quarta-feira, 6 de novembro de 2013

Déjà vu - Em a perda da alma

Hoje tive um Déjà vu de apertar e doer fundo. A história era com algo que perdi mas, não quero nunca mais achar. Foi tão ruim lembrar que perdi meu tênis semana passada que vou comprar outro mais colorido, alegre e cheio de formosuras para só ter bons Déjà vu. Não sei se perdi ou se junto com a minha alma foram roubados. 

A mais temida entre as maldades cometidas pelos espíritos da floresta, para os indígenas, era o roubo de alma, pois ela extraía do guerreiro sua principal arma: a identidade. Se a alma existe e se ela se resume em nossa mente e em nossos sentimentos, penso que os tais espíritos das florestas, hoje habitam os corpos de vários seres humanos tornando-os ladrões de almas.

Estes espíritos no formato de agressividade, intolerância, impaciência, falsidade, maldade, desonestidade, desrespeito, inveja, traição; roubam a alma não só do corpo que os hospedam, mas também daqueles outros seres ao seu redor.
Jung cita em “O Homem e Seus Símbolos”: “… um dos acidentes mentais mais comuns entre os povos primitivos é o que eles chamam de “a perda da alma” – que significa, como bem indica o nome, uma ruptura ou, mais tecnicamente, uma dissociação da consciência. Isso significa que a psique do indivíduo pode fragmentar-se facilmente diante de emoções incontidas”.
Segundo Léa Lima, pedagoga e psicoterapeuta, essa fragmentação ocorre diante de fatos da nossa vida que, por serem traumáticos, resistimos em enfrentá-los e, dessa forma, cindimos a nossa energia vital tornando-nos fracos e desanimados.
No instante em que lembrei do tênis  senti que foi dizimada a última parte da minha alma que ainda persistia em lutar por uma vida mais justa e mais honesta. Persistia em lutar para ser amada e respeitada.
O que será que estes espíritos tão inquietos buscam nos dias de hoje? O que eles ganham aprisionando a alma alheia? Uma das maiores injustiças é o roubo da alma, do espírito e dos sentimentos de alguém.
Os indígenas para devolver a essência, a alma, que fora subtraída do guerreiro, se enlaçavam em torno do corpo vazio e faziam um ritual de rememoração, em que a vida, as crenças e os sentimentos do guerreiro eram repassados ininterruptamente até que a sua alma fosse devolvida. 
Vou fazer o meu ritual de rememoração até que a minha alma seja devolvida, até que eu recupere a minha identidade, até que meu corpo seja preenchido com o calor do amor próprio - sou Sibila  peço licença e entro no mar os que me jogam para trás convenço-os até me deixarem reinar em seus deuses.Tomo banho de tempestade, renovam meu corpo. Brinco de abrir cachoeiras. Faço brotar flores e fechar estradas em relvas. Profetizo o amanhã. Sou Sibila, Deuses falam: Sou bondade e sou maldade, força e fraqueza, dou vida eterna e retiro, faço brilhar estrelas e desfaço-as, Sou Sibila!

Um comentário:

  1. SUMAYRA,MANHÃ QUE ME PROPICIOU CAMINHAR PELAS ESTRADAS DAS LETRAS POSTADAS EM SEU BELÍSSIMO BLOG FAZENDO LEITURA PRAZEROSA DE MEUS DIAS OUTONAIS.VOCÊ É POETA E DAS BOAS,ESCRITORA COREOGRAFANDO PALAVRAS,CORAÇÃO ABERTO AOS SENTIMENTOS,SEMPRE EM CONSTRUÇÃO.ADMIRÁVEL,LINDA,COMUNICATIVA.E NÃO PODERIA SER DIFERENTE.SUA IDENTIDADE ESTÁ NOS GESTOS,NA FALA E NA ALMA.QUE BOM CONVIVER COM PESSOA ILUMINADA,TRANSPARENTE,SENSÍVEL. REVERENCIO-A.MERECE O ESPAÇO QUE CULTUA. ARAHILDA GOMES

    ResponderExcluir