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quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012

Folias de Reis fazem encontro no Circo do Povo, no Domingo dia 12


Abertas as inscrições gratuitas para o 53º Encontro de Folias de Reis de Uberaba. As companhias interessadas podem realizar o registro até o dia 10, sexta-feira, das 8h às 18h, na Fundação Cultural, na r. Tristão de Castro, 64, Centro, telefone: 3331-9203. O festival será no dia 12, no Circo do Povo, instalado entre o bairro Boa Vista e o conjunto Morada do Sol, na esquina da r. João Pinheiro com Avenida Maria Machado dos Santos.


O encontro – a se realizar durante todo o dia - terá início às 8h30, com a concentração dos grupos de folias, na praça em frente ao estádio do Vila Nova Futebol Clube, que desfilarão até o circo, a cerca de 300m. Durante o trajeto, tomadas de imagens serão registradas para a produção de documentário sobre a manifestação popular-religiosa. 

Um presépio em tamanho real, instalado no palco do circo, será saudado pelas companhias - integradas de oito a 15 membros - por três minutos cada, a fim de serem filmadas. Um CD também será gravado durante o encontro. Essas produções serão distribuídas a bibliotecas, escolas e admiradores de folias.

A Fundação Cultural, segundo o diretor de Departamento, Antonio Carlos Marques, fornecerá almoço típico da cozinha mineira e distribuirá aos participantes 20 instrumentos musicais: cavaquinhos, violas, bandolins, surdos completos e pandeiros, sendo quatro de cada modelo.

De acordo com a Associação de Folias de Reis do Rio de Janeiro, ressalta Marques, Uberaba é o município brasileiro com maior número – 180 - de companhias em atividade registrada em levantamento realizado pela entidade. O encontro de folias foi criado pela dupla sertaneja Toninho e Marieta há 54 anos, e desde 1986 é promovido pela Fundação Cultural, sob a coordenação de Marques.


Luiz Alberto Molinar – Matrícula Sindical nº 2.906
Assessor de Comunicação da Fundação Cultural
3331-9219 – 9661-5298

Antonio Carlos Marques
Diretor de Departamento da Fundação
9666-7443 - 3331-9216   

domingo, 13 de novembro de 2011

I SEMINÁRIO NIEPHES: TEMPO, ESPAÇO E SOCIEDADE

"O Seminário tem por finalidade construir um espaço de discussões e atividades que possibilitem contribuir para construção do conhecimento. Seus principais objetivos são constituir-se como espaço de reunião de pesquisadores do NIEPHES e outros pesquisadores, bem como ser momento de profunda troca de experiências e saberes, contribuindo para o avanço do debate interdisciplinar tanto na universidade como em toda a sociedade".

DATA: 21 A 23 DE NOVEMBRO DE 2011
LOCAL: CEA/UFTM
INSCRIÇÃO: GRATUITA (NO LOCAL)

21 DE NOVEMBRO 14h - I Mostra de vídeos do NIEPHES
Filme: Utopia e Barbárie
Debatedores:
Prof. Dr. Clayton Romano
Prof. Dr. Fábio Fonseca
Prof. Dr. Flávio Saldanha
Mediador: Prof. Ms. Alex Degan

19h - Conferência
Paisagens brasileiras: tempo e espaço em construções imaginárias
Prof.ª Dr.ª Márcia Naxara - UNESP/Franca

22 DE NOVEMBRO
14h - I Mostra de vídeos do NIEPHES
Filme: Estamira
Debatedores:
Profa. Dra. Celeste Barbosa
Prof. Dr. Marcos Matushima
Prof. Ms. Tito Flávio Bellini
Mediador: Prof. Dr. Wagner Teixeira

19h - Conferência
Governo Lula, o momento político atual e suas relações com a sociedade brasileira
Prof. Dr. Leonardo Barbosa e Silva - UFU

23 DE NOVEMBRO
14h - I Mostra de vídeos do NIEPHES
Filme: Gattaca
Debatedores:
Profa. Dra. Amanda Gonçalves
Profa. Dra. Rogéria Isobe
Prof. Ms. José Henrique Néspoli
Mediadora: Profa. Dra. Glaura Teixeira Nogueira Lima

19h - Conferência
Urbanização e cidades: tempo e espaço
Prof.ª Dr.ª Maria Encarnação Beltrão Sposito - UNESP/Presidente Prudente

terça-feira, 7 de junho de 2011

UBM disponibiliza programação e teses do 8º congresso nacional da entidade

Participação Política da Mulher e o Novo Projeto Nacional de Desenvolvimento”. Este é o tema central do VIII Congresso Nacional da União Brasileira de Mulheres, que será realizado na cidade de Praia Grande, em São Paulo, nos dias 10,11 e 12 de junho de 2011. O evento definirá ainda as estratégias de luta e elegerá a nova direção nacional para o triênio de 2011 a 2014.

Na ocasião, as ubemistas de todo o país discutirão o tema central e dos subtemas que estão presentes no regimento do Congresso da UBM. Entre os assuntos que serão debatidos nacionalmente estão os desafios das mulheres no enfrentamento das desigualdades sociais, bem como a participação política, a luta pela valorização do trabalho, a saúde e nos direitos sexuais e reprodutivos, a luta contra a violência doméstica e familiar contra as mulheres, reforma urbana e meio ambiente e cultura, gênero e mídia.

Link: http://www.ubmulheres.org.br/component/content/article/1-noticias/185-tesescongresso.html

terça-feira, 3 de maio de 2011

Seminário e Mostra Cultural discutem a(s) Estética(s) da Periferia

Entre os dias 2 e 8 de maio acontece em São Paulo, o Seminário e Mostra Cultural Estética da Periferia: arte e cultura nas bordas da Metrópole. O seminário e a mostra reúnem artistas, pesquisadores, acadêmicos, gestores, pensadores da cultura, jornalistas, promotores culturais e ativistas que atuam direta ou indiretamente com a cultura da periferia. O objetivo é fazer uma profunda reflexão sobre a arte produzida no entorno das metrópoles brasileiras.

Conhecimento da periferia
Historicamente, as ações e os programas desenvolvidos pela Ação Educativa têm como uma de suas bases – além da atuação junto a grupos e da intervenção nas políticas públicas – a produção de conhecimento. Isso não poderia ser diferente no caso da cultura produzida na periferia. É assim, com a premissa de garantir o acesso à produção de conhecimento e também de produzi-lo, que se criou o Blog do Seminário e Mostra Cultural Estética da Periferia. Lá estão disponibilizadas 293 dissertações e teses sobre cultura de periferia, além de textos produzidos para o Seminário e outros artigos dos debatedores e outras pessoas.

Fonte: Ação Educativa

sexta-feira, 15 de abril de 2011

Liberdade: um dia de reflexão em prol da evolução humana

Dia Internacional de Histórias de Vida

Neste ano comemoraremos a 4ª edição do Dia Internacional de Histórias de Vida. A data, comemorada em 16 de maio de 2011,tem por objetivo sensibilizar e mobilizar organizações e pessoas de todo o mundo para a utilização de histórias de vida como um instrumento de promoção da diversidade e do diálogo na sociedade.

O Dia Internacional de Histórias de Vida já mostrou seu potencial em outras edições: em 2008, com a participação de cerca de 100 organizações em diversos países, que programaram eventos para celebrar o 1º Dia Internacional de Histórias de Vida e 2009, com aproximadamente 200 instituições que realizaram atividades para a data.

Apesar do sucesso da campanha nestes dois anos, o ano de 2010 foi um período especialmente difícil para o Museu da Pessoa e para o Center For Digital Storytelling, mobilizadores da iniciativa. Não pudemos dar continuidade à campanha da forma como aconteceu nas edições anteriores.

Com base nisso, queremos que a 4ª edição do Dia Internacional de Histórias de Vida tenha uma grande adesão e participação das organizações, em especial daquelas que já conhecem e apóiam nosso trabalho.

Assim, gostaríamos de poder contar com o seu apoio, pois acreditamos muito no potencial desta mobilização como ferramenta de democratização e transformação da sociedade.

Aproveite a data para contar, ouvir e compartilhar histórias de vida.

Estamos esperando pela sua!

 
Ps.: O blog http://www.ausculti.org/ está em manutenção e pretendemos torná-lo disponível para postagens sobre atividades na próxima semana. Agradecemos a compreensão!


EQUIPE DIA INTERNACIONAL DE HISTÓRIAS DE VIDA 2011

segunda-feira, 15 de fevereiro de 2010

Um giro pelas festas do mundo conta a História do carnaval

Das marchinhas do século 19 aos trios elétricos do século 21: você vai conferir a evolução de uma comemoração que existe desde a época da Grécia antiga. O carnaval do Brasil é o mais famoso do mundo, mas foram as cidades de Paris e de Veneza os grandes modelos exportadores da festa carnavalesca. Conheça também como os EUA, a Grécia, a Holanda e a Bolívia comemoram a data.



Fonte e veja o vídeo: http://www.vermelho.org.br/tvvermelho/noticia.php?id_noticia=124129&id_secao=29

domingo, 13 de dezembro de 2009

Índios escritores resgatam sua história

Os índios escritores estão recuperando a história dos povos indígenas que os não índios ignoram. Seus livros, numa coleção de narrativas para crianças e adultos que relembram as tradições das 250 nações hoje sobreviventes no Brasil, variam no estilo, mas perseguem todos o mesmo objetivo - restaurar na ficção de lendas, novelas e romances a sabedoria dos ancestrais.
Pesquisas antropológicas e o registro de uma memória que vem sendo transmitida, de geração em geração, pela boca dos pajés, permitem resgatar toda essa riqueza cultural. Daniel Munduruku, ou Derpó, que em sua língua nativa significa Peixe Maluco, é um dos pioneiros desse esforço editorial.
Ao lado de guerreiros como Marcos Terena, Kaká Werá, Aílton Krenak, Darlene Taukane, Eliane Potiguara e dezenas de outros autores que aparecem num catálogo literário organizado por entidades de defesa dos bens e direitos sociais dos índios, Daniel ajuda a espalhar a produção intelectual de seus parentes, pelo Brasil e no exterior.

Aos 45 anos de idade e 13 de escritor, Daniel lança O Karaíba, uma história do pré-Brasil (Editora Manole, 98 págs., R$ 39), romance destinado ao público juvenil. É mais um livro para ler com o coração, conselho válido para todas as lendas buscadas nas profundezas dos séculos anteriores à chegada dos portugueses à Bahia.

Essa é uma história de ficção", alerta Daniel, com a ressalva de que, se não ocorreu de verdade, é uma história que poderia ter acontecido. Karaíba foi um profeta que percorria as aldeias prevendo coisas assustadoras, como a chegada de um grande monstro que destruiria tudo. "Não sobrarão nem vestígios de nossa passagem sobre esta terra onde nossos pais viveram", anunciou o velho sábio a seus parentes que habitavam a Amazônia.

"Tudo será revirado: as águas, a terra, os animais, as plantas, os lugares sagrados", era essa a visão de Karaíba que os índios confirmariam no futuro, quando um jovem se assustou com um ponto branco se aproximando da praia. "Fantasmas estão chegando!", gritou aos guerreiros da aldeia.

O que aconteceu daí em diante, a história contada pelos não índios, os manuais ensinam nas escolas. Nas páginas desse seu pequeno romance, Daniel resgata um pouco da cultura e da tradição dos Munduruku, que se espalham hoje com uma população de 12 mil índios pelos Estados de Mato Grosso, Amazonas e Pará.

Foi numa aldeia da região de Santarém (PA), entre os igarapés afluentes do Rio Tapajós, que Daniel viveu até os 15 anos. Quando o pai foi morar na cidade, continuou a visitar seu povo, como conta em outro livro, Meu Vô Apolinário (Studio Nobel), que ele define como "um mergulho no rio de (minha) memória". Casado com uma moça do Vale do Paraíba e pai de dois filhos, Daniel formou-se em Filosofia na Universidade Salesiana de Lorena e faz doutorado em Educação na USP, enquanto escreve e dá palestras pelo Brasil afora.

Cultura para crianças

A tradição e a cultura indígena também são compartilhadas com as crianças nas escolas. "Xibat?", pergunta o índio escritor-professor a uma turma de alunos da Escola Lourenço Castanho, no bairro do Ibirapuera, em São Paulo, na manhã de uma sexta-feira de novembro. Os meninos e meninas, de 8 a 10 anos, que no início do encontro tinham ouvido de Daniel uma saudação em língua indígena, logo traduzida para o português, não entenderam nada. Todos sorriam, esperando a tradução de mais essa palavra.

"Tudo bem? Tudo legal? Tudo joia? Tudo porreta?", traduziu o índio, despejando uma enxurrada de gírias para quebrar o gelo. Depois contou que, na aldeia, ninguém se cumprimenta com beijos e abraços, mas só com uma saudação simples como xibat, olhando nos olhos, porque, como dizem os ancestrais, "o olho é a única parte do corpo que não mente". Explicou que Munduruku quer dizer Formiga Guerreira ou Gigante, um nome que, com um significado desse, só pode dar orgulho a seu povo. A criançada prestou a maior atenção.

"Meu povo, que vive na floresta há séculos, entrou em contato com os não índios há uns 300 anos. Aprendeu a usar roupa quando lhe disseram que era pecado andar pelado, balançando os balangandãs. Aprendeu a comer alimentos, como o macarrão, que não faziam parte de sua tradição. Os índios comiam mandioca, anta, farinha, peixe. Os índios, que falavam sua língua tradicional, tiveram de aprender o português. Os povos indígenas, que falam 180 línguas nas diversas regiões do País, agora são bilíngues."

Não havia como não prestar atenção. O horário reservado para a palestra estourou, porque Daniel cativou os alunos. Fez provocações engraçadas, riu, gritou alto de assustar até os adultos, cantou, ensaiou passos de dança, pintou a cara com tinta de jenipapo e de urucum, pôs um cocar de chefe na cabeça e um colar de festa no pescoço. Assumiu a identidade da aldeia ao relembrar a cultura dos ancestrais, mas deixou claro que fazia concessões à modernidade. Para divulgar a história dos índios e defender seus direitos, tem um blog na internet e se comunica por e-mail e por telefone celular.

"O povo indígena é um povo humano, que tem raiva, alegria, amor e ciúme", disse Daniel, citando sentimentos que acompanham seus personagens. Ao descrever as aventuras de seus parentes - com namoros, casamentos, caçadas, guerras e alianças de paz - ele utiliza palavras atuais, como garoto, rapaz e moça. Tudo com poesia e figuras simbólicas, mas sem aquela linguagem tipo "virgem dos lábios de mel" com que José de Alencar se referia a Iracema.

Derpó Munduruku, que hoje se orgulha desse nome, mesmo atendendo pelo registro civil que o rebatizou como Daniel, confessa que já sentiu vergonha de suas origens, quando era discriminado por causa da imagem que o índio tinha. "Além de considerar que o índio era preguiçoso e feio, diziam que ele atrapalha o progresso, pois tem muita terra e não sabe o que fazer com ela."

Daniel queria ser bombeiro ou astronauta, não queria ser visto como um selvagem. "Agora, tenho consciência de minha identidade e gosto dela: sou um brasileiro-índio." E, quando ele lembrou que existem brasileiros brancos, negros, japoneses, italianos e cidadãos de muitas outras ascendências que nem por isso são menos brasileiros, todos entenderam. "Xibat?", perguntou o índio. "Xibat", respondeu a criançada em coro.

http://www.vermelho.org.br/noticia.php?id_secao=11&id_noticia=121232

terça-feira, 17 de fevereiro de 2009

Interpretação da obra: “Os Estabelecidos e os Outsiders: sociologia das relações de poder a partir de uma pequena comunidade”.

Obra de Nobert Elias, usada em minha Monografia sobre a Vila São Cristóvão.
Esta pesquisa tem como suporte metodológico a obra de Nobert Elias em “Os Estabelecidos e os Outsiders: sociologia das relações de poder a partir de uma pequena comunidade”, onde o autor apresenta uma oportunidade de encontrar num estudo focado em uma pequena comunidade reflexões metodológicas e teóricas para a pesquisa em ciências sociais. Como o título assinala, trata-se de um estudo de poder na comunidade de Winston Paiva – Inglaterra. As palavras establishment e established são utilizadas em inglês, para designar grupos e indivíduos que ocupam posições de prestigio e poder, um establishment é um grupo que se auto-percebe e é reconhecido como uma “boa- sociedade”, tendo uma identidade social construída a partir de uma combinação singular de tradição, autoridade e influência: os established fundam seu poder no fato de ser um modelo moral para os outros. Na língua inglesa, o termo que completa a relação é outsiders, os não membros da “boa-sociedade”, os que estão fora dela, sendo um conjunto heterogêneo e difuso de pessoas unidas por laços sociais menos intensos, não constituindo propriamente um grupo social.
Este estudo realizado no final dos anos 50 e início de 60, pelo professor John L. Scotson, interessado em tratar apenas do problema da delinqüência juvenil naquela localidade, passou a ter outras perspectivas com Nobert Elias, que considera que o campo de estudo da sociologia é o das configurações de seres humanos interdependentes – “o conceito de configuração refere a um padrão mutável criado na relação entre indivíduos e sociedade” (Sallas, 2000). As configurações, para Elias, se formam necessariamente pela interdependência dos indivíduos em sociedade e podem ser marcadas por uma figuração de aliados ou de adversários, tendo duas características fundamentais: são modelos didáticos que devem ser interpretados como representações de seres humanos ligados uns aos outros no tempo e no espaço; e servem para romper com as polarizações clássicas dentro da sociologia, que tendem a pensar o indivíduo e a sociedade como formas antagônicas e diferentes.
Assim, na pequena Wiston Parva, criou-se uma determinada figuração marcada pela existência de um grupo mais elevado que o dos moradores do “loteamento” recém chegados, e por isso estigmatizado pelos primeiros – os estabelecidos contra os outsiders. Da figuração falada, Elias identifica um constate universal:
O grupo estabelecido atribua aos seus membros características humanas superiores; excluía todos os membros do outro grupo de contato social não profissional com seus próprios; e o tabu em torno desses contatos era mantido através de meios de controle social como a fofoca elogiosa no caso dos que o observavam, e ameaça de fofocas depreciativas contra dos suspeitos de transgressão (: 20).
Agora mais do que a identificação de um determinado modelo figuracional, este estudo apresenta duas revelações proeminente para as ciências sociais. A primeira é que sempre pensamos “um determinado grupo”, a partir do foco de diferenças - sexo, cor, classe, nação – como alterações estruturais das relações de poder. Dificilmente problematizaríamos questões em que estão colocados os termos da igualdade, ou que o diferencial de poder possa estar associado, como é o caso deste estudo, ao tempo de residência e ao maior ou menor grau de coesão e organização de cada grupo inter-relacionado. E o segundo aspecto é a questão da anomia.
O estudo de Winston Parva colocou para Elias a possibilidade de reflexão sobre a anomia, quando observou que na relação de interdependência entre estabelecidos e outsiders, havia um elemento de constância pela existência de uma “minoria dos melhores” entre os estabelecidos (minoria nômica) e uma “minoria dos piores” entre outsiders (minoria anômica), que marcava o status de superioridade e de inferioridade de amplos os grupos. Contrapondo Durkheim em seu conceito de anomia, onde, segundo Elias, não se pode esperar encontrar explicações para a aquilo que se julga ruim, quando não se é capaz de explicar, ao mesmo tempo, aquilo que se avalia como bom.
Elias com seu modelo figuracional e em sua forma particular de pensar as relações de poder contribui para uma nova visão nos estudos de desenvolvimento de comunidades. Antes de Elias pensávamos o poder como algo estático. O autor, na obra, coloca a necessidade de observar os aspectos figuracionais do poder, que se deve a diferença no grau de organização dos seres humanos. Nisto, o conceito de poder, deixa de ser uma substância para se transformar numa relação entre duas ou mais pessoas; assim, o poder é um atributo destas relações, que se mantêm num equilíbrio instável de forças ocorrendo no interior das figurações em que “os grupos estabelecidos vêem seu poder superior como um sinal de valor humano mais elevado; os grupos outsiders, quando o diferencial de poder é grande e a submissão inelutável, vivenciam afetivamente sua inferioridade de poder como um sinal de inferioridade humana” (: 28). Portanto esta obra foi escolhida por elucidar este estudo qualitativo, esclarecendo as complexidades dos seres humanos e suas interdependências.

sábado, 8 de novembro de 2008

Roberto Damatta garoto propaganda do Programa TIM Grandes Escritores.

No último dia 5 Uberaba recebeu no Teatro Experimental, mais uma edição do Programa TIM Grandes Escritores. O evento trata-se de uma iniciativa que visa oferecer aos professores e alunos das escolas e universidades, e ao grande público em geral, a oportunidade ter um maior contato com o trabalho de grandes nomes da literatura brasileira, através de conversas oferecidas pelos próprios escritores. O objetivo do Programa é levar autores consagrados a municípios do interior para conversar e trocar idéias com as comunidades locais. Além disso, em parceria com a Superintendência de Bibliotecas Públicas de Minas Gerais, o Programa promove a doação de livros para as bibliotecas públicas municipais e cria parcerias com prefeituras e universidades para a viabilização de políticas públicas relacionadas à leitura.

Apoiado pela Lei Estadual de Incentivo à Cultura, o programa é coordenado pela ONG Humanizarte e patrocinado pela empresa de telefonia TIM e pelo jornal Estado de Minas, que insere a iniciativa nas suas comemorações de 80 anos. Segundo Marcelo Andrade, presidente da ONG Humanizarte e idealizador do projeto, estimular novos leitores é o grande objetivo do Programa que vem sendo alcançado desde sua criação. “Esperamos que em sua sétima edição o projeto continue realizando sua missão, que é a de formar novos leitores a partir do encantamento do público com as palestras dos escritores, que geralmente falam sobre sua vida e obra. E realizamos a doação de livros, esses novos leitores terão à disposição as obras não só do autor convidado, mas também de outros grandes escritores da literatura brasileira”, afirma Andrade.

Como acontece há cinco anos, as cidades que integram o Programa receberão doações de livros dos autores convidados e de importantes escritores mineiros e brasileiros. Essa iniciativa enriquece o acervo disponível para os leitores que freqüentam as redes municipal e estadual de ensino e espaços públicos de leitura do interior de Minas. O Programa já realizou a doação de mais de 13.600 publicações a 40 municípios mineiros. "A cada nova iniciativa o Programa vai se completando e ampliando o acesso à leitura em novas cidades. Isso comprova seu crescimento ano a ano e amplia sua importância no processo de formação de novos leitores", ressaltou o diretor da TIM em Minas Gerais, Luiz Gonzaga Leal.

Nesta edição Uberaba, recebeu o antropólogo Roberto Damatta, um autor que literalmente ultrapassa a fronteira da antropologia ao retratar o Brasil com foco nos dilemas e ambigüidades sociais. Livros como A bola corre mais do que os homens: duas copas, treze crônicas e três ensaios sobre futebol, publicado em 2006; e Águias, burros e borboletas: um ensaio antropológico sobre o jogo do bicho, de 1999, demonstram perfeitamente o perfil do pesquisador, que sabe como ninguém explicar o Brasil para os próprios brasileiros.

Em outro trabalho muito citado de sua obra, a partir do carnaval, festa mais popular da cultura brasileira, DaMatta deixa de lado o Brasil oficial e lança um novo olhar sobre o país, colocando em foco elementos geralmente deixados à margem dos estudos antropológicos. Publicações como Carnavais, Malandros e Heróis e O que faz o brasil, Brasil? E “A Casa e a Rua” são referências na Antropologia, Sociologia e Ciência Política, abro aqui um parêntese pessoal; estou lendo estes dois últimos livros depois do último dia 5, para renovar minha crença, afinal esperarava escutar o Professor Emérito da Universidade de Notre Dame, EUA, professor visitante nas universidades norte-americanas de Winsconsin-Madison e Califórnia-Berkeley e da universidade inglesa de Cambridge. Conferencista nos principais centros de pesquisa e ensino de antropologia social da América, Europa, Ásia e África. Professor associado da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro é o quarto autor mais citado em trabalhos acadêmicos em Ciências Sociais no Brasil, ficando atrás apenas de três pensadores estrangeiros: Karl Marx, Max Weber e Pierre Bourdieu, e ouvir por 60min, um garoto propaganda do Programa TIM Grande Escritores, repetindo leiam, leiam, leiam, como aquela “Comprem Batom, comprem batom”.

Uma decepção! Nas poucas vezes, durante a palestra, que Roberto Damatta foi Roberto Damatta, ele ponderou sobre algumas de suas teorias como; o estranhamento enquanto instrumento de compreensão do mundo; falou da vez que coordenou uma Pesquisa Social no interior de São Paulo, onde a abordagem inicial em pesquisa de campo deve ser sempre na defensiva, no sentido de Rousseau em o Contrato Social, com a solidariedade de se colocar no lugar do outro; pincelou a Sociedade Relacional uma obra prima teórica de Damatta, que expõe uma sociedade que se preocupa mais com as relações do que com a sociedade em si. Realmente uma pena para Uberaba, teve que se contentar com apenas mais um garoto propaganda sem fronteriras.