A terra da Princesa do Sertão ocupou nos últimos dias as
pautas do noticiário nacional, envolvendo o Prefeito Anderson Adauto.
E não me refiro, apesar de óbvio, ao julgamento do STF. Ontem o prefeito chamou uma coletiva local
para anunciar sua saída do PMDB, motivado pela perda política em fazer a
sucessão ao seu modo, e distante dos interesses nacionais do seu então partido.
O que virou sensação em coluna de sites e blogs, de diversos veículos
nacionais.
Mas, a questão é que sua desfiliação do PMDB e possível ida
para o PT, apesar dá imprensa nacional colocar como questão fechada, o próprio prefeito
optou por ficar sem partido. Entrará de “cabeça” na campanha petista local,
mas espera uma autocrítica do PMDB nacional.
Lembro-me das lições de Marcos Coimbra, cientista político e
diretor do Vox Populi , diante do momento eleitoral atípico que estamos vivendo
em Uberaba.
Enquanto algumas lideranças só têm olhos para os recentes
atritos locais, as eleições municipais avançam, tensionando toda a estrutura
partidária nacional.
Isso acontece por diversas razões. A mais importante é que a
escolha de prefeitos e vereadores tem consequências diretas nas eleições para o
Legislativo Federal. Já se foi o tempo em que bancadas estritamente
“localistas” dominavam o Congresso.
Ter um deputado a mais pode garantir a Presidência da Câmara
ou de comissões importantes. A mesma coisa no Senado. Na base governista, pode
significar um (ou mais de um) ministério. Por esses motivos, é natural que as
relações entre os partidos e lideranças fiquem tensas na véspera de eleições municipais. O
que está em jogo é o futuro da maioria dos parlamentares e o poder na
legislatura seguinte.
Por motivos óbvios, essas tensões não se manifestam apenas
entre os partidos que formam a base do governo. Na oposição são iguais, e entre
lideranças também.
Apesar da discussão de uma crise entre a base do governo federal
em Uberaba, que estaria “rachada”, fenômenos parecidos ocorrem em outras
cidades e também nas relações do PSDB com seus irmãos, o DEM e o PPS. Para não
falar na briga do PSD com os tucanos em Belo Horizonte e outras
cidades. E o nós, do PCdoB com PT, aqui em Uberaba, em Porto Alegre e outras tantas.
O DEM é o mais sofrido desta relação. Embora tenha
candidatos bem colocados nas pesquisas em cidades importantes, como Fortaleza e
Recife, os tucanos resolveram lançar candidatos próprios, reduzindo-lhes as
possibilidades. No Rio, fizeram a mesma coisa, enfraquecendo os dois partidos.
Está tão magoado que anda pensando em uma fusão com o PMDB.
Em suma: quando chegam as eleições municipais, é “cada um
por si e Deus por todos!” E. Quando terminam as eleições, com os ânimos serenados,
tudo volta ao normal.
E será assim mesmo, dependendo do resultado eleitoral macro,
tudo voltará às boas entre o Anderson Adauto e o PMDB. Caso o resultado eleitoral seja outro, para
além do PMDB, aí sim, poderemos vê-lo assinando à ficha de filiação ao PT. Mas, independente do resultado em 07 de outubro, as relações partidárias se estabilizaram para o bem da nação!
Moral da história: a celeuma eleitoral em Uberaba e para
além do que se vê!
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