segunda-feira, 1 de novembro de 2010

Suprema Felicidade.

O que é felicidade?

Como todo pensador da esquerda neste país, adianto que não gosto do Arnaldo Jabor pelas suas posições reaças na política, mas adorei o filme, “Suprema Felicidade” e separo bem os fatos e atos, portanto não vai interferir em minha opinião de telespectadora.

Suprema Felicidade é tão leve e ao mesmo tempo tão intenso e delicado, trata de passagens sutis da vida, sem exageros e melodramas, mas de sentimentos que a gente se esquece ao longo da jornada que nos endurece. Tem uma pergunta que o ator principal faz pro seu avô, Marco Nanini que é pra respirar, e refletir um bocado: A felicidade existe; o que existe é a alegria, teve um único momento em que foi feliz, esperando um bonde, por 10 minutos,a vida gosta de quem gosta dela. um personagem diz a outro.

Claro! o mundo capitalista nos obriga a ser produtos extremanete felizes, impossível pensar a existência como estado de felicidade plena – a não ser que você seja um viciado em um tipo de droga, que de deixa longe da realidade e beatificado ao longo do dia.

A vida é cheia de altos e baixos e convém aproveitar os mais alegres e melhores para cada um de nós. O mesmo pode ser dito do novo filme de Arnaldo Jabor – ele próprio é formado por momentos, uns que seguram mais a gente e nos fazem voar, e outros que fazem a gente voltar para a terra, em meio ao espírito nostálgico de um filme de memória, o longa possui cenas de fazer respirar fundo e se você for como eu, chorar baixinho, como a interpretação de Marco Nanini é simplesmente sensacional e extraordinária, são as melhores cenas. Nanini se apresenta como um homem moderno e que está “antenado” com as transformações da época acompanhando, assim, as descobertas do seu neto, Pualinho- o ator principal, que é uma das passagem nem tão fascinante assim.

O filme aspira alguns amores e desamores, tem duas falas que foram importantes dentro do meu conceito, e do momento em que estamos vivendo no Brasil com a ascenção da mulher: Um diálogo do pai com o filho Paulinho: Sua mãe era tão alegre quando a conheci, hoje ela é triste, não sei porque, mas gosto disso, quanto mais triste, mais sei que ela é minha. Há um debate do desejo da mãe de trabalhar e o pai não permitir, passando longas noite no bordel Eldorado, onde a próprio filho experimenta um amor. Ha outra mais divertida de Marco Nanni: Meu neto preste muito atenção no que vou te falar, o amor... É foda!

Apesar das duras críticas que li a respeito do filme, lembro aqui de “Lisbela e o Prisioneiro” que também sofreu com as críticas e ADOREI! Eu recomendo Suprema Felicidade, tem um bom elenco, uma boa trilha sonora e uma belíssima fotografia, que se utiliza de uma tonalidade amarela durante praticamente toda a projeção para dar significado e destaque ao Rio de Janeiro da época imaginada por Arnaldo Jabor.

Não opino se o filme se pinta de cinema novo, neo- realismo ou surrealismo, não sou da área, fico fascinada com o debate posto, mas sei que é um filme de memória, que me deixou mais leve e um pouca nostálgica com a minha eterna vontade de ter vivido os anos 50 e 60, respirando romantismo, delicadeza e com a certeza  que mudariamos o mundo.


P.s: no site oficial do Filme existe um teste o felizmetro. Uma brincadeira comercial para promover o filme, criativo e divertido. http://www.paramountpictures.com.br/asupremafelicidade/

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