terça-feira, 12 de junho de 2012

Adaptado de Nina Rizzi – Fragmentos 5


Então o poema começava com a moça dizendo que a verdade absoluta é a monogamia. Não a contratual, mas àquela excitante. Depois dançava. Existia uma disputa, o branquelo e o negro, morador de rua.

... Eu ando... Não me importo de comer spaghetti sem sal... Eu te escrevo e sinto vontade de rir, chorar, dançar... O meu planeta devia ser feito de vento e água e era uma ciranda de girassóis...

Não importa. "pelo bem ou pelo mal": às vezes me falta a palavra e fico pensando o tempo todo... Bem, eu sou uma puta resoluta e não me deito com ninguém. Mas te cheiro o cangote e assopro até me faltar o pouco ar. Te beijo esse cangote.

[...]

o que pode haver de diabólico nisso? O meu olhar doce?... o meu sexo é renascentista e essas vênus renascentistas são todas pudicas! não obstante, não precisava mais que o olhar (precisava, não precisava, bastava, não bastava). eu gosto que me olhem. não como voyer, mas aquele olhar dos doidos quando em ternura. é bonito, como dizer o nome de seu interlocutor.não é flerte, ousadia: é poesia e eu sou movida a poesia.

bem, contrariando todas as expectativas o meu companheiro NÃO... me escreveu a carta...pedindo desculpas, mas nada mais que isso e se pergunto o porquê há uma desconversação. as super-esquisitices. talvez isso me atraia, esse nem caga nem sai da moita, ou como se diz, o areamento.

[...]

... Eu preciso me sentir amada!... então fiquei pensando no que estalou de volta à realidade, se eu posso ser uma realidade. lembrei que quando sai da ladeira disse que tem péssima memória, que eu ia virar nuvem em sua cabeça, ou algo assim. acho que foi isso, a distância física acaba por se tornar emocional. mas pra mim a distância física não se torna emocional, não como regra, mas como excessão.... na verdade, acho que a convivência é que desgosta. não é fácil suportar as mundanalidades dos outros... a gente aprende tanto com o outro, né. e vendo o outro percebo-o: a convivência os desgosta...

[...]

Adaptado de Nina Rizzi – Fragmentos 5 - Texto é de Nina Rizzi

2 comentários:

  1. Nina Rizzi é sempre interessante e o resultado ficou bem bacana. Gostei, Su!

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  2. Iara, me lembrei de vc o tempo todo, no texto dela!

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