segunda-feira, 3 de setembro de 2012

Paulo Miranda abre exposição nesta quarta-feira (05)

Paulo Miranda convida a todos para a abertura da exposição "Escavações Parietais" nesta próxima quarta-feira dia 05/09 as 19h no Centro de Cultura José Maria Barra.  A mostra tem o texto de apresentação assinado pelo escritor e poeta Jorge Alberto Nabut.

Segue texto de apresentação da exposição:

O artista estende sobre a linha do horizonte o plano dos chapadões (do Zagaia e do Bugre), do sertão onde atua: o da Farinha Podre, a imensa e frutiticada região do Triângulo Mineiro. Esse alinhamento constante do chapadão – abismo horizontal – pode sugerir ponto de equilíbrio ou insurgir um plano de fuga. Entre um e outro o criador se detém a examinar as condições/as decisões.

Aquém da vasta perspectiva, há uma paisagem intimista no recôndito daquilo que o artista teima em escavar na sutileza do reboco das muradas ancestrais e das paredes do casario caiado, calado; figurações pertinentes à sua herança cultural.

Ele parece brincar com coisa séria: o prazer sádico de cavucar as paredes da memória, tocar as cascas das feridas. Há momentos em que algum formato começa a se delinear, ao se deformar os imensos panos outrora brancos das edificações, deixando no ar (no cartão) uma ameaça antropomorfa/amorfa.

A tessitura das escavações parietais sofre ação da umidade que desequilibra a densidade da argamassa, da dança virulenta da poeira em busca de acento sob efeito alcoolizado das ventanias de agosto, da secura dos sóis açoitados de setembro. As trincas se põem a desenhar rotas/roteiros e a mapear andanças sobre o corpo das casas, da musculatura dos muros, do casulo das pedras vivas. Na química das horas, os pensamentos acompanham estas decisões avassaladoras, que o pincel registra com sua tarimba de repórter.
Nada impede que as escavações continuem, sob/sobre o horizonte de cheias e minguantes.

As regalias dadas à memória fazem com que as camadas de tinta/de tempo se descolem e um fragmento de decomposição assinala uma descoberta, uma composição.

Está em jogo a precariedade dos registros ulteriores. Na carência deles, o artista se distancia na medida em que o tempo age por ele, em nome dele.

Ele se põe a espiar/a expectar a mutação das coisas, das cores (semicores), do curso do tempo sobre a memória em fragmentos

Na “cinza das horas” o tempo exerce uma ação ácida que atua sobre estes enquadramentos.
Serão recortes de tempo os enquadramentos acinzentados/acidentais feitos pelo artista?
Sob a paisagem plana, o criador inventa um plano sobre papéis.

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