segunda-feira, 4 de fevereiro de 2013

Doce


A doçura da moça transborda.
Acostumada a ser de açúcar, derrete-se por tão pouco.
Carrega nas palavras a leveza que o mundo precisa.
É com seu olhar de menina dolorida que aprendeu a enfeitar-se de vida.
Recolheu as esperas, soprou os venenos pra longe e despiu-se da ingratidão alheia.
Costurou o próprio mundo, carregou bagagens e jamais se torturou por ser tão doce.
Ergueu os ombros, empinou o nariz para todas as fraquezas, sem questionar os porquês da vida, sem vacilar, sem reclamar.
Lutou contra a insônia, se desvencilhou do mal humor, pintou o próprio céu nos olhos, desenhou nuvens na testa, se fez chuva, sol e alguma miragem bonita.
Se fez sonho, se fez real, apaixonada por palavras, inventou a própria estrada, escreveu na lua, na rua e na parede da sala.
Engoliu as mágoas e os desatinos daqueles que sempre desacreditaram dela, bordou um riso bonito no rosto, sorriu para o espelho e foi aliada do coração brincando de ser poesia.

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