segunda-feira, 11 de junho de 2012

SONETO LXV

Se a morte predomina na bravura
Do bronze, pedra, terra e imenso mar,
Pode sobreviver a formosura, 
Tendo da flor a força a devastar? 

Como pode o aroma do verão
Deter o forte assédio destes dias, 
Se portas de aço e duras rochas não
Podem vencer do Tempo a tirania? 


Onde ocultar - meditação atroz -
O ouro que o Tempo quer em sua arca? 
Que mão pode deter seu pé veloz, 
Ou que beleza o Tempo não demarca? 


Nenhuma! A menos que este meu amor
Em negra tinta guarde o seu fulgor.


William Shakespeare

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