sábado, 24 de março de 2012

Festa de 90 anos do PCdoB em Uberaba - uma festa vermelha, verde e amarelo



As comemorações do aniversário de 90 anos do PCdoB em Uberaba, contaram com Deputados, vereadores, mais de 100 participantes e 11 homenageados - uma festa que entrou para a história de Uberaba.

A noite começou com apresentação da Cia. Rogê, um grupo de teatro de Uberaba, que em honra aos 90 anos do Partido Comunista do Brasil, apresentou um pequeno trecho do espetáculo LIBERDADE. Que esteve em cartaz entre 2010 e 2011, acumulando diversos prêmios em Festivais de Teatro - inclusive, sendo considerado por duas vezes, o melhor espetáculo.  Baseado nos movimentos de contracultura, LIBERDADE apresenta um grupo de jovens que acredita num mundo melhor e mais justo. Nada mais oportuno, para a celebração de um partido de 90 anos e ainda jovem.

A mesa das comemorações foi composta pela Presidenta do partido, Sumayra Oliveira, Pelo Deputado Federal Paulo Piau (PMDB), Deputado Estadual Adelmo Carneiro Leão (PT), O presidente da Câmara municipal, o vereador Luiz Humberto Dutra (PDT) e o vereador Lourival dos Santos (PCdoB).

Sumayra  Oliveira iniciou as saudações da noite, lembrando que a história de Uberaba é uma história muito próxima dos comunistas , “a histórias de vida dos homenageados, o público presente se identificará com a historia de uma cidade de luta e ativa nos 90 anos do PCdoB.” Ainda destacou “Novo Projeto Municipal de Desenvolvimento  apresentando pelo partido representará um novo salto em desenvolvimento local, o terceiro na história do Uberaba.”

O Deputado Paulo Piau, trouxe em suas mãos o material que está sendo distribuído na exposição iconográfica no Congresso Nacional e lembrou à história do PCdoB. O Deputado Estadual Adelmo Carneiro Leão disse que o Manifesto Comunista, escrito por Marx e Engels em 1848 é um dos livros mais atuais para compreender a atual conjuntura.

Após ocorreu homenagens ao comunistas uberabenses, ainda um bolo com o slogan dos 90 anos do PCdoB e um coquetel

A lista dos homenageados:



1.                  Afrânio de Azevedo (in memória), na pessoa do seu bisneto Pedro Henrique de Azevedo. Seu bisavô foi presidente de honra da frente antifascista do Comitê Democrático Popular de Uberaba, em julho de 1945. Ele foi candidato, em 1946, à Câmara Federal por Minas, obteve 3.595 votos e foi o segundo mais votado do PCB, ficando atrás de Prestes. No setor Campinas, em Goiânia (GO), uma célula do partido levou seu nome. Elegeu-se com 583 votos deputado estadual, em Goiás, pelo PCB, em 1947. Porém, foi cassado em 1948, juntamente com todos os parlamentares comunistas do país.

Quatro dos cinco filhos de Afrânio, José Olympio, Mário Augusto, Afrânio Marciliano e Martha, viajaram pela Europa em 1957, por quatro meses, dos quais dois pela União Soviética, onde participaram do 6º festival da Juventude, em Moscou. As correspondências enviadas ao pai tornaram-se o livro Cartas de Dois Mundos (Rio de Janeiro: Editora da Itambé/ Editorial Vitória, 1959) Mário foi vice-presidente da secundarista UME (União Metropolitana de Estudante), do Rio, e José Olympio foi pró-reitor de extensão estudantil da UFU (Universidade Federal de Uberlândia), em 1984. O filho Afrânio Marciliano fez plástica no queixo e nariz de Carlos Lamarca, no inicio de 1970, no Rio de Janeiro (RJ), para despistar da repressão. Foi preso em 6 de abril daquele ano e ficou 73 dias no DOI-codi e na Polícia do Exército.  Hoje Afrânio de Azevedo é a Avenida de umas das Universidades de Uberaba.

2.                  Afrânio de Oliveira e Silva que fundou o PCdoB na época da legalidade em Uberaba, onde sua filha, Sumayra Oliveira, é a atual presidente.

3.                  Alexandre Barbosa (in memoriam), responsável por introduzir em Uberaba, o pensamento comunista no final do século XIX e hoje leva o nome de uma importante Avenida na cidade.

4.                  Barbosa Cauhi (in memoriam), homenageado na pessoa do seu filho José Cauhi. Barbosa em 1964 era funcionário da SUPRA (Superintendência de Políticas Agrárias), do governo federal. Sob acusação de promover abaixo-assinado pela legalização do PCB entre os trabalhadores rurais, foi decretada sua prisão. Refugiou-se durante dois meses, na casa de parentes em Embaúba (SP), mas entregou-se devido à ameaça de que seu pai, José Barbar Cauhi, seria detido como retaliação.

5.                  João Bessim (Boleia), ingressou no partido aos 17 anos e pertenceu à célula Aristóteles Coelho. Sua função era distribui o jornal “Voz Operária” na década de 1960.

6.                  Calixto Rosa Neto, dentista, membro da UJC (União da Juventude Comunista) e dirigente do PCB na década de 1950, em Uberaba. Manteve ligação permanente com o movimento pela reforma agrária nos municípios de Campo Florido e Prata, desde a década de 1950.

7.                  Durval Dias de Abreu  (in memoriam) homenageado na pessoa do seu filho Pablo Dias de Abreu. Durval integrou a FEB (Força Expedicionária Brasileira), que foi à segunda Guerra Mundial, na Itália. Foi secretário-geral da UJC (União da juventude Comunista) nos anos de 1940, quando a sede funcionou em sua residência. Nos anos de 1950, quando foi dirigente municipal do PCB, a célula Alfredo de Paula Jr. reunia-se em sua casa. Seu nome é citado em documentos do Dops de São Paulo, sobre comunistas de Minas. Foi vice – Presidente da Campanha Pró- Imprensa Popular em Uberaba, que pretendia recolher em todo o país 15 milhões de cruzeiro do povo, de Belo Horizonte, entre outros.

8.                  Hélio Gomes Ferreira, exerceu o cargo de secretário da célula  Arlindo Coelho, que se reunia na rua padre Zeferino, 45, que contava em média 20 membros dos quais eram, Licurgo Modesto de Almeida, Geraldo Magalhães e João de Souza -  alfaiates, Euclides Brandão - empresário, João Lúcio e outros.

9.                  Lourival dos Santos, primeiro vereador eleito pela sigla PCdoB, na cidade de Uberaba..

10.               Lucília Rosa Soares (in memoriam ),  foi  uma das 17 primeiras vereadoras de Minas Gerais, eleita aos 35 anos, em 1947, em Campo Florido, no Triângulo Mineiro. Ela pertencia ao PSD (Partido Social Democrático), embora fosse ligada ao então clandestino PCB (Partido Comunista do Brasil) desde os 18 anos. Lucilia Soares Rosa nasceu em Uberaba (MG), em 1912, filha do alfaiate Calisto Rosa e sobrinha do professor e agrimensor Alexandre Barbosa, católicos até a adolescência, ambos tornaram-se anticlericais e anarquistas. Eles exerceram importante influência sobre ela. Seu avô materno, José Severino Soares, o "Juca" Severino, foi respeitável fotógrafo no Brasil Central, entre 1860 a 1917.

11.               Maria Olinda Vaz, ativa no movimento estudantil no período da redemocratização, sendo filiado ao PCB.

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