quarta-feira, 5 de dezembro de 2012

Série: Livros que foram bíblias em minha vida


                     Marcos Alvito Pereira de Souza em “As cores de Acari”, 2001, vivenciou a rotina da comunidade de Acari e registrou, em detalhes, a chamada zona vermelha, expressão usada por policiais na década de 1990, em referência a Acari, considerada pelas autoridades uma favela de alta periculosidade à época. A estrutura do trabalho tem inicio a partir de uma frase ouvida pelo autor em Acari: “a favela é bicho-de-sete-cabeças”, como simplificou um morador, serviu como pano de fundo para o estudo de Marcos Alvito. As sete cabeças seriam; a mídia, a polícia, políticos e autoridades, as organizações não-governamentais, as igrejas, a comunidade e o tráfico, bem como a atuação de cada um deles, com o objetivo de elaborar uma interpretação dos símbolos acarianos.

Alvito mostra a problemática da “ilusão” dos territórios, pois de fato Acari não existe, o que é veracidade neste interior do universo da favela são três diferentes localidades, cada qual com seu nome, demarcação espacial e associação de moradores, que no processo cotidiano são bem distintas e jamais confundidas entre seus residentes, que fazem questão de se distinguir e não circulam de uma favela para outra, tratam como o lado de lá, expondo uma enorme distância, sendo o que distancia é apenas uma rua. O autor retratar um profundo processo de transformação da visão de mundo que estilhaçou as redes de sociabilidade, construindo uma realidade marcada por oposições: o branco e o negro, policiais e bandidos, o Bem e o Mal, e Deus e o Diabo. As cores de Acari, na verdade, nos serve como espelho de tantas outras comunidades brasileiras que sobrevivem à sua complexidade.

Esta obra trata-se de tentar identificar, na favela de Acari, um conjunto de planos organizacionais, que possa ser encontrado, com outras ênfases e com outros arranjos, em diferentes favelas, nesse sentido Alvito pretende avançar na sua teoria sobre a favela carioca em dois níveis: o nível macrosociologico das relações entre favela e instituições supralocais e o nível microsociologico focalizando as microáreas de vizinhanças existentes em cada favela.  As localidades como aborda o autor, é onde se constituem os pontos nodais de interação e há uma rede altamente complexa de diversos tipos de analogia, abolindo a palavra comunidade, por ser uma transposição mecânica dos métodos utilizados no estudo de tribos, e muitas vezes utilizados para determinar um microcosmo isolado e autônomo. Destacando que o objetivo deste trabalho, portanto selecionado a esta pesquisa, é considerar as diversas relações existentes em uma localidade. 

REFERÊNCIA

SILVA, Sumayra de Oliveira. As Vilas e o São Cristóvão.  Monografia apresentada ao Instituto Federal Triângulo Mineiro Campus Uberaba, como requisito para obtenção do título de Graduação de Tecnologia em Desenvolvimento Social. Uberaba, 2009.


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