domingo, 13 de dezembro de 2009

Artigo Teoria Política Moderna / Cinema

Cinema e pipoca com convidados ilustres, mas sem chiclete no fundo das cadeiras.
*Sumayra Oliveira
INTRODUÇÃO O Trabalho proposto são diálogos entre quatro obras cinematográficas com cinco mestres clássicos, da teoria política moderna: Maquiavel, Montesquieu, Hobbes, Locke e Rousseau. Os filmes aqui dissertados são: “Peões” de Eduardo Coutinho; o documentário “A revolução não será televisionada”; “Crise é o Nosso Negócio”, filmado pela cineasta americana Rachel Bonyton; e Persepólis, um filme francês de animação, baseado no romance gráfico autobiográfico de Marjane Satrapi.
Este artigo é um desafio estigante; contemporanizar grandes produções, não no sentido de dinheiro gasto com fotografias, ambientes e chachês, mas, de conteúdo formador histórico, conectado-os com a filosofia política moderna, onde consta nossas referências de organização do Estado, Sociedade, Moral, liberdade, Justiça e Direito, todo o movimento que surge no renascimento , fazendo com que o homem olhasse para si mesmo, buscando uma nova forma de conhecimento e que fosse pautado unicamente na razão, ou seja a construção de uma nova Ciência, que se desenvolveu paulatinamente, até culminar, no século XIX, com a consolidação da Ciência Moderna.
E esta é a primeira parte deste artigo, o caminho percorrido pelos autores referência da ciência política moderna. Em segundo momento, uma descrição opinativa sobre as obras cinematográficas, citadas no primeiro parágrafo. E por ultimo, ponto alto do trabalho, a impressão dos autores: Maquiavel, Montesquieu, Hobbes, Locke e Rousseau, convidados para assistirem os filmes, objeto desde artigo, e debaterem sobre os mesmos.
Teoria Política Moderna
Cabe neste momento discorrer sobre a ciência política moderna, para assim atingir o objetivo deste trabalho, que são os diálogos entre as obras cinematográficas (Peões; A revolução não será televisionada; Crise é o Nosso Negócio e Persepólis) com os autores que seguem: Nicolau Maquiavel é um dos mais importantes pensadores de todos os tempos, especialmente para o campo da política, por um motivo bastante simples: ele foi o primeiro a dissociar a política da moral. A característica mais marcante de sua obra é base na análise da história, uma vez que, procurou aprender com as ações dos grandes homens nos grandes momentos da história, já que quis compreender a natureza do homem na história, e como este se comportou ao longo dela.
Essa "análise retrospectiva" dos fatos históricos levou Maquiavel à constatação de que, ao longo de toda ela, os homens mostraram-se sempre os mesmos: ingratos, volúveis, simuladores, covardes e ávidos por lucro. Por essa razão, um governante (Príncipe) que pretendesse comandar o Estado deveria possuir duas características imprescindíveis: força e inteligência. A primeira, para conquistar o poder; a Segunda, para mantê-lo e os expedientes utilizados pelo Príncipe para a manutenção da ordem no Estado, seria determinado por cada situação assim, Maquiavel inaugura, a "moral de circunstância", que era completamente avessa à velha moral católica. Pelo fato de ter atribuído ao estudo da política um caráter de independência, Maquiavel é considerado por muitos o "Pai da Ciência Política", embora esta somente tenha se firmado efetivamente como a concebemos hoje, a partir do século XIX.
A política de Montesquieu, exposta no Espírito das Leis (1748), surge como essencialmente racionalista. Ela se caracteriza pela busca de um justo equilíbrio entre a autoridade do poder e a liberdade do cidadão. Para que ninguém possa abusar da autoridade, "é preciso que, pela disposição das coisas, o poder detenha o poder". Daí a separação entre poder legislativo, poder executivo e poder judiciário. Montesquieu, possui sobretudo concepção racionalista das leis que não resultam dos caprichos arbitrários do soberano, mas são "relações necessárias que derivam da natureza das coisas". Assim é que cada forma de governo determina, necessariamente, este ou aquele tipo de lei, esta ou aquela psicologia para com os cidadãos: a democracia da cidade antiga só é viável em função da "virtude", isto é, pelo espírito cívico da população.
O desenvolvimento das idéias acerca da origem do mundo e das coisas, advindas do distanciamento entre a produção do conhecimento e a moral católica, engendrou a procura por novas explicações acerca do surgimento da sociedade civil. Como surgiram as primeiras sociedades? Foram famílias que cresceram e formaram os primeiros agrupamentos humanos, que mais tarde deram origem às vilas e, posteriormente às cidades? E o Estado? Como surgiu? O Estado antecedeu a sociedade, ou a sociedade veio antes do Estado? Por que as pessoas devem obedecer às ordens emanadas no âmbito do Estado? Como pode justificar e legitimar o poder do Estado sobre os indivíduos?
A doutrina contratualista procurou responder a algumas dessas perguntas. Apesar das divergências existentes entre cada autor contratualista, há uma conexão entre suas teorias. Para os contratualistas, a sociedade antecedeu o Estado. Primeiramente, os indivíduos se uniram em grupos, que eram a princípio desorganizados do ponto de vista do poder político, e onde imperava, diante da ausência de uma autoridade geral e de regras de convivência, a lei do mais forte. Nesse momento, ao surgir um conflito de interesses entre dois ou mais indivíduos, venceria o que fosse forte. A esse estágio, os contratualistas chamam de estado de natureza. Vive aí, o homem, em estado de absoluta natureza, em que predomina a força, e a violência é a única forma de solução de conflitos. O estado de natureza caracteriza-se pela insegurança, pela incerteza e pelo medo.
Os contratualistas pregavam que, em determinado momento, desejando os homens instaurar a segurança e a paz social, reuniram-se todos e celebraram um contrato, a que chamaram de contrato social, ou pacto social. Através desse contrato, todos concordaram em abrir mão de parte ou de toda sua liberdade, transferindo-a para um soberano, que teria por incumbência organizar a sociedade e manter a paz, solucionando os conflitos, diminuindo assim as desigualdades relacionadas à força física. É a partir desse ponto que os autores começam a divergir: cada um acredita em uma forma de governo, e defende um projeto político.
Para Thomas Hobbes, o homem era naturalmente mau, mesquinho, invejoso e egoísta. Seu grande objetivo na vida era obter mais vantagens do que os outros. Assim, segundo Hobbes, vivendo no estado de natureza, a humanidade tendia a viver sempre em conflito, guerras e disputas entre si. Dessa forma, seria difícil para o homem preservar seu bem maior – a vida, uma vez que, por exemplo, mesmo os mais fortes são vulneráveis quando dormem. Para acabar com esse clima de "guerra eterna", os homens se reuniram e celebraram um pacto social, através do qual abdicavam de parte de sua liberdade, em favor do soberano, que passaria a ter plenos poderes para organizar a sociedade e dirimir os conflitos, impondo aos indivíduos a sua decisão. Hobbes foi, dessa forma, um ferrenho defensor do absolutismo. Para ele, apenas dispondo de plenos poderes, o soberano poderia manter a paz e a ordem na sociedade. Poderia se julgasse necessário, matar, mentir, não manter a palavra empenhada, sem dever quaisquer satisfações a quem quer que fosse.
A importância de John Locke é o fato de haver representado, talvez pela primeira vez, o ideal político de uma classe, naquele momento em franca ascensão no cenário político e econômico europeu: a burguesia. Locke, avesso ao ideal político hobbesiano, foi o defensor por excelência da manutenção do poder político do Parlamento inglês, em contraposição ao absolutismo do rei e acreditava que cabia ao Estado proteger a propriedade privada, a ordem e a paz, e que, na medida em que não o estivesse fazendo a contento, seria perfeitamente possível e lícito desfazer o pacto, já que o mesmo não cumpria sua finalidade.
Rousseau ao contrário de Hobbes acreditava que o homem era essencialmente bom: vivendo no "estado de natureza", não era capaz de fazer o mal, exceto para se defender; sendo tudo acessível a todos, não havia motivo para disputas interpessoais. Portanto, para Rousseau, os homens seriam naturalmente bons, e seria a sociedade a lhes corromper, assim não sendo possível voltar ao estado de natureza, o iluminista busca desenvolver um sistema político que minore as diferenças entre os homens, criadas pela sociedade civil. Rousseau se referia, principalmente, ao falar em "diferenças", da propriedade privada, para ele, a mãe e rainha de todas as misérias humanas. Os homens, assim, na concepção rousseauniana, firmaram um pacto, o contrato social, segundo o qual todos governariam juntos, em prol do bem comum. Rousseau pregava, portanto, que o Estado existia não para defender interesses particulares, e sim para defender a "vontade geral". Isso foi tão enfatizado por Rousseau, que ele chamou a vontade geral, ou seja, a opinião comum de todos os cidadãos de "soberano".
OBRAS CINEMATOGRÁFICAS
1. 1 A revolução não será televisionada
Lembro-me perfeitamente do dia em que assisti ao filme: “A revolução não será televisionada”, um raro domingo em casa, deitada no sofá da sala e com o controle da televisão em minhas mãos, feliz por todo esse domínio precioso, mas com um velho tédio. Afinal, o que fazer com tanto poder assim, diante de canais de tevê que parecia não querer cooperar para minha inatividade. Então comecei a maratona de percorrer as setas do controle, vantagens dos canais fechados, e de repente na teve Câmara: “A revolução não será televisionada”. Como fiquei feliz, percebendo a utilidade do meu ócio. Nunca tinha ouvido falar deste documentário, isto foi em 2006 ou 2007. No outro dia, e durante muitos dias, esse foi o principal assunto com as pessoas que conhecia e em todos os lugares em que estive.
A Revolução não será televisionada é um documentário filmado em tempo real dentro do Palácio Miraflores, durante o golpe de Estado contra o governo do presidente Hugo Chávez, em abril de 2002. Nem a própria população venezuelana conseguiu acompanhar, muito menos o restante do mundo. Com bastante propriedade, o documentário consegue mostrar a permanente campanha de mentiras forjada pelos meios de comunicação contra o governo de Hugo Chávez, as relações da grande mídia com a elite econômica, militares dissidentes e a articulação dos EUA na manipulação dos fatos. Evidencia também a intervenção direta do imperialismo norte-americano na organização do golpe, em sua preparação e organização na embaixada americana em Caracas que foi, posteriormente, comprovada com documentos.
As articulações que envolveram a grande mídia na tentativa golpista foram por ela mesma reveladas, momentos depois de empossarem Pedro Carmona. Momentos, aliás, muito bem registrados no documentário: mostram a arrogância do procurador, designado por Carmona, ao anunciar a dissolução do Congresso, da Corte Suprema e revogar a Constituição, e depois de algumas horas, todo assustado, ao ser preso, num canto de uma sala do palácio. Outro aspecto importante do documentário é a revelação da manipulação dos canais de televisão comerciais sobre os responsáveis pelos assassinatos dos manifestantes em 11 de abril de 2002. Todos os canais privados de televisão que, junto à imprensa escrita e radiofônica, justificaram o golpe de estado de 11 de abril com uma edição de imagens em que aparece um grupo de apoiadores de Chávez, situados na Ponte Llaguno de Caracas, realizando disparos. Estas imagens foram utilizadas para afirmar que "Chávez foi quem ordenou disparar contra a multidão".
O ponto alto do documentário é registrar a força das massas exploradas que derrotam os golpistas e restituem o governo a Hugo Chávez. O povo enfrentou e passou por cima de toda a mentira, fraude, manipulação da informação, da repressão iminente e mostrou que é mais forte. Não aceitou as “notícias”, e saiu às ruas na manhã de sábado, 13 de abril, para denunciar que Chávez “não renunciou! Está seqüestrado!” e “não te queremos Carmona! Ladrão!”. Centenas de milhares de pessoas nas ruas cercam o Palácio Miraflores para exigir “Queremos a Chávez!” e clamar “Chávez não se vá!" È claro que ele não se foi, a volta de Chaves ao Palácio Miraflores e voz de prisão do exercito venezuelano aos golpistas é a claro anuncio da força de novo projeto de desenvolvimento da América Latina. Para terminar reproduzo aqui a fala Hugo Chaves, em entrevista a Marta Harnecker
1.2 Crise é o nosso negócio
O documentário trata do casamento desonesto entre a política e o marketing. De fato é sobre a empresa de marketing político que ajudou o opositor de Evo Morales - o ex- presidente Gonzalo Sanches de Lozada - a vencer as eleições em 2002, na Colômbia. Contratada para elaborar as estratégias eleitorais de Lozada, a empresa põe em prática técnicas agressivas de manipulação de opinião; o objetivo é reformar a imagem de Gonzalo e virar o jogo na reta final das eleições. Nessa eleição, Morales perdeu por um ponto. É um registro histórico mesmo, tanto das crenças que povoam o mercado atual - as fórmulas para vender um produto, no caso um candidato e um programa de governo. E ainda, a cegueira da imprensa, que compra as versões oficiais e despreza barulhos ensurdecedores das populações em locais em que a câmera não está ligada.
1.3 Peões
O Filme de Eduardo Coutinho começa no Ceará e vai para as greves de São Bernardo do Campo no começo dos anos 80, tratando não apenas de para onde foram os operários participantes do movimento sindical, mas de onde vieram os operários que constituíram a classe operária brasileira. Uma cena de Peões é absolutamente determinante para o filme, é quando o diretor reúne-se em uma sala com alguns sindicalistas, para que eles, diante de imagens de filmes antigos e fotografias de jornal e de arquivos, apontem os possíveis outros personagens para o documentário. Um trabalho espetacular de rede de relações, alguém, que se lembra de alguém, que conhece alguém que possa saber de outro.
É assim que se constitui a pesquisa do filme, as entrevistas são marcadas por esses laços, onde os personagens só puderam ser encontrados porque, deixaram marcas para trás. E é dessas marcas que fala o filme. Nele, pulsa uma forte tensão, entre a memória e a história: seus personagens pertencem de fato a uma categoria, que dialogou com a macro-história. Não são apenas pessoas, mas pessoas que tomaram parte do movimento operário que promoveram as grandes greves no ABC em 1979 e 1980.
Há uma tensão, então. E ela está marcada na montagem. Isso porque às falas dos personagens juntam-se imagens dos filmes usados para reavivar-lhes a memória, filmes que são, antes de tudo, documentos históricos. “Juntam-se”, isso porque um clichê habitual de documentário historiográfico é o uso do depoimento de testemunha para legendar uma imagem de época, não é o que acontece fazer isso seria criar um sentido de composição a priori. Em vez disso, edita em separada, trecho de filme em um momento, falas dos personagens em outro. Juntar, então, é pôr frente a frente, opor.
Essa oposição é o próprio sentido do filme. As falas dos personagens não servem para comprovar ou desmentir as cenas históricas e nem para testemunhas sua participação nelas. Em vez disso, servem para reconstituir particularidades onde a historiografia impõe noções como às de “classe”, “movimento” ou “partido”. Essa tensão entre particular e universal é ao mesmo tempo circunstancial e determinante.
A fala final assume um tom de síntese: define a categoria. Ser peão é, em certo sentido, uma dualidade. É ser um soldado raso da industrialização brasileira, explorado e chamado à luta pela igualdade, mas é, ao mesmo tempo, fazer parte de uma elite intelectual e artística: o peão sabe seu ofício, conhece-o como poucos, executa-o como ninguém. É aquele sem o qual a fábrica (na época dos filmes de arquivo) não funcionaria, mas é aquele que a fábrica (na época realista de hoje) não pode mais manter.
Nesse sentido, enquanto problematiza o choque entre memória e história e a definição estanque de categorias limítrofes, Peões ainda se insere na filmografia de Coutinho como um filme de visão de mundo: toda nostalgia desconstrutiva que se poderia afirmar ao se olhar para trabalhadores saudosos da “era das revoluções” ou para a decadência de quem já foi outrora soldado da transformação e agora se acomoda na velhice doente se transforma em índice de que a política é, no limite, uma moral. Peões não é um filme emocional, embora emocione. É um filme sobre as possibilidades políticas na vida cotidiana e suas escolhas.
1.4 Persepólis
Persepólis expõe os crimes da República Islâmica. Mas, não oscila no papel do Ocidente, ao levar fantoches ao poder e na repressão das massas. Podemos perceber papel da Grã-Bretanha no golpe de estado, o saque ao petróleo do país, o treino dos torturadores pela CIA. e na venda de armas pelos países ocidentais a ambos os lados da guerra Irão - Iraque. Tudo isso são lembranças de que o Irão não existe num vácuo, mas faz parte de um sistema que espalhou os seus tentáculos por todo o globo e que a luta que aí ocorre faz parte da luta contra esse sistema global. O Filme conta a história essa história, a história do Irão através da vida de uma criança (Marjane). Ela tem nove anos quando a revolução insurgiu no país e levaram sua família às manifestações, estamos falando da revolução iraniana de 1979 e o que se lhe seguiu - O derrube da monarquia levou à chegada ao poder da República Islâmica.
Uma cena interessante do filme e quando logo após a revolução, numa rua de bairro, Marjane e outras crianças perseguem um menino cujo pai é membro da polícia secreta e torturadora do regime deposto. Mas quando o confronta, ela não lhe consegue bater. Mais tarde, o deus de Marjane diz-lhe para não se preocupar e deixar a justiça para ele. Por outras palavras, a esperança de que a revolução corrigirá as coisas ainda anda no ar. Mais tarde, após a execução de líder da revolução, o deus aparece novamente, mas desta vez invoca fraqueza e diz que está impossibilitado de fazer alguma coisa. Agora a revolução está derrotada.
Esse deus faz outras aparições no filme; ao fracassar na sua tentativa de encontrar uma vida nova no estrangeiro, Marjane fica cansada da vida e quer morrer e assim Marx acompanha deus nessa cena. Aqui entramos num outro episódio do filme: o contato de Marjane com o Ocidente, a primeira experiência amorosa de Marjane ocorre na Áustria – e acaba traída. O seu coração desfeito, a solidão e a nostalgia tornam a vida tão difícil para ela que decide voltar ao Irão – o Irão de 1988, após o massacre de presos políticos pelo regime, depois da guerra com o Iraque. Quase um milhão de pessoas tinham morrido ou ficado incapacitadas. Inúmeras ruas foram rebatizadas com nomes de mortos e um passeio pela cidade era “um passeio por um cemitério”. O fracasso de Marjane na Áustria, combinado com o cinzento e o peso da morte em Teerã, tiram-lhe as forças. Começa a pensar na morte. É aqui que deus (e Marx) lhe aparecem e lhe dizem para ser forte. Marx salienta com um sorriso que a luta continua. Marjane decide não abandonar a esperança. Faz os exames, vai para universidade e dá início a mais um episódio da sua vida.
Este filme coloca importantes questões sobre a revolução. Uma Revolução sempre abala as velhas relações e abre caminho à criação de novas relações. Mas, quando a liderança está na mão de forças cujo interesse é preservar a velha ordem sob uma nova forma, como foi o caso do Irão em 1979, às tendências retrógradas entre as pessoas podem ser reforçadas e transformadas numa ferramenta nas mãos da nova classe dominante. Uma dessas tendências é a de usar as oportunidades oferecidas pela situação para autopromoverem-se e tentarem obter posições a que antes não tinham acesso. Por vezes, essa tendência está ligada a um sentimento de vingança contra os que no passado tinham posições privilegiadas.
Cinema e pipoca com convidados ilustres, mas sem chiclete no fundo das cadeiras.
Ir ao cinema ou assistir um filme em casa com os amigos é um ato simples – a não ser, é claro que você tenham convidados ilustres como Maquiavel, Montesquieu, Locke, Hobbes e Rousseu. Enquanto preparo os filmes, os meus convidados observam atentamente o notebbok, a tela de projeção, o data-show, MP3 payer e o celular na mesa à frente das pontronas, na qual inclusive, tive o cuidado de retirar os chicletes colados pelos adolescentes da sessão anterior, imagine só um deles com as mãos grutadas por um chiclete babado e nojento, isso podia levar o “cine-clube” por água abaixo, lenvatariam e iriam embora, com a certeza que neste mundo ninguém repeita mais ninguém, e o homem continua ingrato, mau por natureza e que falta que faz um príncipe ou sistema absolutista ou um contrato social, a não ser claro que isso seja da votade geral de todos.
Nos trajetos que Maquiavel percorreu do túmulo da família na Igreja de Santa Croce em Florença, Locke na igreja paroquial de High Laver, Hobbes da igreja de Hault-Hucknell, Montesquieu da capela de Sainte-Geneviève, na igreja de Saint-Sulpice e Rousseau do Panteon em Paris, até os aeroportos, eles contaram que ficaram surpresos com a riqueza, caos e os barulhos do mundo moderno, Maquiavel nessa hora riu , porque eles se achavam modernos até então, disseram que as cidade eram mais sujas e que desordem ainda reina, em compensação em suas época, ninguém pagava tão caro e por um pacote de pipoca.
Pois bem coloquei o primeiro filme – A Revolução não ser Televisionada, ao fim da exibição, Maquiavel foi o primeiro a falar:
- Olha Minha cara, primeiro é preciso dizer que governados e governantes, dirigentes e dirigidos existem realmente, e haverá campos oposicionistas utilizando a “força”. O que era preciso a este “Príncipe”, Chávez num isso? (Balanço a cabeça afirmando que sim). É distinguir as linhas de menor resistência, ou linhas racionais, para obter a obediência de dirigidos e governantes, Ele (Chávez) quis uma revolução passiva, mas não leu minhas obras muito bem (risos). A revolução passiva que falo é no sentido usado por Cuoco, no primeiro período do Renascimento italiano, podendo relacionar-se ao conceito de guerra de posições. E o opositor ao Senhor Chávez, utilizou da guerra de manobras, mas não tinha apoio dos súditos e assim graças a eles (súditos) retomou o poder... Montesquieu nesse momento pede a palavra e segue falando:
- È justamente isso que percebi Maquiavel, a função da virtude, o espírito cívico da população na busca do justo equilíbrio entre a autoridade do poder e a liberdade do cidadão.
Nessa hora surge um murmurio contratualista: - Não não não, faltou sim um pacto social. Intervenho e digo: - pois bem senhores, gostaria de ouvi-los. Hobbes inicia:
- Para que essa tal de democracia? Por que o Sr. Chávez não matou seu inimigo assim que chegou ao poder?
Locke interrompe e diz: - Você sempre foi um desequilibrado Hobbes! Veja, você fez um pacto que só você participou (muitos risos na sala). Talvez o Senhor Chaves, não fez um governo a contento da burguesia, então foi legitimo a retirada dele, do poder, pela elite.
- Por favor, diz Rousseau, todo o problema enfrentado é de responsabilidade única da propriedade privada. O Locke não assistiu ao mesmo filme que nós, pois a vontade geral da população era pelo governo do Senhor Chávez e isto deveria ter sido respeitado, pelo oposicionista.
Seguindo o “cine-clube”, exibo o segundo documentário – “Crise é o nosso Negócio”. Ao final um silêncio constrangedor, pergunto se querem alguma coisa e se está tudo bem, quase que em coro, meus convidados perguntam:
- Afinal o que é esse tal marketing? E essa especulação do mercado financeiro? Campanhas para vender produtos? E produtos que viram governo?
Antes que respondesse, Hobbes, falou:
-Não sei responder tais perguntais, mas sei que deveria ter pensando nisso - uma teoria do caos para impor o absolutismo.
- Bom, posso dizer aos senhores, que essas são as armas para conquistar o poder, no século XXI - a informação e o mercado rentista. Hoje por exemplo, a Economia da Informação é um campo de estudos interdisciplinar entre a Economia, a Ciência da informação e a Comunicação que trata da informação como mercadoria e bem de produção necessária para o sistema capitalista pós-industrial. Mas, como voçes ainda tem que fazer a viagem de volta, vamos ao terceito filme – Peões. Desta vez Rousseu inicia o debate:
- Vejam voçês como eu estava certo, quando disse que os povos, como os homens somente são dóceis quando jovens, à medida que envelhecem tornam-se incorrigíveis. Não é por isso que, assim como alguma enfermidade transtornam o juízo dos homens tirando-lhe a lembrança do passado, não se encontre alguma vez na existência dos Estados, essas imagenns que senhora me mostrou, são passagens que os indivíduos envolveram o Estado em suas lutas civis, mas este renasceu e a empresa reconquistou o vigor da juventude, Num é isso?
Balanço a cabeça como se não discordasse muito menos concordasse. Locke começa divagando: - Olha Rousseau, o Estado não conseguiu manter a ordem e a paz. E neste caso o pacto seria o contrato de trabalho entres os trabalhadores e as indústrias, então esta rompesse com aqueles e fizessem outro, onde a paz voltasse e todos seriam privilegiados.
- Pois é Locke e Rousseau, deveriam ter lido o Espírito das Leis, diz Montesquieu: neste caso não existiam leis racionais, onde fosse deixado de lado o capricho do Estado e das Indústrias, afinal as relações devem basear-se na natureza das coisas, se assim fosse este conflito não teria existido.
Nessa hora Maquiavel com um sorriso pequeno em sua boa pequena, franze a testa e diz:
- Ora ora ora, um critério básico de julgamento, seja para as concepções de mundo, seja sobretudo para comportamentos práticos, é o seguinte: a concepção do mundo ou ato prático podem ser concebidos “isolados”, “independentes”, tendo sobre si a responsabilidade da vida coletiva; ou isso é impossivél e, então, o ato prático e a concepção de mundo podem ser percebidos como “integração”, aperfeiçoamento, contrapeso, de uma outa concepção ou atitude prática. Se reflertimos, veremos que esse critério é decisivo para um julgamento ideal sobre os movimentos de ideiais e sobre os movimento práticos.
- Ai ai ai, então ele é o bom racionalista, continuou dizendo, se o dono da indústria ou o Rei (Presidente República) disposesse de pleno poderes, isso ai não teria acontecido.
Assim fechou Hobbes a penúltima rodada de debate. Enfim passamos ao quarto é ultimo filme - Persepólis.
- Eu começo, porque esse assunto é comigo! Afirmou Maquiavel. – Na guerra, uma vez atingido o objetivo militar, faz –se a paz. Aliás, é oportuno observar que basta que o objetivo estratégico seja atingido para que a guerra acabe. A luta politica é enormemente mais complexa, não se pode imitar os métodos de luta das classes dominantes, sem correr o risco de cair em emboscadas fáceis.
- Tá aí um filme que gostei - afirma Hobbes - só a não comprendi o que essa criança desagradável faz neste contexto e porque a monarquia foi derrotada.
Nessa hora Locke aumenta a voz:
- Perdi a paciência, com o Hobbes não dá! Da próxima vez que ele vier não venho. Sempre falei, é um desequlibrado e não volto sentado do lado dele.
Maquiavel volta ao debate, é como um excelente analista histórico responde:
- Hobbes é apenas uma criança iraniana comum, de uma família intelectual com uma existência confortável. A Idéia do filme foi de retratar a história do país, através da narrativa de uma vida particular e invulgar. A história que integra a herança familiar da criança e que define a sua vida faz parte da herança coletiva que molda a existência, as esperanças e os sonhos de todos nós.
- Por isso vou de contar um segredo Maquiavel, que todo universo sabe menos você. Aqui é considerado o pai da política, diz Rousseau completando: quando um membro da comunidade se entrega a ela no instante em que a mesma se forma, tal como ela se acha naquele momento, ele e todas as suas forças, das quais participam também seus bens. E não é que por este fato a posse mude de natureza mudando de mãos e sua propriedade se transforma na do soberano, porém, como as forças da cidade são maiores do que as de um particular, a posse publica é também, de fato, mais forte e irrevogável, sem ser mais legitima, porque assim o Estado é senhor de todos os bens.
- Ainda não falei, porque estou decepcionada e arrasado com a contemporaneidade, de nada adiantou minhas obras, deixadas para a humanidade, não há Lei nem Justiça que proteja o povo. Aliás, já esta na hora de voltamos para o além. Agora que Deus nos convenceu de sua existência vive nos chamando para bater um papo sobre filosofia (Monstequieu levanta da cadeira e chama o restante). Bem foi um prazer! Ah é você que vai pagar as pipocas num é?
* Sumayra Oliveira é Graduada em Tecnologia de Desenvolvimento Social, Cursa segunda graduação em Ciências Sociais- IFET. Atualmente é Diretora de Documentação e Pesquisa da Câmara Municipal de Uberaba. Referência Bibliográfica
GRAMSCI, Antonio. Gramsci – Poder, Política e Partido. São Paulo: Expressão Popular, editora, 2005.
http://jus2.uol.com.br/doutrina/texto.asp?id=7417 Acesso em: 2 dez 2009
http://www.contracampo.com.br/64/peoes.htm Acesso em: 4 dez 2009
http://www.mundodosfilosofos.com.br/iluminismo.htm Acesso em: 5 dez 2009
http://www.paginavermelha.org/noticias/071008-persepolis.htm Acesso em: 4 dez 2009
http://www.vermelho.org.br/noticia.php?id_noticia=1338&id_secao=7 Acesso em: 4 dez 2009
http://www.viomundo.com.br/loucuras-que-eu-vi/eles-globalizaram-o-marketing-da-crise/ Acesso em: 4 dez 2009
ROUSSEAU, Jean-Jacques. O Contrato Social. Rio Janeiro: Ediouro, sem data

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