto César. Marxismo, História e Revolução Brasileira: Encontros e Desencontros. São Paulo: Anita Garibaldi, 2009.


DURKHEIM, Emile. Divisão Social do Trabalho. São Paulo: Nova Cultura, 1978.



FILHO, Nelson Nascimento. O homem comum e a percepção do herói na sociedade contemporânea. Inrevista: ano 1, nª 2, 2 Ed. 2006.



GRAMSCI, Antonio. Gramsci – Poder, Política e Partido. São Paulo: Expressão Popular, editora, 2005.


http://74.125.155.132/scholar?q=cache:wqYMEjTdYNoJ:scholar.google.com/+perda+de+for%C3%A7a+dos+movimentos+sociais&hl=pt-BR&as_sdt=2000 ‹Acesso em 3 de set de 2008›



TOURAINE, A. (1983a), "Triumph or downfall of civil society?". Humanities inReview, 1: 218-234


__________. (1983b), Anti-nuclear protest: the opposition to nuclear energy in France. Cambridge, Cambridge University Press



__________. (1992a), "Beyond social movements". Theory, Culture, and Society, 9: 125-145



__________. (1992b), Critique de la modernité. Paris, Fayad.



__________. (1994), Qu'est-ce que la democratie? Paris, Fayad.

Arte visual - Luan


domingo, 13 de dezembro de 2009

Índios escritores resgatam sua história

Os índios escritores estão recuperando a história dos povos indígenas que os não índios ignoram. Seus livros, numa coleção de narrativas para crianças e adultos que relembram as tradições das 250 nações hoje sobreviventes no Brasil, variam no estilo, mas perseguem todos o mesmo objetivo - restaurar na ficção de lendas, novelas e romances a sabedoria dos ancestrais.
Pesquisas antropológicas e o registro de uma memória que vem sendo transmitida, de geração em geração, pela boca dos pajés, permitem resgatar toda essa riqueza cultural. Daniel Munduruku, ou Derpó, que em sua língua nativa significa Peixe Maluco, é um dos pioneiros desse esforço editorial.
Ao lado de guerreiros como Marcos Terena, Kaká Werá, Aílton Krenak, Darlene Taukane, Eliane Potiguara e dezenas de outros autores que aparecem num catálogo literário organizado por entidades de defesa dos bens e direitos sociais dos índios, Daniel ajuda a espalhar a produção intelectual de seus parentes, pelo Brasil e no exterior.

Aos 45 anos de idade e 13 de escritor, Daniel lança O Karaíba, uma história do pré-Brasil (Editora Manole, 98 págs., R$ 39), romance destinado ao público juvenil. É mais um livro para ler com o coração, conselho válido para todas as lendas buscadas nas profundezas dos séculos anteriores à chegada dos portugueses à Bahia.

Essa é uma história de ficção", alerta Daniel, com a ressalva de que, se não ocorreu de verdade, é uma história que poderia ter acontecido. Karaíba foi um profeta que percorria as aldeias prevendo coisas assustadoras, como a chegada de um grande monstro que destruiria tudo. "Não sobrarão nem vestígios de nossa passagem sobre esta terra onde nossos pais viveram", anunciou o velho sábio a seus parentes que habitavam a Amazônia.

"Tudo será revirado: as águas, a terra, os animais, as plantas, os lugares sagrados", era essa a visão de Karaíba que os índios confirmariam no futuro, quando um jovem se assustou com um ponto branco se aproximando da praia. "Fantasmas estão chegando!", gritou aos guerreiros da aldeia.

O que aconteceu daí em diante, a história contada pelos não índios, os manuais ensinam nas escolas. Nas páginas desse seu pequeno romance, Daniel resgata um pouco da cultura e da tradição dos Munduruku, que se espalham hoje com uma população de 12 mil índios pelos Estados de Mato Grosso, Amazonas e Pará.

Foi numa aldeia da região de Santarém (PA), entre os igarapés afluentes do Rio Tapajós, que Daniel viveu até os 15 anos. Quando o pai foi morar na cidade, continuou a visitar seu povo, como conta em outro livro, Meu Vô Apolinário (Studio Nobel), que ele define como "um mergulho no rio de (minha) memória". Casado com uma moça do Vale do Paraíba e pai de dois filhos, Daniel formou-se em Filosofia na Universidade Salesiana de Lorena e faz doutorado em Educação na USP, enquanto escreve e dá palestras pelo Brasil afora.

Cultura para crianças

A tradição e a cultura indígena também são compartilhadas com as crianças nas escolas. "Xibat?", pergunta o índio escritor-professor a uma turma de alunos da Escola Lourenço Castanho, no bairro do Ibirapuera, em São Paulo, na manhã de uma sexta-feira de novembro. Os meninos e meninas, de 8 a 10 anos, que no início do encontro tinham ouvido de Daniel uma saudação em língua indígena, logo traduzida para o português, não entenderam nada. Todos sorriam, esperando a tradução de mais essa palavra.

"Tudo bem? Tudo legal? Tudo joia? Tudo porreta?", traduziu o índio, despejando uma enxurrada de gírias para quebrar o gelo. Depois contou que, na aldeia, ninguém se cumprimenta com beijos e abraços, mas só com uma saudação simples como xibat, olhando nos olhos, porque, como dizem os ancestrais, "o olho é a única parte do corpo que não mente". Explicou que Munduruku quer dizer Formiga Guerreira ou Gigante, um nome que, com um significado desse, só pode dar orgulho a seu povo. A criançada prestou a maior atenção.

"Meu povo, que vive na floresta há séculos, entrou em contato com os não índios há uns 300 anos. Aprendeu a usar roupa quando lhe disseram que era pecado andar pelado, balançando os balangandãs. Aprendeu a comer alimentos, como o macarrão, que não faziam parte de sua tradição. Os índios comiam mandioca, anta, farinha, peixe. Os índios, que falavam sua língua tradicional, tiveram de aprender o português. Os povos indígenas, que falam 180 línguas nas diversas regiões do País, agora são bilíngues."

Não havia como não prestar atenção. O horário reservado para a palestra estourou, porque Daniel cativou os alunos. Fez provocações engraçadas, riu, gritou alto de assustar até os adultos, cantou, ensaiou passos de dança, pintou a cara com tinta de jenipapo e de urucum, pôs um cocar de chefe na cabeça e um colar de festa no pescoço. Assumiu a identidade da aldeia ao relembrar a cultura dos ancestrais, mas deixou claro que fazia concessões à modernidade. Para divulgar a história dos índios e defender seus direitos, tem um blog na internet e se comunica por e-mail e por telefone celular.

"O povo indígena é um povo humano, que tem raiva, alegria, amor e ciúme", disse Daniel, citando sentimentos que acompanham seus personagens. Ao descrever as aventuras de seus parentes - com namoros, casamentos, caçadas, guerras e alianças de paz - ele utiliza palavras atuais, como garoto, rapaz e moça. Tudo com poesia e figuras simbólicas, mas sem aquela linguagem tipo "virgem dos lábios de mel" com que José de Alencar se referia a Iracema.

Derpó Munduruku, que hoje se orgulha desse nome, mesmo atendendo pelo registro civil que o rebatizou como Daniel, confessa que já sentiu vergonha de suas origens, quando era discriminado por causa da imagem que o índio tinha. "Além de considerar que o índio era preguiçoso e feio, diziam que ele atrapalha o progresso, pois tem muita terra e não sabe o que fazer com ela."

Daniel queria ser bombeiro ou astronauta, não queria ser visto como um selvagem. "Agora, tenho consciência de minha identidade e gosto dela: sou um brasileiro-índio." E, quando ele lembrou que existem brasileiros brancos, negros, japoneses, italianos e cidadãos de muitas outras ascendências que nem por isso são menos brasileiros, todos entenderam. "Xibat?", perguntou o índio. "Xibat", respondeu a criançada em coro.

http://www.vermelho.org.br/noticia.php?id_secao=11&id_noticia=121232

Artigo Teoria Política Moderna / Cinema

Cinema e pipoca com convidados ilustres, mas sem chiclete no fundo das cadeiras.
*Sumayra Oliveira
INTRODUÇÃO O Trabalho proposto são diálogos entre quatro obras cinematográficas com cinco mestres clássicos, da teoria política moderna: Maquiavel, Montesquieu, Hobbes, Locke e Rousseau. Os filmes aqui dissertados são: “Peões” de Eduardo Coutinho; o documentário “A revolução não será televisionada”; “Crise é o Nosso Negócio”, filmado pela cineasta americana Rachel Bonyton; e Persepólis, um filme francês de animação, baseado no romance gráfico autobiográfico de Marjane Satrapi.
Este artigo é um desafio estigante; contemporanizar grandes produções, não no sentido de dinheiro gasto com fotografias, ambientes e chachês, mas, de conteúdo formador histórico, conectado-os com a filosofia política moderna, onde consta nossas referências de organização do Estado, Sociedade, Moral, liberdade, Justiça e Direito, todo o movimento que surge no renascimento , fazendo com que o homem olhasse para si mesmo, buscando uma nova forma de conhecimento e que fosse pautado unicamente na razão, ou seja a construção de uma nova Ciência, que se desenvolveu paulatinamente, até culminar, no século XIX, com a consolidação da Ciência Moderna.
E esta é a primeira parte deste artigo, o caminho percorrido pelos autores referência da ciência política moderna. Em segundo momento, uma descrição opinativa sobre as obras cinematográficas, citadas no primeiro parágrafo. E por ultimo, ponto alto do trabalho, a impressão dos autores: Maquiavel, Montesquieu, Hobbes, Locke e Rousseau, convidados para assistirem os filmes, objeto desde artigo, e debaterem sobre os mesmos.
Teoria Política Moderna
Cabe neste momento discorrer sobre a ciência política moderna, para assim atingir o objetivo deste trabalho, que são os diálogos entre as obras cinematográficas (Peões; A revolução não será televisionada; Crise é o Nosso Negócio e Persepólis) com os autores que seguem: Nicolau Maquiavel é um dos mais importantes pensadores de todos os tempos, especialmente para o campo da política, por um motivo bastante simples: ele foi o primeiro a dissociar a política da moral. A característica mais marcante de sua obra é base na análise da história, uma vez que, procurou aprender com as ações dos grandes homens nos grandes momentos da história, já que quis compreender a natureza do homem na história, e como este se comportou ao longo dela.
Essa "análise retrospectiva" dos fatos históricos levou Maquiavel à constatação de que, ao longo de toda ela, os homens mostraram-se sempre os mesmos: ingratos, volúveis, simuladores, covardes e ávidos por lucro. Por essa razão, um governante (Príncipe) que pretendesse comandar o Estado deveria possuir duas características imprescindíveis: força e inteligência. A primeira, para conquistar o poder; a Segunda, para mantê-lo e os expedientes utilizados pelo Príncipe para a manutenção da ordem no Estado, seria determinado por cada situação assim, Maquiavel inaugura, a "moral de circunstância", que era completamente avessa à velha moral católica. Pelo fato de ter atribuído ao estudo da política um caráter de independência, Maquiavel é considerado por muitos o "Pai da Ciência Política", embora esta somente tenha se firmado efetivamente como a concebemos hoje, a partir do século XIX.
A política de Montesquieu, exposta no Espírito das Leis (1748), surge como essencialmente racionalista. Ela se caracteriza pela busca de um justo equilíbrio entre a autoridade do poder e a liberdade do cidadão. Para que ninguém possa abusar da autoridade, "é preciso que, pela disposição das coisas, o poder detenha o poder". Daí a separação entre poder legislativo, poder executivo e poder judiciário. Montesquieu, possui sobretudo concepção racionalista das leis que não resultam dos caprichos arbitrários do soberano, mas são "relações necessárias que derivam da natureza das coisas". Assim é que cada forma de governo determina, necessariamente, este ou aquele tipo de lei, esta ou aquela psicologia para com os cidadãos: a democracia da cidade antiga só é viável em função da "virtude", isto é, pelo espírito cívico da população.
O desenvolvimento das idéias acerca da origem do mundo e das coisas, advindas do distanciamento entre a produção do conhecimento e a moral católica, engendrou a procura por novas explicações acerca do surgimento da sociedade civil. Como surgiram as primeiras sociedades? Foram famílias que cresceram e formaram os primeiros agrupamentos humanos, que mais tarde deram origem às vilas e, posteriormente às cidades? E o Estado? Como surgiu? O Estado antecedeu a sociedade, ou a sociedade veio antes do Estado? Por que as pessoas devem obedecer às ordens emanadas no âmbito do Estado? Como pode justificar e legitimar o poder do Estado sobre os indivíduos?
A doutrina contratualista procurou responder a algumas dessas perguntas. Apesar das divergências existentes entre cada autor contratualista, há uma conexão entre suas teorias. Para os contratualistas, a sociedade antecedeu o Estado. Primeiramente, os indivíduos se uniram em grupos, que eram a princípio desorganizados do ponto de vista do poder político, e onde imperava, diante da ausência de uma autoridade geral e de regras de convivência, a lei do mais forte. Nesse momento, ao surgir um conflito de interesses entre dois ou mais indivíduos, venceria o que fosse forte. A esse estágio, os contratualistas chamam de estado de natureza. Vive aí, o homem, em estado de absoluta natureza, em que predomina a força, e a violência é a única forma de solução de conflitos. O estado de natureza caracteriza-se pela insegurança, pela incerteza e pelo medo.
Os contratualistas pregavam que, em determinado momento, desejando os homens instaurar a segurança e a paz social, reuniram-se todos e celebraram um contrato, a que chamaram de contrato social, ou pacto social. Através desse contrato, todos concordaram em abrir mão de parte ou de toda sua liberdade, transferindo-a para um soberano, que teria por incumbência organizar a sociedade e manter a paz, solucionando os conflitos, diminuindo assim as desigualdades relacionadas à força física. É a partir desse ponto que os autores começam a divergir: cada um acredita em uma forma de governo, e defende um projeto político.
Para Thomas Hobbes, o homem era naturalmente mau, mesquinho, invejoso e egoísta. Seu grande objetivo na vida era obter mais vantagens do que os outros. Assim, segundo Hobbes, vivendo no estado de natureza, a humanidade tendia a viver sempre em conflito, guerras e disputas entre si. Dessa forma, seria difícil para o homem preservar seu bem maior – a vida, uma vez que, por exemplo, mesmo os mais fortes são vulneráveis quando dormem. Para acabar com esse clima de "guerra eterna", os homens se reuniram e celebraram um pacto social, através do qual abdicavam de parte de sua liberdade, em favor do soberano, que passaria a ter plenos poderes para organizar a sociedade e dirimir os conflitos, impondo aos indivíduos a sua decisão. Hobbes foi, dessa forma, um ferrenho defensor do absolutismo. Para ele, apenas dispondo de plenos poderes, o soberano poderia manter a paz e a ordem na sociedade. Poderia se julgasse necessário, matar, mentir, não manter a palavra empenhada, sem dever quaisquer satisfações a quem quer que fosse.
A importância de John Locke é o fato de haver representado, talvez pela primeira vez, o ideal político de uma classe, naquele momento em franca ascensão no cenário político e econômico europeu: a burguesia. Locke, avesso ao ideal político hobbesiano, foi o defensor por excelência da manutenção do poder político do Parlamento inglês, em contraposição ao absolutismo do rei e acreditava que cabia ao Estado proteger a propriedade privada, a ordem e a paz, e que, na medida em que não o estivesse fazendo a contento, seria perfeitamente possível e lícito desfazer o pacto, já que o mesmo não cumpria sua finalidade.
Rousseau ao contrário de Hobbes acreditava que o homem era essencialmente bom: vivendo no "estado de natureza", não era capaz de fazer o mal, exceto para se defender; sendo tudo acessível a todos, não havia motivo para disputas interpessoais. Portanto, para Rousseau, os homens seriam naturalmente bons, e seria a sociedade a lhes corromper, assim não sendo possível voltar ao estado de natureza, o iluminista busca desenvolver um sistema político que minore as diferenças entre os homens, criadas pela sociedade civil. Rousseau se referia, principalmente, ao falar em "diferenças", da propriedade privada, para ele, a mãe e rainha de todas as misérias humanas. Os homens, assim, na concepção rousseauniana, firmaram um pacto, o contrato social, segundo o qual todos governariam juntos, em prol do bem comum. Rousseau pregava, portanto, que o Estado existia não para defender interesses particulares, e sim para defender a "vontade geral". Isso foi tão enfatizado por Rousseau, que ele chamou a vontade geral, ou seja, a opinião comum de todos os cidadãos de "soberano".
OBRAS CINEMATOGRÁFICAS
1. 1 A revolução não será televisionada
Lembro-me perfeitamente do dia em que assisti ao filme: “A revolução não será televisionada”, um raro domingo em casa, deitada no sofá da sala e com o controle da televisão em minhas mãos, feliz por todo esse domínio precioso, mas com um velho tédio. Afinal, o que fazer com tanto poder assim, diante de canais de tevê que parecia não querer cooperar para minha inatividade. Então comecei a maratona de percorrer as setas do controle, vantagens dos canais fechados, e de repente na teve Câmara: “A revolução não será televisionada”. Como fiquei feliz, percebendo a utilidade do meu ócio. Nunca tinha ouvido falar deste documentário, isto foi em 2006 ou 2007. No outro dia, e durante muitos dias, esse foi o principal assunto com as pessoas que conhecia e em todos os lugares em que estive.
A Revolução não será televisionada é um documentário filmado em tempo real dentro do Palácio Miraflores, durante o golpe de Estado contra o governo do presidente Hugo Chávez, em abril de 2002. Nem a própria população venezuelana conseguiu acompanhar, muito menos o restante do mundo. Com bastante propriedade, o documentário consegue mostrar a permanente campanha de mentiras forjada pelos meios de comunicação contra o governo de Hugo Chávez, as relações da grande mídia com a elite econômica, militares dissidentes e a articulação dos EUA na manipulação dos fatos. Evidencia também a intervenção direta do imperialismo norte-americano na organização do golpe, em sua preparação e organização na embaixada americana em Caracas que foi, posteriormente, comprovada com documentos.
As articulações que envolveram a grande mídia na tentativa golpista foram por ela mesma reveladas, momentos depois de empossarem Pedro Carmona. Momentos, aliás, muito bem registrados no documentário: mostram a arrogância do procurador, designado por Carmona, ao anunciar a dissolução do Congresso, da Corte Suprema e revogar a Constituição, e depois de algumas horas, todo assustado, ao ser preso, num canto de uma sala do palácio. Outro aspecto importante do documentário é a revelação da manipulação dos canais de televisão comerciais sobre os responsáveis pelos assassinatos dos manifestantes em 11 de abril de 2002. Todos os canais privados de televisão que, junto à imprensa escrita e radiofônica, justificaram o golpe de estado de 11 de abril com uma edição de imagens em que aparece um grupo de apoiadores de Chávez, situados na Ponte Llaguno de Caracas, realizando disparos. Estas imagens foram utilizadas para afirmar que "Chávez foi quem ordenou disparar contra a multidão".
O ponto alto do documentário é registrar a força das massas exploradas que derrotam os golpistas e restituem o governo a Hugo Chávez. O povo enfrentou e passou por cima de toda a mentira, fraude, manipulação da informação, da repressão iminente e mostrou que é mais forte. Não aceitou as “notícias”, e saiu às ruas na manhã de sábado, 13 de abril, para denunciar que Chávez “não renunciou! Está seqüestrado!” e “não te queremos Carmona! Ladrão!”. Centenas de milhares de pessoas nas ruas cercam o Palácio Miraflores para exigir “Queremos a Chávez!” e clamar “Chávez não se vá!" È claro que ele não se foi, a volta de Chaves ao Palácio Miraflores e voz de prisão do exercito venezuelano aos golpistas é a claro anuncio da força de novo projeto de desenvolvimento da América Latina. Para terminar reproduzo aqui a fala Hugo Chaves, em entrevista a Marta Harnecker
1.2 Crise é o nosso negócio
O documentário trata do casamento desonesto entre a política e o marketing. De fato é sobre a empresa de marketing político que ajudou o opositor de Evo Morales - o ex- presidente Gonzalo Sanches de Lozada - a vencer as eleições em 2002, na Colômbia. Contratada para elaborar as estratégias eleitorais de Lozada, a empresa põe em prática técnicas agressivas de manipulação de opinião; o objetivo é reformar a imagem de Gonzalo e virar o jogo na reta final das eleições. Nessa eleição, Morales perdeu por um ponto. É um registro histórico mesmo, tanto das crenças que povoam o mercado atual - as fórmulas para vender um produto, no caso um candidato e um programa de governo. E ainda, a cegueira da imprensa, que compra as versões oficiais e despreza barulhos ensurdecedores das populações em locais em que a câmera não está ligada.
1.3 Peões
O Filme de Eduardo Coutinho começa no Ceará e vai para as greves de São Bernardo do Campo no começo dos anos 80, tratando não apenas de para onde foram os operários participantes do movimento sindical, mas de onde vieram os operários que constituíram a classe operária brasileira. Uma cena de Peões é absolutamente determinante para o filme, é quando o diretor reúne-se em uma sala com alguns sindicalistas, para que eles, diante de imagens de filmes antigos e fotografias de jornal e de arquivos, apontem os possíveis outros personagens para o documentário. Um trabalho espetacular de rede de relações, alguém, que se lembra de alguém, que conhece alguém que possa saber de outro.
É assim que se constitui a pesquisa do filme, as entrevistas são marcadas por esses laços, onde os personagens só puderam ser encontrados porque, deixaram marcas para trás. E é dessas marcas que fala o filme. Nele, pulsa uma forte tensão, entre a memória e a história: seus personagens pertencem de fato a uma categoria, que dialogou com a macro-história. Não são apenas pessoas, mas pessoas que tomaram parte do movimento operário que promoveram as grandes greves no ABC em 1979 e 1980.
Há uma tensão, então. E ela está marcada na montagem. Isso porque às falas dos personagens juntam-se imagens dos filmes usados para reavivar-lhes a memória, filmes que são, antes de tudo, documentos históricos. “Juntam-se”, isso porque um clichê habitual de documentário historiográfico é o uso do depoimento de testemunha para legendar uma imagem de época, não é o que acontece fazer isso seria criar um sentido de composição a priori. Em vez disso, edita em separada, trecho de filme em um momento, falas dos personagens em outro. Juntar, então, é pôr frente a frente, opor.
Essa oposição é o próprio sentido do filme. As falas dos personagens não servem para comprovar ou desmentir as cenas históricas e nem para testemunhas sua participação nelas. Em vez disso, servem para reconstituir particularidades onde a historiografia impõe noções como às de “classe”, “movimento” ou “partido”. Essa tensão entre particular e universal é ao mesmo tempo circunstancial e determinante.
A fala final assume um tom de síntese: define a categoria. Ser peão é, em certo sentido, uma dualidade. É ser um soldado raso da industrialização brasileira, explorado e chamado à luta pela igualdade, mas é, ao mesmo tempo, fazer parte de uma elite intelectual e artística: o peão sabe seu ofício, conhece-o como poucos, executa-o como ninguém. É aquele sem o qual a fábrica (na época dos filmes de arquivo) não funcionaria, mas é aquele que a fábrica (na época realista de hoje) não pode mais manter.
Nesse sentido, enquanto problematiza o choque entre memória e história e a definição estanque de categorias limítrofes, Peões ainda se insere na filmografia de Coutinho como um filme de visão de mundo: toda nostalgia desconstrutiva que se poderia afirmar ao se olhar para trabalhadores saudosos da “era das revoluções” ou para a decadência de quem já foi outrora soldado da transformação e agora se acomoda na velhice doente se transforma em índice de que a política é, no limite, uma moral. Peões não é um filme emocional, embora emocione. É um filme sobre as possibilidades políticas na vida cotidiana e suas escolhas.
1.4 Persepólis
Persepólis expõe os crimes da República Islâmica. Mas, não oscila no papel do Ocidente, ao levar fantoches ao poder e na repressão das massas. Podemos perceber papel da Grã-Bretanha no golpe de estado, o saque ao petróleo do país, o treino dos torturadores pela CIA. e na venda de armas pelos países ocidentais a ambos os lados da guerra Irão - Iraque. Tudo isso são lembranças de que o Irão não existe num vácuo, mas faz parte de um sistema que espalhou os seus tentáculos por todo o globo e que a luta que aí ocorre faz parte da luta contra esse sistema global. O Filme conta a história essa história, a história do Irão através da vida de uma criança (Marjane). Ela tem nove anos quando a revolução insurgiu no país e levaram sua família às manifestações, estamos falando da revolução iraniana de 1979 e o que se lhe seguiu - O derrube da monarquia levou à chegada ao poder da República Islâmica.
Uma cena interessante do filme e quando logo após a revolução, numa rua de bairro, Marjane e outras crianças perseguem um menino cujo pai é membro da polícia secreta e torturadora do regime deposto. Mas quando o confronta, ela não lhe consegue bater. Mais tarde, o deus de Marjane diz-lhe para não se preocupar e deixar a justiça para ele. Por outras palavras, a esperança de que a revolução corrigirá as coisas ainda anda no ar. Mais tarde, após a execução de líder da revolução, o deus aparece novamente, mas desta vez invoca fraqueza e diz que está impossibilitado de fazer alguma coisa. Agora a revolução está derrotada.
Esse deus faz outras aparições no filme; ao fracassar na sua tentativa de encontrar uma vida nova no estrangeiro, Marjane fica cansada da vida e quer morrer e assim Marx acompanha deus nessa cena. Aqui entramos num outro episódio do filme: o contato de Marjane com o Ocidente, a primeira experiência amorosa de Marjane ocorre na Áustria – e acaba traída. O seu coração desfeito, a solidão e a nostalgia tornam a vida tão difícil para ela que decide voltar ao Irão – o Irão de 1988, após o massacre de presos políticos pelo regime, depois da guerra com o Iraque. Quase um milhão de pessoas tinham morrido ou ficado incapacitadas. Inúmeras ruas foram rebatizadas com nomes de mortos e um passeio pela cidade era “um passeio por um cemitério”. O fracasso de Marjane na Áustria, combinado com o cinzento e o peso da morte em Teerã, tiram-lhe as forças. Começa a pensar na morte. É aqui que deus (e Marx) lhe aparecem e lhe dizem para ser forte. Marx salienta com um sorriso que a luta continua. Marjane decide não abandonar a esperança. Faz os exames, vai para universidade e dá início a mais um episódio da sua vida.
Este filme coloca importantes questões sobre a revolução. Uma Revolução sempre abala as velhas relações e abre caminho à criação de novas relações. Mas, quando a liderança está na mão de forças cujo interesse é preservar a velha ordem sob uma nova forma, como foi o caso do Irão em 1979, às tendências retrógradas entre as pessoas podem ser reforçadas e transformadas numa ferramenta nas mãos da nova classe dominante. Uma dessas tendências é a de usar as oportunidades oferecidas pela situação para autopromoverem-se e tentarem obter posições a que antes não tinham acesso. Por vezes, essa tendência está ligada a um sentimento de vingança contra os que no passado tinham posições privilegiadas.
Cinema e pipoca com convidados ilustres, mas sem chiclete no fundo das cadeiras.
Ir ao cinema ou assistir um filme em casa com os amigos é um ato simples – a não ser, é claro que você tenham convidados ilustres como Maquiavel, Montesquieu, Locke, Hobbes e Rousseu. Enquanto preparo os filmes, os meus convidados observam atentamente o notebbok, a tela de projeção, o data-show, MP3 payer e o celular na mesa à frente das pontronas, na qual inclusive, tive o cuidado de retirar os chicletes colados pelos adolescentes da sessão anterior, imagine só um deles com as mãos grutadas por um chiclete babado e nojento, isso podia levar o “cine-clube” por água abaixo, lenvatariam e iriam embora, com a certeza que neste mundo ninguém repeita mais ninguém, e o homem continua ingrato, mau por natureza e que falta que faz um príncipe ou sistema absolutista ou um contrato social, a não ser claro que isso seja da votade geral de todos.
Nos trajetos que Maquiavel percorreu do túmulo da família na Igreja de Santa Croce em Florença, Locke na igreja paroquial de High Laver, Hobbes da igreja de Hault-Hucknell, Montesquieu da capela de Sainte-Geneviève, na igreja de Saint-Sulpice e Rousseau do Panteon em Paris, até os aeroportos, eles contaram que ficaram surpresos com a riqueza, caos e os barulhos do mundo moderno, Maquiavel nessa hora riu , porque eles se achavam modernos até então, disseram que as cidade eram mais sujas e que desordem ainda reina, em compensação em suas época, ninguém pagava tão caro e por um pacote de pipoca.
Pois bem coloquei o primeiro filme – A Revolução não ser Televisionada, ao fim da exibição, Maquiavel foi o primeiro a falar:
- Olha Minha cara, primeiro é preciso dizer que governados e governantes, dirigentes e dirigidos existem realmente, e haverá campos oposicionistas utilizando a “força”. O que era preciso a este “Príncipe”, Chávez num isso? (Balanço a cabeça afirmando que sim). É distinguir as linhas de menor resistência, ou linhas racionais, para obter a obediência de dirigidos e governantes, Ele (Chávez) quis uma revolução passiva, mas não leu minhas obras muito bem (risos). A revolução passiva que falo é no sentido usado por Cuoco, no primeiro período do Renascimento italiano, podendo relacionar-se ao conceito de guerra de posições. E o opositor ao Senhor Chávez, utilizou da guerra de manobras, mas não tinha apoio dos súditos e assim graças a eles (súditos) retomou o poder... Montesquieu nesse momento pede a palavra e segue falando:
- È justamente isso que percebi Maquiavel, a função da virtude, o espírito cívico da população na busca do justo equilíbrio entre a autoridade do poder e a liberdade do cidadão.
Nessa hora surge um murmurio contratualista: - Não não não, faltou sim um pacto social. Intervenho e digo: - pois bem senhores, gostaria de ouvi-los. Hobbes inicia:
- Para que essa tal de democracia? Por que o Sr. Chávez não matou seu inimigo assim que chegou ao poder?
Locke interrompe e diz: - Você sempre foi um desequilibrado Hobbes! Veja, você fez um pacto que só você participou (muitos risos na sala). Talvez o Senhor Chaves, não fez um governo a contento da burguesia, então foi legitimo a retirada dele, do poder, pela elite.
- Por favor, diz Rousseau, todo o problema enfrentado é de responsabilidade única da propriedade privada. O Locke não assistiu ao mesmo filme que nós, pois a vontade geral da população era pelo governo do Senhor Chávez e isto deveria ter sido respeitado, pelo oposicionista.
Seguindo o “cine-clube”, exibo o segundo documentário – “Crise é o nosso Negócio”. Ao final um silêncio constrangedor, pergunto se querem alguma coisa e se está tudo bem, quase que em coro, meus convidados perguntam:
- Afinal o que é esse tal marketing? E essa especulação do mercado financeiro? Campanhas para vender produtos? E produtos que viram governo?
Antes que respondesse, Hobbes, falou:
-Não sei responder tais perguntais, mas sei que deveria ter pensando nisso - uma teoria do caos para impor o absolutismo.
- Bom, posso dizer aos senhores, que essas são as armas para conquistar o poder, no século XXI - a informação e o mercado rentista. Hoje por exemplo, a Economia da Informação é um campo de estudos interdisciplinar entre a Economia, a Ciência da informação e a Comunicação que trata da informação como mercadoria e bem de produção necessária para o sistema capitalista pós-industrial. Mas, como voçes ainda tem que fazer a viagem de volta, vamos ao terceito filme – Peões. Desta vez Rousseu inicia o debate:
- Vejam voçês como eu estava certo, quando disse que os povos, como os homens somente são dóceis quando jovens, à medida que envelhecem tornam-se incorrigíveis. Não é por isso que, assim como alguma enfermidade transtornam o juízo dos homens tirando-lhe a lembrança do passado, não se encontre alguma vez na existência dos Estados, essas imagenns que senhora me mostrou, são passagens que os indivíduos envolveram o Estado em suas lutas civis, mas este renasceu e a empresa reconquistou o vigor da juventude, Num é isso?
Balanço a cabeça como se não discordasse muito menos concordasse. Locke começa divagando: - Olha Rousseau, o Estado não conseguiu manter a ordem e a paz. E neste caso o pacto seria o contrato de trabalho entres os trabalhadores e as indústrias, então esta rompesse com aqueles e fizessem outro, onde a paz voltasse e todos seriam privilegiados.
- Pois é Locke e Rousseau, deveriam ter lido o Espírito das Leis, diz Montesquieu: neste caso não existiam leis racionais, onde fosse deixado de lado o capricho do Estado e das Indústrias, afinal as relações devem basear-se na natureza das coisas, se assim fosse este conflito não teria existido.
Nessa hora Maquiavel com um sorriso pequeno em sua boa pequena, franze a testa e diz:
- Ora ora ora, um critério básico de julgamento, seja para as concepções de mundo, seja sobretudo para comportamentos práticos, é o seguinte: a concepção do mundo ou ato prático podem ser concebidos “isolados”, “independentes”, tendo sobre si a responsabilidade da vida coletiva; ou isso é impossivél e, então, o ato prático e a concepção de mundo podem ser percebidos como “integração”, aperfeiçoamento, contrapeso, de uma outa concepção ou atitude prática. Se reflertimos, veremos que esse critério é decisivo para um julgamento ideal sobre os movimentos de ideiais e sobre os movimento práticos.
- Ai ai ai, então ele é o bom racionalista, continuou dizendo, se o dono da indústria ou o Rei (Presidente República) disposesse de pleno poderes, isso ai não teria acontecido.
Assim fechou Hobbes a penúltima rodada de debate. Enfim passamos ao quarto é ultimo filme - Persepólis.
- Eu começo, porque esse assunto é comigo! Afirmou Maquiavel. – Na guerra, uma vez atingido o objetivo militar, faz –se a paz. Aliás, é oportuno observar que basta que o objetivo estratégico seja atingido para que a guerra acabe. A luta politica é enormemente mais complexa, não se pode imitar os métodos de luta das classes dominantes, sem correr o risco de cair em emboscadas fáceis.
- Tá aí um filme que gostei - afirma Hobbes - só a não comprendi o que essa criança desagradável faz neste contexto e porque a monarquia foi derrotada.
Nessa hora Locke aumenta a voz:
- Perdi a paciência, com o Hobbes não dá! Da próxima vez que ele vier não venho. Sempre falei, é um desequlibrado e não volto sentado do lado dele.
Maquiavel volta ao debate, é como um excelente analista histórico responde:
- Hobbes é apenas uma criança iraniana comum, de uma família intelectual com uma existência confortável. A Idéia do filme foi de retratar a história do país, através da narrativa de uma vida particular e invulgar. A história que integra a herança familiar da criança e que define a sua vida faz parte da herança coletiva que molda a existência, as esperanças e os sonhos de todos nós.
- Por isso vou de contar um segredo Maquiavel, que todo universo sabe menos você. Aqui é considerado o pai da política, diz Rousseau completando: quando um membro da comunidade se entrega a ela no instante em que a mesma se forma, tal como ela se acha naquele momento, ele e todas as suas forças, das quais participam também seus bens. E não é que por este fato a posse mude de natureza mudando de mãos e sua propriedade se transforma na do soberano, porém, como as forças da cidade são maiores do que as de um particular, a posse publica é também, de fato, mais forte e irrevogável, sem ser mais legitima, porque assim o Estado é senhor de todos os bens.
- Ainda não falei, porque estou decepcionada e arrasado com a contemporaneidade, de nada adiantou minhas obras, deixadas para a humanidade, não há Lei nem Justiça que proteja o povo. Aliás, já esta na hora de voltamos para o além. Agora que Deus nos convenceu de sua existência vive nos chamando para bater um papo sobre filosofia (Monstequieu levanta da cadeira e chama o restante). Bem foi um prazer! Ah é você que vai pagar as pipocas num é?
* Sumayra Oliveira é Graduada em Tecnologia de Desenvolvimento Social, Cursa segunda graduação em Ciências Sociais- IFET. Atualmente é Diretora de Documentação e Pesquisa da Câmara Municipal de Uberaba. Referência Bibliográfica
GRAMSCI, Antonio. Gramsci – Poder, Política e Partido. São Paulo: Expressão Popular, editora, 2005.
http://jus2.uol.com.br/doutrina/texto.asp?id=7417 Acesso em: 2 dez 2009
http://www.contracampo.com.br/64/peoes.htm Acesso em: 4 dez 2009
http://www.mundodosfilosofos.com.br/iluminismo.htm Acesso em: 5 dez 2009
http://www.paginavermelha.org/noticias/071008-persepolis.htm Acesso em: 4 dez 2009
http://www.vermelho.org.br/noticia.php?id_noticia=1338&id_secao=7 Acesso em: 4 dez 2009
http://www.viomundo.com.br/loucuras-que-eu-vi/eles-globalizaram-o-marketing-da-crise/ Acesso em: 4 dez 2009
ROUSSEAU, Jean-Jacques. O Contrato Social. Rio Janeiro: Ediouro, sem data

sexta-feira, 4 de dezembro de 2009

Blog do Miro: Estupro da Folha é outro tiro no pé

Neste sábado, dia 5, às 10 horas, o Movimento dos Sem Mídia (MSM) fará uma manifestação em frente ao prédio da Folha de S.Paulo (Rua Barão de Limeira, 425, centro da capital paulista), para protestar contra a publicação de um artigo leviano e irresponsável que acusou o presidente Lula de tentar “subjugar sexualmente” um jovem nos anos 1980. O artigo de uma página inteira, de autoria do ex-petista Cesar Benjamin, atual colunista da Folha, “foi forjado no ódio, na inveja e na covardia e é um estupro ao jornalismo”, afirma Eduardo Guimarães, presidente do MSM.
Sobre o artigo de Cesar Benjamin, que “estuprou” sua própria biografia de profundo conhecedor do Brasil e de intelectual brilhante, muitos já se pronunciaram criticamente – prefiro silenciar na tristeza por mais este ato instintivo e rancoroso. Sugiro apenas a leitura da resposta ponderada e firme do jornalista Gilberto Maringoni, publicada na Carta Maior. Membro do PSOL e crítico de esquerda do governo Lula, ele não poupou críticas ao texto do “Cesinha”, que estaria fazendo o jogo da direita brasileira às vésperas da sucessão presidencial. “Fico envergonhado com o papel que ele está desempenhando. Seu passado não merece isso. Mas a História irá julgá-lo”.
“Um horror” dos herdeiros de Frias
Já com relação ao jornal da famíglia Frias, a publicação do artigo sem qualquer apuração prévia ou rigor jornalístico liquida qualquer ilusão sobre o ecletismo da Folha. Após usar um ex-petista para desferir ataques pessoais ao presidente da República, ela mesma confessou sua leviandade, mas sem fazer autocrítica pública – talvez temendo processos jurídicos. Militantes que estiveram presos com Lula nos cárceres da ditadura, entre abril e maio de 1980, negaram taxativamente a história bizarra. Vale registrar a resposta íntegra de José Maria de Almeida, presidente do PSTU e outro crítico do governo Lula, que qualificou a insinuação de “baixaria”.
O reconhecimento cabal do “estupro” perpetrado pela Folha, porém, ocorreu com a entrevista de João Batista dos Santos, o ex-militante do Movimento pela Emancipação do Proletariado (MEP) que teria sido o alvo da “investida” de Lula na cela. Ele considerou “um horror” o artigo, disse que isso nunca ocorreu e lamentou a publicação do texto sem ouvir os envolvidos no caso. Por ironia da história, Santos trabalhou numa granja da famíglia Frias em São José dos Campos, no interior paulista, na década de 1990. Para ele, se Octavio Frias de Oliveira, o barão da Folha, estivesse vivo (ele faleceu em 2007), “esteve artigo não teria sido publicado”.
Credibilidade e tiragem em queda
Depois de cunhar a expressão “ditabranda” para se referir aos trágicos anos da ditadura militar e de publicar uma “ficha policial” falsa contra a ministra Dilma Rousseff, a Folha dá outro tiro no pé. A publicação do asqueroso artigo fere a pouca credibilidade que ainda resta a este veículo e poderá resultar em novas quedas da sua tiragem. Quando da “ditabranda”, o jornal perdeu mais de 3 mil assinantes, segundo fontes da própria empresa. Já no caso da falsa ficha policial, o jornal foi forçado a reconhecer timidamente o erro, temendo a abertura de um processo criminal.
Entre outros fatores, a perda de credibilidade do jornal da famíglia Frias ajuda a explicar a brutal queda da sua tiragem nos últimos anos. Segundo levantamento do IVC (Instituto Verificador de Circulação), a Folha é hoje o vigésimo quarto jornal em vendas avulsas no país, ficando atrás do Estadão (19º lugar) e de O Globo (15º lugar). Entre janeiro e setembro de 2009, ela vendeu em média 21.849 exemplares nas bancas. Uma tiragem pífia se comparada aos 489 mil exemplares vendidos em suas edições dominicais em outubro de 1996. Atualmente, o jornal só se sustenta graças à publicidade e à venda de assinaturas, que atinge basicamente a chamada classe média.
Com os “estupros” que a Folha insiste em praticar, a tendência é que a sua tiragem despenque ainda mais. O ato organizado pelo MSM poderá servir como mais uma pá de cal neste jornal leviano e golpista, que agride constantemente a democracia e a ética jornalística
http://altamiroborges.blogspot.com/2009/12/estupro-da-folha-e-outro-tiro-no-pe.html

DIÁLOGOS ENTRE A SOCIOLOGIA POSITIVISTA E O FILME ADMIRÁVEL MUNDO NOVO*

Admirável Mundo Novo – 1998 - é a versão de maior sucesso do Livro. O filme é sobre uma sociedade de pessoas que, através da eugenia, foram criados de maneiras específicas, que vão desde os Alfas, que são os políticos, para o Deltas, os que fazem o trabalho servil. É uma espécie de sistema de castas, e além da programação genética, as pessoas são psicologicamente condicionado a aceitar a "casta" de que eles pertencem e ser feliz com isso. Como uma forma final de controle, os cidadãos do admirável mundo novo também são viciados em uma droga inebriante, Soma, que os mantém em um estado constante de felicidade.
Nesta utopia, existe também uma Reserva Selvagem, onde estão as pessoas que não vive este estilo de vida, condicionado. A história começa quando, John Cooper (Tim Guinee) e sua mãe Linda (Sally Kirkland), são trazidos para o mundo civilizado por dois Alfas, Bernard Marx (Peter Gallagher) e Lenina Crowne (Rya Khilstedt). Cooper entra no admirável mundo novo com esperança e entusiasmo. "O Selvagem" conhece ainda a maneira como são "educadas" as crianças e como vivem as pessoas neste mundo e não entende muitas coisas e outras tantas acontecem em sua vida, que o levam a grandes reflexões. Um exemplo é quando em um hospital John vê várias crianças ao redor de um doente muito mal, quase perto da morte, ele fica espantando, mas a enfermeira explica que é preciso ensinar desde cedo às crianças com a morte.
Esta nova civilização baseada em condicionamento, com frases prontas e respostas prontas para tudo, traz também um personagem presente quase todas as situações e acontecimentos na história, o Soma, uma espécie de droga que serve como ponto de fuga para os problemas "sentimentais" das pessoas.
O conceito de felicidade e suas possíveis ligações com os pressupostos positivistas mostrados no filme “Admirável Mundo Novo”
Esta história ilustra a questão do controle totalitário. Quando a história de Huxley, que precedeu a Segunda Guerra Mundial, mostra um sistema genuinamente com intenções benevolentes, à felicidade superficial é atingida não apenas a um custo de liberdade individual grande, mas também sacrificando a ciência, a arte e a filosofia, e re-escrevendo a história. Como o filme tenta mostrar, no montante de condicionamento pode extinguir o espírito humano para viver e pensar livremente. Nesta perspectiva, pensando positivistamente a felicidade é uma conquista objetiva, tendo como caminho uma droga distribuída pelo governo, pois a "Felicidade universal mantém as rodas da sociedade de forma constante mudança."
Como é óbvio, o filme não é sobre o enredo ou personagens, mas realmente sobre os conceitos apresentados. Reprodução e educação estão sob o controle estrito do governo, e a felicidade é a única coisa que qualquer cidadão deveria prosseguir. A mensagem que a felicidade pode ser encontrada ainda é agradável, mas Huxley estava falando sobre a sociedade, como rolo compressor, se a "ortodoxia ameaça a sociedade” há aqui um contra censo com sociologia positivista, que procura classificar e organizar a sociedade em um estudo de evolução da mesma, mas há também uma proximidade quando traz a felicidade para o campo do concreto e estabelece-a como uma meta evolucionista.
O ser humano, no filme, é o mesmo por toda a parte e em todos os tempos, em virtude de ser uma incubadora geradora dos homens e a felicidade é a meta. No pensamento positivista, isto é uma verdade absoluta, em virtude de possuir idêntica constituição biológica e sistema cerebral e o homem compreende as relações entre as coisas e os acontecimentos, através da observação, formulando leis, portanto não mais procura conhecer a natureza intima das coisas e as causas absolutas, característica intima da realidade dos habitantes do Admirável Mundo Novo, em busca da felicidade como forma de organizar a sociedade.
* Sumayra Oliveira
REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICA LAKATOS, Eva Maria. Sociologia Geral. 7 ed. São Paulo: Atlas, 1999.