segunda-feira, 25 de novembro de 2013

Poema na Audiência

Escutar, ouvir, falar
Fazer a quem escutar
A quem se fala ouvir
Fazer, discutir, rever
Ouvir
Impasse
Escutar, ouvir, falar, votar
A quem participar
Democratizar
Coletivizar
E como aprender a andar
Basta começar

Poema feito na audiência pública, Prefeitura no bairro - Valim de Melo. Na Escola Joubert de Carvalho.

terça-feira, 12 de novembro de 2013

12/11/2013

Longe de casa. dia de lida. Todos falam de amor. Chove. Enquanto espero o jantar estudo minha apresentação. Um argentino na mesa ao lado hablando alto e sem parar, nem mesmo quando está com boca cheia, atrapalha. Raiva. Mudança de foco. A noite está cinza. Notícias da Princesa do Sertão. Anjo que conheci aparece em foto estampada. Os mortos revivem em notícias. Adiaram a justiça. Lembro que perdi um pouco da esperança na humanidade. Marx lembra que não. Engels pondera. Lembro das pessoas que matam em carne e alma. Coração aperta. Lágrimas. Envelhecer significa acreditar menos? Significa amar menos? As pessoas não são mais boas em fé e alma. Ele não podia ter partido. Partiram com ele. Então é verdade, os bons morrem cedo.

Saudade do anjo que conheci na terra. Paz ao amigo André Colli!

quinta-feira, 7 de novembro de 2013

Viva Cecília Meireles

Cecília Meireles nasceu assim como Ary Barroso, na data de hoje.

"Não vou deixar a porta entre aberta. Vou escancará-la ou fecha-la de vez. Porque pelos vãos, brechas e fendas... passam semiventos, meias verdades e muita insensatez.” Cecília Meireles 

É preciso amar as pessoas e usar as coisas e não, amar as coisas e usar as pessoas” .Cecília


Viva Ary Barroso

Ary Barroso se tivesse vivo faria hoje 110 anos, até Garota de Ipanema nascer, Aquarela do Brasil foi a música brasileira mais tocada e gravada no exterior.

quarta-feira, 6 de novembro de 2013

Déjà vu - Em a perda da alma

Hoje tive um Déjà vu de apertar e doer fundo. A história era com algo que perdi mas, não quero nunca mais achar. Foi tão ruim lembrar que perdi meu tênis semana passada que vou comprar outro mais colorido, alegre e cheio de formosuras para só ter bons Déjà vu. Não sei se perdi ou se junto com a minha alma foram roubados. 

A mais temida entre as maldades cometidas pelos espíritos da floresta, para os indígenas, era o roubo de alma, pois ela extraía do guerreiro sua principal arma: a identidade. Se a alma existe e se ela se resume em nossa mente e em nossos sentimentos, penso que os tais espíritos das florestas, hoje habitam os corpos de vários seres humanos tornando-os ladrões de almas.

Estes espíritos no formato de agressividade, intolerância, impaciência, falsidade, maldade, desonestidade, desrespeito, inveja, traição; roubam a alma não só do corpo que os hospedam, mas também daqueles outros seres ao seu redor.
Jung cita em “O Homem e Seus Símbolos”: “… um dos acidentes mentais mais comuns entre os povos primitivos é o que eles chamam de “a perda da alma” – que significa, como bem indica o nome, uma ruptura ou, mais tecnicamente, uma dissociação da consciência. Isso significa que a psique do indivíduo pode fragmentar-se facilmente diante de emoções incontidas”.
Segundo Léa Lima, pedagoga e psicoterapeuta, essa fragmentação ocorre diante de fatos da nossa vida que, por serem traumáticos, resistimos em enfrentá-los e, dessa forma, cindimos a nossa energia vital tornando-nos fracos e desanimados.
No instante em que lembrei do tênis  senti que foi dizimada a última parte da minha alma que ainda persistia em lutar por uma vida mais justa e mais honesta. Persistia em lutar para ser amada e respeitada.
O que será que estes espíritos tão inquietos buscam nos dias de hoje? O que eles ganham aprisionando a alma alheia? Uma das maiores injustiças é o roubo da alma, do espírito e dos sentimentos de alguém.
Os indígenas para devolver a essência, a alma, que fora subtraída do guerreiro, se enlaçavam em torno do corpo vazio e faziam um ritual de rememoração, em que a vida, as crenças e os sentimentos do guerreiro eram repassados ininterruptamente até que a sua alma fosse devolvida. 
Vou fazer o meu ritual de rememoração até que a minha alma seja devolvida, até que eu recupere a minha identidade, até que meu corpo seja preenchido com o calor do amor próprio - sou Sibila  peço licença e entro no mar os que me jogam para trás convenço-os até me deixarem reinar em seus deuses.Tomo banho de tempestade, renovam meu corpo. Brinco de abrir cachoeiras. Faço brotar flores e fechar estradas em relvas. Profetizo o amanhã. Sou Sibila, Deuses falam: Sou bondade e sou maldade, força e fraqueza, dou vida eterna e retiro, faço brilhar estrelas e desfaço-as, Sou Sibila!

sábado, 2 de novembro de 2013

Preciosidade: A Princesa do Mistério Intacto.

Então ela sorria. Como se sorrir fosse em si um objetivo. Tudo isso aconteceria se tivesse a sorte de "ninguém olhar". Séria como uma missionária tinham medo que a olhassem muito. Na gravidade da boca fechada havia a grande suplica: respeitassem-na. Mais que isso. Como se tivesse prestado voto, era obrigada a ser venerada, e, enquanto por dentro o coração batia de medo, também ela se venerava, ela a depositária de um ritmo. No chão a enorme sombra de moça sem homem, cristalizável elemento incerto que faria parte da monótona geometria das grandes cerimônias públicas.

Cada vez mais se tornava inteligente. Aprendera a pensar, O sacrifício necessário: "assim ninguém tinha coragem." Ela se concentrava ausente, guiada pela avidez do ideal.

Melancolia da liberdade, com o horizonte ainda tão longe. Dera-se ao horizonte, mas com a nostalgia do presente. O aprendizado da paciência, o juramento da espera. Do qual talvez não soubesse jamais se livrar. Desesperada por que, vigorosa, livre, não estava mais a mercê. Perdera a fé.

Era do que parecia ter sido avisada: enquanto executasse um mundo clássico, enquanto fosse impessoal, seria filha dos deuses, e assistida pelo que tem que ser feito. Mas, tendo visto o que os olhos, ao verem, diminuem, arriscara-se a ser um ela-mesma que a tradição não amparava. Por que um instante hesitou toda, perdida de um rumo. Mas, era tarde demais para recuar. 

E assim como um passe de mágica, ela deixou, sem saber por que processo, de ser a preciosa princesa do mistério intacto.