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segunda-feira, 9 de dezembro de 2013

Alvará de demolição

“O que precisa nascer
tem sua raiz em
chão de casa velha.
À sua necessidade...
o piso cede, estalam rachaduras
nas paredes,
os caixões de janela se desprendem.
O que precisa nascer aparece no sonho
Buscando frinchas no teto,
Réstias de luz e ar.
Sei muito bem
Do que este sonho fala
E a quem pode me dar
Peço coragem.”

Adélia Prado 

quinta-feira, 5 de dezembro de 2013

A Coragem

Não sejas nunca medroso!
Fraco embora, tem coragem!
Para fazer a viagem
Da vida, sem hesitar,

É preciso, de alma forte,
Sem ostentar valentia,
Dominar a covardia,
Para o perigo enfrentar.

O medo é próprio do pérfido,
Do pecador, do malvado:
Quem não se entrega ao pecado
Não receia a punição.

Não tem medo quem caminha
Com a consciência tranqüila,
Quem o inimigo aniquila
Com a força da razão!

Não abuses da bravura;
Não afrontes o inimigo;
Não procures o perigo;
Prega o amor! e prega a paz!

Mas, se isso for impossível,
Não fujas! cai batalhando!
E, se morreres lutando,
Morre! feliz morrerás.

Olavo Bilac

segunda-feira, 25 de novembro de 2013

Poema na Audiência

Escutar, ouvir, falar
Fazer a quem escutar
A quem se fala ouvir
Fazer, discutir, rever
Ouvir
Impasse
Escutar, ouvir, falar, votar
A quem participar
Democratizar
Coletivizar
E como aprender a andar
Basta começar

Poema feito na audiência pública, Prefeitura no bairro - Valim de Melo. Na Escola Joubert de Carvalho.

quinta-feira, 7 de novembro de 2013

Viva Cecília Meireles

Cecília Meireles nasceu assim como Ary Barroso, na data de hoje.

"Não vou deixar a porta entre aberta. Vou escancará-la ou fecha-la de vez. Porque pelos vãos, brechas e fendas... passam semiventos, meias verdades e muita insensatez.” Cecília Meireles 

É preciso amar as pessoas e usar as coisas e não, amar as coisas e usar as pessoas” .Cecília


terça-feira, 29 de outubro de 2013

Dum

Aperta bem apertado
Nó sem dó
Faz dum-dum sem tamborim
Há de parar
De muito apertar
Quem aperta?
Sem nota
Quem toca?
Sem maestro para ensinar
Toca de doer de tanto apertar
Achei que ia parar
dum-dum- dum
Doer não rima
Mas faz dum -dum apertado ficar

segunda-feira, 28 de outubro de 2013

Três poeminhas para brincar


Hoje acordei AZUL

bolinhas de sabão para tentar

Dormi dor de LARANJA

E sonhei VERMELHO de amar

Vou dormir CINZAS

Para acordar colorida
E ver a dor passar.


Desejo

Vontade

Quanto mais com você
Desejo

Com a vontade
De ficar quanto mais
Com vontade de desejo

 a mais
 Por você


*O amor, então, 
também, acaba?
Não, que eu saiba.
O que eu sei é que transforma
numa matéria-prima
que a vida se encarrega
de transformar em raiva
ou rima.

*De, Menina Pereba.




segunda-feira, 29 de abril de 2013

Correr

Gosto de correr. 
Exercício de liberdade. 
Durante o dia, quero começar a andar. 
Quero deixar de ter pressa, desacelerar. 
Quero pisar na areia e olhar para o mar. 
Quero deitar na rede e olhar o luar. 
Correr para engolir vento, pisar em frutas de árvores no chão e pensar na transformação.  
Quero andar. 
Quero amar. 
Quero mar e ar. 
Quero o luar. 
Quero tudo ao mesmo tempo.
Correr e andar devagar. 
De vagar.

Pablo Picasso. Mulheres Correndo na Praia. 1922. Oleó sobre madeira. Museu Picasso, Paris, França


segunda-feira, 4 de fevereiro de 2013

Doce


A doçura da moça transborda.
Acostumada a ser de açúcar, derrete-se por tão pouco.
Carrega nas palavras a leveza que o mundo precisa.
É com seu olhar de menina dolorida que aprendeu a enfeitar-se de vida.
Recolheu as esperas, soprou os venenos pra longe e despiu-se da ingratidão alheia.
Costurou o próprio mundo, carregou bagagens e jamais se torturou por ser tão doce.
Ergueu os ombros, empinou o nariz para todas as fraquezas, sem questionar os porquês da vida, sem vacilar, sem reclamar.
Lutou contra a insônia, se desvencilhou do mal humor, pintou o próprio céu nos olhos, desenhou nuvens na testa, se fez chuva, sol e alguma miragem bonita.
Se fez sonho, se fez real, apaixonada por palavras, inventou a própria estrada, escreveu na lua, na rua e na parede da sala.
Engoliu as mágoas e os desatinos daqueles que sempre desacreditaram dela, bordou um riso bonito no rosto, sorriu para o espelho e foi aliada do coração brincando de ser poesia.

sexta-feira, 21 de setembro de 2012

Primavera, de Olavo Bilac


Ah! quem nos dera que isso, como outrora,
inda nos comovesse! Ah! quem nos dera
que inda juntos pudessemos agora
ver o desabrochar da primavera!
Saíamos com os pássaros e a aurora,
e, no chão, sobre os troncos cheios de hera,
sentavas-te sorrindo, de hora em hora:
"Beijemo-nos! amemo-nos! espera!"
E esse corpo de rosa recendia,
e aos meus beijos de fogo palpitava,
alquebrado de amor e de cansaco....
A alma da terra gorjeava e ria...
Nascia a primavera...E eu te levava,
primavera de carne, pelo braço!Ah! quem nos dera que isso, como outrora,
inda nos comovesse! Ah! quem nos dera
que inda juntos pudessemos agora
ver o desabrochar da primavera!
Saíamos com os pássaros e a aurora,
e, no chão, sobre os troncos cheios de hera,
sentavas-te sorrindo, de hora em hora:
"Beijemo-nos! amemo-nos! espera!"
E esse corpo de rosa recendia,
e aos meus beijos de fogo palpitava,
alquebrado de amor e de cansaco....
A alma da terra gorjeava e ria...
Nascia a primavera...E eu te levava,
primavera de carne, pelo braço!

terça-feira, 31 de julho de 2012

A Cidade Pode Vencer

O poeta Carlos Drummond de Andrade, em Carta a Stalingrado, proclamou: “as cidades podem vencer”. Neste poema ele exalta a vitória do povo soviético e de seu exército, em Stalingrado, sobre a até então, imbatível máquina de guerra nazista. Presto uma Homenageio a  nossa Princesa do Sertão que também precisa vencer!


Carlos Drummond de Andrade: Carta a Stalingrado

Depois de Madri e de Londres, ainda há grandes cidades!O mundo não acabou, pois que entre as ruínas outros homens surgem, a face negra de pó e de pólvora, e o hálito selvagem da liberdade dilata os seus peitos, Stalingrado, seus peitos que estalam e caem, enquanto outros, vingadores, se elevam.

A poesia fugiu dos livros, agora está nos jornais. Os telegramas de Moscou repetem Homero. Mas Homero é velho. Os telegramas cantam um mundo novo que nós, na escuridão, ignorávamos.  Fomos encontrá-lo em ti, cidade destruída, na paz de tuas ruas mortas mas não conformadas, no teu arquejo de vida mais forte que o estouro das bombas, na tua fria vontade de resistir.

Saber que resistes. Que enquanto dormimos, comemos e trabalhamos, resistes. Que quando abrimos o jornal pela manhã teu nome (em ouro oculto) estará firme no alto da página. Terá custado milhares de homens, tanques e aviões, mas valeu a pena. Saber que vigias, Stalingrado, sobre nossas cabeças, nossas prevenções e nossos confusos pensamentos distantes dá um enorme alento à alma desesperada e ao coração que duvida.

Stalingrado, miserável monte de escombros, entretanto resplandecente! As belas cidades do mundo contemplam-te em pasmo e silêncio. Débeis em face do teu pavoroso poder, mesquinhas no seu esplendor de mármores salvos e rios não profanados, as pobres e prudentes cidades, outrora gloriosas, entregues sem luta, aprendem contigo o gesto de fogo. Também elas podem esperar.

Stalingrado, quantas esperanças! Que flores, que cristais e músicas o teu nome nos derrama! Que felicidade brota de tuas casas! De umas apenas resta a escada cheia de corpos; de outras o cano de gás, a torneira, uma bacia de criança. Não há mais livros para ler nem teatros funcionando nem trabalho nas fábricas, todos morreram, estropiaram-se, os últimos defendem pedaços negros de parede, mas a vida em ti é prodigiosa e pulula como insetos ao sol,  ó minha louca Stalingrado!

A tamanha distância procuro, indago, cheiro destroços sangrentos, apalpo as formas desmanteladas de teu corpo, caminho solitariamente em tuas ruas onde há mãos soltas e relógios partidos, sinto-te como uma criatura humana, e que és tu, Stalingrado, senão isto?

Uma criatura que não quer morrer e combate, contra o céu, a água, o metal, a criatura combate, contra milhões de braços e engenhos mecânicos a criatura combate,  contra o frio, a fome, a noite, contra a morte a criatura combate, e vence.

As cidades podem vencer, Stalingrado! Penso na vitória das cidades, que por enquanto é apenas umafumaça subindo do Volga. Penso no colar de cidades, que se amarão e se defenderãocontra tudo. Em teu chão calcinado onde apodrecem cadáveres, a grande Cidade de amanhã erguerá a sua Ordem.


A Rosa do Povo – Carlos Drummond de Andrade
Editora Record

terça-feira, 12 de junho de 2012

Adaptado de Nina Rizzi – Fragmentos 5


Então o poema começava com a moça dizendo que a verdade absoluta é a monogamia. Não a contratual, mas àquela excitante. Depois dançava. Existia uma disputa, o branquelo e o negro, morador de rua.

... Eu ando... Não me importo de comer spaghetti sem sal... Eu te escrevo e sinto vontade de rir, chorar, dançar... O meu planeta devia ser feito de vento e água e era uma ciranda de girassóis...

Não importa. "pelo bem ou pelo mal": às vezes me falta a palavra e fico pensando o tempo todo... Bem, eu sou uma puta resoluta e não me deito com ninguém. Mas te cheiro o cangote e assopro até me faltar o pouco ar. Te beijo esse cangote.

[...]

o que pode haver de diabólico nisso? O meu olhar doce?... o meu sexo é renascentista e essas vênus renascentistas são todas pudicas! não obstante, não precisava mais que o olhar (precisava, não precisava, bastava, não bastava). eu gosto que me olhem. não como voyer, mas aquele olhar dos doidos quando em ternura. é bonito, como dizer o nome de seu interlocutor.não é flerte, ousadia: é poesia e eu sou movida a poesia.

bem, contrariando todas as expectativas o meu companheiro NÃO... me escreveu a carta...pedindo desculpas, mas nada mais que isso e se pergunto o porquê há uma desconversação. as super-esquisitices. talvez isso me atraia, esse nem caga nem sai da moita, ou como se diz, o areamento.

[...]

... Eu preciso me sentir amada!... então fiquei pensando no que estalou de volta à realidade, se eu posso ser uma realidade. lembrei que quando sai da ladeira disse que tem péssima memória, que eu ia virar nuvem em sua cabeça, ou algo assim. acho que foi isso, a distância física acaba por se tornar emocional. mas pra mim a distância física não se torna emocional, não como regra, mas como excessão.... na verdade, acho que a convivência é que desgosta. não é fácil suportar as mundanalidades dos outros... a gente aprende tanto com o outro, né. e vendo o outro percebo-o: a convivência os desgosta...

[...]

Adaptado de Nina Rizzi – Fragmentos 5 - Texto é de Nina Rizzi

segunda-feira, 11 de junho de 2012

SONETO LXV

Se a morte predomina na bravura
Do bronze, pedra, terra e imenso mar,
Pode sobreviver a formosura, 
Tendo da flor a força a devastar? 

Como pode o aroma do verão
Deter o forte assédio destes dias, 
Se portas de aço e duras rochas não
Podem vencer do Tempo a tirania? 


Onde ocultar - meditação atroz -
O ouro que o Tempo quer em sua arca? 
Que mão pode deter seu pé veloz, 
Ou que beleza o Tempo não demarca? 


Nenhuma! A menos que este meu amor
Em negra tinta guarde o seu fulgor.


William Shakespeare

quinta-feira, 31 de maio de 2012

Meus Pais


O único sentimento que tem me importado nos últimos dias, é o desejo de estar cada dia mais e mais perto. Para isso preciso ficar! Porque é de onde posso olhar! Às vezes de longe, às vezes de perto, outras com meus braços em abraços.

E olhando só consigo pensar - Será que serei assim como eles?

Assim... Plena como estrelas no céu, dedicada como cheiro de samambaia molhada, paciente como seca esperando à chuva, educadora como árvore forte, carinhosa com gosto de querer mais, humana, mais que tudo humana.  

Não, não estou pronta! Preciso deles cada dia mais! Não, não estou pronta!   Fica aqui na garganta e enche os olhos d'água.



domingo, 29 de abril de 2012

Thiago de Mello doa honorários à causa de antiterroristas cubanos


O poeta brasileiro Thiago de Mello doou neste sábado (28) os honorários que receberia por participar da 1ª Bienal do Livro do Amazonas à causa pela libertação dos cinco antiterroristas cubanos, presos injustamente nos Estados Unidos.

Em declarações à Prensa Latina por telefone de Manaus, capital do estado do Amazonas, Mello ressaltou que seu gesto não é pessoal, mas sim da poesia brasileira e que o mesmo busca criar consciência para que muito mais pessoas se somem à batalha pela libertação de Gerardo Hernández, Antonio Guerrero, René González, Ramón Labañino e René González.

Thiago de Mello explicou que pediu à empresa Fagga/GL Exhibitions, organizadora da 1ª Bienal, que deposite na conta dos Cinco - como são conhecidos no mundo -, no Banco Financeiro de Cuba, o dinheiro que receberia por suas conferências e por um recital no evento do livro, que se iniciou neste sábado e deve terminar no dia 6 de maio.

Nascido em Barreirinha, um município do interior do Amazonas, no dia 30 de março de 1921, Thiago de Mello é um dos poetas mais influentes e respeitados do Brasil, reconhecido como um ícone da literatura regional. Algumas de suas obras foram traduzidas para mais de 30 idiomas.

Mello tornou público o anúncio de sua doação à causa dos Cinco durante a inauguração do encontro, ao participar de um Tacacá Literário - em homenagem a um prato típico amazônida - sobre a importância da leitura no fortalecimento da cidadania.

Ao revelar sua decisão, recebeu um caloroso aplauso dos presentes e então pediu-lhes que utilizem todas as vias possíveis para pressionar o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, a libertar e permitir o regresso a Cuba dos cinco cubanos, lutadores contra o terrorismo.

O poeta, um dos milhares de brasileiros presos durante a ditadura militar (1964-1985), afirmou que sua doação é uma modesta contribuição à campanha mundial que se desenvolve no mundo para acabar com a injusta prisão à qual foram submetidos os cinco cubanos, que já dura quase 14 anos.

Depois de assegurar que leva Cuba em seu coração, o famoso poeta amazonense afirmou que a melhor notícia é que, ao conhecer seu gesto, a editora de seus livros manifestou sua disposição de seguir seu exemplo e fazer também uma contribuição à causa dos antiterroristas.

Os Cinco foram presos no dia 12 de setembro de 1998 na cidade estadunidense de Miami. Um processo irregular realizado ali condenou-os em 2001 a sentenças que vão até a dupla prisão perpétua mais 15 anos.

Personalidades e organizações mundiais têm defendido estes lutadores, que apenas vigiavam atividades extremistas de grupos violentos de origem cubana na Flórida para alertar seu país sobre ações terroristas.

Prensa Latina

terça-feira, 15 de novembro de 2011

Sibila

Sou Sibila me comunico com a natureza.
Sou triste, chove!
Sou feliz, arde sol sobre montanhas.
Sou insegura e acuada caem raios e trovões. Libertam!
Sou sem esperança, granizos batem em suas janelas.

Sou Sibila converso com os Deuses
Peço licença e entro no mar
Os que me jogam para trás, convenço a me deixar reinar.
Tomo banho de tempestade, renovam o corpo.
Brinco de abrir cachoeiras
Faço brotar flores e fechar estradas em relvas
Profetizo o amanhã

Sou Sibila me comunico com os oráculos
Descubro verdades pelo toque
Descubro mentiras no vento
Vejo o amanhã no céu
Sinto chegadas e partidas, desejo permanências e ausências
Profetizo o futuro
Redescubro passados

Sou Sibila, Deuses falam:
Sou bondade e sou maldade,
Força e fraqueza
Dou vida eterna e retiro-as
Faço brilhar estrelas e desfaço-as
Sou Sibila sou eterna, sou estrela, fada e feiticeira, bruxa e profetiza.

sexta-feira, 7 de outubro de 2011

Palestra do Ricardo Antunes (UNICAMP) na UFTM

No dia 13/10/11, quinta-feira, às 19:00h, no auditório A do CEA, o Prof. Ricardo Antunes, Unicamp, dará uma palestra - AS NOVAS RELAÇÕES DE TRABALHO E AS LUTAS SOCIAIS HOJE - e lançará o seu mais recente livro: O CONTINENTE DO LABOR.


É uma realização do DFICS, NIEPHES e PET Ciências Sociais e da Natureza.

A presença de vocês será uma grande honra e um prazer para nós. Solicitamos a cada um que nos ajude na divulgação. Segue em anexo o cartaz para divulgação nas suas listas de e-mails e para informar alunos e amigos.


Um grande abraço,


Prof. Dr. Fábio César da Fonseca

Departamento de Filosofia e Ciências Sociais - (34) 3318-5967

PET Ciências Sociais e da Natureza

quinta-feira, 2 de junho de 2011

Morro de São Bento

Nunca vi povo mais infeliz
Os excessos são a procura do preenchimento dos morros de São Bento

Um Vazio oco
Oco de futuro
Oco de amor
Oco de ética
Oco de Brasil

Os excessos desde povo são as tristezas imposta por Biagis e Paloccis
Acabam com a Poesia
Fazem Feira para Livros
Mas, não apagam os Morros de São Bento

Vazio o olhar
É o oco do morro de São Bento
Um preenchimento de linhas escritas
A memória  chegará ao morro de São Bento?
E o vazio chegará às linhas?

Quem sabe lá na frente o oco seja um olhar mineiro
Desconfiado de um povo tão infeliz


Sumayra de Ribeirão Preto em 28/05/2011,
Sentada no Doutor Lingüiça esperando uma mesa no Pingüim (Tudo com Trema – desse jeito mesmo)

domingo, 22 de maio de 2011

Quem é a menina?*

Há muitas pessoas que perguntam à menina quem, de fato, ela é. Há muitos que querem saber o que a menina pensa.
E insistem.
E ela então se pergunta até que ponto essas pessoas suportariam conhecer a menina que se esconde por trás da menina...

Não há só uma essência na menina.
Ela não é una.
É múltipla, plural.
Ela não carrega consigo uma só verdade, porque acredita que a verdade tem mil facetas distintas.

A menina é alguém que gosta de olhar fundo nos olhos dos outros, que gosta de sorrir rasgado e que sempre ri de si mesma.
A menina é alguém que não finge sentimentos.
Se ela ama, se entrega.
Se despreza, dá as costas.
Ela não finge ser simpática.
Com ela é assim: Se gostou, seja bem-vindo. Se não gostou, vá em paz.
(E talvez, por isso, muitos não saibam como agir ou o que esperar da menina)

Ela é alguém que gosta do risco.
Dos que se arriscam.
Dos que, assim como ela, não tem medo de dar a cara à tapa.
A menina é alguém que gosta, ainda, dos que a desafiam.
Dos que a arrancam do tédio.
Dos que tocam fundo seus sentimentos. . .
Ela é alguém que gosta do tudo ou nada.
Daquilo que é morno, ela quer distância.

A menina é uma pessoa que está realmente feliz com aquilo que tem.
Mas que não se contenta com isso.
Não se acomoda.
Os sonhos da menina estão sempre lá adiante, tocando as estrelas.

A menina é alguém que não se deixa, jamais, paralisar por seus medos e inseguranças.
Ela é alguém que se joga naquilo que acredita.
E a menina é alguém que erra.
Que erra muito.
E que erra feio.
Mas que jamais deixa de tentar por medo de errar.

A menina é alguém que, a despeito de quaisquer reveses, sempre seguirá adiante, pois sabe que tem como nome a própria coragem ...

* Direto do blog "De repente, 30"

segunda-feira, 2 de maio de 2011

Dois de maio de 2011


Tenho a impressão que a vida,

as coisas foram me levando. Levando em frente,

levando embora, levando aos trancos,

de qualquer jeito.

Sem se importarem se eu não queria mais ir.

Agora olho em volta e não tenho certeza se gostaria mesmo de estar aqui.

Caio, em: Triângulo das Águas