segunda-feira, 29 de dezembro de 2008

O que 2008 tem a nos dizer

Dizer a quem? Respondo com auxilio da redeGIFE que trouxe aos seus leitores uma visão sobre o que o ano pode ensinar às organizações sociais brasileiras. Embora os desafios para uma gestão estratégica, avaliação de resultados, transparências das ações e segurança jurídica tenham pautado as principais discussões do terceiro setor no ano, nada foi mais acalorado como o debate sobre os impactos da crise financeira mundial no orçamento dos projetos sociais.

Nos últimos meses, palavras de ordem como “apertar os cintos”, “rever metas” e “priorizar investimentos” das ações sociais encontraram eco na cobertura do colapso financeiro global. Embora existisse mais especulação do que dados concretos, os movimentos sociais no Brasil ficaram em polvorosa sobre onde os cortes seriam feitos.

Não por acaso, em matéria publicada no jornal paulistano Folha de S. Paulo, no dia 28 de outubro, a coordenadora-geral da Associação Brasileira Interdisciplinar de Aids (Abia), Cristina Pimenta, comentou: “sempre que acontecem cortes em orçamentos governamentais, bem como do setor privado, o terceiro setor e as áreas sociais são sempre os primeiros a sofrer", em matéria intitulada Terceiro setor deve sofrer forte impacto com a crise.

Essa preocupação pode ser explicada em dois pontos-chave, baseados na realidade brasileira: poucas organizações criaram fundos capazes de garantir a longevidade de seus programas, tal como ainda são dependentes a recursos doados, seja por convênios com governos locais ou federais, seja por parcerias com empresas socialmente responsáveis. POr esse lógica, qualquer razão que faça escassear o dinheiro dessas fontes traria conseqüências para os programas sociais.

No entanto, especialistas em investimento social têm uma visão menos pessimistas do setor no país. “As organizações que perceberem que podem ser afetadas podem tomar este momento como uma oportunidade para reverem seus processos e práticas. Podem ser o momento para estarem mais bem preparadas para retomar seu crescimento quando esta crise for história”, acredita o presidente do Instituto para o Desenvolvimento do Investimento Social (Idis), Marcos Kisil. (Leia artigo http://www.idis.org.br/biblioteca/artigos/crise-mundial-podera-transformar-o-terceiro-setor-no-brasil).

As idéias de Kisil encontram convergência com as do coordenador do Centro de Estudos do Terceiro Setor (CETS) da Fundação Getúlio Vargas, em São Paulo, Carlos Merege. Ele acredita que este é o momento para as organizações priorizarem estratégias de diversificação das fontes de receitas. “Sem duvida alguma a geração de renda própria através da produção de bens e serviços deve ser a meta número um para a sustentabilidade econômica das organizações do terceiro. Esta é a maior lição que estamos aprendendo neste momento e que não pode ser esquecida jamais!”, afirma Merege. (Veja opinião http://www.gife.org.br/redegifeonline_noticias.php?codigo=8246).

A mesma visão menos aflitiva pode ser escutada do ex-vice Presidente da Fundação Ford, Barry Gaberman, que acredita que “uma sacudida periódica não é tão ruim assim”. Para ele, é uma oportunidade para que as alianças estratégicas ajam a pleno vapor. “De forma peculiar, as mudanças de prioridades das filantropias organizadas poderão representar mais uma ameaça do que um declínio na economia. Especialmente se as mudanças são feitas precipitadamente e não são administradas com responsabilidade e sensibilidade”.

Mas como essas premissas entram no dia-a-dia das organizações que provém algum serviço social? De acordo com a diretora de Ação Comunitária da ArcelorMittal Inox Brasil, Rosaly Todeschi Bandeira, o planejamento das ações está cada vez compartilhado com parcerias.

“Os recursos privados não estão limitados ao financeiro, recursos humanos e conhecimento, maior capital das empresas podem e devem ser considerados no contexto atual como grandes aliados para o investimento social”, acredita. Nas considerações gerais, um dos conselhos mais entusiasmados vem diretor-presidente da Associação Brasileira de Comunicação Empresarial (ABERJE), Paulo Nassar: “Não fale em crise, trabalhehttp://www.gife.org.br/redegifeonline_noticias.php?codigo=8313.

terça-feira, 23 de dezembro de 2008

Projetos de cotas para as produções nacionais

Políticos, produtores e profissionais de TV se viram envolvidos em 2008 num debate acerca do papel da televisão brasileira, sobre a medida em que essas duas características devem ser combinadas e se cabe ao Estado regular o conteúdo do que o telespectador verá.
A decisão deve ficar para o ano que vem, mas um projeto de lei que cria cotas para produções nacionais e independentes na TV por assinatura provocou a discussão nos últimos meses, estimulada mais por motivos econômicos do que culturais.
O debate sobre cotas vem embalado por um projeto de lei mais amplo, que libera as operadoras de telefonia para atuar no mercado de TV por assinatura (PL 29), originalmente proposto pelo deputado federal Paulo Bornhausen (DEM-SC), ainda em 2007.
O projeto ganhou acréscimos de outros parlamentares e foi relatado na Comissão de Ciência e Tecnologia, Comunicação e Informática pelo deputado Jorge Bittar (PT-RJ). Há duas semanas, recebeu apoio explícito do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Durante cerimônia de lançamento do Fundo Setorial do Audiovisual, no Rio, ele prometeu empenho do governo na sua aprovação.
Segundo o relatório de Bittar, entre outras determinações de programação mínima, as programadoras de TV paga deveriam reservar 10% do tempo total veiculado em horário nobre para produções nacionais e independentes de séries, filmes e documentários.
Além dessa, há uma série de diferentes cotas que se somariam no efeito final. O objetivo é garantir não só a veiculação de produtos nacionais, mas também de material que seja produzido por empresas distintas das próprias programadoras e transmissoras (ou seja, feito pelos chamados produtores independentes).
Numa mesma "empacotadora" de TV a cabo -aquela de quem o telespectador compra o serviço, como a Net ou a TVA- há várias programadoras, que determinam o conteúdo de um conjunto de canais. A HBO, por exemplo, é a programadora de uma série de canais que trazem o seu nome ou o nome Cinemax. Se aprovada, as cotas deverão ser cumpridas por cada uma dessas programadoras, e não pelo conjunto de canais ofertados numa assinatura de TV a cabo.
Marcelo Tas
Que defende as cotas, embora diga que elas não são suficentes como política pública para TV no país. "Temos que parar de ser ingênuos, de falar que não precisa proteger a produção brasileira. Isso é de uma ignorância comovente..."
"A gente precisa se ver", diz Tas. "Essa é a função da arte, do cinema, da comunicação." Ele afirma ver uma "burrice empresarial" na TV brasileira, que não percebe que já é o produto nacional que mais atrai público e que tem a melhor qualidade. "A emissora líder [Globo] é a que mais está atenta a isso. Se você investe em audiovisual com produtos com que o público se identifique, ele vai atrás."
A opinião é oposta à de Marcos Bitelli, especialista em direito da comunicação e consultor da associação que representa as programadoras internacionais. Ele defende que o consumidor não terá benefícios com as cotas para TV paga, que terminará por ter limitado o seu direito de acesso a diferentes conteúdos.

"Quem assina a TV paga procura uma alternativa à TV aberta", ele diz. "Não é uma uniformidade de programação o que se espera da TV por assinatura. O acesso à diversidade cultural é que a caracteriza -ali você vai encontrar canal italiano, francês, inglês etc., e escolher o que quer assistir. Imagine uma lei exigindo coisa semelhante na internet", compara.

Projeto ainda pode sofrer modificações

O relatório produzido pelo deputado Jorge Bittar (PT-RJ) que estabelece uma série de cotas visando estimular a produção de conteúdo nacional e independente na TV paga ainda pode sofrer alterações.

No dia 4 deste mês, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva declarou apoio ao texto: "A emenda 29 está pronta, está acordada, acertada, e nós já queremos colocá-la em votação na semana que vem".

Como o projeto havia saído da comissão em que Bittar é relator e sido encaminhado para outra comissão da Câmara, a votação em plenário só seria possível se houvesse acordo entre as lideranças partidárias que lhe dessem regime de urgência. O acordo não ocorreu.

Quando o texto voltar à Comissão de Ciência e Tecnologia, Comunicação e Informática, onde foi relatado por Bittar, no ano que vem, o deputado não estará mais lá, já que assumirá a Secretaria de Habitação na nova administração municipal carioca.

Ele diz que deixa o projeto substitutivo pronto. "Não tenho garantias formais de que votarão o substitutivo, mas tenho garantias políticas."

Fonte: F. de São Paulo, ilustrada domingo 21/12/2008

sexta-feira, 19 de dezembro de 2008

Luz e Estrela

Nietsche disse em momentos diferentes, mas com a mesma intenção as seguintes frases; “É necessário ter o caos cá dentro para gerar uma estrela” ou/e “É preciso ter caos e frenesi dentro de si para dar à luz uma estrela dançante”.
Hoje, 19 de dezembro, fazem doze anos que dei a luz á estrela dançante da minha vida. Daquele momento, lembro-me de alguns fatos; Um anestesista piadista, que me fez rir nas horas impróprias por coisas inusitadas. Uma delas foi quanto entrei na sala de cirurgia andando, ele veio até mim, colocou a mão no meu ombro e disse;
-tudo bem? Agora traga a paciente! E você mocinha vai pra casa por que aqui é local de trabalho, que dizer as grávidas trabalham e agente observa.
Outro momento foi na hora que minha estrela nasceu, cheio de placenta e sangue é claro. Ai o anestesista olhou para o pai e falou;
-“Nossa é a sua cara”!
E como não podia deixar de ser a estrela nasceu “pulando” e “gritando” ai o anestesista berra no canto; segura Doutor segura, este ai é bravo! Está última não foi engraçada apenas teve um teor profético.
Mas, sem dúvida alguma, o momento realmente inesquecível foi hora que o médico colocou aquele ser pequenininho “pulante” e “gritante” nos meus braços...E como uma mágica ele se cala e aconchega-se... Lembro de ter chorado de uma forma que nunca tinha me acorrido. É inexplicável, o mundo pára, e sou eu e o Luan, sem anestesista piadista, medico ou pai com cara de placenta.
Pois é 12 anos se passaram... Meus deuses! Doze anos se passaram! Há doze anos descobri o amor incondicional. Onde daria minha vida a ele e sem ele, o mundo não estaria completo! Tenho um filho lindo, inteligente, bravo (maldito anestesista) com o defeito de ser flamenguista (mas toda mãe perdoa) e acima de tudo tenho um grande amigo. Sei que ele não vai gostar desta confissão, mas, acho tão bonitnho! E que ele é sempre tão tímido com as meninas, ai posso entrar com a minha experiência de ser uma “menina” e dar uma grande ajuda! Ah nessa hora e como se estivesse salvando o mundo, me sinto a heroína! E principalmente, um amigo que me faz ser criança, subir em árvore, jogar futebol (diga-se sou a melhor) e estar atualizadas na gíria da galera.
Felicidade é isto "tudim"! Ele ainda não sabe, mas eu sei por causa dele, que o que importa é aquele olhar de sinceridade e verdade, onde o mundo se torna por alguns segundos só eu e ele, sabendo que um morreria pelo outro
Por tudo isto, declaro meu amor a você Luan e desejo tudo o que você desejar!
Parabéns minha estrela dançante!

quinta-feira, 18 de dezembro de 2008

Ira de manhã com nostalgia

Hoje, enquanto realizava o meu rito matinal no trabalho, que é dar uma passeada por alguns vários sites, ouvindo uma boa música, pra deixar tudo mais poético... Parafraseando um famoso samba... Nasci com música e com música me criei... À procura de editais, seleções públicas e prêmios a projetos sociais e buscando novas informações relacionadas a políticas publicas e ONG´s, escutei-me ouvindo Ira e uma música que não ouvia há séculos; “Eu quero sempre mais”.
A nostalgia fica por conta da música, que simboliza bem a acepção do dia... Sem parecer piegas mas, já sendo, ai vai à letra...
“Minha vida, eu preciso mudar todo dia
Pra escapar da rotina dos meus desejos por seus beijos
Dos meus sonhos eu procuro acordar e perseguir meus sonhos
Mas a realidade que vem depois não é bem aquela que planejei
Eu quero sempre mais / Eu quero sempre mais / Eu espero sempre mais de ti
Por isso hoje estou tão triste
Porque querer está tão longe de poder
E quem eu quero está tão longe, longe de mim
Longe de mim/ Longe de mim / Longe de mim”

quarta-feira, 17 de dezembro de 2008

Prêmio a projetos de pesquisa que trate de tema ligado à história do Brasil

Iniciativa cultural da Organização Odebrecht, o Prêmio Clarival do Prado Valladares é conferido anualmente a um projeto de pesquisa inédito que trate de tema ligado à história do Brasil. O prêmio é um incentivo à historiografia do Brasil e visa enriquecer o acervo documental do País sobre fatos, processos e pessoas cuja memória deva ser preservada e difundida.
A Organização Odebrecht é responsável pelos recursos necessários à realização completa do projeto selecionado, da pesquisa à edição de livro ilustrado – sempre com o apurado tratamento gráfico que caracteriza a coleção de Edições Culturais da Odebrecht.
Inscreva seu projeto
As inscrições para a sexta edição do Prêmio Clarival do Prado Valladares vão até 31 de março de 2009. A inscrição é simples, basta você informar as linhas gerais do projeto que pretende fazer.
Lembre-se: o prêmio é para projetos de pesquisa. Não é preciso que você tenha o trabalho pronto. Se for o vencedor, você irá fazê-lo com os recursos oferecidos pela Odebrecht. Essa é a idéia: oferecer condições para que bons projetos sejam realizados e publicados.

terça-feira, 16 de dezembro de 2008

Arte da escrita

Governo de Minas e Secretaria de Estado de Cultura lançaram, a segunda edição do Prêmio Governo de Minas Gerais de Literatura - 2009, que dará R$ 212 mil para talentos literários brasileiros
A história de uma família composta por um homem, designado pela letra C., sua esposa, a jovem filha e o filho recluso. A morte de C. cria uma situação curiosa neste enredo: insepulto, ele é mantido na casa, preso a uma cadeira na sala de jantar, participando do convívio com seus familiares. Esta é a trama do romance "A passagem tensa dos corpos", que fez do belo-horizontino Carlos de Brito e Mello, o vencedor da Categoria Jovem Escritor Mineiro, na primeira edição do Prêmio Governo de Minas Gerais de Literatura, lançado no ano passado. Agora é a vez de novos, experientes e aspirantes a escritores apresentarem seus trabalhos para a segunda edição do Prêmio, que teve o edital lançado nesta quinta-feira, 04 de dezembro. Ao todo, serão distribuídos R$ 212 mil (duzentos e doze mil reais) para quatro categorias: I - Conjunto da Obra, em que um escritor brasileiro será agraciado; II - Poesia; III - Ficção e IV - Jovem Escritor Mineiro.
Conjunto da Obra
A cada Edital, o Prêmio Governo de Minas Gerais de Literatura reconhece um autor brasileiro, vivo, pelo conjunto de sua obra, com uma premiação no valor de R$ 120 mil (cento e vinte mil reais). Nesta edição, o prêmio será concedido por uma comissão julgadora composta por Manuel da Costa Pinto, Jacyntho Lins Brandão e Humberto Werneck. No ano passado, que marcou o lançamento do prêmio, o autor homenageado foi o professor e ensaísta Antonio Candido de Mello e Souza, sendo que, na premiação da primeira edição, a comissão indicou o escritor Sérgio Sant'Anna para o prêmio.
Poesia, Ficção e Jovem Escritor Mineiro
Nas categorias Poesia e Ficção, o Prêmio Governo de Minas Gerais de Literatura é aberto a escritores iniciantes e/ou profissionais, maiores de 18 anos, nascidos e residentes em território nacional. Nesta edição, na categoria Ficção é vedada a inscrição de obras do gênero contos, sendo recebidos apenas romances, que, por sua vez, ficarão de fora da terceira edição, garantindo o rodízio dos gêneros. O júri desta categoria é formado por Lucia Castello Branco, Cristovão Tezza e Marcelino Freire. A categoria Poesia tem como jurados Jair Tadeu da Fonseca, Carlito Azevedo e Vera Lúcia de Carvalho Casa Nova.
A categoria Jovem Escritor Mineiro, nesta edição apresenta uma novidade: é restrita a pessoas com idade entre 18 e 25 anos, nascidas em Minas Gerais ou residentes no Estado, há pelo menos cinco anos. O júri é composto por Lyslei Nascimento, Ruth Silviano Brandão e Wander Melo Miranda.
O processo de seleção ocorrerá em duas etapas e será analisado por comissões julgadoras distintas que irão avaliar os critérios estipulados no Edital. A primeira etapa é a de habilitação da obra, na qual a equipe da Superintendência de Ação Cultural da Secretaria de Estado de Cultura irá avaliar os documentos no ato do protocolo, com possibilidade de indeferimento. A segunda etapa é a de análise da obra feita pelas comissões constituídas por pessoas de notório saber sobre a matéria.
A premiação será atribuída ao primeiro colocado de cada categoria: I - Conjunto da Obra: R$ 120 mil (cento e vinte mil reais); II Poesia: R$ 25 mil (vinte e cinco mil reais); III - Ficção: R$ 25 mil (vinte e cinco mil reais); e IV- Jovem Escritor Mineiro: R$ 7 mil (sete mil reais), durante seis meses, somando o valor de R$ 42 mil (quarenta e dois mil reais), para pesquisa e elaboração do livro. Desses valores, serão descontados os impostos previstos em lei.
Nas categorias Poesia, Ficção e Jovem Escritor Mineiro, cada proponente poderá inscrever uma obra autoral, inédita e não publicada. As inscrições podem ser feitas no período de 08 de dezembro de 2008 a 30 de janeiro de 2009, no Suplemento Literário, localizado na Superintendência de Museus da Secretaria de Estado de Cultura de Minas Gerais (Avenida João Pinheiro, 342 Centro, Belo Horizonte - Cep: 30130-180), das 10 às 17 horas, ou pelos Correios, mediante entrega da obra, que deverá ser apresentada de acordo com as normas estipuladas no Edital, que pode ser encotrado pelo site http://www.cultura.mg.gov.br/

domingo, 14 de dezembro de 2008

Balanço da "Cultura", por Juca Ferreira*

Domingo passado Juca Ferreira fez um balanço da ações do Ministério da cultura a F. de São Paulo, segue na integra;
Para a cultura pautar nosso dia-a-dia
A cultura, um setor tão presente na vida cotidiana, merece políticas contínuas que contemplem sua grandeza

CONCLUI-SE NESTA semana o processo de participação social na construção do Plano Nacional de Cultura (PNC), um instrumento que dará base legal para o Estado realizar ações que valorizem a nossa diversidade, garantam o direito de todos os brasileiros à cultura e concretizem o potencial desse setor para a economia do país. Governo federal, Congresso Nacional e sociedade civil trabalharam unidos, desde junho, na etapa de consolidação do texto. O processo envolveu um ciclo de seminários em todas as unidades da Federação, encerrado na última semana em São Paulo.

Em cada uma das 27 capitais, uma média de 200 representantes do setor público e privado, artistas, produtores, grupos culturais e cidadãos puderam debater e propor aprimoramentos para as propostas reunidas no caderno de diretrizes do PNC. Em paralelo aos seminários, vários cidadãos tiveram também a oportunidade de se informar e enviar sugestões pelo site www.cultura.gov.br/pnc, canal que se encontra aberto até o próximo dia 10.

Caminhamos, então, para o final de um esforço coletivo, em curso desde 2003, que incluiu a 1ª Conferência Nacional de Cultura e as audiências públicas conduzidas pelo ministério e pela Câmara dos Deputados, com destaque para a Comissão de Educação e Cultura. E que, desde março, recebe a assistência do Conselho Nacional de Política Cultural.

Esse histórico fundamenta as quase 300 diretrizes pensadas para o plano, organizadas nos seguintes eixos: 1) fortalecer a ação do Estado no planejamento e na execução das políticas culturais; 2) incentivar, proteger e valorizar a diversidade artística e cultural; 3) universalizar o acesso à fruição e à produção cultural; 4) ampliar a participação da cultura no desenvolvimento socioeconômico sustentável; e 5) consolidar os sistemas de participação social na gestão das políticas culturais. O projeto que transforma o plano em lei dotará o Brasil de um roteiro para o desenvolvimento de suas políticas culturais, de forma compartilhada e descentralizada, num horizonte de dez anos. Sua implementação e a do Sistema Nacional de Cultura caminharão lado a lado e darão origem a um novo e amplo marco legal.

A cultura nos traduz e nos diferencia. É por meio dela que nos revelamos uma sociedade original, plural e tolerante. Além disso, gera renda, trabalho e cidadania. Sua cadeia produtiva responde por 8% do PIB, segundo estimativa do Ipea. Gastos com bens culturais estão entre as principais despesas das famílias. A diversidade cultural é considerada, ao lado da biodiversidade, uma das fontes para um novo modelo de desenvolvimento.

No entanto, as carências a superar são grandes, de acordo com dados do Ipea, do IBGE e do MinC. Só 4,2% das prefeituras brasileiras têm estruturas específicas para gerir a cultura. Mais de 75% dos municípios não contam com centros culturais, museus, teatros, cinemas. E boa parte da população nunca entrou na internet.

O país vem enfrentando essa realidade com iniciativas como o Mais Cultura, um reforço de R$ 4,7 bilhões até 2010 para regiões sem equipamentos de acesso ou em situação de vulnerabilidade. Os pontos de cultura já têm amplificado manifestações locais bem-sucedidas, criando uma rede interligada. A atenção às culturas populares dá voz a segmentos historicamente ignorados. Editais expandem o acesso aos recursos e o fomento às artes consolidadas. Temos trabalhado juntos, governo e Congresso, para fortalecer as instituições e ações do campo cultural. A presença de mais de 400 deputados e senadores na Frente Parlamentar em Defesa da Cultura evidencia que o retrato da área como algo acessório tende a se apagar de vez.

Estão na ordem do dia do Congresso a proposta de emenda constitucional 150, que estabelece percentuais obrigatórios de investimento público na cultura, e o projeto de lei que amplia a estrutura do ministério, deixando-o à altura de seus desafios.

Chegarão àquela Casa, ainda, a reforma da Lei de Incentivo à Cultura, cujo texto irá a discussão pública, e a da Lei do Direito Autoral, que já é objeto de um fórum nacional. A aprovação do plano, por sua vez, é prevista para o início de 2009.

Chegou a hora de a cultura receber um tratamento à sua altura. Um setor tão presente na vida cotidiana, tão transversal no conjunto das dimensões humanas, tão transformador para os indivíduos, tão vital para a economia do país e para sua relação com o mundo merece políticas contínuas que contemplem sua grandeza.

*JUCA FERREIRA , 59, sociólogo, é ministro da Cultura.

sábado, 13 de dezembro de 2008

Festa com gente igual e à sorumbática realidade do jornalismo em Uberaba

Acabei de chegar de uma festa - um lançamento de uma revista bimestral, isto mesmo a cada dois meses há uma festa para lançar a revista, de um jornal da cidade.

Imaginem só... A cada dois meses você faz uma revista a lá CARAS, e realiza uma festa para lança - lá! Depois a elite vem falar em crise?

Mas, quero me ater à festa, (apesar de ter sido advertida que não falasse muito) vou apenas descrever - lá; esta edição aconteceu no Jóquei com bebidas a vontade e buffer, com gente rica, mais ou mesmos ou como eu, políticos, puxa-sacos, madames, jornalistas, ecléticos, divertidos, sem graças e metidos - como toda festa!

Fico aqui pensando... Uberaba não tem uma revista de opinião que eleve a consciência e participação popular... Se o tal jornal publicasse uma revista teórica a cada dois meses com temas atuais e polêmicos, e fizesse um debate com nomes interessantes, em Escolas e Universidades gastariam menos e contribuiriam mais para a sociedade.

Fico triste em saber que ainda gastam dinheiro com tamanha demonstração do vazio, a Bienal de São Paulo o fez, justamente porque não tinham dinheiro. Espero e apelo aos estudantes de jornalismo que não façam parte deste pequeno circo burlesco e ajudem a mudar esta sorumbática realidade do jornalismo em Uberaba.

sexta-feira, 12 de dezembro de 2008

Simples e intenso as comemorações dos 60 anos da Declaração Universal dos Direitos Humanos em Uberaba

À tarde de hoje, foi de sensações que não sinto deste da época que militava no Movimento Estudantil. As comemorações dos 60 anos da Declaração, realizada pela Comissão de Direitos Humanos da Arquidiocese de Uberaba, no plenário da Câmara Municipal, começou com toda formalidade de um cerimonial ignóbil, mas foi tomando pelos debates calorosos, que merecem esta Comemoração.
Como em Uberaba tem gente boa! O Guido Bilharinho discutindo as questões culturais, a professora Abigail Bracarense falando sobre a Educação, a professora Merenciana com a força de sua história de vida que a conduz na luta até hoje, apesar de seu debilitado estado de saúde e tantos outros. Sabe, hoje descobri que preciso conhecer melhor os belos personagens desta cidade, às vezes minha geração, a do “Fora Collor”, não dá o devido valor a estes atores locais, que lutaram pela nossa liberdade.
Mas, o momento mais singelo e emocionante foi ás homenagens prestadas, entre elas à Dona Lucilia Rosa, uma mulher de fibra - A primeira vereadora mulher e comunista do país - que tive o prazer de conhecer no inicio da década de 90. Hoje com 92 anos foi homenageada por defender bravamente os direitos humanos em Uberaba, seu filho Carlistos e seu neto Carlos receberam a homenagem e foram aplaudidos de pé pelo plenário. Aqui abro um parêntese especial, não os conhecia, e em uma conversa rápida com seu neto, contei a ele sobre um desejo que tenho - o de transformar a casa de Dona Lucilia em um museu sobre sua história de vida, e para minha surpresa ele me disse que faz museologia na UFOP e tem o mesmo desejo, ah!!! Foi muito bacana este encontro. Espero que nossos sonhos se tornem realidade e farei o possível para isto.
Agora não posso deixar de mencionar aqui, que tudo isso foi coordenado por uma mulher que admiro - a presidente da Comissão de Direitos Humanos de Arquidiocese de Uberaba - Silvana Elias, a quem dou meus parabéns e dedico esta simples e sincera postagem. Obrigada por fazer reviver em nossos corações a crença na luta pela justiça social.

comemoração aos 60 anos da Declaração Universal dos Direitos Humanos

“Fica decretado que agora vale a verdade, que agora vale a vida e que de mãos dadas, trabalharemos todos pela vida verdadeira...”

“...fica estabelecido o reinado permanente da justiça e da claridade, e a alegria será uma bandeira generosa para sempre desfraldada na alma do povo.

...e a partir deste instante a liberdade será algo vivo e transparente como um fogo ou um rio, e a sua morada será sempre o coração do homem”.

Thiago de Mello

A Comissão dos Direitos Humanos da Arquidiocese de Uberaba em comemoração aos 60 anos da Declaração Universal dos Direitos Humanos, realizará no próximo dia 12/12/2008 (sexta-feira), das 13h30min às 17h30min, no Salão do Plenário da Câmara Municipal de Uberaba situado à rua Cel. Manoel Borges, n.º 10 – centro, , uma Mesa Redonda que abordará o tema:
60 anos da Declaração Universal dos Direitos Humanos – Iguais na diferença
Participantes convidados: Prof.ªAbigail Bracarense – Direito à Educação Dr.Adriano Donizete da Silva – Direito à Moradia Dr. Guido Bilharinho – Direito à Cultura Profª e Assistente Social Valquíria Alves Mariano – Direito à Assistência Social Sr. Jurandir Ferreira – Direito à Saúde

Mais uma direto do blog "Os sonhos não envelhecem"

O escritor colombiano Gabriel García Márquez, prêmio Nobel de Literatura de 1982, começou a escrever um novo livro, segundo informou seu amigo Plinio Apuleyo Mendoza ao jornal britânico The Guardian.García Márquez, de 82 anos, está escrevendo “uma história de amor”, mas o autor de “Cem anos de solidão” não se decide por uma versão da obra que o satisfaça.
"Ele tem quatro versões do livro e me disse que está selecionando o melhor de cada uma delas”, disse Apuleyo Mendoza ao Guardian.Apuleyo, que co-escreveu um livro de conversas com García Márquez intitulado O cheio da goiaba” (1982), afirmou que o premiado escritor se tornou “muito autocrítico” depois de um ano “sabático” de inatividade literária.García Márquez disse em 2006 que deixou de escrever por falta de entusiasmo, mas seu amigo confirmou agora que o autor de obras como Crônica de uma morte anunciada (1981), O amor nos tempos do cólera (1985) e O general em seu labirinto (1989), publicará em breve uma história de amor.
García Márquez está em Havana, onde participa do Festival de Cinema e ministrará um breve curso na Escola Internacional de Cinema da capital cubana.Organizadores do 30º Festival do Novo Cinema Latino-americano, no qual serão exibidos mais de 500 filmes até a sexta-feira (12), disseram que García Márquez começou na escola de cinema “sua oficina habitual, sob o título de ‘Como contar um conto’”.O autor de Cem anos de solidão fundou a Escola Internacional de Cinema e Televisão (EICTV) com o governo cubano, então presididido Fidel Castro, em 1986.Desde então se graduaram centenas de jovens latino-americanos no centro.
Foi anunciado que o Nobel de Literatura será acompanhado em seu curso pelo escritor Senel Paz, autor do livro que inspirou o filme “Morango e Chocolate”, considerado como uma das melhores obras cinematográficas cubanas.García Márquez também preside a Fundação Novo Cinema Latino-americano, estabelecida em Havana em 4 de dezembro de 1985.Entre 1952 e 1955 o escritor colombiano estudou no Centro Experimental de Cinematografia em Roma, quando era admirador do neo-realismo italiano, uma corrente cinematográfica muito vinculada a temas sociais.

quinta-feira, 11 de dezembro de 2008

Mais uma conquista em defesa da memória e dos Museus

Câmara aprova novo Instituto Brasileiro de Museus e a reorganização do Iphan, Palmares e do Ministério da Cultura.
O Plenário acaba de aprovar o Projeto de Lei 3591/08 do Poder Executivo, que cria o Instituto Brasileiro de Museus (Ibram) e reorganiza o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan). Segundo a proposta, o Ibram será uma autarquia federal vinculada ao Ministério da Cultura e deve coordenar a Política Nacional de Museus.
O relator da proposta na Comissão de Educação e Cultura, deputado Ângelo Vanhoni (PT-PR), classificou a proposta como "um justo reforço" à estrutura do Ministério da Cultura, que precisa de mais recursos para administrar esse patrimônio.
O ministro da Cultura, Juca Ferreira, comemorou a aprovação e ligou a parlamentares para agradecer o apoio. “O projeto de lei amplia a estrutura do ministério, deixando-o à altura de seus desafios”, afirmou. O projeto ainda precisa ser aprovado pelo Senado.

Direto do Blog do Ramon "Os Sonhos não envelhecem" a melhor notícia da semana

Escritor colombiano Gabriel García Márquez prepara novo romance.

Plinio Apuleyo Mendoza, co-autor do livro "Cheiro de Goiaba" com o escritor colombiano Gabriel García Márquez, informou ao jornal britânico The Guardian nesta quarta-feira (10) que o Nobel de Literatura está escrevendo um livro novo.

De acordo com o amigo do escritor ele está fazendo "uma história de amor", mas ainda não se decidiu por uma versão. "Ele tem quatro versões do livro e me disse que está selecionando o melhor de cada uma delas", disse Mendoza.

O autor de "Cem anos de solidão" teria, segundo seu amigo, se tornado muito autocrítico" depois de um ano "sabático" de inatividade literária, informou a agência de notícias Ansa. A nova obra foi confirmada pela agência literária do colobiano, mas ainda não tem data de publicação. Em 2006, Márquez afirmou que ia parar de escrever por falta de entusiasmo.
Do Portal IMPRENSA pelo Blog do Ramon Fonseca

Política Nacional de Museus

quarta-feira, 10 de dezembro de 2008

BID promove seminário para debater o papel da cultura e do desenvolvimento para o avanço da equidade e inclusão racial

Conferência será realizada na sede do Banco em Washington, hoje.
O Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) vai promover um seminário para debater o papel da cultura e do desenvolvimento para o avanço da equidade e da inclusão racial, hoje 10 de dezembro, aniversário de 60 anos da Declaração dos Direitos Humanos, em sua sede em Washington.
Em outubro passado, um encontro de ministros da Cultura da América Latina e Caribe, realizado na cidade de Cartagena das Índias, na Colômbia, revelou a necessidade de se aprimorar formas de exploração da cultura africana nas Américas. Reconhecendo a urgência de se produzir e disseminar conhecimento sobre o tema pelo BID e por seus aliados e acionistas, o seminário terá como foco a cultura como meio de se alcançar inclusão social e econômica das populações afro-descendentes na América Latina e no Caribe.
A ministra da Cultura da Colômbia fará a palestra de abertura do seminário. Entre os outros palestrantes, o Embaixador Larry Palmer, Presidente da Fundação Interamericana e o Embaixador Albert Ramdin, assistente do Secretário-geral da Organização dos Estados Americanos (OEA).
Também estão convidados comunicadores, como o apresentador da ABC7 Maureen Bunyan, Manuel Roig-Franzia, do Washington Post, Michel Martin, da Rádio Pública Nacional dos Estados Unidos, Maria Teresa Velasco, da Discovery Networks América Latina/ US Hispânico, assim como especialistas e pesquisadores da Comunicação da Universidade Georgetown, da canadense Fundação das Américas e do Banco Mundial.

terça-feira, 9 de dezembro de 2008

Lançamento do livro “Meu bairro tem história, eu tenho futuro”

Tenho um filho, plantei árvores e ontem lancei um livro. E agora? Estes são os grandes “acontecimentos” da vida? Se forem, posso me despedir do palco...
Quanta balela - eu quero é mais! Mais filhos, mais árvores e mais livros...
Hoje estou assim que este gostinho de fim de campeonato, vislumbrando novos enfoques, idéias, cidades, enfim novas possibilidades... Chegamos ao fim de mais um projeto – o Cultivando Cidadania: Cultura e história do meu bairro, que durante 1 ano, estivemos em cinco bairros de Uberaba (Alfredo freire, Uberaba 1, Vila Arquelau, São Cristóvão e Jardim Espírito Santo) através das crianças participantes da ação. Colhemos memórias, depoimentos e histórias de vida de seus moradores. O resultado foi o lançamento do livro “Meu bairro tem história, eu tenho futuro”, que aconteceu ontem (8/12) na sala multimeios da Biblioteca Municipal “Bernardo Guimarães”.
Entre uma forte chuva que anuncia a chegada do verão e o calor de mais de 200 pessoas no salão, estiveram lá; meu Pai, meu filho, o escritor Tiago de Melo Andrade, Marco Túlio Paolinelli, todas as crianças que são as verdadeiras autoras do livro com suas professoras guerreiras, a impressa e assessores do Prefeito e Deputados... Fiquei muito feliz de saber que reunimos pessoas para celebrar boas ações e não somente tragédias.
O livro foi à estrela da noite, as crianças entusiasmadas com seu primeiro livro em mãos e eu também, mas é agora José? Já plantei a idéia... Chegou à hora de plantar em outro terreno?
Hoje venho ao meu blog, para agradecer a todos que acreditam em mim possibilitando esta ação com 125 crianças mas, principalmente aos que não acreditaram me dando mais forças para fazer acontecer. E dizer que vida não é feita somente de grandes acontecimentos ditados culturalmente, o que realmente importa é aquele abraço sincero, aquele beijo carinhoso, aquele olhar de consideração, e isto, só acontece, quanto contribuímos com algo bacana, bom e melhor para todos.
A vida é feita de histórias! E todos os dias quando acordo, sei que estou fazendo a minha história que é a mesma do meu país, por isso não acaba com uma grande realização... Começa a cada manhã, uma nova possibilidade de construir um planeta melhor para a nossa, e as próximas gerações...

sábado, 6 de dezembro de 2008

Em cena: o ataque a meia – entrada

Essas últimas semanas estão meio tumultuadas pra mim que to lançando um livro com 125 crianças, nesta segunda dia 8 /12, e para o direito a meia – entrada, que é uma verdadeira celeuma deste da época em que militava no movimento estudantil, na chamada era FHC. Mas, vamos beber da fonte para entender esta história, a União Nacional do estudante conseguiu, na década de 40, o direito do estudante pagar a metade do valor nos ingressos em shows, teatros, cinemas e atividades esportivas e culturais. A entidade passou então a confeccionar a carteira de identificação estudantil, para garantir o cumprimento deste direito.
Após o golpe militar, com o fechamento das entidades estudantis, deu-se início ao processo de descaracterização da meia-entrada. As carteirinhas, antes emitidas pela UNE e pela UBES, passaram a ser livremente produzidas pelas próprias escolas e cursinhos. No final da década de 70 e início da década de 80, era comum encontrar camelôs vendendo, em praça pública, identidades estudantis falsas e sem legitimidade.
Com a reconstrução das entidades estudantis, o benefício da meia-entrada foi reestruturado com Leis Estaduais por todo país. As carteiras passaram a ser emitidas com maior segurança e mais benefícios pela UNE e a UBES. Infelizmente, durante o governo FHC, a Medida Provisória (MP) 2.208/01 derrubou essas conquistas, permitindo qualquer escola, curso, agremiação ou entidade estudantil produzir a carteira, sem nenhum parâmetro ou fiscalização.
Com a eleição do presidente Lula, pensou-se que este direito seria novamente regulamentado, mas não foi bem assim, o assunto envolve muita pressão de produtores culturais e do meio artístico – Em cena: o ataque a meia - entrada.
E para comprovar a pressão, O Senador Eduardo Azeredo (PSDB -MG), conhecido pelos seus projetos contraditórios é um dos autores da atual alvoroço, que quer definir uma cota de 40% dos ingressos disponíveis nas bilheterias de cinemas, teatros, shows, eventos educativos, esportivos e de lazer para estudantes e idosos. Seria uma comédia se não fosse realidade, afinal quem vai fiscalizar a cota na porta do teatro?
Pois é trata-se um dramalhão, uma tragédia grega romana que não termina, e tem ator como o Wagner Moura, que vai até o tablado (Senado) chicotear os estudantes (e pensar que era sua fã desde a época que o pulcro apresenta “A Máquina”). Os artistas ocuparam o Senado à três semanas atrás, em apoio ao proposta das cotas a meia – entrada.
Mas a interminável peça pode ser adiada, seis emendas já foram apresentadas ao lamentável parecer da relatora do Projeto Marisa Serrano (PMDB-MS) — e quatro delas são mudanças na redação do texto, para que as pessoas com mais de 60 anos fiquem fora do projeto, por terem o direito à meia-entrada já assegurado pelo Estatuto do Idoso. Elas foram apresentadas pelo senador João Pedro (PT-AM) e devem ser acatadas pela relatora.
Outras duas, apresentadas pelo senador Inácio Arruda (PCdoB-CE), devem causar mais desconforto para os senadores do PSDB e do DEM. Inácio reapresentou as sugestões constantes do destaque que foi votado no último dia 25 e rejeitado por 14 votos a 7 na comissão. A proposta do senador é acabar com a cota de 40% e estabelecer que as novas regras que forem estabelecidas só entrem em vigor depois da criação dos mecanismos de controle para concessão da meia-entrada. Tais propostas foram rejeitadas na primeira votação. O projeto que está sendo analisado pelos senadores — e que ainda terá de passar pela Câmara dos Deputados — revoga a medida provisória 2.208, editada em 2001, que acabou com a exclusividade das entidades estudantis na emissão da identidade estudantil.
Um dos principais argumentos dos produtores artísticos a favor da restrição do documento e das cotas é que, atualmente, o público que paga a meia-entrada pode chegar a 80% do total, o que impossibilita a definição dos custos do evento. E que a maior parte das carteirinhas é falsa. A UNE (União Nacional dos Estudantes) e a Ubes (União Brasileira dos Estudantes Secundaristas) são a favor de uma regulamentação, mas posicionam-se contra a cota. Na opinião das entidades, a emissão de apenas 40% dos ingressos pela metade do preço configura uma grave restrição ao direito dos estudantes.
É aguardar a cenas dos próximos ataques, se fosse jogo de futebol diria que temos um empate técnico entre a democracia inclusivaXmercado excludente, se fosse uma peça a crítica seria péssima ....Mas como é vida real, que Nelson Rodrigues nós salve da mercantilização ao direito a meia - entrada
Fonte: Vermelho, UNE e Uol

quarta-feira, 26 de novembro de 2008

Novo indicador fornece dados para políticas públicas

Novo indicador social, elaborado pelo Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome (MDS) e o Instituto de Pesquisa Econômica (Ipea). Divulgado esta semana, o índice de desenvolvimento familiar (IDF) é baseado em informações do Cadastro Único (Cadúnico), que reúne dados sobre 13 milhões de famílias brasileiras, sendo 11,1 milhões assistidas pelo Bolsa-Família. Para calcular o IDF, são usadas seis variáveis: vulnerabilidade familiar, escolaridade, acesso ao trabalho, renda, desenvolvimento infantil e condições de habitação.
De acordo com a secretária nacional de renda de cidadania, Lúcia Modesto, o objetivo do novo indicador é viabilizar políticas públicas focadas nas famílias. "É uma forma de governos municipais, estaduais e federal enxergarem qual é a real necessidade da população pobre em seu município", diz, afirmando que todos os dados estarão disponíveis, a partir de hoje, para as cidades brasileiras. "O grande mérito do IDF é que ele possibilita a visualização local do problema e, dessa forma, temos um novo direcionamento dos programas sociais".
Fonte: www.uai.com.br

sábado, 22 de novembro de 2008

Eu Voltarei. Cora Coralina

Meu companheiro de vida será um homem corajoso de trabalho, servidor do próximo, honesto e simples, de pensamentos limpos.
Seremos padeiros e teremos padarias. Muitos filhos à nossa volta. Cada nascer de um filho será marcado com o plantio de uma árvore simbólica. A árvore de Paulo, a árvore de Manoel, a árvore de Ruth, a árvorede Roseta.
Seremos alegres e estaremos sempre a cantar. Nossas panificadoras terão feixes de trigo enfeitando suas portas, teremos uma fazenda e um Horto Florestal.
Plantaremos o mogno, o jacarandá, o pau-ferro, o pau-brasil, a aroeira, o cedro. Plantarei árvores para as gerações futuras.
Meus filhos plantarão o trigo e o milho, e serão padeiros. Terão moinhos e serrarias e panificadoras. Deixarei no mundo uma vasta descendência de homens e mulheres, ligados profundamente ao trabalho e à terra que os ensinarei a amar.
E eu morrerei tranqüilamente dentro de um campo de trigo ou milharal, ouvindo ao longe o cântico alegre dos ceifeiros. Eu voltarei... A pedra do meu túmulo será enfeitada de espigas de trigo e cereais quebrados minha oferta póstuma às formigas que têm suas casinhas subterra e aos pássaros cantores que têm seus ninhos nas altas e floridas frondes. Eu voltarei...

quinta-feira, 20 de novembro de 2008

Museu da Pessoa lança o livro "Memória de Brasileiros - Uma história em todo canto"

O título apresenta uma visão renovada e inspiradora sobre o Brasil, ao registrar mais de 100 fragmentos da memória nacional, retirados das histórias de vida de brasileiros de todos os tipos, origens e perfis, durante mais de 15 anos de trabalho do Museu da Pessoa, responsável pela organização do livro. O jovem que deixou de ser escravo, o sobrinho da rainha, o pedreiro bibliotecário, a bonequeira que lembra o barro da infância, o poeta que aprendeu a costurar palavras com a avó materna. Índios de mil povos, imigrantes dos quatro cantos do mundo e seus descendentes.

Cuidadosamente escolhidos a partir de um acervo com mais de 10 mil depoimentos. Este livro de memórias traz a graça de conhecer o outro, a intimidade de uma roda de conversa e a possibilidade de entender como a sua própria história também se conecta à de todos. Cada história surpreende, ora pela realidade que desvela, ora pela incrível capacidade que cada ser humano guarda em si de modificar sua trajetória.
Durante a viagem, o leitor encontrará grandes “Histórias de Vida”, que abrem os cinco capítulos correspondentes a cada região do Brasil. Já as “Caravanas”, que fecham três deles são como um entreposto de estrada – quando se pára, sem pressa, para olhar com profundidade o que há. Afora as “Histórias de Vida” e as “Caravanas”, é possível seguir uma rota geográfica proposta pelo livro com as “Pequenas Histórias”, que emendam um Estado ao outro, uma região a outra.
“Memórias de Brasileiros – Uma história em todo o canto” é uma parceria entre o Museu da Pessoa e a Editora Peirópolis e conta com o patrocínio da AmBev, Avon, Toyota e Ministério da Cultura. Já a receita arrecadada com os direitos autorais da obra será 100% revertida à sustentabilidade do Museu da Pessoa, uma vez que sua publicação tem como objetivo primeiro disseminar a um público cada vez mais amplo essas histórias de vida.

quarta-feira, 19 de novembro de 2008

Verba da Cultura pode dobrar em 2009

O Ministério da Cultura deverá ter seu orçamento duplicado em 2009, saltando de R$ 1 bilhão para R$ 2,1 bilhões, valores que chegam perto daquele que era considerado um patamar “razoável” pelo ex-ministro Gilberto Gil, e do recomendado pelas Nações Unidas, 1%.
O aumento da verba se deverá a duas emendas ao Orçamento propostas na última quarta-feira, dia 12, pelas Comissões de Educação e Cultura do Senado e da Câmara. A aprovação das quantias passa agora pelas mãos do relator setorial, deputado Bruno Araújo (PSDB-PE), e segue finalmente para o relator-geral, senador Delcídio Amaral (PT-MS).
Além disso, os deputados, por consenso, resolveram destinar R$ 500 milhões (R$ 400 milhões para investimento e R$ 100 milhões para custeio) para instalação de espaços culturais em projetos do Ministério da Cultura. A comissão do Senado também aprovou uma quantia extra de R$ 600 milhões para a pasta. A emenda está prevista na rubrica Fomento a Projetos em Arte e Cultura. Ficou acertado entre os senadores que subscreveram a proposta, que 20% do valor da emenda irá para a Fundação Nacional de Artes (Funarte), com destinação específica ao prêmio Miriam Muniz, que fomenta a produção teatral em todo o País.
Porém o Ministério da Cultura informou que, no total, destinará R$ 300 milhões para o aumento do orçamento da Fundação Nacional de Artes (Funarte), que acaba de ser assumida pelo ator Sérgio Mamberti.
* Com informações do jornal O Estado de S. Paulo.

segunda-feira, 17 de novembro de 2008

O novo capitalismo do capital social (Parte I)

1 - Os grandes empresários tradicionais e o capitalismo
Tem gente que acredita que grandes empresários tradicionais gostam do capitalismo.
Assim como tem gente que acredita em vida após a morte e paixão (com “sexo animal”) após o casamento...
Mas grandes empresários tradicionais não gostam muito do chamado livre mercado. Eles gostam mesmo é de Estado (a seu favor).É por isso que, via de regra, apóiam os governos, sejam eles quais forem, inclusive os que praticam corrupção e banditismo. Não estão nem aí se isso acaba corroendo sua capacidade de inovar para se desenvolver. E que, como conseqüência, em vez de investirem em pesquisa e desenvolvimento para enfrentar saudavelmente a concorrência, as empresas fiquem seduzidas pelo ganho fácil que pode advir da sua associação com os poderosos. Ou fiquem tentando influir para reduzir seus riscos, obter garantias, concessional loans, às vezes, privilégios, reservas e outras proteções estatais que falsificam as regras de mercado.
Por que deveriam arriscar dinheiro com dispendiosas explorações prospectivas se já têm o mapa do tesouro nas mãos? Na sua visão torta, dinheiro público é sinônimo de dinheiro sem dono. No Brasil e em vários países com índices semelhantes de desenvolvimento humano e social, boa parte da engenhosidade empresarial se esgota na urdidura de meios para se apropriar desses recursos. As folhas corridas dos negócios de nossas grandes empresas revelarão, em algum momento, aquela mãozinha enrugada – nesse caso, nem sempre tão invisível – de uma decrépita, porém generosa, Viúva.
Quem gosta de exalçar as capacidades autoreguladoras do mercado são os economistas (uma parte deles, pelo menos). Empresários tradicionais já estabelecidos, que têm como preocupação central garantir a qualquer custo a sua posição no mercado para galgar posições cada vez mais altas, não caem nessa conversa. Eles não são – nunca foram – ideólogos do capitalismo, do liberalismo econômico ou neoliberalismo.
Há quem goste, realmente, de livre mercado: os empreendedores emergentes. Mas eles gostam do livre mercado não em razão de alguma conversão ao credo econômico liberal e sim porque precisam de fato da liberdade do mercado para poder entrar no mercado. Quem já está dentro, em geral, não gosta dessa liberdade porque encara a concorrência como uma ameaça às posições que conquistou.
Políticas estatais no campo econômico voltadas ao empresariado, como as chamadas políticas industrial, agrícola, comercial ou bancária, envolvem quase sempre uma dose de oferta estatal de subsídios (direta ou indiretamente, por meio de regulação favorável e quase sempre casuística, incentivos e renúncia fiscal), quer dizer, de valor que não foi gerado diretamente pela atividade econômica empresarial, mas adveio da transferência de recursos fiscais. Em outras palavras, o modelo transfere recursos públicos (da sociedade) para a atividade privada (dos empresários). Tudo é sempre uma variação do protecionismo, muitas vezes não de caráter nacional, mas setorial. Os burocratas estatais escolhem então alguns setores que deverão ser protegidos do livre mercado, seja em nome de um suposto interesse estratégico nacional, seja em nome da segurança nacional, seja em nome da necessidade de distribuir renda ou de gerar mais empregos ou mais superávits para financiar direta ou indiretamente algum sistema de proteção social.
O fato é que os assim chamados “grandes capitalistas” tradicionais não gostam muito do capitalismo. Eles até aceitam as políticas governamentais de distribuição de renda, mas ficam com um pé atrás quando se trata da distribuição de riqueza (propriedade produtiva). Querem, sim, mais consumidores (com renda suficiente para comprar seus produtos e serviços), mas não mais empreendedores (que são vistos como potenciais competidores). No limite, se todos forem capitalistas, o capitalismo – tal como o concebem – desmonta. Capitalismo bom, para eles, é o capitalismo em que só alguns são capitalistas. Se todos se dedicarem à atividade empresarial, correndo atrás da realização dos seus próprios sonhos, quem se disporá a alugar sua força de trabalho para realizar o sonho alheio? Sem poder se apropriar de um sobrevalor gerado pelo trabalho coletivo daqueles que renunciaram – ou não tiveram condições de – ter seu próprio negócio (isto é, os empregados, eufemística e incorretamente chamados de “colaboradores”), os grandes empresários tradicionais perderiam o estímulo para manter seus negócios.
Uma sociedade de empreendedores não seria uma sociedade capitalista; não, pelo menos, tal como o capitalismo foi praticado até aqui: concentrando riqueza ou estabelecendo condições diferenciais de acesso à propriedade produtiva e aos recursos humanos e sociais necessários para dinamizá-la.
Os empresários tradicionais dirão que as coisas não são assim no mundo real. Alguns alegarão que nem todos são empreendedores (como se o empreendedorismo dependesse da presença de um gene). Outros argumentarão que o empreendedor é estimulado a sê-lo em virtude de uma herança cultural adquirida a partir do berço, no meio familiar ou social em que nasceu ou foi educado, e que, infelizmente, nem todos têm tal oportunidade na sociedade em que vivemos. Outros, ainda, dirão que essa condição ideal só se materializaria em sociedades igualitárias e/ou ricas o suficiente para proporcionar a todos o capital inicial necessário para investir em um negócio próprio. Por último, haverá os que levantam – com certa razão – que ainda que todos tivessem as mesmas condições econômicas, humanas e sociais para empreender, só uma parte da população se dedicaria à atividade empresarial, em virtude da saudável diversidade de vocações, gostos e preferências pessoais. Tem gente que não quer viver uma aventura desse tipo, seja porque não suporta psicologicamente os riscos que lhe são inerentes, seja porque quer se dedicar às artes, à ciência, à política, à vida comunitária, à espiritualidade ou à contemplação. Além disso, há várias formas de empreendedorismo – social, cultural, político – e não apenas a forma econômica empresarial.
Por, Augusto de Franco

quarta-feira, 12 de novembro de 2008

O PIB está para o FIB assim como o FIB está para o PIB ou não.... E a Justiça Social onde está?

Um país monárquico chamado Butão, localizado no Himalaia, entre a China e a Índia, tem capturado a atenção mundial por que mede o FIB (Felicidade Interna Bruta) e afirma que este índice é mais importante que o PIB (Produto Interno Bruto). O Rei do Butão, afirma que o FIB é o alicerce de todas as políticas do seu governo. Sinceramente tem haver, para eles, é claro!
PIB mede o valor de toda a produção de bens e serviços finais de um país. É uma espécie de termômetro que indica “a febre” da produção. De forma que, quanto maior o valor do PIB maior é o nível de crescimento, envolvendo empresas nacionais e transnacionais.
No entanto, o rei do Butão insatisfeito com o materialismo do Produto Interno Bruto, criou em 1972 o conceito da FIB.
O modelo da Felicidade Interna Bruta - FIB, baseia-se no princípio de que o verdadeiro desenvolvimento de uma sociedade humana se dá quando o desenvolvimento espiritual e o material acontecem lado a lado, complementando e reforçando um ao outro.
Em meio ao simples desejo de ficar sorrindo à toa, é que o Butão está criando toda essa onda mundial! Olha realmente nessa dada conjuntura, Se o Butão quer o FIB e resto do mundo o PIB, eu quero justiça social! O PIB ou o FIB só terão bons índices quando houver igualdade de renda, acesso a educação e à cultura, consciência ambiental, humana e social dentro de um princípio mínimo de solidariedade. O resto é balela acadêmica, longínqua da realidade do planeta. Aff, que falta faz uma inchada, uma foice ou um martelo!

sábado, 8 de novembro de 2008

Roberto Damatta garoto propaganda do Programa TIM Grandes Escritores.

No último dia 5 Uberaba recebeu no Teatro Experimental, mais uma edição do Programa TIM Grandes Escritores. O evento trata-se de uma iniciativa que visa oferecer aos professores e alunos das escolas e universidades, e ao grande público em geral, a oportunidade ter um maior contato com o trabalho de grandes nomes da literatura brasileira, através de conversas oferecidas pelos próprios escritores. O objetivo do Programa é levar autores consagrados a municípios do interior para conversar e trocar idéias com as comunidades locais. Além disso, em parceria com a Superintendência de Bibliotecas Públicas de Minas Gerais, o Programa promove a doação de livros para as bibliotecas públicas municipais e cria parcerias com prefeituras e universidades para a viabilização de políticas públicas relacionadas à leitura.

Apoiado pela Lei Estadual de Incentivo à Cultura, o programa é coordenado pela ONG Humanizarte e patrocinado pela empresa de telefonia TIM e pelo jornal Estado de Minas, que insere a iniciativa nas suas comemorações de 80 anos. Segundo Marcelo Andrade, presidente da ONG Humanizarte e idealizador do projeto, estimular novos leitores é o grande objetivo do Programa que vem sendo alcançado desde sua criação. “Esperamos que em sua sétima edição o projeto continue realizando sua missão, que é a de formar novos leitores a partir do encantamento do público com as palestras dos escritores, que geralmente falam sobre sua vida e obra. E realizamos a doação de livros, esses novos leitores terão à disposição as obras não só do autor convidado, mas também de outros grandes escritores da literatura brasileira”, afirma Andrade.

Como acontece há cinco anos, as cidades que integram o Programa receberão doações de livros dos autores convidados e de importantes escritores mineiros e brasileiros. Essa iniciativa enriquece o acervo disponível para os leitores que freqüentam as redes municipal e estadual de ensino e espaços públicos de leitura do interior de Minas. O Programa já realizou a doação de mais de 13.600 publicações a 40 municípios mineiros. "A cada nova iniciativa o Programa vai se completando e ampliando o acesso à leitura em novas cidades. Isso comprova seu crescimento ano a ano e amplia sua importância no processo de formação de novos leitores", ressaltou o diretor da TIM em Minas Gerais, Luiz Gonzaga Leal.

Nesta edição Uberaba, recebeu o antropólogo Roberto Damatta, um autor que literalmente ultrapassa a fronteira da antropologia ao retratar o Brasil com foco nos dilemas e ambigüidades sociais. Livros como A bola corre mais do que os homens: duas copas, treze crônicas e três ensaios sobre futebol, publicado em 2006; e Águias, burros e borboletas: um ensaio antropológico sobre o jogo do bicho, de 1999, demonstram perfeitamente o perfil do pesquisador, que sabe como ninguém explicar o Brasil para os próprios brasileiros.

Em outro trabalho muito citado de sua obra, a partir do carnaval, festa mais popular da cultura brasileira, DaMatta deixa de lado o Brasil oficial e lança um novo olhar sobre o país, colocando em foco elementos geralmente deixados à margem dos estudos antropológicos. Publicações como Carnavais, Malandros e Heróis e O que faz o brasil, Brasil? E “A Casa e a Rua” são referências na Antropologia, Sociologia e Ciência Política, abro aqui um parêntese pessoal; estou lendo estes dois últimos livros depois do último dia 5, para renovar minha crença, afinal esperarava escutar o Professor Emérito da Universidade de Notre Dame, EUA, professor visitante nas universidades norte-americanas de Winsconsin-Madison e Califórnia-Berkeley e da universidade inglesa de Cambridge. Conferencista nos principais centros de pesquisa e ensino de antropologia social da América, Europa, Ásia e África. Professor associado da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro é o quarto autor mais citado em trabalhos acadêmicos em Ciências Sociais no Brasil, ficando atrás apenas de três pensadores estrangeiros: Karl Marx, Max Weber e Pierre Bourdieu, e ouvir por 60min, um garoto propaganda do Programa TIM Grande Escritores, repetindo leiam, leiam, leiam, como aquela “Comprem Batom, comprem batom”.

Uma decepção! Nas poucas vezes, durante a palestra, que Roberto Damatta foi Roberto Damatta, ele ponderou sobre algumas de suas teorias como; o estranhamento enquanto instrumento de compreensão do mundo; falou da vez que coordenou uma Pesquisa Social no interior de São Paulo, onde a abordagem inicial em pesquisa de campo deve ser sempre na defensiva, no sentido de Rousseau em o Contrato Social, com a solidariedade de se colocar no lugar do outro; pincelou a Sociedade Relacional uma obra prima teórica de Damatta, que expõe uma sociedade que se preocupa mais com as relações do que com a sociedade em si. Realmente uma pena para Uberaba, teve que se contentar com apenas mais um garoto propaganda sem fronteriras.

quarta-feira, 5 de novembro de 2008

Sérgio Mamberti assumi a presidência da Funarte

Sérgio Mamberti assumiu a presidência da Funarte com uma missão: dialogar. Artistas, servidores da Fundação, usuários da Lei Rouanet, todos precisam de uma voz conhecida, com passado, compromisso e credibilidade comprovados. E Sérgio tem tudo isso. Mamberti é um sobrevivente. Desde a primeira reformulação do MinC ele estava na mira de Juca Ferreira, que o colocou como coordenador de Artes Cênicas da Funarte. Foi preciso a intervenção do presidente Lula para colocá-lo na Secretaria de Identidade e Diversidade Cultural, criada para garantir a presença de alguém de confiança do gabinete.

Juca Ferreira, declarou na posse: “o Sérgio é um nome que dispensa apresentações, é uma pessoa da área e precisamos de um presidente com muita legitimidade para prosseguir a política de diálogo com artistas e produtores culturais e revitalização dessa instituição nesses dois últimos anos que faltam”. O ministro adiantou que o colegiado de diretores será fortalecido no processo de gestão da Funarte. Nesse sentido, os diretores de Arte Visuais, de Música, de Artes Cênicas precisam ter uma importância que não vêm tendo na visão do ministro, admite. “A Funarte não pode ter uma estrutura presidencialista, piramidal, mas sim colegiada, pois cada setor possui sua complexidade e os diretores precisam ganhar destaque na condução e criação dessas políticas”, completou.
Um outro ponto destacado pelo ministro é a criação de um conselho nos moldes da Fundação Cultural Palmares e do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan). Um conselho, segundo ele, composto por pessoas de conhecimento notório nas áreas de atuação da Funarte, que terá o papel de aconselhamento, fiscalização e aprovação dos projetos relacionados com a instituição.

domingo, 2 de novembro de 2008

O Filme do MASP.

A polêmica atual da vazia Bienal de São Paulo, não é nada, perto da vez que o MASP resolveu sair andando pela Av. Paulista em plenos anos 80. Não lembra mais dessas coisas? Ou não era nem nascido? Confira então essa animação conceitual até a medula do pincel!
Quem gosta de passeio é museu!

quinta-feira, 30 de outubro de 2008

Por uma rede nacional de memória

O que é fazer memória? Fazer memória é transformar a história a cada dia, um processo constante que não se esgota em si mesmo. É um processo vivo, permanente. Registrar a história de um mestre ou griô? Promover o diálogo entre gerações em uma comunidade? Um círculo de histórias para contar a história de um bairro? Tudo isso é fazer memória.
Fazer memória é participar da construção de uma história que é feita no presente, mas que pode ser mudada a todo instante pelas pessoas que fazem parte dela. E por que uma iniciativa para ligar estas memórias? Tão importante quanto registrar uma história, promover uma vivência para troca de experiências de vida ou catalogar documentos e fotos é fazer com que estas memórias sejam ouvidas, registradas e usadas por outras pessoas. A construção de uma rede nacional de memória surge com este objetivo: articular iniciativas de memória para promover e democratizar a prática da memória como instrumento de visibilidade e fortalecimento da diversidade cultural e histórica do país.
Desde 2003, o Museu da Pessoa vem, em parceria com a UNESCO, o Ministério da Cultura, a Petrobras, o SESC-SP e outras instituições, empreendendo esforços para o desenvolvimento desta rede, que já conta com a participação de mais de 500 organizações dos diversos setores da sociedade. Hoje, a história de nosso país carrega e reproduz valores que contribuem para a exclusão social. Sem que percebamos, tais valores excludentes, que privilegiam a visão e a voz de apenas alguns segmentos de nossa sociedade, são reproduzidos pela mídia, na educação e nas “culturas” mais visíveis.
Esta iniciativa busca dar maior visibilidade às múltiplas vozes presentes em nossa cultura e promover o diálogo entre produtores, articuladores e usuários das inúmeras memórias e histórias que formam hoje as culturas do país. Fortalecer essas trocas é com certeza favorecer a democratização do país e a valorização de culturas e vozes invisíveis, mas fundamentais para ampliação da visão que nossa sociedade tem hoje de si própria. Com a formação do Pontão de Cultura Brasil Memória em Rede, buscamos potencializar os esforços já em andamento, articular novas iniciativas de memória de todo o país e fortalecer ainda mais as iniciativas de memória das organizações já envolvidas na rede.
Texto: Produzido pelo Brasil Memória em Rede
Foto: Sumayra

terça-feira, 28 de outubro de 2008

Memória? Onde começou...

Para começar a contar essa história de “memória e cidadania”, e o porquê da oficina abaixo (Museu, Memória e Cidadania) tanto quanto meu interesse, e o envolvimento da ONG em que trabalho, é preciso voltar no tempo! Numa juventude sem identidade cultural e a falta de conhecimento histórico de Uberaba por Uberaba desoladoramente sem perspectivas, lembro que nos perguntavamos; como Uberaba surgiu no contexto nacional? Quem foram os heróis da nossa história? As repostas sempre foram difíceis, pela falta de órgãos de pesquisa e a pouca abertura de participação para jovens nos “clãs” uberabense de debates históricos.
Assim a vida me trouxe até aqui, com essa lacuna cultural, mas há 3 anos vi essa realidade mudar, através da ONG em que trabalho, O Instituto Agronelli de Desenvolvimento Social onde estabelecemos ações em parceria com órgãos governamentais de preservação do patrimônio cultural, e tive a felicidade de conhecer o Museu da Pessoa e entrar para o Brasil Memória em Rede, onde realizamos no 16 de maio - o dia Internacional de histórias de vida e compartilhamos de forma inesquecível, histórias de vida uns com os outros.
Hoje Faço parte de um movimento internacional de pessoas e organizações que acreditam que ouvir, coletar e compartilhar histórias de vida, são parte de um processo crítico para democratização da cultura e promoção da transformação social. E que preservar a memória provoca mudanças em bairros, comunidades e na sociedade como um todo, e é isso que tenho feito, em parceria com um monte de gente bacana, que quero aqui prestar uma homenagem; Marise Diniz, Iara Fernandez do Arquivo Público de Uberaba, Edna Chimango, Adislau, Ana Maria e Edma das escolas de Uberaba. Ana Nassar do Museu da Pessoa juntamente com toda equipe. Mariângela Camargos Coodenadora do Instituto Agronelli de Desenvolivmento Social e o Zuzu da Fundação Cultural que sempre acreditaram! Sei que posso ter esquecido alguém, mais o bom desse troço aqui, é que posso editar depois!

sábado, 25 de outubro de 2008

Museu, Memória e Cidadania

Com o objetivo de desenvolver junto aos participantes conhecimentos básicos e estratégicos sobre o processo evolutivo do museu no tempo-espaço, propondo uma discussão sobre o papel da memória e, as práticas museológicas que visam a construção da cidadania ocorreu em Uberaba (MG) nos dias, 22 a 24 de outubro, a oficina de Museu, Memória e Cidadania, um iniciativa do Departamento de Museus do Ministério da Cultura, articulada pelo Programa Cultivando Cidadania, atráves do Projeto Cultura e História do Meu Bairro। Durante a oficina foi construída, pelos participante uma carta, que será entregue a sociedade, segue aqui na íntegra:
Carta Pela Cidadania “Museus, missão mais que possível! Já não é sem tempo” Uberaba, 24 de outubro de 2008.
Lá do distrito de índios que viveram por cá há muito antes de Major Eustáquio, Borges Sampaio, Hildebrando Pontes, em que nos reunimos, nessa primavera quente. Onde já esteve a primeira Igreja de Uberaba, o cemitério São Miguel, a Escola Normal, o Liceu de Artes e Ofício e agora a Federação de Indústrias de Minas Gerais, para refletir, apreender, sonhar e lutar pela cultura, cidadania, memória, através da valorização dos museus da região do Triângulo Mineiro.
Das bandeiras paulistas que atravessaram a região do Triângulo, em massacre aos índios na busca pelo ouro nas nascentes do rio Tocantins, pela primeira vez, em 1590 a região é visitada pelo homem branco, na interiorização de uma dita civilização brasileira. Fernando de Azevedo, no clássico A cultura brasileira, de 1943, escreve: "cultura, [...], e em todas as suas manifestações, filosóficas e científicas, artísticas e literárias, sendo um esforço de criação, de crítica e de aperfeiçoamento, como de difusão e de realização de ideais e de valores espirituais, constitui a função mais nobre e mais fecunda da sociedade, como a expressão mais alta e mais pura da civilização".
Dos tempos atuais de civilização invertida pela mídia de massa e numa sociedade complexa como a nossa, rica em manifestações culturais diversificadas, o papel dos museus, no âmbito de políticas públicas, é de fundamental importância para a valorização do patrimônio cultural como dispositivo estratégico de aprimoramento dos processos democráticos.
Para cumprir esse papel, os museus devem ser processos e estar a serviço da sociedade e do seu desenvolvimento. Eles devem ser também unidades de investigação e interpretação, de mapeamento, documentação e preservação cultural, de comunicação e exposição dos testemunhos do homem e da natureza, com o objetivo de propiciar a ampliação do campo das possibilidades de construção da identidade e a percepção crítica acerca da realidade cultural das cidades.
Assim, no momento em que se dá continuidade as perspectivas das políticas públicas culturais tornam-se premente a implantação de uma Política de Museus e Memória para a região do Triângulo Mineiro, que seja um estimulo à criatividade, à produção de saberes e fazeres e ao avanço técnico–científico do campo museológico.
Portanto, destacamos a necessidade urgente de investimentos amplos na formação acadêmica e orçamentos direcionados para o patrimônio cultural, compatíveis com sua importância para o desenvolvimento da sociedade. Com isso, atingiremos nosso objetivo que é inserir o maior número de cidadãos no processo de inclusão cultural.
Foto: Sumayra