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domingo, 5 de janeiro de 2014

Sonho?

Estive em um lugar mágico. Quando cheguei disse sem pensar, já sonhei com esse lugar. Sem certeza não afirmei. Mas era tão forte a lembrança do sonho, como pude sonhar e depois conhecer o mesmo lugar? 
Por aqui há um centro Espírita com nome de Batuíra, uma pousada "Nova Alvorada", uma casa de jardim perfeito com flores no caminho paredes em tons laranjas e com janelas azuis. Um pouco antes três casinhas juntas e algumas fazendinhas com pôneis e boizinhos pequenos. Logo perdi a certeza. Não havia sonhado com nada disso, o lugar por si só é um sonho transcendental. 
Mas e a estrada? Era com ela que havia sonhado e chegado a uma porção de água no final, sensação boa e ruim ao mesmo tempo. Quando avistei na primeira cachoeira um lago, desisti de saber se havia realmente sonhando. Afinal estava nele! E o melhor, acordada!
Obrigada as pessoas que preservam esses espaços e quem desprendido de coisa ruins nos leva neste caminho. As vezes com pouco de pressa para saber se houve sonho mas, com paciência sonharemos novamente porque o que fica é sensação eterna deste lugar dentro do meu coração.

terça-feira, 24 de dezembro de 2013

Natal da Gente

  Quero dividir que este foi um dos melhores e mais importantes natais da minha vida. Sim foi e está sendo. Realizei o“Natal da Gente” com uma equipe fantástica de trabalho, hoje são como uma família para mim. Foram muitos meses planejando e trabalhando. 


Buscamos em Francisco de Assis a inspiração para o “Natal da Gente” que dizia que devemos compreender mais que ser compreendidos.

Nunca passei vésperas de natal tão bem, com tanta alegria, energia, equilíbrio. Trabalhei, cantei muito “Noite feliz”, me permiti, ergui os braços, elevei a alma, tudo na hora e no tempo certo.

Ajudei crianças a tirar fotos com Papai Noel. Enxuguei lágrimas das que não conseguiram e segurei no colo como se fossem meus filhos. Vi olhos brilharem de todas as idades e cores. Vi sorrisos sinceros e fiz novas amizades. Muito Obrigada aos que participaram do“Natal da Gente”.

É bom ser melhor a cada dia! E para isso não precisa falar mal de ninguém, de fazer fofoca, intrigas ou pisar nas pessoas. O segredo? Amor pela vida! Viva a benção da vida e do Natal, que de forma alguma necessita de presentes caros, basta ser sincero e ter amor em sua volta.

Estou Feliz demais! Espero que tenham gostado do “Natal da Gente” como gostei de realizá-lo. Desejo do fundo do meu coração que nesse Natal, a admiração e o respeito possa criar um “lugar comum”, onde venceremos as barreiras da comunicação, ouvindo com o coração e escutando com toda a nossa alma. Nesse lugar, o cheiro do amor e a amizade são plenamente possíveis e assim seus sonhos se realizarão.


Obrigada Uberaba e Feliz Natal!

terça-feira, 12 de novembro de 2013

12/11/2013

Longe de casa. dia de lida. Todos falam de amor. Chove. Enquanto espero o jantar estudo minha apresentação. Um argentino na mesa ao lado hablando alto e sem parar, nem mesmo quando está com boca cheia, atrapalha. Raiva. Mudança de foco. A noite está cinza. Notícias da Princesa do Sertão. Anjo que conheci aparece em foto estampada. Os mortos revivem em notícias. Adiaram a justiça. Lembro que perdi um pouco da esperança na humanidade. Marx lembra que não. Engels pondera. Lembro das pessoas que matam em carne e alma. Coração aperta. Lágrimas. Envelhecer significa acreditar menos? Significa amar menos? As pessoas não são mais boas em fé e alma. Ele não podia ter partido. Partiram com ele. Então é verdade, os bons morrem cedo.

Saudade do anjo que conheci na terra. Paz ao amigo André Colli!

quarta-feira, 6 de novembro de 2013

Déjà vu - Em a perda da alma

Hoje tive um Déjà vu de apertar e doer fundo. A história era com algo que perdi mas, não quero nunca mais achar. Foi tão ruim lembrar que perdi meu tênis semana passada que vou comprar outro mais colorido, alegre e cheio de formosuras para só ter bons Déjà vu. Não sei se perdi ou se junto com a minha alma foram roubados. 

A mais temida entre as maldades cometidas pelos espíritos da floresta, para os indígenas, era o roubo de alma, pois ela extraía do guerreiro sua principal arma: a identidade. Se a alma existe e se ela se resume em nossa mente e em nossos sentimentos, penso que os tais espíritos das florestas, hoje habitam os corpos de vários seres humanos tornando-os ladrões de almas.

Estes espíritos no formato de agressividade, intolerância, impaciência, falsidade, maldade, desonestidade, desrespeito, inveja, traição; roubam a alma não só do corpo que os hospedam, mas também daqueles outros seres ao seu redor.
Jung cita em “O Homem e Seus Símbolos”: “… um dos acidentes mentais mais comuns entre os povos primitivos é o que eles chamam de “a perda da alma” – que significa, como bem indica o nome, uma ruptura ou, mais tecnicamente, uma dissociação da consciência. Isso significa que a psique do indivíduo pode fragmentar-se facilmente diante de emoções incontidas”.
Segundo Léa Lima, pedagoga e psicoterapeuta, essa fragmentação ocorre diante de fatos da nossa vida que, por serem traumáticos, resistimos em enfrentá-los e, dessa forma, cindimos a nossa energia vital tornando-nos fracos e desanimados.
No instante em que lembrei do tênis  senti que foi dizimada a última parte da minha alma que ainda persistia em lutar por uma vida mais justa e mais honesta. Persistia em lutar para ser amada e respeitada.
O que será que estes espíritos tão inquietos buscam nos dias de hoje? O que eles ganham aprisionando a alma alheia? Uma das maiores injustiças é o roubo da alma, do espírito e dos sentimentos de alguém.
Os indígenas para devolver a essência, a alma, que fora subtraída do guerreiro, se enlaçavam em torno do corpo vazio e faziam um ritual de rememoração, em que a vida, as crenças e os sentimentos do guerreiro eram repassados ininterruptamente até que a sua alma fosse devolvida. 
Vou fazer o meu ritual de rememoração até que a minha alma seja devolvida, até que eu recupere a minha identidade, até que meu corpo seja preenchido com o calor do amor próprio - sou Sibila  peço licença e entro no mar os que me jogam para trás convenço-os até me deixarem reinar em seus deuses.Tomo banho de tempestade, renovam meu corpo. Brinco de abrir cachoeiras. Faço brotar flores e fechar estradas em relvas. Profetizo o amanhã. Sou Sibila, Deuses falam: Sou bondade e sou maldade, força e fraqueza, dou vida eterna e retiro, faço brilhar estrelas e desfaço-as, Sou Sibila!

sábado, 2 de novembro de 2013

Preciosidade: A Princesa do Mistério Intacto.

Então ela sorria. Como se sorrir fosse em si um objetivo. Tudo isso aconteceria se tivesse a sorte de "ninguém olhar". Séria como uma missionária tinham medo que a olhassem muito. Na gravidade da boca fechada havia a grande suplica: respeitassem-na. Mais que isso. Como se tivesse prestado voto, era obrigada a ser venerada, e, enquanto por dentro o coração batia de medo, também ela se venerava, ela a depositária de um ritmo. No chão a enorme sombra de moça sem homem, cristalizável elemento incerto que faria parte da monótona geometria das grandes cerimônias públicas.

Cada vez mais se tornava inteligente. Aprendera a pensar, O sacrifício necessário: "assim ninguém tinha coragem." Ela se concentrava ausente, guiada pela avidez do ideal.

Melancolia da liberdade, com o horizonte ainda tão longe. Dera-se ao horizonte, mas com a nostalgia do presente. O aprendizado da paciência, o juramento da espera. Do qual talvez não soubesse jamais se livrar. Desesperada por que, vigorosa, livre, não estava mais a mercê. Perdera a fé.

Era do que parecia ter sido avisada: enquanto executasse um mundo clássico, enquanto fosse impessoal, seria filha dos deuses, e assistida pelo que tem que ser feito. Mas, tendo visto o que os olhos, ao verem, diminuem, arriscara-se a ser um ela-mesma que a tradição não amparava. Por que um instante hesitou toda, perdida de um rumo. Mas, era tarde demais para recuar. 

E assim como um passe de mágica, ela deixou, sem saber por que processo, de ser a preciosa princesa do mistério intacto.

segunda-feira, 4 de fevereiro de 2013

A Embriaguez dos Progressos Técnicos


Parece-me que confundem fim e meio os que se assustam em demasia com os nossos progressos técnicos. Quem luta com a única esperança de recolher bens materiais, efetivamente não recolhe nada que valha a pena viver. A máquina não é um fim, é uma ferramenta como a charrua. Se acreditamos que a máquina destrói o homem, é que talvez careçamos de algum recuo para julgarmos os efeitos de transformações tão rápidas como as que sofremos. Que são os cem anos de história da máquina comparados com os cem mil anos de história do homem?

Antoine de Saint-Exupéry, in "A Terra dos Homens

terça-feira, 12 de junho de 2012

Adaptado de Nina Rizzi – Fragmentos 5


Então o poema começava com a moça dizendo que a verdade absoluta é a monogamia. Não a contratual, mas àquela excitante. Depois dançava. Existia uma disputa, o branquelo e o negro, morador de rua.

... Eu ando... Não me importo de comer spaghetti sem sal... Eu te escrevo e sinto vontade de rir, chorar, dançar... O meu planeta devia ser feito de vento e água e era uma ciranda de girassóis...

Não importa. "pelo bem ou pelo mal": às vezes me falta a palavra e fico pensando o tempo todo... Bem, eu sou uma puta resoluta e não me deito com ninguém. Mas te cheiro o cangote e assopro até me faltar o pouco ar. Te beijo esse cangote.

[...]

o que pode haver de diabólico nisso? O meu olhar doce?... o meu sexo é renascentista e essas vênus renascentistas são todas pudicas! não obstante, não precisava mais que o olhar (precisava, não precisava, bastava, não bastava). eu gosto que me olhem. não como voyer, mas aquele olhar dos doidos quando em ternura. é bonito, como dizer o nome de seu interlocutor.não é flerte, ousadia: é poesia e eu sou movida a poesia.

bem, contrariando todas as expectativas o meu companheiro NÃO... me escreveu a carta...pedindo desculpas, mas nada mais que isso e se pergunto o porquê há uma desconversação. as super-esquisitices. talvez isso me atraia, esse nem caga nem sai da moita, ou como se diz, o areamento.

[...]

... Eu preciso me sentir amada!... então fiquei pensando no que estalou de volta à realidade, se eu posso ser uma realidade. lembrei que quando sai da ladeira disse que tem péssima memória, que eu ia virar nuvem em sua cabeça, ou algo assim. acho que foi isso, a distância física acaba por se tornar emocional. mas pra mim a distância física não se torna emocional, não como regra, mas como excessão.... na verdade, acho que a convivência é que desgosta. não é fácil suportar as mundanalidades dos outros... a gente aprende tanto com o outro, né. e vendo o outro percebo-o: a convivência os desgosta...

[...]

Adaptado de Nina Rizzi – Fragmentos 5 - Texto é de Nina Rizzi

domingo, 29 de abril de 2012

Thiago de Mello doa honorários à causa de antiterroristas cubanos


O poeta brasileiro Thiago de Mello doou neste sábado (28) os honorários que receberia por participar da 1ª Bienal do Livro do Amazonas à causa pela libertação dos cinco antiterroristas cubanos, presos injustamente nos Estados Unidos.

Em declarações à Prensa Latina por telefone de Manaus, capital do estado do Amazonas, Mello ressaltou que seu gesto não é pessoal, mas sim da poesia brasileira e que o mesmo busca criar consciência para que muito mais pessoas se somem à batalha pela libertação de Gerardo Hernández, Antonio Guerrero, René González, Ramón Labañino e René González.

Thiago de Mello explicou que pediu à empresa Fagga/GL Exhibitions, organizadora da 1ª Bienal, que deposite na conta dos Cinco - como são conhecidos no mundo -, no Banco Financeiro de Cuba, o dinheiro que receberia por suas conferências e por um recital no evento do livro, que se iniciou neste sábado e deve terminar no dia 6 de maio.

Nascido em Barreirinha, um município do interior do Amazonas, no dia 30 de março de 1921, Thiago de Mello é um dos poetas mais influentes e respeitados do Brasil, reconhecido como um ícone da literatura regional. Algumas de suas obras foram traduzidas para mais de 30 idiomas.

Mello tornou público o anúncio de sua doação à causa dos Cinco durante a inauguração do encontro, ao participar de um Tacacá Literário - em homenagem a um prato típico amazônida - sobre a importância da leitura no fortalecimento da cidadania.

Ao revelar sua decisão, recebeu um caloroso aplauso dos presentes e então pediu-lhes que utilizem todas as vias possíveis para pressionar o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, a libertar e permitir o regresso a Cuba dos cinco cubanos, lutadores contra o terrorismo.

O poeta, um dos milhares de brasileiros presos durante a ditadura militar (1964-1985), afirmou que sua doação é uma modesta contribuição à campanha mundial que se desenvolve no mundo para acabar com a injusta prisão à qual foram submetidos os cinco cubanos, que já dura quase 14 anos.

Depois de assegurar que leva Cuba em seu coração, o famoso poeta amazonense afirmou que a melhor notícia é que, ao conhecer seu gesto, a editora de seus livros manifestou sua disposição de seguir seu exemplo e fazer também uma contribuição à causa dos antiterroristas.

Os Cinco foram presos no dia 12 de setembro de 1998 na cidade estadunidense de Miami. Um processo irregular realizado ali condenou-os em 2001 a sentenças que vão até a dupla prisão perpétua mais 15 anos.

Personalidades e organizações mundiais têm defendido estes lutadores, que apenas vigiavam atividades extremistas de grupos violentos de origem cubana na Flórida para alertar seu país sobre ações terroristas.

Prensa Latina

terça-feira, 13 de dezembro de 2011

Série perfis parlamentares: João Amazonas

A Câmara dos Deputados apresenta as contribuições de João Amazonas de Souza Pedroso  no âmbito do Congresso Nacional bem como na esfera dos movimentos sociais, intelectuais e políticos brasileiros. O parlamentar ficou conhecido como João Amazonas na história da luta pelo socialismo, pela democracia, pela liberdade, pela soberania nacional e pelos direitos dos trabalhadores no Brasil. 

domingo, 19 de junho de 2011

Quando a solidão transforma-se em escolha




Cada contato meu com alguma pessoa representava uma perda enorme de energia vital:
eu saía esgotado, confuso, com dor de cabeça e, principalmente,
com dor por não poder fazer nada pelo desespero alheio.
A minha própria miséria aumentava.
Foi aí que a solidão deixou de ser involuntária para se transformar em escolha.
E foi bom, está sendo bom.
Passo o dia lendo, ouvindo música,
vendo velhos filmes na televisão,
de vez em quando vou ao cinema ou saio para passear na beira do rio que passa atrás do edifício.
Fico lá sentado numa pedra,
fumando e pensando nas pessoas que perdi,
senão em afeto,
pelo menos em proximidade física.

(Caio F, a Vera Antoun)

Sumayra pede; "Livrai-me, Senhor de tudo o que for vazio de amor! Amém!" (Carlos Queiroz)


sábado, 1 de janeiro de 2011

Revendo 2010 cheguei em 2011

No fim de 2009 escrevi “Borboletas em 2010”, que dizia que gostaria de ser livre como uma “grande borboleta que seja completa e seja mente solta. Ser livre, na essência do pensamento, sem ficar com medo de percorrer as diversidades da vida”. Disse ainda que estava pensando fixamente em viver uma possibilidade internacional. Coisa que me esqueci completamente em 2010!


Mas algo que desejei muito e escrevi no fim do texto, que queria “ser tão livre para poder ser um só em dois, ser amada e amar, ser tão livre para transmitir pensamentos sem ferir a liberdade do outro, ser tão livre para deixar meu trabalho como exemplo da simplicidade e verdade, onde realmente está a minha liberdade”.

Foi e sou livre! Tentei transmitir pensamentos com humildade e descobri outras formas de amar e ser amada no fim de 2010. Encontrei o amor nos abraços dos amigos, no carinho com meus pais, na paciência de ensinar e aprender com meu filho.

Foi muito feliz em 2010... Chorei, viagem, amei, estudei, trabalhei, conquistei avanços e superei obstáculos.

E em 2011, quero que tudo seja feito na base do amor pra mim e para todos, que haja mais e mais relacionamentos entre pessoas e que ninguém fique com medo disso, que a gente se aproxime cada vez mais e possamos ver sempre a qualidade nas pessoas. Que nenhum vínculo seja estabelecido por razão que não o respeito ao fato de sermos todos humanos.

quinta-feira, 30 de dezembro de 2010

Crônicas


....Quando se deseja realmente conquistar um coração, é preciso que antes já tenhamos conseguido conquistar o nosso, é preciso que ele já tenha sido explorado nos mínimos detalhes, que já se tenha conseguido conhecer cada cantinho, entender cada espaço preenchido e aceitar cada espaço vago.

...e então, quando finalmente esse coração for conquistado, quando tivermos nos apoderado dele, vai existir uma parte de alguém que seguirá conosco.

Uma metade de alguém que será guiada por nós e o nosso coração passará a bater por conta desse outro coração.

Eles sofrerão altos e baixos sim, mas com certeza haverá instantes, milhares de instantes de alegria. Baterá descompassado muitas vezes e sabe por que? Faltará a metade dele que ainda não está junto de nós.

Até que um dia, cansado de estar dividido ao meio, esse coração chamará a sua outra parte e alguém por vontade própria, sem que precisemos roubá-la ou furtá-la nos entregará a metade que faltava.

... e é assim que se rouba um coração, fácil não?

Pois é, nós só precisaremos roubar uma metade, a outra virá na nossa mão e ficará detectado um roubo então!

E é só por isso que encontramos tantas pessoas pela vida a fora que dizem que nunca mais conseguiram amar alguém... é simples...

é porque elas não possuem mais coração, eles foram roubados, arrancados do seu peito, e somente com um grande amor ela terá um novo coração, afinal de contas, corações são para serem divididos, e com certeza esse grande amor repartirá o dele com você.

Por Luiz Fernando Veríssimo

domingo, 26 de dezembro de 2010

Esse Natal

Num começou bem não! Meu filho perdeu o ano escolar ficamos sem conversar e declarei: - Este ano não quero ceia de natal aqui! Rompi com amor presente, ou melhor, ausente, perdi a paciência com alguns amigos meio egocêntricos, não no sentido ruim, do “egocêntrico”, mas no sentido que às vezes a gente perde a paciência mesmo.

Seguindo o trajeto que coisas ruins nunca vêm desacompanhadas, o banco me cobrou uma dívida no dia 20 dezembro, que pra mim seria em 20 de janeiro, e assim comecei a semana do Natal com cartão de crédito bloqueado, dinheiro aprisionado e coisa e tal.

Bom, então a gente pensa: Vou me enterrar na cama e não quero saber de Natal. Diz ai se não to certa? Seu filho perde o ano, você descobre que seu namorado não é tão legal como achava, briga com os amigos e na semana do natal sua conta é bloqueada! Putz, se mata né!?

Pois é, mas este foi o melhor natal desde criança! Comemoramos em família e só a nossa família, nada de extensões. Fizemos uma ceia meio em cima da hora por decisão minha e assumi a responsabilidade do Menu que foi com assados, queijos e vinhos, ouvimos Adoniran Barbosa, Milton Nascimento, Simone, enfim um festival de música belíssima. Dormi no meio da minha mãe e do meu filho como não fazia há tempos, não trocamos presentes e nem montamos árvore. No dia 25, enquanto preparávamos o peru e a minha farofa especialíssima, bebi cerveja com meu pai no balcão da cozinha e ficamos horas conversando. Foi muito bom! Para que mais?

A certeza de estar cercada por pessoas que te amam é o melhor natal que se pode ter. Não tem festa, viagem ou presente que substitua a paz de estar em família. Sabia disso quando era criança, mas havia me esquecido como era sentir isso lá dentro. Não quero outro natal que não seja esse!

Se as dificuldades do inicio da semana foram lições, foi a melhor das lições que recebi em minha vida. Nunca foi consumista, sou marxista! Não no sentido puramente racional, mas no sentido da valorização das pessoas. Sempre quando falo ou penso em Natal nunca me agradou aquela obrigação de ser feliz, dar vários presentes, ficar mostrando os dentes e dizer feliz Natal a cada segundo, mas sempre penso no sentido de gostar por gostar sem pedi nada que não seja gostar tanto quanto, e estar sempre presente principalmente no Natal, este foi assim, especial e cheio de amor!


Sumayra está muito feliz por ter uma família linda que não é comercial da Doriana!

quinta-feira, 23 de dezembro de 2010

Começando o exercício de fim de ano. Bem vinda reflexões

Todo fim ano faço uma análise (como boa parte das pessoas) do que termina e reflexões futurísticas, nada de futurologia apenas pensamentos. Este ano começo mais cedo com  recortes de tudo que respira em mim e na minha volta.
Vamos lá... Que venha 2011!

O correr da vida embrulha tudo.
A vida é assim, esquenta e esfria, aperta e depois afrouxa e depois desinquieta.
O que ela quer da gente é coragem.
O que Deus quer é ver a gente aprendendo a ser capaz de ficar alegre e amar, no meio da alegria.
E ainda mais alegre no meio da tristeza.
Todo caminho da gente é resvaloso, mas cair não prejudica demais, a gente levanta, a gente sobe, a gente volta.

João Guimarães Rosa

domingo, 12 de dezembro de 2010

Dessassossego


As meias sem par, a negação à rotina, à obediência e à normatização. A inconstância, a descerimônia, a ausência presente e a ausência definitiva. A vadiagem, o desapego, a preguiça, o sono. A solidão, a dúvida, o questionamento. A alienação, o esquecimento, a busca e minha ingenuidade de sempre. O dinheiro não poupado, o tempo gasto até o último vintém. O quarto do avesso, as diferenças acertadas, as áreas comuns, o rompimento. As disciplinas pessoais, os limites, as forças. Os desentendimentos, os diálogos, a impermanência, a partida. A insegurança, a carência. O teto, o cobertor, a geladeira, o café. Os incontáveis passados, o único presente, o futuro impensado. As possibilidades, o anonimato. Os projetos, crenças, aspirações e frustrações tão sortidas quanto pessoais. O tempo livre, a fadiga, a tosse. As contas, a roupa de cama e banho, a louça. A arte, o medo e a coragem, as paredes sem acabamento. A experiência, o cansaço, o abatimento. A fuga, a fugacidade, o desassossego. A vida que me pertence no presente momento.

Num mundo paralelo, tão meu quanto de ninguém, tão sem dono como todos, ando assim ultimamente, só na multidão.

segunda-feira, 1 de novembro de 2010

Suprema Felicidade.

O que é felicidade?

Como todo pensador da esquerda neste país, adianto que não gosto do Arnaldo Jabor pelas suas posições reaças na política, mas adorei o filme, “Suprema Felicidade” e separo bem os fatos e atos, portanto não vai interferir em minha opinião de telespectadora.

Suprema Felicidade é tão leve e ao mesmo tempo tão intenso e delicado, trata de passagens sutis da vida, sem exageros e melodramas, mas de sentimentos que a gente se esquece ao longo da jornada que nos endurece. Tem uma pergunta que o ator principal faz pro seu avô, Marco Nanini que é pra respirar, e refletir um bocado: A felicidade existe; o que existe é a alegria, teve um único momento em que foi feliz, esperando um bonde, por 10 minutos,a vida gosta de quem gosta dela. um personagem diz a outro.

Claro! o mundo capitalista nos obriga a ser produtos extremanete felizes, impossível pensar a existência como estado de felicidade plena – a não ser que você seja um viciado em um tipo de droga, que de deixa longe da realidade e beatificado ao longo do dia.

A vida é cheia de altos e baixos e convém aproveitar os mais alegres e melhores para cada um de nós. O mesmo pode ser dito do novo filme de Arnaldo Jabor – ele próprio é formado por momentos, uns que seguram mais a gente e nos fazem voar, e outros que fazem a gente voltar para a terra, em meio ao espírito nostálgico de um filme de memória, o longa possui cenas de fazer respirar fundo e se você for como eu, chorar baixinho, como a interpretação de Marco Nanini é simplesmente sensacional e extraordinária, são as melhores cenas. Nanini se apresenta como um homem moderno e que está “antenado” com as transformações da época acompanhando, assim, as descobertas do seu neto, Pualinho- o ator principal, que é uma das passagem nem tão fascinante assim.

O filme aspira alguns amores e desamores, tem duas falas que foram importantes dentro do meu conceito, e do momento em que estamos vivendo no Brasil com a ascenção da mulher: Um diálogo do pai com o filho Paulinho: Sua mãe era tão alegre quando a conheci, hoje ela é triste, não sei porque, mas gosto disso, quanto mais triste, mais sei que ela é minha. Há um debate do desejo da mãe de trabalhar e o pai não permitir, passando longas noite no bordel Eldorado, onde a próprio filho experimenta um amor. Ha outra mais divertida de Marco Nanni: Meu neto preste muito atenção no que vou te falar, o amor... É foda!

Apesar das duras críticas que li a respeito do filme, lembro aqui de “Lisbela e o Prisioneiro” que também sofreu com as críticas e ADOREI! Eu recomendo Suprema Felicidade, tem um bom elenco, uma boa trilha sonora e uma belíssima fotografia, que se utiliza de uma tonalidade amarela durante praticamente toda a projeção para dar significado e destaque ao Rio de Janeiro da época imaginada por Arnaldo Jabor.

Não opino se o filme se pinta de cinema novo, neo- realismo ou surrealismo, não sou da área, fico fascinada com o debate posto, mas sei que é um filme de memória, que me deixou mais leve e um pouca nostálgica com a minha eterna vontade de ter vivido os anos 50 e 60, respirando romantismo, delicadeza e com a certeza  que mudariamos o mundo.


P.s: no site oficial do Filme existe um teste o felizmetro. Uma brincadeira comercial para promover o filme, criativo e divertido. http://www.paramountpictures.com.br/asupremafelicidade/

quarta-feira, 27 de outubro de 2010

Bem melhor depois dos trinta, com pinga ou sem?

Um dia nem tão atípico, mas cheios de comentários diferentes no mesmo sentido. Dá pra entender? Bem começou assim. Acordei atrasada não fui pra academia, saí no meio da manhã direto pro trabalho, aérea, culpada por não malhar e acordar tarde.

No caminho que faço sempre, tenho à sorte de morar próximo ao centro da cidade e do meu emprego, me para um carro de Brasília e surge uma voz:

- Sempre te encontro, mas ta sempre acompanhada, posso falar com você?

Jurei que era um tipo de calango tarado matinal. Fiquei morrendo de medo e pensando porque nunca mudo o caminho! Bem, era apenas um paquerador que realmente tá sempre nos mesmos lugares que frenquento. Mas de qualquer forma dá uma volta há mais, e mudar o caminho de vez enquando, num faz mal a ninguém.

No meio da tarde foi atender um convite do meu antigo emprego, e assistir a formatura de uma turminha muito especial  que estava concluindo um projeto de educação não-formal. No encontro com os alunos, os meninos ficaram me olhando com cara de espanto e diziam:

- Tia, você mudou tá mais bonita.

Quando cheguei à empresa o comentário era geral:

- Você tá bem melhor mais bonita e jovem!

Uau! Num faz nem três anos que mudei de emprego. Fiquei super contente! O dia fui de elogios que alma agradece. E cheguei a conclusão, to realmente melhor depois dos trinta, mas isto não significa que um dia fui um trapo mulambento, certo? Depende da ótica.

Na caminho de volta pra casa, no mesmo da manhã, o bêbado mais histórico do bairro me pára pergunta do meu filho, e solta um comentário:

- Nunca te achei bonita, mas ultimamente você ta muito gata!


Sumayra se sente bem mais segura depois dos trinta! E agora sabe que beleza é se sentir confiante.