O jornalista Roldão Arruda revela, no Estado de hoje, que o problema está no registro eleitoral. Em cidades onde o cadastro eleitoral não é
atualizado, a contabilidade das ausências produz números maiores. Uma consulta
a votação nas capitais mostra isso. Em cidades como São Paulo e São Luiz, onde
o cadastro não é atualizado há mais de 20 anos, a abstenção bateu em 20% entre
os paulistanos e chegou a 22% entre os moradores da capital do Maranhão. Já em
Curitiba, onde o cadastro foi feito há um ano, a abstenção fica em 10%.
Os cadastros velhos mantém como eleitores aqueles cidadãos
que já morreram, que se mudaram, que já não tem obrigação de votar. “Se todos
os eleitores forem recadastrados, a abstenção tende a cair para 10%, soma
razoável de pessoas doentes, que viajaram ou que tem mais de 70 anos e não
querem mais votar,”afirma Jairo Nicolau, um dos mais respeitados estudiosos do
comportamento do eleitor.
A má interpretação dos abstenções animou a turma que combate
o voto obrigatório e pretende instituir o voto facultativo. Há bons argumentos
a favor de uma coisa ou de outra, mas é bom lembrar que a distribuição renda
favorece o voto facultativo. Ou seja: nos países onde o voto é facultativo, há
uma proporção maior de ricos que comparecem às urnas, por motivos fáceis de
explicar. A pessoa tem mais recursos, mais tempo livre, mais facilidades de
locomoção, mais facilidade para deixar o trabalho e exercer o direito de
escolher o governante. Imagine o voto facultativo no interior de um estado pobre,
dominado por nossos coronéis. Bastaria suspender o transporte nos bairros
adversários para se ganhar uma eleição, não é mesmo.
Fonte: Blog do Miro
