sábado, 2 de novembro de 2013

Preciosidade: A Princesa do Mistério Intacto.

Então ela sorria. Como se sorrir fosse em si um objetivo. Tudo isso aconteceria se tivesse a sorte de "ninguém olhar". Séria como uma missionária tinham medo que a olhassem muito. Na gravidade da boca fechada havia a grande suplica: respeitassem-na. Mais que isso. Como se tivesse prestado voto, era obrigada a ser venerada, e, enquanto por dentro o coração batia de medo, também ela se venerava, ela a depositária de um ritmo. No chão a enorme sombra de moça sem homem, cristalizável elemento incerto que faria parte da monótona geometria das grandes cerimônias públicas.

Cada vez mais se tornava inteligente. Aprendera a pensar, O sacrifício necessário: "assim ninguém tinha coragem." Ela se concentrava ausente, guiada pela avidez do ideal.

Melancolia da liberdade, com o horizonte ainda tão longe. Dera-se ao horizonte, mas com a nostalgia do presente. O aprendizado da paciência, o juramento da espera. Do qual talvez não soubesse jamais se livrar. Desesperada por que, vigorosa, livre, não estava mais a mercê. Perdera a fé.

Era do que parecia ter sido avisada: enquanto executasse um mundo clássico, enquanto fosse impessoal, seria filha dos deuses, e assistida pelo que tem que ser feito. Mas, tendo visto o que os olhos, ao verem, diminuem, arriscara-se a ser um ela-mesma que a tradição não amparava. Por que um instante hesitou toda, perdida de um rumo. Mas, era tarde demais para recuar. 

E assim como um passe de mágica, ela deixou, sem saber por que processo, de ser a preciosa princesa do mistério intacto.

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